" Você morre com câncer de próstata, não por causa dele”. Estudo questiona essa premissa!

“Você morre com câncer de próstata, não por causa dele”. Estudo questiona essa premissa!

O ditado é antigo e tão repetido que muitas pessoas acreditam ser uma verdade absoluta e  que o câncer de próstata não chega a ser letal. 

Porém, um estudo recente confirmou que o câncer de próstata pode sim levar à morte, no caso da doença metastática. Os pesquisadores coletaram dados de mais de 26 mil americanos com diagnóstico da doença avançada e constataram que quase 80% deles morreram em decorrência do câncer de próstata. 

Dados do Estudo

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores coletaram dados do Programa de Vigilância, Epidemiologia e Resultados dos Estados Unidos, entre os anos de 2016 e 2020. A idade média dos homens com a doença era de 71 anos, com diagnóstico de câncer de próstata metastático em estágio M1b, que significa que o câncer havia se espalhado para os ossos. 

O resultado do estudo foi publicado no periódico JAMA Network Open por uma equipe que envolveu cientistas americanos, egípcios e ingleses. De acordo com eles, 77,8% das mortes foram causadas pelo câncer de próstata, 5,5% por outros tipos de câncer e 16,7% por outras doenças, como cardiovasculares, pulmonares ou cerebrais. 

Apesar de reconhecerem as limitações do estudo, já que os dados foram coletados com base em atestados de óbito que não constam informações detalhadas sobre as mortes, os pesquisadores acreditam que uma importante lacuna está sendo preenchida para diagnóstico e tratamento do câncer de próstata. 

Com isso, fica demonstrado que o ditado que o paciente “morre com o câncer de próstata, e não de câncer de próstata” se mostra inverídico quando a doença é metastática, que pode ser fatal na grande maioria dos casos.

O estudo mostrou também que grande parte dos pacientes estudados com esse tipo de câncer mais agressivo morreu em até dois anos após o diagnóstico da doença. Os pesquisadores reforçam que a alta letalidade da doença requer medidas mais rápidas e inovadoras para o tratamento do câncer de próstata metastático ainda no estágio inicial. 

A boa notícia é que novos exames para a detecção do câncer de próstata podem reduzir o número de pacientes com diagnóstico em um estágio tardio da doença. É importante também que os homens, ao menor sintoma de problemas prostáticos procurem um urologista para destacar a possibilidade do câncer. 

Robô Versius

Robô Versius – o que muda para o cirurgião?

Os benefícios das cirurgias minimamente invasivas para os pacientes são bem comprovados e incluem redução da dor e infecção no local operado e diminui a probabilidade de outras complicações cirúrgicas. Porém, com o desenvolvimento de outros robôs cirurgiões, o aprendizado para nós, médicos, precisa ser constante já que cada plataforma utiliza um tipo de tecnologia. 

O Versius é o robô cirurgião criado pela empresa CRM Surgical e foi projetado para ser um dos concorrentes do sistema Da Vinci, líder do mercado em cirurgia robótica. O Versius permite que o cirurgião faça algumas adaptações no console para personalizar o jeito de se operar, mas preservando características do sistema e os  benefícios da cirurgia robótica

Diferenciais do Robô Versius

Em comparação com a laparoscopia manual, os braços do robô são totalmente articulados, fazendo uma rotação completa imitando o pulso humano e a visualização é em alta definição em 3 dimensões, fornecendo precisão, controle, destreza e percepção de profundidade, favorecendo principalmente as cirurgias de alta complexidade. 

Outra vantagem do sistema Versius é a ergonomia.O console aberto da plataforma permite que o cirurgião tenha um campo de visão ampliado, podendo realizar o procedimento tanto em pé quanto sentado, mantendo-se da forma que achar mais confortável. Esse é um grande benefício principalmente em cirurgias de longa duração. 

Treinamento e Capacitação do Cirurgião

A segurança do paciente é a maior prioridade de todo cirurgião. Por isso, é importante o treinamento e capacitação para operar o equipamento que, apesar de ter um sistema mais intuitivo, apresenta diferenças do robô Da Vinci que é mais amplamente conhecido. Para capacitar os cirurgiões na plataforma Versius, a CRM Surgical oferece treinamento abrangente e registro de dados clínicos das melhores práticas, que são compartilhadas com outros usuários a fim de promover a excelência de uso da plataforma. 

No treinamento on-line, foram desenvolvidos módulos de estudo permitindo que os usuários se familiarizem com o Versius, suas funcionalidades e capacidade de cada componente individual do sistema, bem como tarefas de configuração e recursos de segurança. Essa ferramenta prepara os cirurgiões e suas equipes antes  mesmo do treinamento prático, permitindo que eles aproveitem ao máximo as futuras sessões práticas.

O Versius Trainer é outro módulo de aprendizagem que oferece aos cirurgiões a oportunidade de mergulharem em um ambiente virtual Versius. O simulador permite que os médicos  desenvolvam as habilidades motoras e cognitivas necessárias para operar o Versius em um ambiente virtual e fornece feedback de desempenho desde as tarefas mais simples, até as mais complexas, através da conclusão de 13 módulos orientados a tarefas. 

A empresa também oferece todo um time de profissionais que fazem visitas in loco para orientar o corpo clínico sobre o uso do Versius na prática e fornecer orientação contínua.

Todas essas inovações prometem ser de grande ajuda na hora de realizar uma cirurgia robótica, ampliando o número de robôs cirurgiões e oferecendo mais opções para médicos e pacientes.  

Biomarcadores: uma evolução para o diagnóstico do câncer de bexiga

O câncer de bexiga é uma doença que se caracteriza pela desordem das células que compõem o sistema geniturinário e acomete principalmente homens, entre 65 e 85 anos de idade. 

Entre os principais sintomas do câncer de bexiga estão dor ou dificuldade para urinar, dor lombar e sangue oculto na urina. Entre as principais causas dessa malignidade podemos citar as infecções na bexiga, tabagismo, exposição a produtos químicos e  histórico familiar.

O carcinoma urotelial é responsável por mais de 90% dos casos de câncer de bexiga e afeta o interior da bexiga e se mantém na mucosa e submucosa do órgão. O tratamento se baseia no estágio da doença e na classe do tumor, que podem incluir cirurgia e diferentes tipos de imunoterapia. 

 

Novos métodos de detecção do Câncer de Bexiga

Diversas pesquisas com biomarcadores do câncer de bexiga têm sido realizadas nos últimos anos, trazendo um novo olhar sobre as formas de diagnosticar a doença. Os biomarcadores primários são o antígeno de tumor de bexiga e a hibridização in situ fluorescente. Porém, a especificidade e a sensibilidade desses biomarcadores  de urina apresentam uma grande variação entre os estudos divulgados. 

Devido às suas características e peculiaridades, cada biomarcador seria propício para identificar alguns indicadores do câncer de bexiga. Por exemplo, o antígeno de tumor de bexiga tem maior sensibilidade para detectar o câncer de grau e estágio mais baixo, enquanto o fibronectina tem maior grau de detecção do que a citologia urinária. 

Alguns marca­dores moleculares potenciais foram reconhecidos pelo Departamento de Saúde Americano, FDA, como o NMP22 para a detecção e vigilância do câncer de bexiga. Entre os benefícios de se utilizar esse marcador estão o baixo custo, fácil administração e ao mesmo tempo não é um exame invasivo. Além disso, o procedimento evita  o desconforto e os riscos e despesas associadas a uma cistoscopia. 

 Devido à grande dificuldade para um diagnóstico, principalmente entre o câncer de bexiga de baixo grau, esses biomarcadores são de fundamental importância visto que a utilização deles melhorou a sensibilidade para percepção dos diversos tipos de malignidade existentes. 

Porém, vale ressaltar que a cistoscopia continua como padrão na detecção da lesão tumoral da bexiga. Mas isso não tira a importância da utilização de ambas as técnicas para um diagnóstico mais preciso e de qualidade.

Novas terapias aumentam expectativa de vida de pacientes com câncer de próstata

O câncer de próstata é um dos mais prevalentes em homens. Somente no Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que cerca de 200 mil homens vão adquirir a doença nos próximos três anos. 

Após o diagnóstico e estadiamento da doença, médico e paciente vão definir as melhores formas de tratamento, que  incluem, por exemplo, cirurgia, imunoterapia e radioterapia. São os chamados tratamentos padrão. 

No entanto, novas terapias alternativas têm se mostrado bastante eficazes na redução da mortalidade do câncer de próstata agressivo. 

Um estudo publicado na revista científica The New England Journal of Medicine mostrou que uma dessas novas terapias reduziu o número de mortes em relação aos pacientes que receberam o tratamento padrão. 

 

Combinação de Medicações

Essa nova terapia consistiu na combinação de dois medicamentos, sendo que um deles é um antígeno de membrana específico da próstata, PSMA, e o outro uma partícula radioativa que ataca as células cancerígenas.  

O estudo foi realizado com mais de 830 pessoas e se mostrou altamente eficaz em relação à sobrevida dos pacientes, que passou de 11,3 meses para 15,3 meses e teve uma redução da mortalidade em 38%.

Outra terapia experimental foi apresentada durante o Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica e ficou conhecida como trigêmea, por adicionar duas outras medicações ao tratamento padrão. A combinação de acetato de abiraterona e a prednisolona, adicionada ao tratamento convencional contra o câncer de próstata também prolongou a sobrevida dos pacientes. 

Uma das vantagens dessa combinação de terapias é que, como elas já foram devidamente aprovadas pelos órgãos reguladores, seu uso pode ser imediato, ajudando a aumentar a expectativa de vida dos pacientes. 

O estudo, conduzido pelo professor de oncologia Karin Fizazi,  da Universidade Paris-Saclay, na França, mostrou que a nova terapia reduziu o risco de morte em 25% em relação aos pacientes que usaram apenas uma medicação. A combinação dos remédios também se mostrou bastante efetiva em adiar os riscos de metástases e com efeitos colaterais mais tênues.

Essas descobertas são uma esperança para o tratamento de pacientes com câncer de próstata metastático agressivo, pois, além de aumentar a sobrevida dos pacientes, já poderiam começar a ser utilizados em todo o mundo, já que as patentes poderiam ser quebradas para a utilização dessas combinações de medicamentos. 

Robô cirurgião da Vicarious Surgical recebeu investimentos de Bill Gates

Robô cirurgião da Vicarious Surgical recebeu investimentos de Bill Gates

Um avatar! Foi assim que o CEO da Vicarious Surgical, Adam Sachs, imaginou o robô cirurgião após assistir a um filme de ficção científica, em 1966. A ideia era criar robôs tão pequenos e modernos, capazes de chegarem em pontos impossíveis para mãos humanas. 

Durante mais de 10 anos, Adam Sachs, Sammy Khalifa e o diretor médico Barry Greene, da Vicarious Surgical, desenvolveram um “mini” robô cirurgião capaz de realizar cirurgias abdominais com pequenas incisões, com cerca de três centímetros. 

E essa nova tecnologia chamou a atenção do  fundador da Microsoft, Bill Gates, e de outros grandes investidores, que veem o potencial das cirurgias micro-robóticas aliadas à realidade virtual, não em um cenário futurista e, sim, cada vez mais presente nos blocos cirúrgicos.

Tanto é que os fundadores da Vicarious pretendem lançar no mercado o mini robô cirurgião ainda em 2023. Até a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) reconheceu o feito do trio de criadores, fazendo com que o robô da Vicarious tenha revisão prioritária logo que seja lançado. Isso significa que ele passaria na frente para autorização de teste e utilização.

Para os criadores dessa nova tecnologia, o que gerou mais horas de trabalho e pesquisa, foi criar peças pequenas o suficiente para entrarem no organismo do paciente, ao mesmo tempo resistentes e que pudessem se mover de forma independente. 

Benefícios do Mini Robô Cirurgião

Diminuir o tamanho dos robôs não é tarefa fácil. Por isso, o feito da Vicarious tem sido observado com grande interesse por outras empresas e cirurgiões robóticos de todo o mundo.

Com essa nova tecnologia, espera-se facilitar as cirurgias abdominais, tornando-as mais rápidas, acessíveis e seguras, gerando também menos complicações pós-operatórias. 

As cirurgias abdominais são o carro chefe da Vicarious, incluindo cirurgias de hérnia e cirurgias biliares. O cirurgião, por meio de um pequeno corte, é capaz de inserir o mini robô no organismo do paciente e guiá-lo ao local a ser reparado, com a ajuda da realidade virtual. 

As cirurgias teste, realizadas em cadáveres, mostraram que o tempo cirúrgico chega a ser a metade do tempo gasto em cirurgias robóticas tradicionais. De acordo com os criadores do projeto, uma cirurgia robótica de hérnia gasta  em torno de quatro horas, já com o robô da Vicarius o tempo foi reduzido para duas horas. No entanto, esse tempo pode ser ainda menor com o aperfeiçoamento do mini robô. 

Outro benefício do mini robô seria a criação de novas técnicas cirúrgicas, ainda menos invasivas, com menor corte possível, mesmo em cirurgias mais complexas e profundas. 

A previsão é que os mini robôs da Vicarious cheguem ao mercado por 1,2 milhões de dólares. Cerca de metade do valor dos robôs cirurgiões mais modernos existentes atualmente. Com isso, a empresa pretende facilitar o acesso dos cirurgiões a essa nova ferramenta, de forma que possam aprender a utilizá-lo. 

Vamos torcer para que essa nova tecnologia, digna dos cenários mais futuristas, chegue logo ao Brasil!

Por que os homens são as principais vítimas do suicício?

Por que os homens são as principais vítimas do suicídio?

Hoje é o Dia Internacional de Prevenção do Suicídio, e apesar de esse ser um assunto desconfortável para muitas pessoas, é fundamental falarmos sobre ele. Infelizmente, os indíces de suicídio aumentaram depois do começo da pandemia de Covid-19 e, na verdade, eles já vinham aumentando ao longo dos anos. 

Uma crença comum (e equivocada!) a respeito do suicídio é que, quando a pessoa decide praticar algum alto de violência contra si mesma, não é possível mudar de ideia. Na verdade, o suicídio é entendido como uma morte evitável e o primeiro passo para isso é falarmos do assunto de maneira mais aberta e honesta. 

Como urologista, considero parte do meu trabalho abordar a saúde mental masculina e, embora as tentativas de suicídio sejam mais comuns entre as mulheres, são os homens, especialmente os negros, os que se matam mais, de acordo com o Ministério da Saúde.

Em todos os anos de registro no Brasil, a faixa etária dos 15 aos 29 anos é a mais afetada pelo suicídio.

Meios utilizados pelos homens costumam ser mais letais

De acordo com um estudo da Universidade de Brasília (UnB), todas as fases do comportamento suicida são marcadas pelo gênero. Dados apontam que a forma mais comum de violência autoprovocada entre os jovens de 15 a 29 é o envenenamento, tanto entre homens quanto entre as mulheres.

Entretanto, os outros meios utilizados pelos homens são os mais letais, sendo escolhidos em maior quantidade por eles do que pelas mulheres, inclusive com o uso de arma de fogo.

Além disso, o estudo destaca que uma das principais diferenças de gênero nos registros de violência autoprovocada é o fato de que os homens guardam para si os seus problemas de saúde, especialmente o sofrimento mental. Isso pode interferir no registro de casos.

Depressão masculina e sinais para ficar atento

Nem sempre a ideação suicida ou atos de autoviolência estão relacionados à depressão, mas é comum que as duas coisas estejam relacionadas. Entre os homens, a dificuldade de admitir que está em sofrimento mental ou em identificar os sintomas de depressão se tornam obstáculos para a prevenção do suícidio.

Historicamente, os homens foram ensinados a esconder seus sentimentos, reprimindo emoções negativas. Muitas vezes, esse hábito acaba se refletindo em dificuldades na relação, agressividade, problemas no trabalho e até mesmo comportamentos de risco como sexo desprotegido, direção perigosa e envolvimento em brigas.

Dado o envolvimento dessa parcela da população masculina com atividades consideradas perigosas, não surpreende que eles recorram a meios de tirar a própria vida que sejam mais letais. 

O assunto é complexo e envolve muitas outras nuances. As campanhas buscam valorizar a vida, mas a nossa própria estrutura social favorece o sofrimento mental, por meio da desigualdade e o preconceito. Não podemos nos esquecer que são os homens negros que mais tiram a própria vida, o que sem dúvidas dialoga com o impacto do racismo na saúde como um tood. 

Apesar de tantos desafios a serem superados, fico satisfeito que a saúde mental tem sido mais discutida, especialmente entre os homens. Esse é o primeiro passo para que mais pessoas possam ser acolhidas da maneira adequada. 

Urolift: Entenda o novo tratamento para próstata aumentada

Urolift: Entenda o novo tratamento para próstata aumentada

O Urolift é um novo tratamento para a próstata aumentada, condição que é uma realidade para parcela significativa dos homens com mais de 50 anos, quando as células dessa glândula começam a se multiplicar de maneira anormal. 

Em parte dos casos, o aumento do tamanho da próstata não traz sintomas significativos e o homem sente poucas mudanças além da diminuição do jato de urina. Entretanto, outros podem passar por uma queda na qualidade de vida causada pela por dificuldades na hora de urinar, sangramentos, retenção de urina e infecções de repetição na bexiga, uretra e próstata. 

Em casos como esses, a intervenção médica é fundamental para minimizar o desconforto e prevenir problemas mais sérios, como o desenvolvimento de infecções resistentes e até mesmo cálculos na bexiga. 

Geralmente, o tratamento inicial é feito com medicamentos, que buscam relaxar a musculatura ou inibir o crescimento da próstata. Caso essa abordagem não seja bem sucedida, é a hora de investir em técnicas como a cirurgia, que é muito segura e pode ser feita de maneira minimamente invasiva. Se você quiser saber mais sobre esse tratamento, confira esse post aqui.

Contudo, o foco de hoje é um tratamento inovador que chegou recentemente ao Brasil: o Urolift. 

Entenda como funciona o Urolift e quais são suas vantagens

O Urolift é um procedimento minimamente invasivo que pode ser descrito como o grampeamento da próstata. Neste método, pequenos implantes são utilizados para levantar e fixar a próstata longe da passagem da urina, o que diminui drasticamente os sintomas da hiperplasia prostática benigna

Na prática, isso significa que não são feitos cortes ou remoção do tecido prostático, ou aquecimento do mesmo. 

Para além de seu caráter minimamente invasivo, com recuperação rápida e alta no mesmo dia do procedimento, uma das principais vantagens do Urolift é evitar o uso de medicação e manter a ejaculação. Isso é muito importante, principalmente, para os pacientes jovens. 

Nos Estados Unidos, o Urolift é feito somente com anestesia local, mas, no Brasil, os médicos têm utilizado a sedação para deixar o paciente mais confortável, já que o acesso à próstata é feito pela uretra. Inclusive, não é necessário usar sonda para urinar depois do procedimento.

Para quem o Urolift é indicado? 

Esse tratamento foi aprovado pela Food And Drug Administration já há alguns anos. Recentemente, teve sua indicação expandida para próstatas com até 100 gramas. Isso significa que o Urolift não é indicado para homens com a próstata muito grande.

Homens com infecções no trato urinário ou qualquer outra condição que possa impedir a inserção do dispositivo pela uretra também não são bons candidatos ao  Urolift. 

Vale ressaltar que, apesar de trazer inovações e vantagens, o Urolift não é tão efetivo quanto a cirurgia para hiperplasia prostática benigna, porque aproximadamente 12% dos pacientes precisam refazer o tratamento.  

Impactos dos atrasos no tratamento do câncer de bexiga, durante a pandemia

Impactos dos atrasos no tratamento do câncer de bexiga, durante a pandemia

Os efeitos da pandemia na saúde da população vão além da infecção por coronavírus. O distanciamento social, ainda necessário para evitar o contágio, e a sobrecarga do sistema de saúde público e privado fizeram com que muitas outras doenças não recebessem a atenção adequada.

Nesse sentido, muitos pesquisadores se dedicaram a prever e avaliar os impactos da pandemia no diagnóstico e tratamento de diversos tipos de câncer, uma das doenças em que a intervenção precoce, em muitos casos, significa chances de cura muito maiores.

Atrasos na realização de intervenções cirúrgicas já foram amplamente explorados em muitas pesquisas, especialmente em casos de câncer de bexiga com invasão muscular. De acordo com uma revisão sistemática publicada no periódico European Urology Oncology, envolvendo mais de dezenove estudos sobre o assunto,  foi possível desenvolver algumas orientações na abordagem do câncer de bexiga para o período:

Durante as restrições causadas pela pandemia de Covid-19, pacientes com câncer de bexiga não invasivo de alto grau devem ser submetidos ao tratamento com BCG e terapia de manutenção. 

Já para os tumores de alto risco, a cistectomia deve ter sido realizada assim que possível, com exceção para casos em que o risco pós-operatório de contrair Covid-19 seja grande em pacientes com comorbidades. 

Além disso, de acordo com a literatura disponível, o atraso em até três meses na cistectomia radical pode ser seguro em casos de câncer invasivo, e a equipe médica deve priorizar o câncer de bexiga de alto grau, seja ele invasivo ou não, já que o impacto na sobrevida pode ser significativo. 

Revisão sistemática oferece orientações a respeito do atraso no tratamento do câncer de bexiga

Antes da pandemia de Covid-19, dificuldades na marcação de exames e consultas, busca de diversas opiniões médicas, questões sociais, diagnósticos errados e comorbidades em pacientes foram motivos que resultaram num espaço de tempo maior entre o diagnóstico e o tratamento da doença.

Na revisão, quatro estudos encontraram uma associação significativa entre o retardo do diagnóstico em relação à cistectomia radical (cirurgia de remoção da bexiga). A partir da metanálise de três estudos com dados que consideravam o estágio do tumor, foi encontrado um risco aumentado de morte para os pacientes com atraso significativo. 

Cinco estudos avaliaram a associação entre o tempo entre a conclusão da quimioterapia neoadjuvante e a cistectomia radical em relação à sobrevida. Dois deles demonstraram que demorar muito entre a quimioterapia e a cirurgia trouxe efeitos adversos na sobrevida dos pacientes, enquanto outro identificou que o estadiamento de tumores avançados estava associado aos atrasos.

Um dos estudos observou que pacientes que tiveram mais de 10 semanas entre o último ciclo de quimioterapia e a cirurgia de remoção da bexiga tiveram uma sobrevida global e específica do câncer mais baixa. Outra pesquisa descobriu que os atrasos na quimioterapia em mais de oito semanas estavam associados a um risco aumentado de avanço do tumor. 

Entretanto, os pesquisadores não encontraram problemas em relação ao atraso de até seis meses do diagnóstico à cistectomia radical, nos casos em que a quimioterapia foi administrada. Esse pode ser um indicador de que os atrasos na administração da quimio podem ter um impacto maior, durante a pandemia, do que o atraso na cirurgia.

Vale ressaltar, também, que os tumores da bexiga que não invadiram o músculo podem ser divididos entre baixo e alto grau e a metanálise parece apontar que os atrasos são mais propensos a causar danos em pacientes com doença de alto grau do que naqueles com doença de baixo grau.

Acredito que, num futuro próximo, iremos saber as consequências do atraso na administração do tratamento adequado em pacientes com câncer de bexiga por meio de dados específicos desse período. Hoje, já sabemos que o impacto no diagnóstico do câncer de rim foi muito significativo, por exemplo.

Por fim, se o seu tratamento foi impactado pela pandemia, não se desespere e mantenha o acompanhamento médico adequado, certo?

Nova terapia para câncer de próstata resistente à castração

Nova terapia para câncer de próstata resistente à castração

Um dos maiores desafios no tratamento dos tumores da próstata é o câncer resistente à castração. Esse tipo de neoplasia não responde ao tratamento de bloqueio hormonal, que costuma ser necessário em muitos casos. Como consequência, o prognóstico para os pacientes diagnosticados com esse tipo de tumor, que é agressivo, costuma ser pessimista, especialmente quando a doença já entrou em metástase. 

Muitas pesquisas em tratamentos experimentais têm sido desenvolvidas com o intuito de prolongar a vida desses pacientes e oferecer mais possibilidades de cura. Um deles está na fase três de um ensaio clínico em que o número de mortes em decorrência da doença diminuiu em 40% em relação aos pacientes que receberam o tratamento padrão. 

Estratégia de tratamento é mais direcionada e sofisticada 

O estudo foi publicado no The New England Journal of Medicine, e acompanhou 831 pacientes com doença avançada em 10 países, por aproximadamente 20 meses. Esse novo tratamento é chamado de lutetion-177-PSMA-617 ou LuPSMA, e consiste numa molécula radioativa capaz de localizar uma proteína presente na superfície das células do câncer de próstata. 

Células saudáveis da próstata não contém a proteína chamada PSMA, ou contém pequenas quantidades, de maneira que o tratamento afeta somente as células doentes, causando poucos danos ao tecido próximo do tumor. Entretanto, para se submeter ao tratamento, os pacientes precisam ser testados para essa proteína, que pode ser identificada em exames de imagem.  

Como o estudo foi conduzido

Ao todo, 831 homens com câncer de próstata metastático resistente à castração foram divididos em dois grupos, sendo que um deles recebeu somente o tratamento padrão e o outro recebeu o tratamento padrão e o experimental. 

21 meses depois, os resultados demonstraram que a progressão do câncer foi mais atrasada no grupo que recebeu o tratamento com LuPSMA: 8.7 meses em relação a 3.4 no grupo controle. Além disso, o tratamento foi associado a uma sobrevivência melhor de forma geral, com 15.3 meses versus 11.3 meses. 

Os tumores dos pacientes que receberam o tratamento experimental foram mais propensos a encolher, seus níveis de PSA eram mais propensos a cair, e o risco de o câncer progredir foi reduzido em 60%.

Além disso, o tratamento do LuPSMA foi bem tolerado no geral, mas incluiu efeitos colaterais como fadiga, náusea, problemas renais e supressão da medula óssea. Embora o impacto na qualidade de vida seja relativo, os pesquisadores ressaltam que ainda é necessário aprofundar os estudos a respeito de quando e como utilizar esse tratamento, já que quando o paciente tem poucos anos de expectativa de vida, esses efeitos colaterais podem ser problemáticos. 

Caso seja aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), LuPSMA será a primeira droga direcionada à proteína de PSMA a entrar para o mercado. Vale ressaltar, entretanto, que o estudo tem suas limitações.

Trata-se de um estudo randomizado, mas devido às dificuldades de conduzir um estudo duplo-cego com um tratamento radioativo, o estudo foi aberto: tanto os pacientes quanto os médicos sabiam se estavam ou não recebendo o tratamento. Isso foi um desafio porque alguns pacientes ficaram decepcionados ao saber sua designação e se retiraram do estudo, por exemplo. 

 

Onde estão os maiores custos da cirurgia robótica e como podemos reduzi-los

Onde estão os maiores custos da cirurgia robótica e como podemos reduzi-los

Os custos da cirurgia robótica são, atualmente, os maiores desafios para a popularização desta técnica no tratamento do câncer de próstata. Para investigar os fatores determinantes dos custos de hospitalização em prostatectomias radicais assistidas por robôs, o Dr. Yves Martins escreveu um artigo muito interessante sobre o tema e eu tive a honra de participar, juntamente com outros colegas, no qual tive a honra de participar junto de outros colegas. 

O artigo será publicado no The International Journal of Medical Robotics and Computed Assisted Surgery, com o título “Robotic Surgery Costs: Revealing the Real Villains”. Por enquanto, ele só pode ser acessado de maneira paga por aqui

A análise partiu de 474 prostatectomias radicais realizadas entre fevereiro de 2018 e dezembro de 2019. Levando em conta a associação entre variáveis pré-operatórias e os custos diretos totais envolvidos no procedimento, foi possível compreender quais são os principais custos. 

Materiais cirúrgicos são os principais determinantes para o custo da cirurgia robótica

Dentro da análise proposta pelo artigo, os materiais cirúrgicos robóticos foram os principais responsáveis pelo custo total de cada procedimento, correspondendo a 60,5% dos valores gastos durante o tratamento. 

Em segundo lugar, fica o tempo de ocupação da sala cirúrgica, que faz aumentar significativamente o custo a cada hora a mais de cirurgia. Esse fator corresponde a 15,2% dos custos da cirurgia robótica. 

Além disso, os custos aumentam quando o paciente tem um escore de risco anestesiológico aumentado. Isso significa que homens com as seguintes condições, geralmente, têm custos maiores na cirurgia robótica:

  • Limitações funcionais substanciais;
  • Uma ou mais doenças severas a moderadas; 
  • Obesidade mórbida (IMC acima de 40); 
  • Uso de marca-passo; 
  • Doença renal em estágios finais, com uso de diálise; 
  • Determinados problemas cardiovasculares.

Outros fatores que contribuem para a elevação dos custos da cirurgia robótica é o maior tempo de internação hospitalar. 

Como diminuir os custos da cirurgia robótica

De acordo com o estudo, os custos hospitalares da cirurgia robótica foram influenciados, principalmente, pelo tempo de uso da sala de cirurgia, o uso de material cirúrgico e o tempo de internação. Nesse sentido, tentar reduzir esses valores é uma medida que deve ser avaliada com cautela, pensando, justamente, em preservar sempre a segurança do paciente e a eficácia do tratamento.

Embora ainda não seja acessível para a maioria dos brasileiros e nem faça parte do rol de procedimentos da ANS, cada vez mais, a cirurgia robótica tem sido reconhecida por seu custo-benefício à medida que mais procedimentos são realizados e adquirimos dados substanciais. 

Além disso, o próprio fabricante vem buscando maneiras de reduzir esses valores, o que, sem dúvida, contribui para que, futuramente, a cirurgia robótica possa contemplar um número maior de pessoas. 

 

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