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5 fatos sobre o câncer de rim que todos precisam saber

5 fatos sobre o câncer de rim que todos precisam saber

O câncer de rim é o terceiro tumor mais frequente do aparelho geniturinário e representa cerca de 3% dos cânceres diagnosticados em adultos. Infelizmente, ainda é comum que esse tipo de doença só seja descoberto depois de entrar em metástase.

Isso se deve, em parte, à falta de conhecimento da população a respeito da incidência e prevenção desse tipo de tumor. Por esse motivo, reuni 5 fatos importantíssimos a respeito do câncer de rim para que você fique bem informado e possa tomar atitudes concretas para evitar esse e outros problemas de saúde. 

Tabagismo, obesidade e hipertensão são os principais fatores de risco

Fator de risco é tudo aquilo que aumenta a possibilidade de a pessoa desenvolver uma doença. O Tabagismo, a obesidade e a hipertensão estão ligados à diversos tipos de de tumor, mas no caso do câncer de rim, a questão tem a ver, principalmente, com a função primária do órgão, que é filtrar o sangue. 

Um estudo publicado em 2014 na revista científica The Lancet apontou que o aumento de 5kg/m² no Índice de Massa Corporal está relacionado a um risco 25% maior de desenvolver a doença. O ganho de peso faz com que o órgão precise filtrar mais sangue do que o normal para atender à demanda do organismo.

Quando o assunto é tabagismo, as substâncias cancerígenas presentes no cigarro entram na corrente sanguínea através dos pulmões e vão ser filtradas pelos rins, onde podem incentivar o desenvolvimento de um tumor.

Já a relação entre o câncer de rim e a hipertensão não está totalmente clara ainda. Alguns estudo sugerem que certos medicamentos utilizados no tratamento da doença podem aumentar o risco de tumores.

Atividade física é uma grande aliada na prevenção do câncer de rim

De acordo com uma pesquisa publicada no British Journal of Cancer, que analisou a associação entre atividade física e câncer renal, a prática de exercício físico pode chegar a diminuir o risco de desenvolver a neoplasia em até 22%. 

Ainda faltam pesquisas para determinar quais tipos, intensidade e frequência de exercícios físicos podem ser mais efetivos. Entretanto, não faltam evidências científicas de que levar uma vida ativa faz toda a diferença na prevenção do câncer. 

O câncer de rim não costuma apresentar sintomas na fase inicial

Atualmente, quase metade dos tumores renais é diagnosticada acidentalmente, durante um exame de check-up, por exemplo. Geralmente, as massas nos rins são identificadas em exames de imagem como ultrassom ou tomografia computadorizada realizados por outro motivo.

Isso ocorre porque raramente o câncer de rim apresenta sintomas em fases iniciais. Alguns deles são sangue na urina, dor lombar, varicocele e massa abdominal palpável. 

Homens têm três vezes mais chances de ter câncer de rim do que mulheres

As estatísticas sempre demonstraram que a porcentagem de homens que desenvolvem câncer de rim é três vezes maior do que a de mulheres. 

O motivo, segundo um estudo publicado na revista científica Nature Communications, parece ser os andrógenos, conjunto de hormônios masculinos como a testosterona. 

Os pesquisadores também identificaram que os homens são mais suscetíveis a metástases pulmonares do câncer renal do que as mulheres. Em contrapartida, houve pouca diferença entre os gêneros em relação à metástases nos gânglios linfáticos. 

Isso parece acontecer porque as células cancerígenas no sistema linfático têm poucos receptores de andrógenos. 

O principal tratamento é a remoção de parte ou todo o rim

Quando uma massa é identificada no rim do paciente, é difícil dizer se é maligna ou benigna. Por esse motivo, o padrão de tratamento é a remoção do tumor para biópsia, juntamente de parte ou a totalidade do órgão. 

Dependendo do tamanho do tumor, localização e estado de saúde do paciente, pode ser possível remover somente parte do rim. Esse procedimento é chamado de nefrectomia parcial. 

Entretanto, em muitos casos é mais indicado remover todo o órgão, numa cirurgia chamada nefrectomia radical. 

Ambos os procedimentos podem ser realizados de maneira minimamente invasiva, com a videolaparoscopia ou cirurgia robótica. 

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novas diretrizes para o tratamento do câncer de próstata

Saiba quais são as novas diretrizes para o tratamento do câncer de próstata avançado

A tomada de decisão a respeito dos melhores caminhos para o tratamento do câncer de próstata avançado é um tema constantemente debatido na urologia. 

Em junho de 2020, as entidades norte-americanas American Urological Association, American Society for Radiation Oncology, and Society of Urologic Oncology atualizaram as diretrizes de diagnóstico e tratamento desse tipo de tumor. 

Nos últimos anos, o panorama do câncer de próstata evoluiu muito devido às mudanças nos padrões de rastreamento pelo exame de PSA, bem como a aprovação de novos tipos de tratamento. Por esse motivo, foi necessário atualizar as recomendações no que diz respeito a doença. 

As novas diretrizes foram apresentadas durante a American Urological Association Virtual Experience 2020 e reúnem três declarações a respeito da avaliação e aconselhamento precoce:

  • Em pacientes com suspeita de câncer de próstata avançado e sem confirmação histológica anterior, os médicos devem obter diagnóstico tecidual a partir do tumor primário ou do local das metástases, quando for possível. 
  • Para pacientes com diagnóstico positivo de câncer de próstata avançado, o tratamento deve ser baseado em expectativa de vida, comorbidades, preferências de tratamento do paciente e características do tumor. 
  • O controle da dor e uso de paliativos deve ser oferecido sempre que possível.

Recorrência bioquímica sem doença metastática após esgotamento das opções de tratamento local

Os pacientes com recorrência de alterações no exame de PSA após o esgotamento de terapia local devem ser informados a respeito do risco do tumor entrar em metástase. Dependendo do caso, avaliações periódicas com exames de imagem e varredura óssea serão necessárias. 

Nesse sentido, se destaca o uso de tomografia computadorizada por emissão de prótons, um dos exames de imagem mais modernos em oncologia. 

Para esses pacientes, o tratamento mais indicado é a observação ou inscrição em ensaios clínicos, já que o bloqueio hormonal não deve ser iniciado rotineiramente, segundo especialistas. 

Câncer de próstata sensível ao hormônio metastático

Os médicos devem avaliar a extensão da metástase, utilizando imagens convencionais, e observando sintomas do espalhamento da doença no momento da apresentação. Isso irá orientar as discussões sobre o prognóstico e manejo da doença.

Além disso, eles devem obter os valores de PSA do paciente em intervalos de três a seis meses após o início do tratamento de bloqueio hormonal, bem como considerar exames de imagem periódicos. 

Independemente da idade e histórico familiar, o aconselhamento genético e testes de linha germinativa são indicados, segundo especialistas.

Nesses casos, a terapia de privação androgênica (ADT) deve ser oferecida de maneira contínua, em combinação com outras terapias, como a quimio, por exemplo. Para pacientes com baixo volume de metástase, a radioterapia primária pode ser uma opção, em combinação com o bloqueio hormonal. 

Câncer de Próstata Não Metastático Resistente à Castração

Nesses pacientes, os médicos devem obter medições seriais de PSA em intervalos de três a seis meses, bem como calcular o tempo de duplicação do PSA  a partir do desenvolvimento da resistência à castração.

Exames de imagem devem ser utilizados em intervalos de 6 a 12 meses para acompanhar o desenvolvimento de metástase. 

Em adição ao bloqueio hormonal contínuo, os médicos devem oferecer medicações como a  apalutamida, darolutamida ou enzalutamida.

Fora do contexto de um ensaio clínico, quimioterapia ou imunoterapia sistêmica não são indicadas a esses pacientes. 

Câncer de próstata metastático resistente à castração

A tomada de decisão sobre o tratamento de pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração deve ser feita de acordo com resultados laboratoriais de base, bem como revisão do local da doença metastática e os sintomas relacionados. 

Anualmente, será importante avaliar a extensão da metástase com exames de imagem convencionais ou de acordo com a falta de resposta à terapia. O aconselhamento genético também pode ser útil para estabelecer risco familiar e possíveis tratamentos direcionados.

Em pacientes recém-diagnosticados, o médico pode indicar bloqueio hormonal contínuo, associado a outras medicações. Já em pacientes que passaram por outros tipos de tratamento, a recomendação poderá variar. Recomendo consultar o documento na íntegra para saber todos os detalhes das novas diretrizes. 

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Torção testicular é emergência médica e pode necessitar de cirurgia

A torção testicular é caracterizada pela rotação de um dos testículos, bloqueando o fluxo sanguíneo para o órgão e causando dor característica. É mais comum em adolescentes, mas também pode acontecer com crianças e adultos. Uma das consequências da torção pode ser a perda da fertilidade, então, buscar atendimento médico urgente é fundamental. 

Como acontece a torção testicular

A principal causa da torção é um problema genético que leva a má fixação do testículo durante o desenvolvimento do feto. Com maior mobilidade dentro do saco escrotal, o testículo tende a torcer em seu próprio eixo, espontaneamente ou após algum trauma. Essa anomalia está presente em 12% dos homens e a torção costuma ocorrer até os 25 anos de idade

Quando esse problema acontece, o cordão espermático gira no seu próprio eixo. Nele, estão as estruturas vasculares que irrigam o testículo, reduzindo drasticamente a quantidade de sangue arterial no órgão e causando o que chamamos de isquemia. 

Quanto mais torções no próprio eixo acontecem, menor o fluxo sanguíneo para a região, podendo variar entre giros de 180º e 720º. 

Sintomas da torção testicular 

Quando a entrada de oxigênio para o testículo é diminuída ou cessa abruptamente, começa uma dor intensa no local, com inchaço e aumento da sensibilidade. 

A dor, geralmente, é contínua, mas pode, também, se apresentar de maneira intermitente, bem como irradiar para o abdômen e virilha. Em alguns casos, a dor pode causar náuseas e vômitos, além de febre. 

Outros sinais de torção testicular são a presença de um testículo mais elevado do que o outro e vontade de urinar constante. 

O que fazer em caso de torção

Quando surgem esses sintomas é recomendado ir o mais rápido possível para o pronto-socorro, onde ele irá passar por exame clínico e de imagem. Quanto menor for o tempo de torção, melhor o prognóstico de salvamento do órgão, então agir com rapidez é fundamental. 

O médico verifica se a bolsa testicular está endurecida, avermelhada e inchada, bem como observa se o testículo afetado está ligeiramente mais elevado do que o normal. O reflexo cremastérico, caracterizado pela tração do testículo por toque na face interna da coxa, costuma estar ausente. 

Será solicitado que o paciente passe por um ultrassom doppler da bolsa testicular, para detectar a presença ou ausência do fluxo sanguíneo no órgão. 

Em alguns casos, o médico poderá distorcer o testículo apalpando o saco escrotal e rodando-o para fora, o que pode aliviar a dor significativamente. Entretanto, geralmente ainda é necessário planejar uma cirurgia para fixá-lo, evitando outros episódios de torção.

Tratamento cirúrgico

Caso não seja possível realizar a distorção manual, a cirurgia deve ser feita imediatamente. O tempo ideal é de até seis horas após a distorção, já que cerca de 90% dos testículos podem ser salvos nesse prazo. Após 12h, as taxas de sucesso do procedimento caem significativamente. 

Na cirurgia, o médico irá auxiliar na recuperação da vascularização do testículo. A coloração azul será substituída por um tom rosado, e só então  o órgão deverá ser fixado na bolsa testicular. Para evitar problemas futuros, o cirurgião irá realizar o mesmo procedimento no testículo saudável. 

A principal consequência da torção é a infertilidade, mas também pode gerar uma infecção. Mesmo casos de jovens em que foi possível salvar o testículo torcido, um espermograma futuro poderá acusar queda no número de espermatozóides. Portanto, homens que passaram por uma torção testicular podem se beneficiar de uma avaliação da fertilidade no futuro. 

Câncer de próstata: Como escolher entre cirurgia e outros tratamentos

O câncer, por si só, é uma doença que afeta muito o psicológico das pessoas. Quando o assunto é um tumor na próstata, estamos em terreno ainda mais delicado. Além de lidar com a finitude da vida, o paciente tem sua sexualidade e intimidade abaladas, então é natural que ele fique confuso entre as várias possibilidades de tratamento.

No geral, o câncer de próstata pode ser tratado de diferentes formas, como por cirurgia, em que a próstata é removida; por radioterapia, em que radiações ionizantes são utilizadas para destruir ou diminuir o tumor; ou por HIFU, um ultrassom focalizado de alta intensidade. 

Há, também, casos em que não fazemos nenhum tipo de tratamento mas, sim, a chamada  vigilância ativa com exames periódicos.

Como cada caso é único, o médico vai definir, junto com o paciente, qual a melhor conduta  na busca da cura para a doença. Todos os métodos citados acima têm efetividade comprovada, quando bem indicados.

A radioterapia pode causar perda do controle das funções intestinais, além de ser realizada em sessões, num processo que pode levar um tempo relativamente longo. Depois desse tratamento, pode demorar alguns meses até que os exames mostrem, com certeza, que o câncer foi curado. Além disso, uma terapia hormonal pode se fazer necessária para complementar a radioterapia. 

A prostatectomia, por outro lado, oferece riscos como qualquer procedimento cirúrgico, como hemorragia, infecções e problemas com a anestesia. Apesar de algumas delas serem imprevisíveis, um cirurgião experiente e ambiente hospitalar preparado são grandes aliados para lidar com esses problemas.

Por outro lado, é importante ressaltar que principalmente graças à cirurgia robótica, as prostatectomias estão cada vez mais bem sucedidas em preservar os nervos responsáveis pela contenção da urina e manutenção da ereção, possíveis sequelas do tratamento do câncer de próstata. Além disso, com bastante paciência e acompanhamento médico adequado, a impotência pode ser reversível.

Outro ponto a ser levado em consideração é que enquanto a cirurgia oferece a possibilidade de remover completamente o câncer, as sessões de radioterapia buscam diminuí-lo cada vez mais, até que desapareça. Alguns homens se sentem desconfortáveis com a ideia de manter o tumor no corpo por esse período, e preferem removê-lo juntamente da próstata. 

Já o  HIFU, que tem apresentado resultados bastante positivos na cura dessa neoplasia, só pode ser utilizado em tumores de tamanho pequeno a intermediário. Então, apesar de bem-sucedido, tem aplicabilidade limitada. 

Cada caso é único e sempre defendo que essa deve ser uma decisão compartilhada, em que tanto o conhecimento técnico do médico quanto o desejo do paciente devem ser levados em conta. 

Também encorajo meus pacientes a conversarem com outros homens que passaram pelo diagnóstico de câncer de próstata, ou pelo menos realizar uma extensa pesquisa para tomar essa decisão com mais segurança

As duas principais doenças da próstata e os seus sintomas


O câncer de próstata não é a única doença que pode atingir a glândula. Existem outros problemas que, apesar de serem pouco conhecidos, são muito comuns: a prostatite e a hiperplasia prostática benigna. 

Prostatite: processo inflamatório e infeccioso frequente em homens adultos. Ela pode aparecer repentinamente, o que caracteriza prostatite aguda, ou não apresentar sintomas, caracterizando a prostatite crônica. Apesar de ser causada, geralmente, por bactérias, existe a forma não bacteriana da doença.

– Causas: 

Bacteriana: a bactéria mais comumente responsável é a Escherichia coli, encontrada no trato urinário ou intestino grosso, e que pode atingir a próstata. 

Não bacteriana: microorganismos ainda não identificados. 

Em ambos os casos, a infecção pode ser facilitada após quadros de uretrites (como gonorreia), em decorrência de relações sexuais com parceiras que apresentem infecções no aparelho ginecológico ou depois de penetração anal sem preservativo. 

– Sintomas:

Bacteriana: febre alta, dores pélvicas ou na região baixa das costas, dor ao urinar, ardência durante a ejaculação, sêmen amarelado ou com presença de sangue, maior frequência na necessidade de urinar ou dificuldade em conter a vontade de urinar. 

Não bacteriana: dor na parte baixa das costas, incômodo ao urinar, ocorrência de jatos fracos ou com interrupções no fluxo da urina. 

– Diagnóstico:

Em ambos os casos, para confirmar os diferentes diagnósticos e dar início ao tratamento, o histórico médico do paciente é essencial. São associados ao histórico médico exames de secreção da próstata, colhida a partir de massagens na glândula. Podem ser necessários exames complementares, como ultrassonografia, exames de sangue e ressonância magnética. 

– Tratamento:

Bacteriana: uso de antibióticos por pelo menos duas semanas. No caso de pacientes que necessitarem de tratamento por via endovenosa ou que manifestarem grande obstrução da urina, podem passar por internação. 

Não bacteriana: mesmo que não seja necessário, indica-se o uso de antibióticos caso haja dificuldade em identificar a causa da doença. Dependendo da resposta do paciente, o tratamento pode ser interrompido ou continuado. Alguns pacientes demandam o uso de relaxantes musculares para relaxar a próstata. Massagens também são recomendadas caso seja preciso drenar o líquido inflamatório da glândula. 

Hiperplasia prostática benigna (HPB): é o nome complicado para falar de tumor benigno. A HPB é comum entre homens de idosos e é caracterizada por um aumento progressivo e benigno da próstata. Os nódulos formados durante o aumento da glândula podem pressionar a bexiga e obstruir a uretra, dificultando a saída da urina.

Causas:

Não existe consenso sobre a causa, mas uma situação que pode ser relacionada com a doença é a mudança hormonal do qual o organismo é alvo à medida que envelhece. Isso justifica a prevalência do problema em homens acima dos 60, 70 anos. 

Sintomas:

O sintoma mais perceptível é a alteração do fluxo urinário, tornando-se mais fraco de acordo com o aumento da próstata. Estes são exemplos de sintomas obstrutivos, mas eles também podem ser irritativos, como interrupções no jato de urina e maior frequência da necessidade de urinar. 

Diagnóstico:

O histórico médico é associado a exames de urina, de sangue e toque retal. Pode ser preciso um exame ultrassonográficos para calcular tamanho e características da próstata. 

Tratamento:

O tratamento pode começar de forma menos invasiva, com uma mudança no estilo de vida e a diminuição da ingestão de líquidos à noite. Caso não seja suficiente e o aumento da próstata esteja avançado, pode ser recomendada uma técnica chamada embolização das artérias prostáticas. O procedimento consiste em injetar microesferas para obstruir a artéria que sustenta a próstata, fazendo com que ela encolha. 

Imagens de cartelas de comprimidos

Novo medicamento para tratamento do câncer de próstata: Darolutamida


Dentro dos próximos meses os pacientes brasileiros terão mais uma opção de medicamento para câncer de próstata não metastático. Trata-se da darolutamida (Nubeqa®), um antiandrogênico oral que foi aprovado e registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no começo de 2020 e que deve começar a circular em breve.

A medicação é uma inibidora do hormônio androgênio e é indicada no tratamento de câncer de próstata que ainda não entrou em metástase e permanece resistente à terapia de privação hormonal.

Esse tipo de câncer continua progredindo apesar do tratamento, e os medicamentos antiandrogênicos buscam reduzir o nível dos hormônios que estimulam as células cancerígenas.

Agindo como um inibidor do receptor de androgênio, a darolutamida vai impedir que o hormônio seja recebido pelas células do câncer de próstata, retardando que cresçam e se espalhem pelo organismo.

Para a comunidade de especialistas, o momento conhecido como fase de resistência à castração não-metastática sempre foi um desafio tanto do ponto de vista diagnóstico quanto pela falta de tratamentos eficazes.

Medicamentos antiandrogênicos como a apalutamida e enzalutamida, que já estão no mercado brasileiro há dois anos, costumam apresentar resultados também positivos no tratamento desse tipo de câncer de próstata, mas com efeitos colaterais por penetrarem o Sistema Nervoso Central.

Nesse momento o paciente ainda não apresenta sintomas, então o objetivo da medicação antiandrogênica é justamente impedir que o câncer se espalhe e limitar os efeitos colaterais para que o médico tenha mais flexibilidade no tratamento.

Em relação à outros medicamentos de função similar, a darolutamida apresenta resultados muito positivos para atrasar com menor toxicidade a propagação do câncer, ou seja, gerando mais qualidade de vida para o paciente.

O câncer de próstata é o quarto mais comum em todo o mundo e o segundo mais frequente entre os homens. Dos pacientes com câncer do tipo resistente à castração, um terço entra em metástase em dois anos.

Com a aprovação da Anvisa, o Brasil é o segundo país do mundo a aderir à terapia com darolutamina, oferecendo mais uma possibilidade para ser discutida entre médico e paciente, possibilitando escolher o melhor tratamento a se seguir.

Cirurgia Robótica: perspectivas para 2020

Nos últimos anos, temos acompanhado uma evolução consistente da cirurgia robótica, no contexto do aprimoramento contínuo dos procedimentos minimamente invasivos em terras brasileiras. 

Esse desenvolvimento é percebido tanto a nível estadual quanto nacional. Hoje, temos mais de 50 robôs espalhados pelo país em cidades como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Belém e Recife. E a tendência desse volume é crescer.

Mantendo a tradição desde a chegada da cirurgia robótica no Brasil, em 2008, a urologia é uma das áreas que mais emprega robôs nos procedimentos cirúrgicos. Atualmente, entre 60% e 65% das intervenções realizadas com plataformas robóticas no país são feitas nessa especialidade.

Para 2020, a perspectiva é chegar à contagem de 100 robôs sendo usados no Brasil. Também esperamos que a tecnologia chegue a outras cidades, saindo dos grandes centros e chegando mais perto do interior dos estados.

No mundo todo, a cada 36 segundos, uma cirurgia robótica é realizada. Como parâmetro internacional, temos os Estados Unidos, onde já são 3 mil plataformas robóticas instaladas e operando com total precisão e segurança.

É claro que ainda temos um longo caminho a percorrer para tornar o acesso à cirurgia robótica mais capilarizado e constante no país, mas a realidade brasileira já impressiona.

A realidade brasileira em cirurgia robótica já impressiona

Passados pouco mais de dez anos desde que o primeiro procedimento com auxílio de um robô cirurgião foi realizado (em um grande hospital de São Paulo), o Brasil lidera o ranking de cirurgias robóticas na América Latina.

Essa informação está nas conclusões de uma pesquisa realizada recentemente pela Intuitive Surgical, a empresa que representa, no Brasil, a gigante fabricante de robôs Da Vinci.

Os dados da investigação também apontam que a urologia é a especialidade médica que mais realiza cirurgias robóticas no país. Em segundo lugar, está a cirurgia geral, seguida da ginecologia.

Para termos uma ideia de como a cirurgia robótica vem evoluindo de forma consistente no país, podemos considerar o exemplo de Minas Gerais. 

Faz pouco mais de dois anos que a tecnologia chegou em terras mineiras. No entanto, já são mais de 100 médicos cirurgiões plenamente capacitados para comandar uma plataforma robótica no estado.

Toda essa evolução deve ser comemorada! Afinal, a cirurgia robótica permite o alcance de vários benefícios, tanto para pacientes quanto para médicos. 

Estamos falando de recuperação mais rápida e menos tempo de internação (para o paciente) e alto nível técnico nos procedimentos e mais ergonomia (para o cirurgião), entre outras vantagens.

Seguiremos acompanhando a tendência de crescimento da cirurgia robótica em terras brasileiras. Esse é um caminho inevitável, que foi traçado para revolucionar as intervenções cirúrgicas e a medicina no Brasil e no mundo.

Preciso mesmo fazer o toque retal, doutor?

Sim, precisa! E vou te explicar porquê: ele pode te livrar do câncer de próstata que, quando não tratado a tempo, pode ocasionar prejuízos físicos, psicológicos e sociais de difícil superação. Impotência, incontinência urinária, apenas para citar alguns deles.

E não há porque temer o exame, pois ele é um procedimento indolor e muito rápido. Entre o momento em que o urologista veste a luva de látex e o instante em que diz “pronto, pode se vestir”, leva dois minutos, no máximo. Ou seja: quando você assusta, já foi! 

O toque retal ou exame de próstata também serve para detectar a hiperplasia benigna da glândula (aumento natural) ou a presença de tumores malignos na área. Para realizá-lo, o urologista insere o dedo indicador devidamente lubrificado e protegido por uma luva de látex no ânus do paciente, a fim de examinar a região situada no fim do intestino grosso. 

A intenção do médico é tão somente verificar, por meio do tato,  o tamanho, densidade e formato da próstata, procurando por caroços, pontos moles ou endurecidos e outras anormalidades. Ás vezes, pedimos para que o paciente faça força como se fosse defecar. O ânus, assim, fica mais acessível, o que torna o procedimento mais rápido. 

Se você nunca fez o exame de próstata, não tema ter que ficar em posições vexatórias dentro do consultório. Isso de maneira alguma é necessário. Há casos em que a pessoa pode se posicionar até mesmo de pé. O mais importante é manter-se o mais relaxado possível. 

O toque é geralmente feito junto com um outro teste, chamado PSA (Antígeno Prostático Específico), que mede a concentração de uma enzima produzida pela próstata no sangue. 

Quem deve fazer o toque retal, a partir de quando?

Até 2008, era comum ver campanhas governamentais como a Novembro Azul incentivando todos os homens acima dos 45 anos a se submeterem aos exames de rotina (toque retal e PSA). O que faz algum sentido dentro da perspectiva de que o diagnóstico precoce é o melhor caminho para a cura do câncer de próstata. 

Ocorre que, depois de rever estudos publicados desde a década de 1950 sobre o assunto, pesquisadores de países como o Canadá e os Estados Unidos verificaram que o rastreamento universal não reduz significativamente a mortalidade pela doença. 

Outra constatação foi de que o resultado do PSA e do toque retal, não raro, levam à  recomendação de cirurgias e terapêuticas desnecessárias a pacientes assintomáticos, cujos tumores, quando encontrados, são muitas vezes inofensivos. A retirada total da próstata, a radioterapia, as biópsias e outros procedimentos do clássico protocolo de combate ao carcinoma prostático podem, portanto, afetar sobremaneira a qualidade de vida do indivíduo sem que haja aí uma vantagem real pra ele. Muitos desses tumores permanecem “quietos” no organismo do paciente sem causar grandes prejuízos. 

Diante dessas conclusões, o protocolo de rastreio do câncer de próstata foi então atualizado. Acompanhe algumas de suas mais importantes diretrizes: 

Recomenda-se a avaliação de todos os homens com mais de 50 anos, desde que sua expectativa de vida compreenda ao menos mais uma década. Caso contrário, o benefício de um possível tratamento não compensará as complicações associadas.

Sobre idade para iniciar os exames  preventivos: depende do risco associado ao perfil do paciente. 

50 anos para homens de risco igual ao da média;

45 anos para os de alto risco (descendentes de negros familiares de primeiro grau diagnosticados com de câncer de próstata antes dos 65 anos);

40 anos para os de altíssimo risco (diversos parentes com câncer de próstata diagnosticado antes dos 65 anos).

3) Níveis de PSA abaixo de 2,5 ng/mL:  o exame pode ser repetido apenas a cada 2 anos (ao contrário da repetição anual recomendada anteriormente). Quando os níveis estiverem acima desse valor, o exame deve ser anual;

4) PSA entre 2,5 e 4,0 ng/mL requer conduta individualizada: biópsia quando houver risco mais alto (ascendência negra, história familiar de câncer de próstata, idade mais avançada e toque retal alterado). 

5) O tradicional valor de 4,0 ng/mL para o PSA ainda é considerado como o limite a partir do qual deve ser indicada a biópsia de próstata, apesar de não haver segurança de que esse seja o ponto de corte ideal.

Dúvidas? É só me chamar nos comentários. E por favor, marmanjada: superem o medo do toque retal!

O uso da inteligência artificial na escolha de cuidados paliativos ou no tratamento do câncer

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com médicos intensivistas do HCor (Hospital do Coração) descobriram, em estudo recente, que a inteligência artificial pode contribuir para fazer prognósticos a respeito da qualidade de vida de pacientes com câncer em estágio avançado internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).  O trabalho científico foi publicado no Journal of Critical Care

Após a análise de 777 pacientes de câncer alojados em UTIs de hospitais oncológicos em São Paulo, os modelos de inteligência artificial testados tiveram um índice de 82% de acerto ao estimar o período de sobrevivência do paciente com qualidade de vida, ou seja, sobrevida com sintomas como a dor controlados por mais ou menos de 30 dias. 

O estudo durou dois anos. Nesse período, 66% dos enfermos monitorados vieram a óbito e 45% dos internados tiveram até 30 dias de qualidade de vida.  A média de sobrevida foi de 195 dia, sendo que foram registrados 70 dias com qualidade de vida. 

Já existiam algoritmos que fazem previsões assertivas sobre as chances de mortalidade do indivíduo, mas não conseguiam um prognóstico sobre a qualidade de vida dessas pessoas. 

Para os pesquisadores o estudo é valioso porque contribui para a tomada de decisões referentes à submissão do paciente a tratamentos agressivos ou a aplicação dos chamados cuidados paliativos para garantir algum conforto ao portador de doença fora da possibilidade de cura.  E auxilia o profissional médico na certeza de sua decisão.

Para o modelo matemático usado na pesquisa foram usados como dados características dos enfermos como a história sociodemográfica, hemograma, funcionamento renal e outros. 

Apesar dos resultados satisfatórios, o coordenador da pesquisa, Alexandre Chiavegatto Filho, professor da USP, afirmou que o modelo será testado em um grupo maior de pacientes com diferentes níveis de gravidade oncológica antes de ser colocado em prática. 

O que é imunoterapia?

Há alguns dias, eu contei aqui no blog que um certo método de imunoterapia pode trazer esperanças para alguns homens com câncer na próstata. Os resultados de um novo ensaio clínico mostraram que alguns pacientes em estágio avançado podem viver por, pelo menos, mais dois anos (ou mais!) em imunoterapia após esgotarem todas as outras opções de tratamento.

Na ocasião, algumas pessoas mandaram mensagens no meu Instagram perguntando o que era, exatamente, essa tal de imunoterapia. Embora eu não seja médico oncologista, peço licença para explicar: basicamente, a imunoterapia usa nosso próprio sistema imunológico para reconhecer e atacar células cancerígenas.

O tratamento parte da premissa de que o desenvolvimento de um câncer promove uma redução da atividade do sistema imunológico, uma vez que as células tumorais não são reconhecidas por ele e começam a crescer de forma descontrolada.

Para superar isso, pesquisadores descobriram maneiras de reverter o processo, ou seja, de ajudar o sistema imunológico a reconhecer as células tumorais e, ao mesmo tempo, aumentar sua resposta, causando a morte das “invasoras”.

Ela já é usada como tratamento padrão para alguns tipos de câncer, como melanomas, e está sendo testada também como medicamento para muitas outras formas da doença.

Em resumo, é isso. Espero ter esclarecido a questão e aproveito para deixar aqui o convite para você seguir o meu perfil e mandar as suas perguntas também. Sempre que possível estarei respondendo a todas elas. 

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