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3 coisas que você precisa saber sobre esta notícia

Um estudo publicado ontem no periódico científico The Lancet e apresentado no Congresso da European Society of Cardiology mostrou que o câncer é a principal causa de morte nos países ricos, ultrapassando as doenças cardiovasculares – que são a principal causa de mortalidade entre os adultos em todo o mundo.

Esse resultado é um alerta porque, se as tendências atuais persistirem, dentro de poucas décadas, o câncer poderá se tornar a maior causa de mortes em todo o planeta, especialmente se considerarmos que as taxas de doenças cardíacas estão diminuindo em escala global.

E quem afirma isso são os próprios pesquisadores. Segundo os autores do estudo, que são da Universidade Laval de Quebec, no Canadá, essas são evidências de uma nova “transição epidemiológica” global entre diferentes tipos de doenças crônicas.

Dentro dessa realidade, acho importante ponderar três pontos:

  • A expectativa de vida da população tem aumentado muito na maior parte do mundo, especialmente nos países desenvolvidos. Em 1950, por exemplo, a expectativa de vida média global ao nascer era de apenas 46 anos. Em 2015, cresceu para mais de 71. E sabemos que, infelizmente, o risco de desenvolver doenças como o câncer, aumenta com a longevidade.

O fato de o organismo estar permanentemente dividindo suas próprias células já é um fator de risco para o idoso. Isso porque, durante esse processo, é comum que ocorram alterações no material genético que, em condições normais, são corrigidas e eliminadas pelo sistema imunológico. No entanto, nos idosos, isso nem sempre ocorre de forma ideal, o que contribui para o crescimento excessivo e desordenado das células, quadro que leva ao aparecimento do câncer.

Portanto, com o aumento da idade da população, aumenta também o número de diagnósticos dessa doença. E isso nos leva para o segundo ponto.

  • Os diagnósticos estão cada vez melhores, mais precisos e acessíveis e, com isso, as pessoas estão fazendo mais os exames de rotina como a mamografia, o exame de toque retal e a colonoscopia, por exemplo. Até certo tempo atrás, muitas pessoas faleciam antes de descobrirem a causa. Hoje, com o aumento da procura e da realização de exames de diagnóstico, o número de casos registrados também aumenta, consequentemente.
  • O terceiro ponto que eu gostaria de destacar é sobre a queda do número de mortes relacionadas a fatores de risco como obesidade, tabagismo, falta de atividade física. Nos países ricos, as populações estão cada vez mais conscientes da necessidade de melhorar esses hábitos e eles estão totalmente relacionados à doenças cardiovasculares. Essa, portanto, é uma explicação para sua queda. 

De acordo com a pesquisa, habitantes de países pobres têm 2,5 vezes mais possibilidades de morrer vítimas de doenças do coração do que os moradores das nações mais ricas.

Esse fato mostra e prova como é importante insistirmos na conscientização da população sobre a importância de se manter um estilo de vida saudável. As descobertas sugerem que taxas mais altas de óbitos por doenças cardíacas em países de baixa renda podem ser principalmente devido a uma menor qualidade dos cuidados de saúde.

Lembrando que os problemas cardiovasculares estão muito relacionados a fatores como obesidade, colesterol elevado, diabetes… Tudo o que a combinação má alimentação + sedentarismo pode causar (além do tabagismo, claro).

Toda essa questão tem sido mais trabalhada em certas nações. Com políticas públicas de promoção à saúde e uma população bem orientada e educada, a incidência de casos tendem a sofrer um certo impacto.

Algumas medidas que fazem muita diferença é a cobrança de impostos especiais sobre consumo de tabaco e álcool, legislações que impeçam o fumo em ambientes fechados de trabalho e locais públicos, campanhas para reduzir os níveis de sal e gorduras trans nas comidas e programas de conscientização pública sobre como melhorar a dieta e aumentar a atividade física.

Dia Mundial sem Tabaco: Cinco métodos que vão te ajudar a parar de fumar

Se você é fumante, fique tranquilo. Esse post é 100% livre de sermões e julgamentos. Em quase duas décadas de medicina, afinal, pude observar que juízos de valor e abordagens moralizantes ajudaram um total de… zero pessoas. 

A intenção deste texto tampouco é fazer terrorismo. Sim, o cigarro mata, como bem sabemos eu, você e o mundo todo desde os anos 1950, quando estudos consistentes começaram a  comprovar e a alertar para a potencial letalidade do tabagismo. 

Fato é que temos um problema concreto de saúde pública a resolver: segundo dados da OMS, 20% da população mundial fuma, ou seja,1,1 bilhão de indivíduos. O hábito é mais frequente entre homens. Publicada no renomado periódico The Lancet em abril de 2017, uma outra pesquisa – esta, conduzida pela Bill & Melinda Gates Foundation em 195 países de 1990 a 2015 -, constatou que uma em cada quatro pessoas do sexo masculino faz uso de cigarro. Entre as mulheres, o índice é de uma para cada 20.

O mesmo levantamento situou o Brasil nesse contexto. Ocupamos a oitava posição em números absolutos fumantes – 7,1 milhões de mulheres e 11,1 milhões de homens). A boa notícia é que tivemos uma das mais significativas quedas do tabagismo durante o período analisado. Em 25 anos, o país viu a porcentagem de fumantes diários despencar de 29% para 12% entre homens, e de 19% para 8% entre mulheres.

A investigação verificou ainda que o tabaco é responsável por uma em cada dez mortes no planeta, causadas sobretudo por problemas cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais e câncer (incluindo o de próstata). 

Minha maior preocupação, portanto, é em contribuir de forma efetiva para a longevidade e a qualidade de vida de quem ainda fuma.  Por isso trouxe aqui alguns métodos que podem auxiliar nessa difícil empreitada – todos retirados do Manual Pare de Fumar, publicado pelo Ministério da Saúde. Vale a pena tentar! Não desista, ainda que você já tenha feito várias tentativas. O caminho rumo a libertação do cigarro é tortuoso, mas acredite: a vitória é realmente gratificante.

Alternativas para largar o cigarro

O emplastro de nicotina

Tem como objetivo não a substituição do vício pela nicotina, mas tornar os períodos de abstinência mais longos e toleráveis. Age liberando pequenas quantidades de nicotina, o que é de certa forma útil, contrastando com os picos e depressões associadas a outros tipos de medicações, que podem levar a exacerbações dos sintomas de abstinência.

É utilizado diariamente por 3 meses. Costuma ter bons resultados, e normalmente aqueles que falham são os que suspenderam precocemente. Não se trata de uma cura mágica para o vício. Requer força de vontade, e, combinado com esta, é uma ajuda valiosa. Um em cada cinco usuários dedicados consegue se livrar do vício apenas com o emplastro.

Bupropiona

Comercializado com o nome de Zyban, é na verdade um anti-depressivo. É medicação controlada, ou seja, só se consegue comprar com receita apropriada.

Apesar de não ter sido criada para combater o tabagismo, ajuda a controlar os sintomas da abstinência. Possui alguns efeitos colaterais como boca seca e dificuldade para dormir. Tem a vantagem de não conter nicotina, portanto, não vicia.

Chiclete de nicotina

De forma semelhante ao emplastro, o usuário faz uso do chiclete quando sente vontade de fumar, ajudando a reduzir os sintomas de abstinência. Apresenta a vantagem de uma quantidade razoável de chicletes poder ser mascada diariamente (até 24), quando der vontade, mantendo a mente e a boca ocupadas.É tão efetivo quanto o emplastro, e também utilizado por 3 meses. Novamente, é necessária muita força de vontade.

Inalador de nicotina

Trata-se de uma espécie de “cigarro que não precisa ser aceso”, com doses leves de nicotina, e mentol associado. Associa a dosagem controlada de nicotina, à satisfação momentânea do vício (assim como o chiclete), e adicionalmente, há o efeito psicológico em satisfazer o desejo de levar um “cigarro” à boca.  Os resultados são semelhantes aos outros métodos que utilizam doses de nicotina.

Parada abrupta

Algumas pessoas preferem não usar qualquer tipo de terapia ou medicamento para cessar o vício e, assim, optam pela parada imediata. O método consiste em marcar uma data para largar cigarro. A partir desse dia, a pessoa então interrompe o hábito nocivo. Minha sugestão é que os adeptos dessa estratégia procurem acompanhamento psicológico, tratamento que reduz sensivelmente as chances de reincidência no vício. 

Mais uma novidade no horizonte da cirurgia robótica

É impressionante como a cada dia nós nos deparamos com uma novidade diferente no mercado da cirurgia robótica. E como eu estou sempre pesquisando sobre o tema, fico fascinado com as possibilidades que estão no horizonte.

Uma delas é uma nova plataforma que está sendo desenvolvida pela empresa irlandesa Medtronic. A companhia vem trabalhando em um dispositivo que incorpora vários elementos do MiroSure, sistema que surgiu da pesquisa sobre telecirurgia e foi desenvolvido pela ala Robótica e Mecatrônica do Centro Aeroespacial Alemão (DLR).

O sistema MiroSure tem até cinco braços minimamente invasivos assistidos por robô que, ao contrário das demais plataformas, podem ser acoplados aos trilhos da mesa cirúrgica, permitindo reposicionamentos sem desencaixe do robô ou interrupção da cirurgia. 

Cada braço pesa 10 kg, proporciona sete graus de liberdade de movimento e utiliza uma variedade de instrumentos laparoscópicos. O sistema também contém um monitor 3D-HD com óculos 3D e o mecanismo de controle fornece feedback tátil.

Além disso, há outros recursos verdadeiramente exclusivos. Primeiro, os braços contêm um modo controlado por impedância, pelo qual o assistente consegue reposicionar os braços robóticos sem alterar a posição e orientação do efeito final, o que permite que a cirurgia continue ininterrupta. 

Segundo, inclui o AutoPointer, que projeta uma imagem no paciente para guiar o posicionamento ideal da porta para uma cinemática eficiente e sem colisões.

Com tudo isso, seria possível operar um coração batendo, com compensação de movimento e coordenação automática de efetores em sincronia com a sístole / diástole, fornecendo ao cirurgião uma imagem estática do órgão. Esse recurso permanece no estágio inicial da pesquisa, mas demonstra uma interessante aplicação futura do MiroSure.

A licença para uso comercial do MiroSure foi vendida para a Medtronic em 2013. Atualmente, a empresa está desenvolvendo seu décimo protótipo e o sistema robótico deve ser lançado nos próximos dois anos, primeiro na Índia e depois nos Estados Unidos.

Prepare-se para o novo “boom” da cirurgia robótica

Há 20 anos, o sistema da Vinci®, da Intuitive Surgical, detém o monopólio mundial da cirurgia robótica minimamente invasiva. O patenteamento restritivo, uma estratégia de marketing bem desenvolvida e um produto de alta qualidade garantiram a liderança de mercado da empresa.

Sob o sistema de patentes dos Estados Unidos, cada registro concede ao seu titular o direito de excluir a concorrência para a invenção coberta por um período limitado de tempo, geralmente de 20 anos. Sendo assim, as patentes da Intuitive Surgical serviram como barreiras para a entrada de possíveis concorrentes no mercado de cirurgia robótica.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa de 2016 no banco de dados do Escritório de Marcas e Patentes dos EUA (USPTO) indicou que a Intuitive Surgical tinha, àquela época, 649 patentes no país ou pedidos de patentes publicados. No entanto, esse número não abrange patentes que a empresa possa ter direitos, por meio de licenças, nem pedidos de registros que ainda não estavam disponíveis publicamente. Ou seja: o número de patentes que a companhia pode ter cobrindo a sua tecnologia é ainda maior que esse. 

No entanto, as coisas já começaram a mudar (e vão mudar ainda mais): devido às nuances da lei de patentes norte-americana, muitas das primeiras patentes da Intuitive Surgical irão expirar nos próximos anos, abrindo caminho para que os concorrentes também desenvolvam seus programas robóticos. Alguns deles já estão, inclusive, disponíveis para uso clínico.

Aliás, várias das primeiras registradas já expiraram em 2016, quando o prazo de vigência chegou ao fim. Essas patentes cobriam alguns dos conceitos robóticos básicos implementados nos produtos da empresa, incluindo o controle de ferramentas e braços com um controle remoto e a funcionalidade de geração de imagens fornecida pelo robô cirúrgico.

Muitas outras expirarão até 2022, quando devemos passar por um novo “boom” da cirurgia robótica com a chegada de novas plataformas ainda mais avançadas e, espera-se, mais acessíveis.

No entanto, isso não significa que a Intuitive deixará os seus produtos sem cobertura. Com o contínuo desenvolvimento do sistema da Vinci ao longo desses anos, muitas patentes mais recentes levarão bastante tempo até serem expiradas. Afinal, a empresa continua a registrar novos pedidos para as suas tecnologias mais atuais.

Mas isso não muda o fato de que as patentes originais da companhia continuam a expirar, permitindo que mais e mais players entrem no mercado atraídos por enormes receitas potenciais e pela diminuição das barreiras impostas pela Intuitive Surgical. Com isso, todos nós temos a ganhar. Que o futuro seja cada vez mais democrático e acessível!

5 tecnologias que estão revolucionando a cirurgia: Bisturis inteligentes

Embora ultra-afiados e eficazes, bisturis e facas cirúrgicas nunca passaram de instrumentos para a realização de cirurgias. Até agora!  Os chamados bisturis inteligentes, já disponíveis no mercado, podem analisar, com rapidez e precisão, a composição do tecido que toca para determinar se ele é saudável ou não.

E saber fazer isso é vital, especialmente na cirurgia do câncer, onde o objetivo da operação é remover o tumor deixando os tecidos saudáveis preservados.

O iKnife por exemplo é uma faca eletrocirúrgica, desenvolvida pela Imperial College London, que é conectada a um dispositivo chamado espectrômetro de massa. Conforme a lâmina eletrificada corta o tecido, a fumaça é liberada e canalizada para esse espectrômetro, que analisa os produtos químicos contidos nela para determinar se ele é ou não maligno. 

Outro exemplo do que já está desenvolvido é o bisturi que informa o cirurgião, em menos de meio segundo, o tipo de tecido a ser tocado, com notificações visuais ou auditivas. 

Embora não corte, essa ferramenta portátil, criada por uma parceria entre a Universidade Técnica de Monterrey, Universidade de Hanover e Universidade Livre de Bruxelas, consegue medir as correntes elétricas microscópicas que a ponta do bisturi gera quando entra em contato com vários tipos de tecido, um fenômeno conhecido como efeito piezoelétrico.

Este novo bisturi possui sensores e algoritmos avançados de processamento digital de sinais. Quando se trata de detectar tecidos saudáveis ​​e aqueles afetados pelo tumor, o bisturi vibra 400 milissegundos no cérebro a 4.000 frequências diferentes. Isto gera uma imagem de como o cérebro está vibrando e essas freqüências são analisadas para obter um modelo matemático das propriedades do que está sendo tocado.

Segundo os cientistas, o bisturi é tão preciso que pode ajudar até mesmo a detectar tumores precocemente, quando a diferença entre tecido saudável e afetado é quase imperceptível ao sentido da visão e ao toque dos cirurgiões.

Além disso, o dispositivo poderia ser usado para remover tumores em outras partes do corpo (atualmente, ele está sendo estudado no cérebro), seja na forma de um bisturi ou de um endoscópio inteligente para cirurgias de estômago ou intestino, por exemplo. Por agora, a ferramenta está em processo de patente e com autorização pendente para iniciar testes em humanos.

5 tecnologias que estão revolucionando a cirurgia: Imagiologia optoacústica

Os raios X já foram o padrão ouro para a visualização não invasiva do interior de um paciente. Embora ainda sejam populares, outras modalidades de imagem, como ultrassom, ressonância magnética e tomografia computadorizada nos permitem ver características anatômicas que ficam ocultas nesse exame.

Essas modalidades revolucionaram a medicina: a TC dá dimensão às radiografias planas para ajudar a diagnosticar lesões traumáticas e monitorar o progresso de algumas formas de câncer, e a RM é comumente usada para lesões relacionadas ao movimento, podendo mostrar até partes ativas do cérebro.

Especialmente na oncologia, elas podem revelar muito sobre a estrutura de um tumor em potencial. No entanto, os tumores podem ser enganosos, muitas vezes se assemelhando muito ao tecido saudável em torno dele. 

Mas há uma característica que diferencia os tecidos saudáveis ​​de impostores cancerígenos: o conteúdo de oxigênio presente no tecido. E é aí que entra a imagiologia optoacústica. Esse método permite direcionar rajadas de luz laser em um tumor em potencial. Cada explosão aquece e expande o tecido levemente, fazendo com que uma pequena onda mecânica se propague através do tecido circundante.

Essas ondas podem ser detectadas e convertidas em imagens de alta resolução com reflexos verdes ou vermelhos, indicando a concentração de oxigênio para ajudar o oncologista a determinar o que é canceroso.

Embora todas essas modalidades de imagem tenham limites sobre o que podem escanear com precisão, elas podem ser combinadas ou complementadas com outros tipos de exames clínicos para preencher lacunas, abrindo um novo campo de aplicações clínicas.

Tomemos por exemplo o Seno Medical, baseado no Texas: eles estão desenvolvendo uma técnica que combina a tecnologia de imagem optoacústica com imagens de ultrassom convencionais. A imagem resultante de alta resolução será capaz de mostrar a localização, forma e conteúdo de oxigênio dos tumores de câncer de mama para ajudar a fornecer um diagnóstico mais claro e um plano de tratamento mais eficaz.

E tem mais: os avanços nos gráficos gerados por computador, holografia e realidade aumentada já permitem que os médicos visualizem, manipulem e até percorram, virtualmente, varreduras tridimensionais de uma parte do corpo.

Exemplo: uma empresa chamada EchoPixel, com sede na Califórnia, usa os exames de ressonância magnética, tomografia computadorizada ou ultrassonografia para gerar uma imagem holográfica em 3D. O holograma resultante pode ser visto em um monitor especial com um par de óculos 3D e manipulado com uma caneta para familiarizar o cirurgião, com toda a riqueza de detalhes, à anatomia de cada paciente, permitindo um melhor planejamento cirúrgico.

Mais um: várias empresas estão deixando de lado o monitor ao integrar imagens 3D no popular headset HoloLens da Microsoft. Lembram quando eu disse da realidade aumentada aqui? Na sala de cirurgia, o HoloLens está sendo testado em muitas funções, desde a exibição dos sinais vitais de um paciente até a identificação de sangue e ossos embaixo da pele. 

5 tecnologias que estão revolucionando a cirurgia: Treinamento de cirurgiões com Realidade Virtual

Você já pensou em como os futuros médicos cirurgiões poderiam treinar suas técnicas de forma totalmente segura, ainda que algum erro seja cometido durante a cirurgia?


O mercado tecnológico sim, e a solução para isso é a realidade virtual (Virtual Reality – VR, em inglês). Uma tecnologia utilizada nos videogames e que agora permite, tanto a residentes quanto a cirurgiões mais experientes, o desenvolvimento de suas habilidades em ambientes que se aproximam muito dos reais. 


Como funciona

A aparelhagem (geralmente composta por um notebook, óculos de realidade virtual e controles ou luvas) permite que o médico simule uma cirurgia, desde a entrada no centro cirúrgico, passando pela execução da intervenção, até o momento de finalização do procedimento, que é previamente selecionado para o teste. Algumas plataformas oferecem, inclusive, a simulação de eventuais complicações.

Para isso, os simuladores utilizam aspectos chave como o realismo visual, realismo fisiológico e estímulo háptico (sensação do tato). Ao iniciar o treinamento, o médico tem a oportunidade de experimentar a sensação de pegar os instrumentos, encaixar e desencaixar peças acessórias e realizar a cirurgia em um paciente virtual, que tem suas funções vitais monitoradas por aparelhos como se estivesse em um centro cirúrgico real.

Feedback

Como ferramenta de aprendizagem, os sistemas contam com uma avaliação crítica e um feedback de tudo o que é feito nos testes. Geralmente, os programas classificam o desempenho de cada um com base no tempo, na precisão e em outras métricas nas quais os cirurgiões são comumente avaliados. Assim, o profissional pode aprimorar ainda mais suas habilidades, diminuindo o tempo de uma cirurgia e facilitando o pós-operatório dos pacientes.

Uma inovação necessária

Várias empresas já disponibilizam a tecnologia para diferentes especialidades, e ela já está em uso aqui no Brasil em estados como São Paulo e Pernambuco. A expectativa dos especialistas é que, em até 10 anos, haja uma implementação efetiva da inteligência artificial e da realidade virtual no campo da medicina não só aqui, mas em todo o mundo.

E isso é muito necessário: estudos internacionais apresentados pelo Johnson & Johson Institute mostraram que há cinco bilhões de pessoas no mundo sem acesso a cuidados cirúrgicos. Os relatórios revelaram ainda que médicos cirurgiões não qualificados geram três vezes mais complicações e cinco vezes mais mortalidade nas cirurgias frente a cirurgiões qualificados.

Sem dúvidas, o futuro caminha para o uso do máximo apoio da tecnologia na área médica, principalmente na cirúrgica. Entretanto, nunca é demais lembrar que isso não significa a substituição do contato interpessoal entre nós e o paciente. O papel do médico é, e sempre será, fundamental em qualquer tipo de tratamento.

Teste em urina detecta câncer de próstata 5 anos antes de ele aparecer

Um grupo de cientistas da Universidade de East Anglia (UEA), em Norwich, Reino Unido, desenvolveu um teste simples de urina que consegue revelar se homens terão câncer de próstata cinco anos antes do aparecimento da doença. E o mais interessante: sem que eles precisem passar por biópsias.

Segundo os pesquisadores, o Prostate Urine Risk (PUR) é tão sensível quanto os métodos atuais e consegue identificar, inclusive, o nível de agressividade da doença e em que ponto os homens precisarão de tratamento.

O estudo para o desenvolvimento do teste envolveu 537 homens e identificou 35 genes diferentes que eram marcadores de risco para o câncer, prevendo se os indivíduos teriam que realizar mais exames ou se eles precisariam se submeter a algum tipo de tratamento.

De acordo com o principal autor do estudo, Shea Connell, da Norwich Medical School da UEA, o objetivo do teste é reduzir, enormemente, a chance de os homens passarem por biópsias desnecessárias, o que realmente seria muito bom.

E, apesar de a indicação do PUR ser para homens com suspeita de câncer de próstata, ele também poderia ser usado para pessoas já diagnosticadas com câncer de baixo risco, para monitorar quando elas vão precisar de tratamento dentro desses cinco anos.

A expectativa dos cientistas é que o teste esteja disponível para o público dentro de três anos. 

Se tudo isso se comprovar e o Prostate Urine Risk passar nas exigências das agências reguladoras, um grande número de homens poderia evitar uma biópsia inicial desnecessária, e o acompanhamento repetido e invasivo de pacientes com doença de baixo risco poderia ser drasticamente reduzido. Portanto, fiquemos na torcida! 

Concorrente do da Vinci, novo robô cirurgião é testado com sucesso em humanos

O Versius, robô cirúrgico da CMR Surgical, foi testado pela primeira vez em seres humanos. A plataforma, capaz de auxiliar cirurgiões em operações laparoscópicas, foi usada em 70 pacientes do Hospital Deenanath Mangeshkar, em Pune, na Índia.

O robô foi utilizado no tratamento de uma variedade de problemas ginecológicos e gastrointestinais de diversos níveis. Os primeiros 30 pacientes do estudo tiveram um acompanhamento de 30 dias e não apresentaram eventos adversos. Os 40 restantes farão parte da próxima fase do teste.

O Versius já havia sido testado em cadáveres humanos e em porcos. Agora, com os bons resultados obtidos em humanos, a expectativa é de que o lançamento comercial da plataforma ocorra ainda neste ano.

Próximos passos

Para comprovar a eficácia e a segurança do dispositivo e conquistar a confiança dos cirurgiões e dos hospitais, a empresa tem submetido o Versius a mais testes clínicos do que os órgãos reguladores exigem. O próximo ensaio clínico envolverá 250 pacientes que necessitam de uma histerectomia ou remoção da vesícula biliar.

Um robô mais leve e mais barato

A CMR foi fundada em 2014 por cinco engenheiros médicos e levantou quase 150 milhões de dólares em investimentos privados para desenvolver a nova plataforma.

O sistema, que normalmente tem quatro braços em ação ao mesmo tempo, foi projetado para ser mais compacto, flexível, manobrável e transportável, justamente para facilitar o seu transporte e permitir que seja usado em locais diferentes.

A expectativa da empresa é de que a plataforma seja 40 vezes mais barata do que as já existentes, tornando-se uma opção mais acessível para as instituições de saúde. Além disso, o sistema usa instrumentos reutilizáveis, o que permite manter os custos cirúrgicos mais baixos.

A CMR é uma das líderes de uma nova leva de empresas que estão surgindo para desafiar o líder do mercado – o sistema da Vinci, fabricado pela empresa norte-americana Intuitive Surgical. 

Para o futuro próximo, é exatamente o que esperamos: custo mais baixo dos aparelhos e dos insumos utilizados, um maior número de médicos treinados para operar os sistemas e um maior número de plataformas disponíveis nos hospitais. Só assim poderemos beneficiar todos os pacientes que precisam.

Como um médico se capacita para fazer cirurgias robóticas, em BH?

Eu sempre fico muito feliz quando algum colega compartilha comigo a vontade de se certificar em cirurgia robótica. Um dos meus maiores sonhos é ver esse tratamento totalmente democratizado e acessível, e com cada vez mais bons especialistas operando em todo o Brasil.

É verdade que é preciso ter muita força de vontade e dedicação. Não é fácil porque, como eu sempre digo, a máquina não aprimora as competências básicas de ninguém, apenas potencializa. Sendo assim, é fundamental que o cirurgião seja muito bem treinado para operar com o robô.

O processo

Antes do treinamento criterioso na plataforma robótica, o cirurgião deve ser experiente na realização de cirurgias abertas convencionais e nas laparoscópicas.

A partir daí, tudo começa com muitas horas de simulação no Mimic, um equipamento que possui todos os instrumentos que existem no robô real. A ideia é que o profissional consiga reproduzir, nesse aparelho, todas as situações de uma operação.

Além de treinar os movimentos e habilidades cirúrgicas necessárias para o procedimento, o médico pode avaliar o próprio resultado com as métricas fornecidas pelo simulador, já que ele informa onde, exatamente, é preciso melhorar para tentar atingir determinada expertise.

Após essa primeira fase, o cirurgião vai para algum centro de treinamento para tirar a sua certificação. Sem esse título de aptidão, nenhum médico é permitido a realizar qualquer procedimento robótico.

E, mesmo de posse dessa certificação, ao voltar para a sua cidade de atuação, o profissional deve ainda realizar as primeiras cirurgias com a ajuda de um proctor, que é um cirurgião mais experiente que estará ao seu lado para ensiná-lo e passar mais segurança nesse início. São recomendadas, no mínimo, 20 cirurgias com acompanhamento para que o médico seja considerado apto a operar sozinho, com segurança e eficácia.

Mas o treinamento não termina por aí: é no cotidiano, com a prática diária de suas operações, que o cirurgião desenvolve a sua curva de aprendizado. Claro, o certificado é, sim, muito importante. Mas o que de fato assegura a excelência é o tempo de experiência com o uso da tecnologia.

Quanto mais fazemos, melhor fazemos. E quanto mais experiente for o profissional no comando do robô, melhor a máquina entregará todos os benefícios que promete ao paciente.

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