O diagnóstico do câncer de próstata passou por transformações importantes nos últimos anos, e esse avanço era mais do que necessário. Tradicionalmente, o exame de toque retal e o PSA eram os principais triagens, enquanto a biópsia transretal guiada por ultrassom era a “rota padrão” para confirmação.
Embora ainda úteis, esses métodos apresentavam limitações: dificuldade para visualizar lesões anterolaterais ou frontais da próstata, possibilidade de infecções mais graves após a biópsia via reto e risco de subdiagnóstico de tumores clinicamente significativos.
Hoje a combinação da ressonância magnética multiparamétrica (mpMRI) da próstata com técnicas de fusão de imagem e a abordagem transperineal para a biópsia estão mudando esse cenário. A mpMRI permite identificar com mais precisão as lesões suspeitas e classificar seu risco, o que guia o urologista a focar em áreas específicas, não mais “agulhar ao acaso” a próstata inteira, mas direcionar amostras exatamente onde há maior probabilidade de doença relevante.
Em segundo lugar, a biópsia transperineal com fusão de imagem (mpMRI + ultrassom) permite que, através do períneo (área entre escroto e ânus), instrumentos atinjam diretamente as regiões suspeitas, com menor risco de infecção, melhor acesso às zonas difíceis da próstata e maior acurácia.
Uma de suas vantagens é a redução significativa das complicações infecciosas. Estatísticas recentes mostram que a via transperineal, ao evitar a passagem do instrumento pelo reto, diminui o risco de septicemia ou infecção urinária grave após o procedimento. Além disso, estudos demonstram que a detecção de câncer clinicamente significativo (ou seja, aquele de fato preocupado com evolução) é maior quando se usa a fusão de imagem e via transperineal, em comparação com a biópsia sistemática tradicional. Isso significa que conseguimos diagnosticar mais cedo, com menos “falsos negativos”, e com menos necessidade de repetir a biópsia.
Do ponto de vista prático, para o paciente isso traz alguns reflexos relevantes: se há suspeita de câncer de próstata (por PSA alto ou exame físico alterado), o urologista hoje tem à disposição ferramentas que melhoram a precisão do diagnóstico, que podem levar a menos amostras, menos dor, menos risco e menor número de “exames repetidos”. Além disso, com melhor mapeamento da próstata antes da biópsia, a decisão terapêutica – por exemplo, optar pela vigilância ativa ou tratamento definitivo – fica mais embasada.
Claro que esse avanço não elimina todos os desafios. Mesmo com imagens de alta resolução e fusão de imagem, há casos em que o tumor está muito pequeno, muito difuso ou em locais de difícil acesso, o que pode exigir combinação de técnicas ou repetição de biópsia. Ainda assim, a tendência é que menos pacientes passem por “biopsia às cegas”. E é importante que homens que vão fazer biópsia conversem com o urologista sobre qual técnica será usada, quais são os riscos, bem como a expectativa de recuperação e acompanhamento.
Para o profissional de saúde, incorporar essa tecnologia significa investir em equipamentos, treinamento e protocolos bem definidos. Saber interpretar a mpMRI, identificar corretamente as lesões suspeitas segundo sistema PI-RADS, entender os benefícios da via transperineal e organizar fluxos de trabalho com fusão de imagem se tornou parte da prática moderna da urologia. Para o paciente, significa maior segurança, diagnóstico mais precoce e, em última análise, melhores desfechos.