Câncer de próstata em homens negros: o que muda?

Câncer de próstata em homens negros: o que muda?

Diversos estudos apontam que homens negros têm mais riscos de desenvolver câncer de próstata. Além disso, os tumores parecem ser mais agressivos nestes pacientes. 

Um estudo realizado em 2020 e publicado no Jama Network comparou a eficácia da vigilância ativa em pacientes de diferentes raças. O número de afro-americanos que tiveram progressão da doença foi 11% maior do que o de homens brancos que também lidaram com esse problema num período de 7,6 anos. 

Entretanto, neste estudo, a mortalidade em decorrência do câncer de próstata foi menor entre os homens negros do que os de outras raças. Os motivos ainda não são certos e podem estar relacionados a um acompanhamento mais minucioso desses pacientes, por fazerem parte de uma investigação clínica. 

Afinal, outros estudos apontaram justamente o contrário: homens negros têm duas vezes mais chances de morrer de câncer de próstata do que aqueles de outras raças. 

De todo modo, essas diferenças parecem sustentar a teoria de que devemos acompanhar mais de perto a incidência e progressão do câncer de próstata em homens negros. Inclusive, pouquíssimos estudos envolvendo a vigilância ativa incluíram pacientes negros. 

Urologista em BH – Entendendo o risco aumentado para homens negros

Já é consenso entre a comunidade médica que a genética é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de próstata. Isso significa que um homem com parentes de primeiro grau com a doença possuem mais chances de desenvolvê-la do que aqueles que não têm.

Além disso, um estudo realizado ainda neste ano demonstrou que homens com ancestralidade africana têm uma pontuação de risco genético para câncer mais de duas vezes maior do que aqueles de ancestralidade europeia.

Entretanto, para além da ancestralidade e fatores genéticos, outras questões também parecem favorecer o desenvolvimento do câncer de próstata em homens negros.

A primeira delas é a obesidade. Um estudo de 2019 avaliou como as associações entre obesidade, ambientes obesogênicos e o racismo estrutural podem variar de acordo com a composição racial de diferentes países. Uma das conclusões da pesquisa foi que o racismo, trauma racial e fatores socioeconômicos aumentam os riscos de ter obesidade.

O status socioeconômico também tem um papel significativo nos cuidados com a saúde, pois está associado a maiores chances de desenvolver câncer por falta de acesso a tratamentos médicos pagos. Essa é uma realidade especialmente nos Estados Unidos, onde não a população não tem atendimento médico gratuito. 

Por fim, o preconceito racial também possui um papel importante nos altos índices de câncer de próstata em homens negros. Um estudo publicado no periódico Urology encontrou uma  disparidade racial significativa: eles possuem menos chances de passar pelos exames de rastreamento da doença e até mesmo de receberem indicação médica para tal. 

Todos esses fatores demonstram que ainda temos um longo caminho a percorrer quando o assunto é saúde e igualdade racial. 

Acredito que uma das principais medidas que podemos tomar para mudar esse cenário é fazer com que informações seguras a respeito do câncer de próstata circulem entre homens de diversas comunidades, tornando-os cientes de seus direitos enquanto pacientes e do seu risco real de desenvolver a doença. Assim, poderão se tornar protagonistas de sua própria saúde, independentemente da raça ou da cor.

Síndromes genéticas e o câncer urológico

Síndromes genéticas e o câncer urológico

A maioria dos tumores não têm causas hereditárias. Entretanto, as pessoas que são portadoras de mutações genéticas causadoras de cânceres urológicos precisam estar cientes de seus riscos para conhecerem as medidas de prevenção e rastreamento da doença. 

Em sua maioria,  as mutações genéticas são autossômicas dominantes, o que significa que um portador tem 50% de chance de transmitir o gene causador de câncer para cada filho. 

Felizmente, hoje já contamos com o rastreamento genético, tecnologia capaz de diagnosticar síndromes causadoras de câncer. Isso possibilitou a implantação de diretrizes globais para o manejo desses pacientes e também a identificação de portadores assintomáticos nas famílias. 

Quando o assunto é câncer urológico, muitas das manifestações de síndromes genéticas podem estar envolvidas, aumentando significativamente as chances de o paciente ter tumores no rim, bexiga, próstata ou testículos. 

Síndromes genéticas causadoras de câncer de rim

O carcinoma hereditário de células renais representa cerca de 5% a 8% de todos os tumores de rim. Alguns sinais de que o paciente pode ser portador de alguma síndrome hereditária causadora da doença são histórico familiar de câncer renal, tumores bilaterais ou multifocais e idade jovem (menos de 46 anos). 

Até o momento, estão registradas pelo menos sete síndromes genéticas causadoras de câncer de rim: Von Hippel-Lindau, Birt-Hogg-Dube, carcinoma papilar de células renais hereditário, leiomiomatose hereditária, câncer renal de succinato desidrogenase, esclerose tuberosa e síndrome de Cowden. Elas estão associadas, respectivamente, à mutações nos seguintes genes: VHL, FLCN, MET, FH, SDHB/C/D, TSC1/2 ou PTEN.

Síndromes genéticas causadoras de câncer de bexiga

O câncer de bexiga está associado, principalmente, à Síndrome de Lynch, previamente conhecida como câncer colorretal hereditário não polipóide. Trata-se de de uma mutação genética autossômica dominante que pode se manifestar a partir de mutações nos genes MSH2 ou MLH1. 

Além de neoplasias da bexiga, a Síndrome de Lynch também pode causar tumores na uretra e na pelve renal, aumentando os riscos de desenvolver a doença em até 22%, na comparação com a população geral. 

Síndromes genéticas causadoras de tumores na próstata

Aproximadamente 42% dos casos de câncer de próstata podem ser atribuídos a fatores familiares ou hereditários, sendo que o histórico familiar da doença é um dos principais fatores de risco. 

Ao contrário de outros tipos de tumores, tudo indica que a suscetibilidade do câncer de próstata seja consideravelmente mais complexa, com o envolvimento de diversos genes. Até o momento, os genes de alta permanência associados ao desenvolvimento desse tipo de neoplasia são o BRCA 1 e BRCA2, especialmente este último, que pode aumentar o risco de ter a doença em até 40%. 

Além de serem caracterizados pelo diagnóstico precoce da doença, os tumores causados por mutações nesses genes também costumam ser mais agressivos e atingir estágios mais avançados em comparação com a população em geral. 

Síndromes genéticas causadoras de câncer de testículo

Aproximadamente 2% dos pacientes com tumores de células germinativas testiculares têm um parente de primeiro grau afetado pela doença. Estima-se que o risco aumente em até 10 vezes para irmãos e até 6 vezes para filhos de pacientes com esse tipo de tumor. 

Por se tratar de um câncer raro, ainda é difícil determinar quais são exatamente as mutações genéticas capazes de aumentar os riscos de desenvolver a doença. 

Até o momento, as evidências sugerem que alelos específicos em genes envolvidos na diferenciação de células germinativas seriam os responsáveis pelo risco familiar de homens com tumores no testículo. 

Se você desconfia que pode ser portador de alguma dessas síndromes, procure o urologista e considere fazer aconselhamento genético. Confirmar o diagnóstico por meio do rastreamento genético possibilita que você realize exames importantes periodicamente, para assim tratar o tumor em estágios iniciais e até mesmo preveni-los. 

Conheça os tipos de câncer de rim e as diferenças entre eles

Conheça os tipos de câncer de rim e as diferenças entre eles

Nem todo câncer de rim é igual e isso é muito importante para pensarmos no prognóstico e tratamento do paciente. Esse é um órgão bastante complexo, formado por estruturas de células diversas que podem todas passar por processos carcinogênicos e se multiplicarem até formarem tumores. 

Podemos dizer que o câncer de rim se divide em duas grandes categorias chamadas carcinoma de células renais ou tumores corticais renais, e tumores uroteliais ou carcinoma de células transicionais. Existem muitos outros subtipos de carcinoma de células renais e ainda mais tipos de câncer de rim considerados raros, então vou explicar um pouco sobre cada um. 

Carcinoma de células renais

Até 90% dos casos de câncer de rim correspondem a carcinomas de células reais. Esse tipo de tumor se desenvolve na parte principal do rim, que contém as estruturas que chamamos de túbulos renais. 

Cada rim humano contém milhões de néfrons, unidade funcional do rim responsável pela formação da urina. Cada néfron está associado a um túbulo renal, que se unem para formar dutos condutores da urina. Todo tumor desenvolvido nessa região é chamado de carcinoma de célula renal ou cortical renal, mas nem todos eles são malignos. 

Carcinoma de células renais claras: Esse tipo de câncer de rim corresponde a 7 em cada 10 casos registrados aqui no Brasil. Ele possui esse nome porque quando analisamos suas células cancerosas sob o microscópio, elas têm uma aparência clara ou pálida. 

Tumores papilares: Correspondem a 10 a 15% dos tumores renais, e formam pequenas projeções semelhantes a um dedo no tumor, por isso se chamam papilares. Existem, também, mais dois subtipos de tumores papilares, sendo que o timo 1 é mais comum e cresce  lentamente, enquanto o tipo 2 é muito mais agressivo e imprevisível. 

Além disso, os tumores papilares estão associados a algumas síndromes genéticas hereditárias, e se o médico suspeitar que esse pode ser o seu caso, ele poderá sugerir um teste genético. Ter certeza de que o paciente é portador desse tipo de síndrome pode oferecer informações muito úteis para traçarmos um plano de tratamento eficaz.

Carcinoma cromófobo de células renais: Correspondem a 5% a 10% dos tumores de células renais. Assim como o tumor de células renais claras, ele também tem aparência clara sob o microscópio, mas podem atingir tamanhos significativos. Apesar disso, são considerados tumores menos agressivos. 

Tumores de ducto coletor: Considerado extremamente raro, esse tipo de tumor é muito agressivo e costuma não responder ao tratamento convencional. 

Tumores não classificados: Esses tipos de câncer de rim não se parece com nenhum outro tipo de tumor sob o microscópio, e geralmente são muito agressivos. Correspondem a 3% a 5% dos tumores renais.

Carcinoma de células transicionais 

Os tumores uroteliais começam no revestimento da pelve renal, onde os túbulos renais deixam a urina. Como esse revestimento é formado por células de transição que se parecem com aquelas que revestem os ureteres e a bexiga, esse tipo de tumor pode se parecer com um com um tumor de bexiga sob o microscópio. 

Outra semelhança com o câncer de bexiga é que esse tipo de tumor está frequentemente associado ao tabagismo ou à exposição a determinados químicos industriais. 

Tipos muito raros de câncer de rim

Existem dois tipos de câncer de rim que são excepcionalmente raros: o tumor de Wilms, que costuma acometer crianças e é raríssimo em adultos e o sarcoma renal.

A maioria dos tumores de Wilms é unilateral e costumam crescer e alcançar grandes volumes antes de serem diagnosticados. Não é incomum que a doença seja descoberta quando o tumor já está maior do que o próprio rim, o que não é, necessariamente, um indicativo de metástase. 

Já o sarcoma renal é um tipo raro e muito agressivo de câncer de rim que se desenvolve nos vasos sanguíneos ou no tecido conjuntivo renal. Geralmente, o prognóstico do paciente não é positivo. 

Espero que o post de hoje tenha te ajudado a entender melhor o câncer de rim, que é uma doença considerada silenciosa e perigosa! Se tiver alguma dúvida, pode deixar aqui nos comentários.

Cistectomia radical com neobexiga: vantagens e riscos do procedimento

Cistectomia radical com neobexiga: vantagens e riscos

O tratamento padrão do câncer de bexiga é a remoção completa do órgão por meio de um procedimento chamado cistectomia radical. Uma das possibilidades dessa técnica é a criação de uma nova estrutura para armazenar a urina, chamada de neobexiga. 

Mesmo sem utilizar esse recurso, a cistectomia radical é um procedimento complexo: a região da pelve é estreita e repleta de estruturas delicadas do sistema reprodutor, digestivo e excretor, além de muitos nervos responsáveis por controlar todas essas funções. 

A criação da neobexiga é, portanto, um grande desafio técnico e por isso só deve ser realizada por cirurgiões experientes. Nesse sentido, a cirurgia robótica traz vantagens para o procedimento, já que oferece ainda mais precisão e controle para os movimentos do cirurgião, além de possibilitar uma visualização aumentada e em 3D que seja impossível a olho nu. 

Como a neobexiga é feita

Podemos dizer que a confecção da neobexiga é um processo artesanal, já que ela é feita a partir de aproximadamente 50 cm da parte final do intestino delgado do paciente. Vamos manipular esse tecido removido para transformá-lo num reservatório esférico, com a capacidade de se encher e esvaziar de acordo com os estímulos nervosos, e conectá-los aos ductos urinários e à uretra.

Sem a confecção de uma neobexiga, a urina será eliminada por meio de um tipo de estoma, feito a partir da exteriorização de ductos também criados a partir do íleo pelo abdômen, e coletada numa bolsa que deve ser utilizada o tempo todo. Esse procedimento é chamado de conduto ileal, naturalmente, o paciente não tem continência da urina. 

Vantagens e desvantagens desse procedimento

Sem dúvida, a principal vantagem da neobexiga é não precisar fazer o estoma ou lidar com possíveis complicações da urostomia. Infelizmente, em muitos casos a utilização de uma bolsa coletora traz mesmo um impacto na qualidade de vida e autoimagem do paciente, que sente vergonha do estoma e tem medo do estigma social. 

Além disso, em relação aos pacientes que fizeram o conduto ileal, aqueles que possuem a neobexiga têm melhor função sexual pós-operatória. A continência urinária tende a ser normal ou quase normal, o que é um dos principais objetivos da neobexiga. 

Por outro lado, a neobexiga oferece algumas desvantagens, como o risco de incontinência urinária noturna, bem como necessidade de intenso treinamento pós-operatório, para que a neobexiga se expanda e a continência seja atingida. 

Outra desvantagem é o potencial para complicações causadas pela reabsorção de componentes que não foram eliminados na urina. 

E, por fim, a técnica cirúrgica de construção da neobexiga é muito mais complexa, principalmente em comparação ao conduto ileal, então as habilidades e experiência do cirurgião devem ser sempre levadas em consideração ao escolher a neobexiga. 

Espero que esse post tenha te ajudado a compreender melhor esse tipo de procedimento! E se você quiser se informar melhor a respeito do câncer de bexiga e as possibilidades de tratamento, tenho muito material sobre o assunto aqui no blog. Clique aqui para conferir! 

Biomarcadores na urina ajudam a detectar o câncer de próstata

Biomarcadores na urina ajudam a detectar o câncer de próstata

Atualmente, o diagnóstico do câncer de próstata é feito, de maneira geral, com a associação entre o exame de PSA (antígeno específico prostático) e o toque retal realizado pelo urologista. 

Enquanto o primeiro avalia a quantidade de uma proteína produzida pela glândula no sangue, o segundo é utilizado para verificar o tamanho da próstata e a presença de nódulos. Se for necessário, realizamos, também, uma biópsia.

Entretanto, cada vez mais pesquisas têm revelado moléculas capazes de fornecer indícios precoces não só do câncer de próstata, como também suas formas mais agressivas. Tudo indica que esse tipo de teste poderá ser utilizado cotidianamente como complemento ao exame de PSA e o toque retal.

O primeiro biomarcador do câncer de próstata foi o PSA

Na década de 1980, o diagnóstico e a morbimortalidade do câncer de próstata sofreram uma mudança radical quando a dosagem de PSA foi introduzida na prática clínica urológica. Até então, o único biomarcador disponível era a fosfatase ácida prostática (PAP), que se elevava somente quando a doença já estava em estágios avançados

O PSA foi o primeiro biomarcador, ou seja, uma molécula detectada no sangue, que foi capaz de identificar que algo estava errado com a saúde da próstata, ajudando no diagnóstico precoce da doença. 

Entretanto, essa molécula não aponta somente a existência de câncer. Já os níveis de PSA no sangue também podem ser alterados pela hiperplasia prostática benigna, prostatites ou mesmo lesões na glândula. Ou seja, sozinho, o PSA não diagnostica o câncer de próstata.

Outro aspecto limitador desse biomarcador é que ele não é capaz de dizer se o tumor é agressivo ou de crescimento lento, dificultando na hora de escolher o melhor plano de tratamento para o paciente. 

Nos anos 1980 e 1990, isso fez com que muitos homens passassem por muitos procedimentos invasivos desnecessariamente ou mesmo tivessem diagnósticos superestimados, iniciando tratamentos quando a vigilância ativa seria, idealmente, uma escolha mais acertada.

Marcadores de câncer de próstata na urina apontam para diagnóstico de câncer

Até o momento, dois biomarcadores parecem oferecer melhoras no diagnóstico precoce do câncer de próstata. O primeiro é a calicreína humana 2 (HK2), que pode ser rastreada por exames no sangue, e o segundo é o PCA3, antígeno ligado especificamente a esse tipo de tumor, rastreado na urina.

O PCA3 possui boa sensibilidade e especificidade, sendo capaz de oferecer importantes informações a respeito da formação do tumor e diferenciando-o de outras doenças da próstata. Sua eficácia se baseia no fato de que as células cancerígenas produzem até 100 vezes mais RNAm do gene PCA3 do que as células prostáticas saudáveis. 

Apesar de ter sido identificado em 1995, a adoção desse marcador ainda é relativamente baixa, devido à sua coleta um pouco desconfortável: envolve sedimentos do primeiro jato de urina após intensa massagem da próstata. 

Atualmente, costuma ser mais indicado para homens que já têm diagnóstico de câncer de próstata e estão sob vigilância ativa, como forma de monitoramento do avanço da doença. 

Outras pesquisas continuam em andamento para ajudar a diagnosticar o câncer de próstata mais cedo e com mais precisão, então continuo de olho para proporcionar, sempre, o melhor tratamento possível para meus pacientes. 

Próstata aumentada: saiba quando a cirurgia é indicada

Próstata aumentada: saiba quando a cirurgia é indicada

O crescimento contínuo da próstata é chamado de hiperplasia prostática benigna e faz parte do processo natural do envelhecimento do homem. Isso ocorre porque, com o tempo, as células dessa pequena glândula se multiplicam, aumentando seu tamanho e causando alguns sintomas que podem prejudicar a qualidade de vida do homem.

Vale ressaltar que a hiperplasia prostática não é um sinal de câncer e nem aumenta as chances de o paciente desenvolver a doença, embora ambas as condições causem alterações no exame de PSA. Ou seja, nada de pular a ida ao urologista ou fugir do exame de toque retal!

Com o dedo, o médico consegue verificar não só o tamanho da próstata como também sua consistência, diferenciando a HPB de um tumor. Inclusive, alguns homens podem, inclusive, ter as duas condições ao mesmo tempo. 

De qualquer forma, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, estima-se que 50% dos homens apresentem algum grau de HPB após os 50 anos. Desses, 30% irá necessitar de algum tipo de tratamento ao longo da vida.

Tratando a hiperplasia prostática benigna

Quando o paciente está assintomático ou só apresenta sintomas leves, geralmente só monitoramos o aumento da próstata e não fazemos nenhum tipo de intervenção. Contudo, com o tempo, o problema pode acabar causando desconfortos como dificuldade de urinar, jato urinário fraco, gotejamento, micção em dois tempos, sensação de bexiga cheia mesmo depois de fazer xixi, idas frequentes ao banheiro durante a noite e vontade incontrolável de urinar.

Ou seja, embora não sejam sintomas graves, passar por essas situações durante o cotidiano pode acabar impactando a qualidade de vida do paciente, que precisa sempre se preocupar se tem um banheiro por perto, demorar para ir ao banheiro e perder a qualidade do sono. 

Nessas situações, o primeiro tratamento costuma ser feito utilizando medicamentos como  como bloqueadores alfa 1, finasterida e dutasterida, que levam de três a seis meses para acabar totalmente com os sintomas. 

Enquanto alguns deles atuam no relaxamentos das musculaturas da região, facilitando a saída da urina, outros impedem o crescimento da próstata. Cada caso é único, por isso somente o médico poderá dizer qual o melhor tipo de medicamento para o paciente. 

Quando a cirurgia é indicada para tratar a hiperplasia prostática benigna

Já em casos mais avançados, a hiperplasia prostática benigna pode chegar a causar sangue na urina, infecção urinária de repetição, cálculos recorrentes na bexiga, retenção urinária e até insuficiência renal. Geralmente, a cirurgia é indicada nesses casos, já que busca prevenir não só dores e desconforto, mas também outros danos mais sérios à saúde do homem.

Diversas técnicas cirúrgicas podem ser utilizadas no tratamento hiperplasia prostática benigna. Entre as minimamente invasivas por exemplo, estão a videolaparoscopia, a cirurgia robótica e a cistoscópica, em que a glândula é acessada por meio da uretra do paciente.

Uma das técnicas mais interessantes, nesse sentido, é a prostatectomia simples, em que apenas uma parte da próstata é removida, preservando seu núcleo central. 

Pesquisadores descobrem marcadores genéticos causadores de metástase do câncer de próstata

Pesquisadores descobrem marcadores genéticos causadores de metástase do câncer de próstata

Pesquisadores da Rutgers University, nos Estados Unidos, descobriram marcadores genéticos em humanos que, juntos, causam câncer de próstata metastático. De acordo com o estudo publicado em outubro na Revista Nature Cancer, 16 genes colaboram para fazer com que esse tipo de tumor se espalhe para outras partes do corpo, inclusive os ossos. 

Essa descoberta possibilita que os médicos prevejam quais pacientes correm mais risco de desenvolver câncer de próstata em estágio avançado ou mais agressivamente, tornando o tratamento ainda mais individualizado. 

Segundo os pesquisadores, fazer um rastreamento genético para identificar esses 16 marcadores pode ajudar a antecipar quais pacientes não respondem à terapia de privação de andrógenos, geralmente utilizadas no câncer de próstata metastático. 

Esse pode ser um grande avanço na triagem de pacientes, já que, até o momento, ainda é um desafio determinar quais cânceres são mais ou menos agressivos.

Como o estudo americano foi realizado 

Os biomarcadores que parecem causar o câncer de próstata avançado foram inicialmente descobertos por meio de análises de metástases ósseas em camundongos, revelando perfis moleculares distintos ligados a padrões de ramificação do tumor primário.

Ao integrar os dados de camundongos e humanos com estudos funcionais em organismos vivos, a equipe tentou identificar essa assinatura genética em humanos que possa oferecer um prognóstico do tempo até a metástase e fornecer uma noção da resposta ao tratamento com receptores de andrógenos.

Por fim, eles foram capazes de confirmar uma assinatura de co-ativação entre os marcadores genéticos associados à metástase do câncer de próstata, chamada de META-16. Atualmente, e equipe está refinando o teste, na esperança de uma futura avaliação em ensaio clínico. 

Na teoria a META-16 também poderia ser utilizada para desenvolver terapias contra a doença. Afinal, esses genes estão, de fato, causando a metástase, o que se significa que se for possível suprimir a atividades desses genes, também será factível evitar que o câncer se espalhe ou pelo menos melhorar o prognóstico do paciente. 

Tudo sobre hormônios masculinos e saúde do homem

Tudo sobre hormônios masculinos e saúde do homem

O equilíbrio hormonal é fundamental para a saúde, afinal, os hormônios se relacionam a coordenam as diversas atividades do organismo. 

Por isso, na falta o excesso dessas substâncias, o indivíduo vai notar o surgimento de alguns sintomas que, a longo prazo, podem evoluir para problemas mais graves. 

Quais são os hormônios masculinos e seu papel no organismo

Os principais hormônios masculinos são produzidos nos testículos e são responsáveis por determinar as características sexuais secundárias, além de promoverem o impulso sexual e induzirem a formação de espermatozóides 

Na puberdade, uma glândula chamada hipófise produz dois hormônios chamados de gonadotrofinas, o folículo-estimulante (FSH) e o luteinizante (LH). Eles têm esse nome porque agem diretamente nas gônadas (testículos), estimulando a produção de testosterona. 

Depois que esse hormônio passa a circular pelo corpo do menino, começam as mudanças típicas do período: a voz engrossa, os pêlos aumentam, o pênis se desenvolve e o impulso sexual aumenta. Juntos, a testosterona e as gonadotrofinas provocam a espermatogênese. 

Além de atuar no desejo sexual e nas ereções, a testosterona, no adulto, também afeta muitas atividades metabólicas, como a produção de células do sangue, a medula óssea, o formação do osso, o metabolismo de lipídios e carboidratos, a função hepática e o crescimento natural da próstata.

O que é e como lidar com a testosterona baixa

Uma parcela significativa dos homens acima dos 40 anos vai apresentar uma queda na produção de testosterona. Trata-se da DAEM (Doença Androgênica do Envelhecimento Masculino), conhecida popularmente como andropausa. 

Como falei acima, esse hormônio exerce diversas funções no organismo do homem, de maneira que esse desequilíbrio pode gerar uma série de sintomas, como problemas de cognição, raciocínio,memória,  diminuição da força muscular e da libido, bem como perda da disposição geral. 

Em casos mais graves, as alterações dos níveis desse hormônio no corpo podem levar até mesmo à infertilidade, já que a testosterona é fundamental na produção de espermatozóides. 

A DAEM precisa ser sempre diagnosticada e tratada por um urologista ou endocrinologista, já que a reposição de testosterona pode ter efeitos colaterais e contraindicações. Alguns pacientes desconfiam que estão com níveis baixos de testosterona e realizam aplicações desse hormônio por conta própria, o que pode causar problemas muito sérios à saúde masculina. 

A questão hormonal e o câncer de próstata 

Uma das situações em a reposição de testosterona não é indicada é quando o paciente tem alguns tipos de câncer, principalmente o de próstata localmente avançado.

Níveis mais altos de testosterona podem fazer com que esse tipo de tumor aumente de tamanho. Não é à toa que muitos casos de câncer de próstata também são tratados com terapias de privação de andrógeno, fazendo com que o tumor pare de crescer e até mesmo diminua. Como efeito colateral, o homem pode experienciar diminuição da libido, disfunção erétil, ganho de peso e até mesmo diminuição do tamanho dos testículos e do pênis. 

Entretanto, em alguns pacientes que já conseguiram se curar da doença, é sim possível repor a testosterona (sempre com acompanhamento médico) e assim recuperar a potência sexual, por exemplo. 

Espero que esse texto tenha te ajudado a entender melhor a respeito do papel da testosterona na saúde masculina. Se você quer continuar se informando sobre saúde do homem, me acompanhe no Instagram, onde sempre faço reflexões a respeito desse assunto. 

Entenda os aspectos envolvidos na disfunção sexual masculina

Entenda os aspectos envolvidos na disfunção sexual masculina

Apesar da sexualidade ser um importante aspecto da vida adulta, ainda é um desafio, para muitos homens, procurar ajuda médica para lidar com as disfunções sexuaisl. Esses problemas atingem aproximadamente 31% da população masculina e podem estar relacionados à fatores sociais, psicológicos e fisiológicos. 

A função sexual costuma envolver uma delicada coordenação entre diferentes sistemas do corpo: os hormônios e as vias neurológicas devem estar em sincronia para que o desejo sexual esteja presente. Depois, os vasos sanguíneos, nervos e estruturas penianas devem estar em bom funcionamento para o desenvolvimento e manutenção da ereção. 

Os músculos e nervos possibilitam a ejaculação e o orgasmo, em si, envolve a coordenação de músculos e estruturas nervosas complexas. Geralmente, a disfunção sexual está associada a um ou mais elementos envolvidos nesses processos, podendo, inclusive, ser um sintoma de outro problema médico ou psicossocial. De qualquer forma, na maioria dos casos, é possível tratar a disfunção para que o homem recupere sua vida sexual. 

O que é disfunção sexual masculina

Entendemos a disfunção sexual masculina como qualquer problema físico ou psicológico que impeça o homem ou sua parceira(o) sexual de ter prazer. É mais comum entre os mais velhos, apesar de afetar homens de todas as idades. 

Os principais tipos de disfunção sexual são os seguintes:

  • Disfunção erétil: dificuldade de ter ou de manter uma ereção;
  • Ejaculação precoce: chegar ao orgasmo rápido demais; 
  • Ejaculação atrasada ou inibida: demorar ou não conseguir chegar ao orgasmo;
  • Libido baixa: interesse reduzido no sexo. 

Alguns homens podem apresentar mais de um tipo de disfunção sexual. 

Os fatores envolvidos na disfunção sexual masculina

A maioria dos problemas sexuais ocorrem por uma combinação de fatores físicos ou psicológicos. Por exemplo, um homem que passou pela cirurgia de remoção da próstata pode encontrar dificuldades físicas de ter e manter a ereção, que, somados à ansiedade para ter uma boa performance sexual, resultam em disfunção erétil mesmo depois da reabilitação pós-cirúrgica. 

Entretanto, é mais produtivo analisarmos, de acordo com o tipo de disfunção sexual, os fatores que podem estar causando ou agravando o problema:

Desinteresse no sexo

Frequentemente, a baixa libido ou desinteresse no sexo está associada a níveis baixos de testosterona, hormônio masculino responsável pelo desejo sexual, produção de esperma, massa muscular, cabelo e ossos.

Outras questões fisiológicas que podem causar uma diminuição na libido são diabetes, pressão alta e alguns tipos de medicação. Se você faz uso regular de algum fármaco, leia a bula e consulte seu médico para entender os possíveis efeitos colaterais.

Já os fatores psicológicos que podem causar desinteresse no sexo podem ser a depressão, ansiedade ou dificuldades no relacionamento. 

Muitos homens ficam frustrados por terem notado uma mudança no desejo sexual após perder o emprego, um ente querido ou até mesmo após uma separação amorosa, o que pode ser um indicativo de que o paciente está vivendo um episódio de depressão ou crises de ansiedade. Vale a pena observar e, se for o necessário, procurar ajuda psicológica. 

Ejaculação atrasada ou inibida 

O orgasmo ainda é um fenômeno pouco compreendido pela ciência, entretanto, a dificuldade de chegar ao clímax sexual costuma estar associada à questões médicas crônicas, como a diabetes neuropática e a esclerose múltipla. 

Homens que passaram por cirurgias genitais com complicações ou trauma na região pélvica também podem experienciar dificuldades para chegar ao orgasmo, devido a possíveis danos causados às estruturas nervosas da região. 

Aspectos psicológicos também podem causar ejaculação atrasada, como dificuldades no relacionamento, depressão, estresse e ansiedade. 

Homens que passaram pela prostatectomia radical, por exemplo, podem experienciar ejaculação retrógrada, em que, mesmo atingindo o orgasmo, a ejaculação é forçada de volta para a bexiga, e não até o final do pênis. 

Ejaculação precoce 

A ejaculação precoce pode ter diversas causas, mas, geralmente, está associada à questões neurológicas envolvendo as inervações para o trato seminal ou para a genitália. Além disso, fatores psicológicos como histórico de repressão sexual também podem estar envolvidos. Em muitos casos, a ejaculação precoce é causada por ansiedade de desempenho.

Disfunção erétil

A disfunção erétil está relacionada à diversos fatores, como distúrbios vasculares, condições crônicas como pressão alta, colesterol alto e diabetes, bem como hábitos de vida pouco saudáveis, como tabagismo, consumo de bebida alcoólica e sedentarismo.

Alterações hormonais como baixa testosterona também são comuns, principalmente nos casos em que o paciente consegue ter ereção, mas não o suficiente para atingir a penetração. 

Pacientes que passaram pela cirurgia de remoção da próstata também podem experienciar disfunção erétil, já que os delicados nervos responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção da ereção masculina podem ser danificados durante o procedimento.

Atualmente, existem diversas técnicas de preservação dos nervos, mas, ainda assim, pode levar um tempo até que o homem consiga recuperar a função sexual plenamente. 

Por fim, questões psicológicas, como dificuldades no relacionamento, estresse e medo de não ter uma boa performance sexual também podem ser obstáculos para desenvolver e manter a ereção. 

O papel do urologista na saúde e bem-estar do homem

O papel do urologista na saúde e bem-estar do homem

Além de ser responsável pelo tratamento de problemas relacionados ao trato urinário de ambos os sexos e ao aparelho genital masculino, o urologista é, também, aquele que vai trabalhar com questões muito delicadas e específicas do homem. É papel desse profissional estar ao lado do paciente para lidar com sua intimidade, sexualidade e fragilidades em momentos difíceis como depois do diagnóstico de câncer de próstata, por exemplo.

Infelizmente, ainda é um desafio convencer os homens a frequentar o médico urologista para fazer o exame preventivo do câncer de próstata e também para diagnosticar e tratar a causa de sintomas que, muitas vezes, se arrastam por meses e até anos. 

O homem ainda tem dificuldades de cuidar da própria saúde

Na nossa cultura, os homens não são ensinados a demonstrar fraquezas porque precisam ocupar o papel de herói ou provedor da família. Na prática, isso acaba se refletindo em muita negligência com a própria saúde. Muitos estudos apontam que os homens vão menos ao médico (em todas as especialidades), consomem mais álcool e, de maneira geral, morrem mais cedo do que as mulheres. 

Esse é um dos motivos pelos quais a cada 41 homens, um morrerá de câncer de próstata. Afinal, a doença é silenciosa e precisa ser detectada precocemente, quando as chances de cura são altíssimas. Se o homem não vai ao médico, é impossível diagnosticar a doença em estágios iniciais. 

Preconceito contra a especialidade da urologia

Embora seja comum que as mulheres frequentem o ginecologista antes mesmo de iniciar sua vida sexual, muitos homens passam a vida inteira sem visitar o médico urologista. Outros, têm sua primeira consulta com esse profissional depois de aparecerem os sintomas de doenças como o câncer de próstata.

Ainda existe um preconceito contra o urologista que não passa de desinformação. Por esse motivo campanhas como o Novembro Azul são tão importantes: elas ajudam a desmistificar a especialidade, fazendo com que o homem entenda que a ida ao urologista é benéfica e fundamental para manter a saúde como um todo. 

O urologista é o médico ideal para lidar com questões da intimidade masculina

Desde a puberdade, o corpo do homem passa por mudanças específicas que podem levantar muitas dúvidas. O adolescente, inclusive, está sujeito a ter problemas urológicos como doenças sexualmente transmissíveis, varicocele e ejaculação precoce. 

Idealmente, o homem começaria a frequentar o médico urologista desde esse período, para compreender ainda cedo como seu corpo funciona e como preservar a sua saúde reprodutiva e sexual. Entretanto, essa ainda não é a realidade, e, atualmente, recomenda-se que os homens procurem esse especialista para realizar os exames de rastreamento do câncer de próstata, somente aos 50 anos (ou 45, para quem tem histórico da doença na família). 

Esse tipo de tumor ainda é muito comum, e afeta significativamente a auto-estima, sexualidade e intimidade do homem. Logo após o diagnóstico, os homens já costumam levar um grande choque porque são forçados a lidar, bruscamente, com sua fragilidade humana, aspecto que foram ensinados a ignorar. 

Além dos complexos sentimentos que vem à tona nesse momento, o próprio tratamento do câncer de próstata pode trazer efeitos colaterais que impactam a identidade masculina. A impotência sexual e a incontinência urinária são os mais comuns e, em alguns casos, chegam a afastar o homem do tratamento adequado. 

Em todo esse processo, o acompanhamento do urologista é fundamental. Afinal, é ele quem vai explicar para o paciente todos os detalhes sobre os tratamentos disponíveis e trazer orientações a respeito da recuperação da potência sexual e da continência. 

Ao longo dos meus 20 anos de profissão, percebi que para o paciente, se curar do câncer de próstata, em muitos casos, não é suficiente. Os homens querem se recuperar de maneira plena e continuar com sua vida sexual, que é uma parte tão importante da vida adulta. 

De qualquer forma, o médico é, frequentemente, a única pessoa com quem o homem consegue compartilhar esse aspecto do câncer, já que pode estar enfrentando o medo, o constrangimento e até mesmo a depressão durante esse período. 

O urologista está preparado para estar ao lado do paciente em todo esse processo e ajudá-lo a resgatar sua sexualidade. Se for o caso, poderá trabalhar de maneira multidisciplinar com um sexólogo ou psicólogo, já que a mente também tem um papel central na função erétil.

Espero que esse texto tenha te ajudado a entender o papel central do urologista na saúde masculina. Se você quer continuar se informando a respeito desse universo, me acompanhe no Instagram ou no Facebook. Estou preparando conteúdos muito bacanas para as próximas semanas. 

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