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Como um médico se capacita para fazer cirurgias robóticas, em BH?

Eu sempre fico muito feliz quando algum colega compartilha comigo a vontade de se certificar em cirurgia robótica. Um dos meus maiores sonhos é ver esse tratamento totalmente democratizado e acessível, e com cada vez mais bons especialistas operando em todo o Brasil.

É verdade que é preciso ter muita força de vontade e dedicação. Não é fácil porque, como eu sempre digo, a máquina não aprimora as competências básicas de ninguém, apenas potencializa. Sendo assim, é fundamental que o cirurgião seja muito bem treinado para operar com o robô.

O processo

Antes do treinamento criterioso na plataforma robótica, o cirurgião deve ser experiente na realização de cirurgias abertas convencionais e nas laparoscópicas.

A partir daí, tudo começa com muitas horas de simulação no Mimic, um equipamento que possui todos os instrumentos que existem no robô real. A ideia é que o profissional consiga reproduzir, nesse aparelho, todas as situações de uma operação.

Além de treinar os movimentos e habilidades cirúrgicas necessárias para o procedimento, o médico pode avaliar o próprio resultado com as métricas fornecidas pelo simulador, já que ele informa onde, exatamente, é preciso melhorar para tentar atingir determinada expertise.

Após essa primeira fase, o cirurgião vai para algum centro de treinamento para tirar a sua certificação. Sem esse título de aptidão, nenhum médico é permitido a realizar qualquer procedimento robótico.

E, mesmo de posse dessa certificação, ao voltar para a sua cidade de atuação, o profissional deve ainda realizar as primeiras cirurgias com a ajuda de um proctor, que é um cirurgião mais experiente que estará ao seu lado para ensiná-lo e passar mais segurança nesse início. São recomendadas, no mínimo, 20 cirurgias com acompanhamento para que o médico seja considerado apto a operar sozinho, com segurança e eficácia.

Mas o treinamento não termina por aí: é no cotidiano, com a prática diária de suas operações, que o cirurgião desenvolve a sua curva de aprendizado. Claro, o certificado é, sim, muito importante. Mas o que de fato assegura a excelência é o tempo de experiência com o uso da tecnologia.

Quanto mais fazemos, melhor fazemos. E quanto mais experiente for o profissional no comando do robô, melhor a máquina entregará todos os benefícios que promete ao paciente.

Você é totalmente sincero com o seu médico?

Você diz toda a verdade quando o médico pergunta sobre o que você come, bebe e quais são os seus hábitos? Sim ou não?

 

Um levantamento realizado nos EUA mostrou que a maioria das pessoas não 👎 A pesquisa das universidades de Utah, Iowa e Michigan concluiu que entre 60 e 80% dos pacientes mentem sobre algum aspecto quando vai a uma consulta.

 

O motivo? Medo de ser julgado 😕

 

O estudo contou com mais de 4.500 norte-americanos que tiveram seus questionários avaliados pelos pesquisadores. Uma parte deles tinha, em média, 36 anos de idade, e a outra, perto de 61 anos.

 

As perguntas envolviam temas como mentir ou omitir informações sobre a dieta, a prática de exercícios, automedicação e o cumprimento de instruções médicas.

 

👉 Muitos também não têm coragem de dizer que discordam da recomendação ou que não entenderam direito o que era para fazer. A maioria admitiu já ter deixado de contar pelo menos um detalhe relevante desse tipo para o médico.

 

Você pode estar se perguntando: “Mas por que isso importa tanto?” 🤔

 

A questão é que certos hábitos podem ajudar a definir diagnósticos e tratamentos, especialmente no caso de doenças crônicas. Para quem trabalha com urologia, como eu, o desafio é ainda maior, já que os pacientes têm dificuldade de admitir certas práticas e até sintomas.

 

Por isso, eu sempre digo que é importante haver um esforço das duas partes: os médicos devem melhorar suas habilidades de comunicação, e os pacientes devem se lembrar que os profissionais não estão ali para julgá-los, mas sim para ajudá-los em tudo o que for necessário.

 

Quando vier ao meu consultório ou no de outro especialista, lembre-se disso! Quanto mais franca for a nossa conversa, melhor!

Síndrome de Burnout: quando o trabalho adoece o homem

“O trabalho é o alimento das almas nobres”.“Treine enquanto eles dormem”. “Mente vazia, oficina do diabo”. Você se lembra quando foi que essas frases entraram para o seu repertório? Ou melhor: saberia dizer em que momento começou a acreditar nas sedutoras promessas embutidas nas ideias de competição, produtividade e obstinação? Arrisco dizer que ainda na infância. Basta observar fábulas infantis como A cigarra e a formiga, por exemplo, cuja moral é: curtir o verão cantando por aí é para os fracos! Siga o exemplo da formiga, que nunca descansa.

A cigarra e a formiga: o chamado para produzir começa cedo

Como médico que tem grande apreço pela profissão, concordo que trabalhar é, de fato, uma das melhores coisas da vida. Nascemos, afinal, para realizar, para tirar projetos do papel, para sermos úteis. Ocorre que precisamos tomar cuidado com as expectativas que depositamos na dedicação à carreira. Quem investe nela até a última gota de suas energias, apostando no sucesso profissional como única fonte de prazer e realização, pode acabar surpreendido pelo fracasso. Acredite: não há competência que resista a corpo e mente adoecidos pela Síndrome de Burnout

Vamos falar sobre depressão?

“Preciso de um remédio para impotência, doutor”. É natural que todo urologista escute essa frase pelo menos uma vez por dia dentro do consultório. O que eu faço diante desse pedido? Pode parecer estranho, mas minha atitude inicial não é partir direto para a anamnese (entrevista realizada pelo profissional de saúde para diagnosticar o paciente) ou avaliação física. Tampouco tiro meu receituário da gaveta para solicitar exames. Em primeiro lugar, o que eu faço é…silêncio.

Solto, no máximo, um breve “entendi”, dito em postura atenta, como quem “devolve a bola” para o paciente. A ideia é fazê-lo praticar algo que os homens quase sempre evitam: elaborar percepções e sentimentos relacionados à intimidade. Se tem uma coisa que os anos me ensinaram, afinal, é que as queixas relacionadas ao desempenho sexual masculino não raro constituem a ponta de um imenso iceberg, que muitas vezes atende pelo nome de depressão. E é justamente sobre esse tema tão importante que eu gostaria de conversar com vocês nesse post.

Homens obesos são menos férteis. Entenda por que

O que eu mais gosto neste blog é que a gente conversa sobre saúde, entre outros temas sérios, mas com a informalidade como a informalidade de um papo de boteco, regado à cerveja gelada e um bom tira-gosto mineiro. Receio, entretanto, que o assunto desta segunda-feira não esteja entre os mais populares do cardápio. O que temos para hoje, caro leitor, é uma degustação completa de verdades sobre obesidade e saúde reprodutiva.

Andropausa: o que é, como te afeta e como lidar com ela

Faz tempo que as conversas sobre menopausa extrapolaram o âmbito dos consultórios médicos. Corriqueiro, o assunto vem facilmente à tona até mesmo em situações de humor. “Quem foi que ligou o ar condicionado no máximo num inverno desses? Só pode estar na menopausa!”, costumam brincar os friorentos com aqueles que sentem mais calor.

Ou seja: de modo geral, homens e mulheres estão familiarizados com as características, sintomas e consequências dessa etapa do ciclo reprodutivo feminino e o encaram com muita naturalidade. O mesmo não se pode dizer de um fenômeno parecido que eventualmente também pode afetar os homens: o distúrbio androgênico associado ao envelhecimento masculino (DAEM), tema lamentavelmente cercado por muito desconhecimento e tabus.

HPV: Não é “só” uma verruguinha inofensiva

Em se tratando de doenças sexualmente transmissíveis (DST), duas coisas me assustam bastante nos últimos tempos. A primeira é o abandono da camisinha – sobretudo pelos jovens, que parecem encarar essa peça tão essencial e eficaz de proteção como algo “obsoleto”. A outra é o quanto esse mesmo público tem subestimado as DSTs. A impressão que eu tenho é a de que as pessoas acham que essas enfermidades equivalem a uma espécie de “resfriado” que passa com o tempo, sem maiores consequências.

Prova disso é o quanto elas andam se espalhando. Alguns posts atrás, falei aqui sobre o avanço da sífilis, cujos casos aumentaram de maneira estrondosa não só no Brasil, como em vários países do mundo. O HPV, infelizmente, também não fica para trás, e é sobre ele que vamos, ou melhor: precisamos conversar hoje.

Homem também faz pré-natal!

O post de hoje é especialmente direcionado aos pais de primeira viagem, que aguardam ansiosos o nascimento do primeiro filho. Ou mesmo aos mais experientes, prestes a viver mais uma vez a indescritível emoção da paternidade.

Não só como médico, mas como pai de duas meninas, a primeira coisa que me cabe dizer é: parabéns! Bem-vindos a essa aventura tão especial e única na vida de um homem. Mas me dê licença de fazer também uma pergunta básica: como vai seu pré-natal?

Vivendo com o HIV: a história de Fernando*

Sim, ainda precisamos falar sobre o HIV. Sei que esse foi assunto do último post, em que mostrei pesquisas e estatísticas. Sei também que não economizei em alertas e esclarecimentos técnicos e científicos.

Mas a verdade é que tudo isso, embora nos faça enxergar muita coisa, diz bem menos que a voz de quem vive com o vírus.

Por isso trago hoje o depoimento do Fernando*. Ele tem 34 anos e convive com a infecção há 8. Contrariando o mito que atrela a enfermidade à homossexualidade, ele se contaminou durante uma relação heterossexual.

Aids avança entre homens

É mais do que oficial. Um levantamento divulgado este mês pelo Ministério da Saúde revelou que AIDS avançou entre os homens.

Realizada em parceria com a Universidade Federal do Ceará, a pesquisa submeteu 3598 indivíduos ao exame de detecção do HIV de 12 cidades brasileiras. Resultado: 18,4% dos participantes estavam infectados pelo vírus, contra 12,1% do experimento anterior, feito em 2016.  

Esmiuçadas, as estatísticas revelam uma particularidade. A prevalência da AIDS é especialmente preocupante entre homens que fazem sexo com homens (HSH, na sigla do Ministério). A incidência da doença nesse público aumentou 140% entre 2009 e 2016, sobretudo entre os jovens homossexuais (pessoas com menos de 25 anos).

Diante dessa constatação, as manchetes dos jornais figuraram mais ou menos assim:

“Em 12 cidades brasileiras, um em cada 5 homens que fazem sexo com homens tem HIV” (G1)

“Em SP, 1 a cada 4 homens que transam com homens tem HIV, revela estudo” (FOLHA)

Diante disso, você, que é heterossexual, pode então respirar aliviado, não é mesmo? Claro que a resposta é:

NÃO

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