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Vamos falar sobre depressão?

“Preciso de um remédio para impotência, doutor”. É natural que todo urologista escute essa frase pelo menos uma vez por dia dentro do consultório. O que eu faço diante desse pedido? Pode parecer estranho, mas minha atitude inicial não é partir direto para a anamnese (entrevista realizada pelo profissional de saúde para diagnosticar o paciente) ou avaliação física. Tampouco tiro meu receituário da gaveta para solicitar exames. Em primeiro lugar, o que eu faço é…silêncio.

Solto, no máximo, um breve “entendi”, dito em postura atenta, como quem “devolve a bola” para o paciente. A ideia é fazê-lo praticar algo que os homens quase sempre evitam: elaborar percepções e sentimentos relacionados à intimidade. Se tem uma coisa que os anos me ensinaram, afinal, é que as queixas relacionadas ao desempenho sexual masculino não raro constituem a ponta de um imenso iceberg, que muitas vezes atende pelo nome de depressão. E é justamente sobre esse tema tão importante que eu gostaria de conversar com vocês nesse post.

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Homens obesos são menos férteis. Entenda por que

O que eu mais gosto neste blog é que a gente conversa sobre saúde, entre outros temas sérios, mas com a informalidade como a informalidade de um papo de boteco, regado à cerveja gelada e um bom tira-gosto mineiro. Receio, entretanto, que o assunto desta segunda-feira não esteja entre os mais populares do cardápio. O que temos para hoje, caro leitor, é uma degustação completa de verdades sobre obesidade e saúde reprodutiva.

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Andropausa: o que é, como te afeta e como lidar com ela

Faz tempo que as conversas sobre menopausa extrapolaram o âmbito dos consultórios médicos. Corriqueiro, o assunto vem facilmente à tona até mesmo em situações de humor. “Quem foi que ligou o ar condicionado no máximo num inverno desses? Só pode estar na menopausa!”, costumam brincar os friorentos com aqueles que sentem mais calor.

Ou seja: de modo geral, homens e mulheres estão familiarizados com as características, sintomas e consequências dessa etapa do ciclo reprodutivo feminino e o encaram com muita naturalidade. O mesmo não se pode dizer de um fenômeno parecido que eventualmente também pode afetar os homens: o distúrbio androgênico associado ao envelhecimento masculino (DAEM), tema lamentavelmente cercado por muito desconhecimento e tabus.

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HPV: Não é “só” uma verruguinha inofensiva

Em se tratando de doenças sexualmente transmissíveis (DST), duas coisas me assustam bastante nos últimos tempos. A primeira é o abandono da camisinha – sobretudo pelos jovens, que parecem encarar essa peça tão essencial e eficaz de proteção como algo “obsoleto”. A outra é o quanto esse mesmo público tem subestimado as DSTs. A impressão que eu tenho é a de que as pessoas acham que essas enfermidades equivalem a uma espécie de “resfriado” que passa com o tempo, sem maiores consequências.

Prova disso é o quanto elas andam se espalhando. Alguns posts atrás, falei aqui sobre o avanço da sífilis, cujos casos aumentaram de maneira estrondosa não só no Brasil, como em vários países do mundo. O HPV, infelizmente, também não fica para trás, e é sobre ele que vamos, ou melhor: precisamos conversar hoje.

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Homem também faz pré-natal!

O post de hoje é especialmente direcionado aos pais de primeira viagem, que aguardam ansiosos o nascimento do primeiro filho. Ou mesmo aos mais experientes, prestes a viver mais uma vez a indescritível emoção da paternidade.

Não só como médico, mas como pai de duas meninas, a primeira coisa que me cabe dizer é: parabéns! Bem-vindos a essa aventura tão especial e única na vida de um homem. Mas me dê licença de fazer também uma pergunta básica: como vai seu pré-natal?

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Vivendo com o HIV: a história de Fernando*

Sim, ainda precisamos falar sobre o HIV. Sei que esse foi assunto do último post, em que mostrei pesquisas e estatísticas. Sei também que não economizei em alertas e esclarecimentos técnicos e científicos.

Mas a verdade é que tudo isso, embora nos faça enxergar muita coisa, diz bem menos que a voz de quem vive com o vírus.

Por isso trago hoje o depoimento do Fernando*. Ele tem 34 anos e convive com a infecção há 8. Contrariando o mito que atrela a enfermidade à homossexualidade, ele se contaminou durante uma relação heterossexual.

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Aids avança entre homens

É mais do que oficial. Um levantamento divulgado este mês pelo Ministério da Saúde revelou que AIDS avançou entre os homens.

Realizada em parceria com a Universidade Federal do Ceará, a pesquisa submeteu 3598 indivíduos ao exame de detecção do HIV de 12 cidades brasileiras. Resultado: 18,4% dos participantes estavam infectados pelo vírus, contra 12,1% do experimento anterior, feito em 2016.  

Esmiuçadas, as estatísticas revelam uma particularidade. A prevalência da AIDS é especialmente preocupante entre homens que fazem sexo com homens (HSH, na sigla do Ministério). A incidência da doença nesse público aumentou 140% entre 2009 e 2016, sobretudo entre os jovens homossexuais (pessoas com menos de 25 anos).

Diante dessa constatação, as manchetes dos jornais figuraram mais ou menos assim:

“Em 12 cidades brasileiras, um em cada 5 homens que fazem sexo com homens tem HIV” (G1)

“Em SP, 1 a cada 4 homens que transam com homens tem HIV, revela estudo” (FOLHA)

Diante disso, você, que é heterossexual, pode então respirar aliviado, não é mesmo? Claro que a resposta é:

NÃO

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Tudo o que você precisa saber sobre a vasectomia

Curioso como a vasectomia é normalmente um procedimento associado a jogadores de futebol, artistas e outras celebridades (solteiras ou não) que querem evitar “filhos-surpresa” e consequentes disputas judiciais por pensão alimentícia. Naturalmente que se trata de uma operação que pode servir a esse propósito, mas percebem a conotação machista dessa ideia? É como se estivéssemos falando de uma estratégia que nos “defende” das mulheres e suas “ocultas intenções”.

Prefiro encarar esse método contraceptivo pelo que ele de fato é (ou deveria ser): parte integrante do planejamento familiar – pacote de ações sob responsabilidade de ambos os sexos que visa não só evitar filhos indesejados, como promover e preservar a saúde de homens, mulheres e crianças.

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Quiz: você conhece mesmo o seu pênis?

Ele é nosso “parceiro” desde que a gente nasce. Há quem goste de chamá-lo por nomes pomposos – de Nabucodonosor a Calígula, passando por toda lista de monarcas vikings. Outros preferem apelidos como “sócio”, “amigo”, “campeão” e por aí vai. A julgar pela informalidade do tratamento, parece razoável concluir que os homens, de modo geral, constroem com o pênis uma relação de máxima intimidade e cuidados. Certo?

Como eu gostaria de concordar com essa afirmativa. A verdade é que o foco masculino é voltado demais à estética, ao tamanho e a potência da genitália, enquanto é alheio demais à saúde.

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toque retal

Todo homem precisa mesmo fazer o toque retal?

O que o medo do toque retal nos prova, no fim das contas, é que as fobias não têm mesmo nada de lógico. Lógico, afinal, seria temer o câncer de próstata. Este sim, quando não tratado a tempo, pode ocasionar prejuízos físicos, psicológicos e sociais de difícil superação. Impotência, incontinência urinária, apenas para citar alguns deles.

Já o exame de toque é um procedimento indolor e muito rápido. Entre o momento em que o urologista veste a luva de látex e o instante em que diz “pronto, pode se. vestir, senhor”, leva dois minutos, no máximo. É, portanto, certamente um fenômeno de raíz 100% irracional esse que leva tantos homens a atribuírem a um teste absurdamente simples tamanhos poderes sobre a masculinidade.

Mas, enfim, vamos à pergunta que deu origem a esse post — sem dúvida, uma das mais frequentemente feitas aos médicos brasileiros.“Eu tenho mesmo que fazer o exame de toque retal, doutor?”. Respondendo de forma franca e direta: talvez. Já a resposta completa seria: depende da sua idade, do seu perfil genético e do seu histórico de saúde.

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Dr. Pedro Romanelli - Todos os direitos reservados