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Novas opções de tratamento aumentam sobrevida de pacientes com câncer de próstata

Quando o câncer de próstata chega no seu estado mais grave, há poucas opções terapêuticas a serem exploradas e essa é a razão pela qual insistimos no diagnóstico precoce.

Mas temos uma boa notícia para pacientes em estágios mais avançados da doença: de acordo com recentes estudos, a combinação entre medicamentos antitumorais e a terapia hormonal pode aumentar a vida de pacientes em estágio avançado e reduzir a progressão da doença.

Dois estudos apresentados no Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia (Asco), maior evento mundial de oncologia, que aconteceu no início deste mês nos Estados Unidos, chegaram a esse resultado: o TITAN e o ENZAMET.

O TITAN avaliou a eficácia e a segurança da apalutamida, uma molécula pertencente a uma classe de medicamentos que inibem a função normal dos hormônios masculinos, como a testosterona (que alimenta e faz crescer o câncer de próstata).

Para chegar ao resultado, o estudo contou com a participação de 230 instituições em todo o mundo e mais de mil pacientes, todos com câncer de próstata metastático e, em média, 68 anos de idade.

Eles foram divididos em grupos: o primeiro recebeu a terapia hormonal junto com o medicamento apalutamida e, o outro, um placebo combinado com a terapia hormonal. Após 24 meses de tratamento, a intervenção combinada com a droga gerou uma redução de 33% no risco de morte e uma queda de 58% na chance de progressão da doença.

Com base nesses dados, a expectativa agora é que a apalutamida obtenha a aprovação da agência reguladora dos Estados Unidos para ser utilizada no câncer de próstata avançado já nos próximos meses.

Já o segundo estudo, chamado ENZAMET, foi o responsável por mostrar a efetividade do bloqueador hormonal enzalutamida. Os cientistas recrutaram 1.125 homens, divididos conforme o tratamento experimental.

O primeiro grupo recebeu o medicamento enzalutamida. O segundo, apenas outros remédios antitumorais. Os participantes também foram subdivididos quanto ao uso combinado ou não da droga odocetaxel, que é um remédio quimioterápico.

Dos 596 homens com tumores maiores e mais graves, 71% dos que receberam enzalutamida continuavam vivos após três anos de estudo. Entre os que receberam outros medicamentos esse número foi de 64%. E, entre os homens que receberam enzalutamida sem docetaxel, 83% estavam vivos, versus 70% do grupo controle.

Agora, os resultados do trabalho serão compilados com os de ensaios similares para que os pesquisadores tenham um conjunto de dados que inclua mais de 10 mil homens. Com esse grande agrupamento de informações, eles esperam poder fazer extensas comparações entre medicamentos e, assim, determinar quais grupos específicos de homens poderão se beneficiar com cada tipo de estratégia de tratamento.

Esse novo uso de drogas já conhecidas é muito animador e reforça a percepção de que, nem sempre, os avanços em termos de benefícios aos pacientes dependem exclusivamente do desenvolvimento de drogas inéditas. Vamos aguardar atentos aos desdobramentos desses estudos e torcer para que ele ofereçam, de fato, um novo caminho para todos nós.

Cirurgia robótica completa 11 anos no Brasil

Já são 11 anos desde que a primeira cirurgia robótica foi realizada no Brasil. A tecnologia tão revolucionária, especialmente para a urologia, foi ao país pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

Naquela época, tínhamos apenas dois sistemas robóticos no país, havia poucos cirurgiões brasileiros treinados e a cirurgia era acessível somente a uma pequena parcela da população.

Hoje, já há plataformas disponíveis em todas as regiões do país. Nos últimos cinco anos, o número de cirurgias robóticas cresceu 500%, tornando-se mais disponível e acessível a um número maior de pessoas.

Mas pode melhorar, e muito. Atualmente, a cirurgia robótica ainda não consta na lista de procedimentos da ANS e, por isso, ainda existe a necessidade de o paciente complementar com parte do custo (que já foi bem maior) para pagar materiais e equipe.

Agora, mais do que nunca, vislumbramos um futuro bastante animador em relação ao uso da tecnologia na urologia.

O números não param de crescer:

  • Mundialmente, as principais cirurgias realizadas com o uso do robô são as urológicas, representando 60% do total (seguida pelas cirurgias gerais e ginecológicas);
  • Nos Estados Unidos, onde os robôs cirúrgicos são amplamente disponíveis, mais de 90% das cirurgias para o tratamento do câncer de próstata são realizados utilizando a técnica robótica;
  • E, atualmente, todas as cirurgias abdominais em urologia, que eram comumente realizadas por via aberta, já podem ser feitas por robótica.

Os avanços são cada vez mais positivos, principalmente para casos de câncer de próstata. Afinal, a plataforma permite realizar cirurgias altamente precisas em regiões mais profundas ou de difícil acesso pelos métodos convencional ou laparoscópico.

E com a transformação digital que já estamos vivenciando, espera-se que, em breve, aplicativos similares aos de rotas sejam utilizados na cirurgia robótica, funcionando como uma espécie de navegador que mostrará, ao cirurgião, quais os melhores caminhos para o procedimento. E este é só um exemplo do que está sendo desenvolvido por aí.

Mas além dessas novidades, o que esperamos mesmo para o futuro é que haja um custo mais baixo dos aparelhos e dos insumos utilizados, um maior número de médicos treinados no nosso próprio país prontos para operar o sistema, e um maior número de sistemas nos nossos hospitais, para que possamos beneficiar, universalmente, toda a nossa população.

Brasileiros criam medicamento que mata células do câncer de bexiga

Quando uma pessoa é diagnosticada com câncer de bexiga, na maioria dos casos,  tratamento recomendado é a ressecção do tumor por via endoscópica (um aparelho é introduzido através do canal de uretra). Esse tratamento possibilitar a cura e o controle da doença.

E, em casos selecionados, depois dessa cirurgia, pode-se aplicar um medicamento chamado onco-BCG como uma terapia complementar. É o que chamamos de imunoterapia com BCG, que faz com o sistema imunológico crie condições de atacar as células cancerígenas, atuando principalmente para evitar a recorrência do tumor e o seu “enraizamento” em camadas mais profundas da bexiga.

O problema desse tratamento é que alguns pacientes sofrem bastante com os efeitos colaterais, que incluem ardência ao urinar, sensação de queimação na uretra, sintomas de gripe, febre com calafrios, fadiga e até sangramento urinário.

Foi por isso que pesquisadores da Unicamp desenvolveram a primeira imunoterapia 100% brasileira, uma vacina capaz de matar as células do câncer sem causar tanto desconforto. E com um super bônus: o medicamento é seis vezes mais potente e tem demonstrado bons resultados inclusive em pessoas que já estavam desenganadas.

A droga

Fruto de um estudo de 13 anos, o nanofármaco ajuda o sistema imunológico a combater os tumores malignos produzindo interferon, uma proteína que consegue matar as células tumorais de forma mais efetiva e menos tóxica do que os tratamentos usuais.

Desde maio de 2017, essa droga vem sendo utilizada em pacientes que estão na seguinte situação: já passaram por todo tipo de tratamento, enfrentam a metástase e, até então, não havia mais nada que a medicina pudesse fazer por eles.

Nesses casos, houve uma redução de 40% a 50% no número e no tamanho de tumores, e a expectativa inicial de vida que era de, no máximo, três meses, já passa de um ano.

Com o bom resultado, a Comissão de Ética em Seres Humanos da Unicamp liberou o teste da medicação para pacientes com câncer de bexiga em qualquer estágio da doença.

Esses testes continuam e a expectativa é de que vacina chegue ao mercado em seis anos. Os resultados estão sendo apresentados em congressos da área e serão publicados na ASCO, Congresso Americano de Oncologia. Mais uma novidade que merece a nossa atenção (e torcida!).

Cirurgia robótica: uma tecnologia em constante evolução

A empresa norte-americana Intuitive Surgical tem vivenciado um crescimento contínuo dentro do mercado de cirurgias robóticas. Em meio à crescente concorrência, a companhia conta com uma base instalada de 5.114 sistemas e teve um aumento de 15% em sua receita só no primeiro trimestre de 2019.

E por que isso nos interessa? Porque com o aumento da pressão competitiva de empresas como Stryker, Medtronic e Mazel, a Intuitive Surgical precisa permanecer inovadora para manter essa posição de líder de mercado.

E uma das maiores ameaças à sua hegemonia é a Johnson & Johnson. A Ethicon, subsidiária da empresa, já é importante no mercado de energia cirúrgica e pode criar alternativas favoráveis ​​e acessíveis para hospitais em relação a ofertas de sistemas robóticos. Além disso, a empresa anunciou em fevereiro que está adquirindo a Auris Health, cujo fundador, Fred Moll, também fundou a Intuitive Surgical.

Isso é muito bom porque, à medida que os principais atores entram no mercado e o desenvolvimento da cirurgia minimamente invasiva permite a crescente adoção desses sistemas, cada empresa precisará diferenciar seu portfólio para ter uma vantagem sobre a concorrência.

Portanto, parece certo que o mercado de sistemas cirúrgicos robóticos será significativamente mais competitivo, em poucos anos, do que é hoje. E há uma outra razão, muito importante, que nos leva a acreditar nisso: as tendências demográficas.

O envelhecimento da população está causando impactos em toda a sociedade e, em especial, na área da saúde. Afinal, não é segredo que indivíduos mais velhos tendem a precisar mais dos serviços de saúde, incluindo cirurgias. E muitos dos tipos de procedimentos que tendem a aumentar em volume, à medida que esse envelhecimento acontece, serão contemplados pelos sistemas robóticos.

Há também outra reviravolta nessas tendências: os Millennials, como são chamados os nascidos entre 1979 e 1995. Nos próximos 10 anos, muitas mulheres dessa geração estarão na casa dos 40 anos. E isso importa porque essa é a faixa etária mais comum para histerectomias, que é um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados em ginecologia usando o da Vinci.

Vários fabricantes estão entrando na arena da cirurgia robótica projetando sistemas inovadores para certos tipos de procedimentos. Existem agora sistemas robóticos especiais disponíveis para cirurgia cerebral, cirurgia de coluna, orientação em broncoscopia, substituição de articulações… E a lista não para de crescer.

Com isso, reforço a esperança de que a cirurgia robótica seja cada vez mais acessível, tanto para os hospitais quanto para os pacientes. E com essa sinalização de aumento da demanda e também da oferta, acho que podemos nos animar com essa possibilidade.

“Miraram no coração e acertaram na próstata!”

Essa é uma brincadeira recorrente entre os profissionais que trabalham com cirurgia robótica e resume bem a importância que a técnica conquistou na urologia, apesar de o robô da Vinci ter sido idealizado para procedimentos cardiológicos.

Podemos dizer que as características das cirurgias urológicas (extremamente delicadas por se realizarem em áreas de difícil acesso e de campo operatório restrito) “casaram” bem com a precisão proporcionada pelo robô.

Além disso, mais na urologia do que em qualquer outra especialidade, essa precisão tem garantido maior adesão dos pacientes aos tratamentos por cirurgia robótica.

Graças a benefícios como menor tempo de internação e menos riscos de efeitos colaterais importantes, como disfunção erétil e incontinência urinária, no caso do câncer de próstata, vem aumentando a procura pelo procedimento. Embora envolva custos maiores, o paciente que pode arcar com eles tende a considerar que a opção pela cirurgia robótica representa um “investimento” na sua saúde.

O risco de incontinência urinária após cirurgia robótica varia de 2% a 3%. Na cirurgia convencional, o risco é de 6%. Em relação à disfunção erétil, embora fatores pré-cirurgia também interfiram no resultado (idade, obesidade, diabetes etc.), influenciem no resultado, a possibilidade de preservar a função pode variar entre 80% e 90% com a robótica. Em relação à cura do câncer, essa tecnologia também apresenta os melhores resultados.

Mais um dado contundente: segundo a empresa H.Strattner, responsável pela distribuição dos robôs no país, das cerca de 9 mil cirurgias que serão realizadas esse ano, no Brasil, 5 mil são urológicas e 90% delas, de próstata.

Particularmente, considero um privilégio poder contar com a plataforma robótica para cuidar dos meus pacientes, especialmente em procedimentos como a prostatectomia, a cistectomia a nefrectomia parcial. Confira os diferenciais que a plataforma robótica proporciona em cada um deles:

– Na prostatectomia:

A prostatectomia é a remoção cirúrgica da próstata. É realizada em casos de tumores e quando a glândula se torna muito grande, a ponto de restringir o fluxo de urina através da uretra.

Quando realizada por meio da cirurgia robótica (ou prostatectomia radical assistida por robô), oferece grande sucesso em relação à preservação de nervos e da função erétil, com redução significativa na perda de sangue e cicatrização bem mais rápida.

Por isso, a abordagem padrão para todas as prostatectomias passou a ser robótica (sendo que, anteriormente, ela era realizada usando técnicas abertas ou laparoscópicas).

– Na cistectomia:

Cistectomia é como chamamos a remoção cirúrgica de parte ou de toda a bexiga urinária. E, embora seja um procedimento longo e complexo, uma cistectomia robótica permite menos complicações e inconveniências para o paciente.

Isso porque, pela liberdade de movimentos do robô, a reconstrução da bexiga é facilitada e muito mais precisa. Além disso, há redução do tempo cirúrgico, de riscos de sangramentos e de complicações pós-cirúrgicas, assim como das chances de infecções.

– Na nefrectomia:

Já a nefrectomia é a remoção cirúrgica de um rim ou até dos dois rins. E a realização da nefrectomia parcial robótica, além da preservação do rim, oferece benefícios como incisões muito  menores, cicatrizes discretas, menor perda sanguínea sem necessidade de doação ou transfusão de sangue, menos dor, menor uso de analgésicos, alta hospitalar e recuperação mais rápida.

Agora que as técnicas robóticas e laparoscópicas são o método padrão, as nefrectomias abertas, envolvendo dissecções de costelas parciais, já não são mais necessárias.

Para os cirurgiões

E os benefícios também se escancaram para os cirurgiões, que conseguem trabalhar em espaços muito pequenos com um alto grau de liberdade de movimento.

Além disso, a introdução da visão 3D de alta definição proporciona uma ampliação que dá aos médicos a capacidade de ver a anatomia de maneira mais clara e menos ambígua, possibilitando a capacidade de navegação em estruturas críticas com muito mais cuidado e precisão.

As plataformas também permitem que o computador e os algoritmos reproduzam fielmente os os comandos das nossas mãos, punhos e dedos em movimentos precisos, com tremores filtrados. Além disso, as pinças do equipamento alcançam locais em que a mão humana não chegaria, especialmente no caso de cirurgias de pequenos orifícios.

Testículos: Já fez seu autoexame hoje?

Felizmente, não estamos falando de uma doença muito frequente. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), o câncer testicular representa cerca de 5% de todos os tumores que afetam os homens no Brasil. Falar sobre esse assunto, no entanto, é muito importante por vários motivos.

✔O primeiro deles é que a doença atinge majoritariamente  jovens em idade produtiva – segundo o INCA, rapazes na faixa dos 20 aos 40 anos.

✔O carcinoma é também um dos poucos que partem do princípio de cura e não de sobrevida. Conforme demonstra a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a chances de cura chegam a 95%, mesmo com metástase instalada.

✔Temos ainda o fato de que, embora rara, a incidência da enfermidade tem aumentado nos últimos anos. Um estudo publicado no Journal of the National Cancer Institute mostrou que, de 1988 a 2008, a prevalência passou de 3,7 casos por 100 mil americanos para 5,4 por 100 mil (as causas do fenômeno ainda não são claras).

✔Trata-se, por fim, de uma neoplasia cujos sintomas podem ser detectadas por meio do autoexame – o que ajuda muito no diagnóstico precoce, situação desejável em qualquer tipo de câncer.

No post de hoje, portanto, minha intenção é ajudar você a entender melhor esse tema, além de ensiná-lo a examinar sua genitália.

O que é como se manifesta o câncer testicular?

Eu sei que você sabe, mas não custa relembrar: testículos são estruturas localizadas dentro da bolsa escrotal. Sua principal função é produzir espermatozóides e testosterona, o hormônio sexual masculino.

O câncer nessa região pode pertencer a dois grandes tipos: germinativo não seminomatoso, de caráter mais agressivo, e o tumor germinativo seminomatoso, de crescimento mais lento. Há ainda uma terceira variedade bem mais rara, constituída por linfomas, sarcomas e pelo tumor de Sertoli e Leydig.

As causas da doenças ainda são um tanto misteriosas para a ciência. Sabe-se, porém, que alguns fatores de risco podem estar associados ao seu aparecimento. O mais comum é a criptorquidia, isto é, a permanência do testículo fora da bolsa escrotal depois do nascimento. Outros elementos relacionados são algumas síndromes genéticas raras, traumas crônicos, infecção por HIV e história da doença no passado. Alguns estudos mostram risco ligeiramente maior em pessoas com histórico familiar de câncer de testículo.


O tumor é normalmente sentido na forma de nódulo ou massa rígida, que cresce e fica perceptível ao ver ou apalpar o saco escrotal (frequentemente, do lado direito) e seus arredores. Pouquíssimos pacientes apresentam dor aguda nos testículos – geralmente provocada por hemorragia interna nesse órgão. Dor nas costas, tosse, edema indicam metástases decorrentes do avanço da doença.

Autoexame e diagnóstico

Embora a presença do tumor testicular nem sempre seja sempre perceptível, o ideal é que os homens realizem mensalmente o autoexame da genitália, a fim de detectar os sintomas da doença. Simples, o procedimento não costuma levar mais que cinco minutos. Para fazê-lo, basta ficar de pé, em frente ao espelho e procurar por alterações visíveis na região. Depois, é preciso examinar cada testículo com as mãos e os dedos, bem como identificar o epidídimo – canal pelo qual o transporte do esperma acontece – para diferenciá-lo de nódulos. Ao fim do post tem um passo a passo bem detalhado sobre o método 😉

Qualquer alteração deve ser relatada ao seu médico. No consultório, o protocolo é a realização do exame físico, seguido de solicitação de exames. O mais importante é a ultrassonografia, que, além de revelar a existência do tumor (muitas vezes, em  estágio não não palpável), aponta sua relação com os órgãos vizinhos.

Testes laboratoriais também estão no pacote, sobretudo os que avaliam marcadores tumorais como Beta HCG, DHL, e alfa-fetoproteína. A tomografia pélvica e do abdômen e os raios X são comumente solicitados no pré-e pós operatório.

Tratamento

O tratamento do câncer de testículo é, principalmente, cirúrgico. O que o cirurgião faz é retirar o testículo afetado, substituindo-o por uma prótese de silicone. Desde que um dos órgãos seja preservado, a operação não afeta permanentemente a fertilidade, tampouco a sexualidade.

Em alguns ocasiões – bem mais raras, por sinal – há necessidade de remoção dos dois testículos. A capacidade de ter filhos, nesse caso, pode se garantida através do congelamento do esperma. Já para manter a normalidade da função sexual, o paciente passa a fazer reposição de testosterona sob orientação médica.

A presença ou não de metástases determinará a necessidade de tratamentos adjuvantes como radioterapia e quimioterapia. A literatura médica recomenda que, mesmo nos casos de infertilidade temporária, a pessoa só tenha filhos dois anos após o término do tratamento quimioterápico.

Passo a passo do autoexame dos testículos

Como fazer

  • De pé, em frente ao espelho, verifique a existência de alterações em alto relevo na pele do escroto.
  • Examine cada testículo com as duas mãos. Posicione-o entre os dedos indicador, médio e polegar e movimente-o. Você não deve sentir dor. Não se assuste se um dos testículos parecer ligeiramente maior que o outro — é normal.
  • Procure o epidídimo — pequeno canal localizado atrás do testículo e que coleta e carrega o esperma. Isso é importante para se familiarizar com tal estrutura e não confundi-la como uma massa suspeita.

O que procurar

  • Qualquer alteração no tamanho dos testículos
  • Sensação de peso no escroto
  • Dor no abdômen inferior, na virilha, nos testículos ou no escroto
  • Líquido que sai do escroto.

Já imaginou se o médico pudesse controlar pequenos robôs inseridos em você?

Imagine a cena: em uma sala de cirurgia, os médicos preparam um paciente para a operação. Eles fazem uma pequena incisão, do tamanho de uma polegada, e inserem um pequeno robô no corpo dele.

Enquanto isso, em outra cidade, um cirurgião coloca um headset de realidade virtual, pega seus controladores e se prepara para operar o paciente. Aquele mesmo, que recebeu o robô na sala de cirurgia.

Parece bem confuso, né? Coisa de algum filme de ficção científica. Mas uma empresa chamada Vicarious Surgical, financiada pelo bilionário Bill Gates, quer tornar essa cena uma realidade.

A companhia anunciou seu trabalho de desenvolvimento de uma tecnologia que mistura realidade virtual com a possibilidade de médicos realizarem cirurgias a longas distâncias, permitindo maior precisão durante os procedimentos com o uso de controles e uma visão mais próxima da realidade.

O objetivo é criar aparatos robóticos, com câmeras, que possam ser introduzidos no paciente e controlados remotamente pelo cirurgião, possibilitando todos os movimentos e oferecendo uma visão realista por meio da realidade virtual.

Traduzindo, a grosso modo, a sensação que o médico teria é de, ele próprio, ter sido encolhido e tivesse trabalhando de dentro do paciente, olhando em volta e vendo todos os detalhes de perto. Assim, ele não ficaria confinado ao trabalho apenas em torno dos locais de incisão.

Assim, a empresa une o trabalho cirúrgico com aquilo que pode ser encontrado em jogos de videogame, com o médico controlando robôs e vendo tudo pelos “seus olhos”.

Pequenos robôs humanóides

Os robôs, chamados pelos fundadores de “pequenos robôs humanóides”, já estão em testes. Eles têm dois braços e uma câmera posicionada acima dos “ombros”, medindo apenas alguns centímetros de largura.

Usando esse robô motorizado, um cirurgião poderia controlar remotamente os seus movimentos para operar um paciente, não importando se ele estiver em outra sala ou até mesmo a centenas de quilômetros de distância. Tudo o que ele precisaria para fazer isso é de uma excelente conexão à internet.

A missão dos fundadores da Vicarious Surgical e seus investidores é reduzir o custo de cirurgias de maior impacto e o acesso aos melhores cirurgiões por meio de tecnologias remotas.

Até o momento, a empresa já arrecadou US$31,8 milhões (aproximadamente R$118,9 milhões) para auxiliar no desenvolvimento da tecnologia, que ainda pode ser aplicada em diferentes campos além da medicina.

É tudo muito impressionante, não?

Viver mais ou enfrentar menos efeitos colaterais do Tratamento do câncer?

Um estudo do Imperial College London mostrou que muitos homens preferem correr maior  risco de morte a enfrentar possíveis efeitos colaterais (incontinência e impotência) decorrentes do tratamento contra o câncer de próstata.

Os pesquisadores conversaram com 634 homens que tinham recebido, recentemente, o diagnóstico de câncer de próstata. Em todos os casos, o tumor ainda não havia se espalhado. A maioria (74%) tinha tumor de baixo ou médio risco e os demais (26%), de alto risco.

Após o diagnóstico, os pesquisadores propuseram dois tratamentos hipotéticos aos pacientes. As alternativas eram diferentes em termos de impacto na sobrevivência, incontinência urinária, impotência sexual, tempo de recuperação e probabilidade de necessitar de tratamento adicional. Em seguida, eles deveriam escolher uma das opções.

 

Os resultados

Os resultados mostraram que, entre obter uma melhoria de 1% na chance de manter a função urinária ou 0,68% de chance na melhora de sobrevida, os homens tendiam a escolher a primeira opção.

A mesma decisão se repetiu quando as opções eram a chance de 0,41% de melhora na sobrevida ou uma probabilidade 1% maior de não precisar de mais tratamento.

Por fim, para ter 1% a mais de chance de conseguir ereções, eles se mostraram dispostos a desistir de melhorar, em 0,28%, a chance de sobrevida.

Ou seja: os homens querem ter uma vida longa, mas se mostraram dispostos a aceitar uma menor sobrevivência se o risco de efeitos colaterais do tratamento for baixo.

Os resultados mostram que precisamos, cada vez mais, oferecer alternativas de tratamento que reduzam o dano ao paciente e limitem o impacto dos efeitos colaterais na qualidade de vida deles, além, é claro, de aumentar a sobrevida.

E são exatamente estes os principais benefícios da cirurgia robótica. Afinal, além de minimamente invasiva, ela conta com a maior precisão dos movimentos,  permitindo incisões mais seguras, com menor risco de lesão a nervos e vasos sanguíneos importantes para a função erétil e urinária.

Essas incisões machucam menos os tecidos, deixam menos sequelas e garantem menor risco de hemorragias, possibilitando um pós-operatório bem mais tranquilo com menos dores, menos infecções e inchaços e tempo reduzido de recuperação pela preservação da integridade dos órgãos envolvidos.

 

Riscos

É claro que ainda há riscos. Mesmo que pequenos, eles existem e variam de acordo com a idade, com a qualidade da função erétil antes da operação e do tamanho e extensão do câncer encontrado.

⠀Mas com os avanços das técnicas, esses danos têm se tornado cada vez mais raros. Tanto que, até os 60 anos de idade, as chances de recuperação do mesmo nível de ereção de antes da cirurgia chegam a 70%!

Lembrando que o câncer de próstata é o sexto tipo mais comum de câncer no Brasil e o segundo mais frequente em homens, após os tumores de pele, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

A doença mata um brasileiro a cada meia hora e a principal razão para isso é o diagnóstico tardio. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), 20% dos pacientes são diagnosticados em estágios avançados, o que diminui bastante as chances de cura.

da Vinci SP®: um dos robôs mais populares da Intuitive Surgical

Em 1999 chegava ao mercado americano o primeiro robô Da Vinci. A inovação tecnológica que revolucionaria operações de diversas especialidades – em especial as urológicas.

Hoje, 20 anos depois, já contamos com quatro gerações dos sistemas cirúrgicos da Vinci. Uma das plataformas mais utilizadas é o da Vinci SP. Talvez, ela seja até a mais onipresente, uma vez que foi especialmente projetada para possibilitar acesso profundo e estreito aos tecidos.

A tecnologia oferece visão 3D ampliada, de alta definição e instrumentos minúsculos de pulso (ou seja, tesouras, bisturis e pinças) que alcançam até 24 cm de profundidade e podem girar e dobrar muito mais que qualquer mão humana. O equipamento conta, ainda, com câmera cirúrgica miniaturizada, projetada para ajudar a fazer dissecções e reconstruções mais precisas no interior do corpo.

Na prática, isso significa uma capacidade de entrar no corpo através de uma única incisão, muito pequena, ou através de um orifício natural, oferecendo uma experiência minimamente traumática para o paciente até em procedimentos mais complexos.

O sistema cirúrgico da Vinci SP pode ser utilizado em procedimentos de prostatectomia radical, pieloplastia, nefrectomia e nefrectomia parcial, exigindo do corpo uma menor resposta ao trauma.

Falando em procedimentos, é interessante observar que, apesar de a urologia ser a especialidade que mais realiza cirurgias robóticas, principalmente no tratamento de tumores na próstata e no rim, várias outras especialidades também têm utilizado esta tecnologia, como a ginecologia, a cirurgia geral e a coloproctologia.

Existem vários modelos do sistema cirúrgico da Vinci, mas é importante lembrar que nenhum deles é programado para realizar cirurgias por conta própria. Em vez disso, o procedimento é realizado inteiramente por um cirurgião, que controla todo o sistema.

O novo remédio que promete controlar o câncer de próstata

Os resultados têm sido interessantes: redução dos níveis de PSA no sangue e adiamento do desenvolvimento de metástases em casos de câncer de próstata.

Falo da Darolutamida, a mais recente descoberta de opção terapêutica que promete controlar a doença e que vem sendo estudada desde 2014 em 1.509 homens, de 40 países, com contribuições de 409 centros de pesquisa.

Ainda em caráter experimental e com prazo de aprovação indefinido, a droga também tem sido utilizada aqui no Brasil, no tratamento de cinco pacientes oncológicos voluntários de Fortaleza, no Ceará.

Eles estão sendo acompanhados no Instituto do Câncer do Ceará (ICC) e todos têm histórico clínico semelhante: passaram por cirurgia ou radioterapia, mas o câncer voltou a se manifestar de forma mais acentuada com elevação do PSA. É justamente nessa fase que a metástase acontece mais rapidamente.

Os voluntários brasileiros, que começaram a tomar o remédio em 2016, apresentaram bons resultados após três anos de tratamento, levando 40 meses para desenvolver metástase. Já os homens que não utilizaram o comprimido alcançaram essa fase em 18 meses.

Além disso, a Darolutamida mostrou efeito também na redução do PSA em 90% dos casos analisados e causou menos adversidades cognitivas nos pacientes, como alteração de memória, convulsões, fraqueza e quedas.

Os voluntários tomaram um comprimido via oral por dia e retornaram ao consultório a cada 16 semanas, com exames de imagem (tomografia de tórax, abdome e pelve), cintilografia óssea e exames laboratoriais atualizados.

O próximo passo é encaminhar o remédio para o processo de aprovação da Anvisa assim que houver a liberação nos Estados Unidos, que é o país que coordena a pesquisa. Um processo que pode demorar até cinco anos para ser finalizado.

Além disso, a Darolutamida deve seguir o mesmo caminho de outros remédios descobertos para o tratamento do câncer de próstata: ser disponibilizado apenas a usuários de plano de saúde via decisão judicial.

Resta aguardar.

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