Cirurgia Robótica: perspectivas para 2020

Nos últimos anos, temos acompanhado uma evolução consistente da cirurgia robótica, no contexto do aprimoramento contínuo dos procedimentos minimamente invasivos em terras brasileiras. 

Esse desenvolvimento é percebido tanto a nível estadual quanto nacional. Hoje, temos mais de 50 robôs espalhados pelo país em cidades como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Belém e Recife. E a tendência desse volume é crescer.

Mantendo a tradição desde a chegada da cirurgia robótica no Brasil, em 2008, a urologia é uma das áreas que mais emprega robôs nos procedimentos cirúrgicos. Atualmente, entre 60% e 65% das intervenções realizadas com plataformas robóticas no país são feitas nessa especialidade.

Para 2020, a perspectiva é chegar à contagem de 100 robôs sendo usados no Brasil. Também esperamos que a tecnologia chegue a outras cidades, saindo dos grandes centros e chegando mais perto do interior dos estados.

No mundo todo, a cada 36 segundos, uma cirurgia robótica é realizada. Como parâmetro internacional, temos os Estados Unidos, onde já são 3 mil plataformas robóticas instaladas e operando com total precisão e segurança.

É claro que ainda temos um longo caminho a percorrer para tornar o acesso à cirurgia robótica mais capilarizado e constante no país, mas a realidade brasileira já impressiona.

A realidade brasileira em cirurgia robótica já impressiona

Passados pouco mais de dez anos desde que o primeiro procedimento com auxílio de um robô cirurgião foi realizado (em um grande hospital de São Paulo), o Brasil lidera o ranking de cirurgias robóticas na América Latina.

Essa informação está nas conclusões de uma pesquisa realizada recentemente pela Intuitive Surgical, a empresa que representa, no Brasil, a gigante fabricante de robôs Da Vinci.

Os dados da investigação também apontam que a urologia é a especialidade médica que mais realiza cirurgias robóticas no país. Em segundo lugar, está a cirurgia geral, seguida da ginecologia.

Para termos uma ideia de como a cirurgia robótica vem evoluindo de forma consistente no país, podemos considerar o exemplo de Minas Gerais. 

Faz pouco mais de dois anos que a tecnologia chegou em terras mineiras. No entanto, já são mais de 100 médicos cirurgiões plenamente capacitados para comandar uma plataforma robótica no estado.

Toda essa evolução deve ser comemorada! Afinal, a cirurgia robótica permite o alcance de vários benefícios, tanto para pacientes quanto para médicos. 

Estamos falando de recuperação mais rápida e menos tempo de internação (para o paciente) e alto nível técnico nos procedimentos e mais ergonomia (para o cirurgião), entre outras vantagens.

Seguiremos acompanhando a tendência de crescimento da cirurgia robótica em terras brasileiras. Esse é um caminho inevitável, que foi traçado para revolucionar as intervenções cirúrgicas e a medicina no Brasil e no mundo.

Preciso mesmo fazer o toque retal, doutor?

Sim, precisa! E vou te explicar porquê: ele pode te livrar do câncer de próstata que, quando não tratado a tempo, pode ocasionar prejuízos físicos, psicológicos e sociais de difícil superação. Impotência, incontinência urinária, apenas para citar alguns deles.

E não há porque temer o exame, pois ele é um procedimento indolor e muito rápido. Entre o momento em que o urologista veste a luva de látex e o instante em que diz “pronto, pode se vestir”, leva dois minutos, no máximo. Ou seja: quando você assusta, já foi! 

O toque retal ou exame de próstata também serve para detectar a hiperplasia benigna da glândula (aumento natural) ou a presença de tumores malignos na área. Para realizá-lo, o urologista insere o dedo indicador devidamente lubrificado e protegido por uma luva de látex no ânus do paciente, a fim de examinar a região situada no fim do intestino grosso. 

A intenção do médico é tão somente verificar, por meio do tato,  o tamanho, densidade e formato da próstata, procurando por caroços, pontos moles ou endurecidos e outras anormalidades. Ás vezes, pedimos para que o paciente faça força como se fosse defecar. O ânus, assim, fica mais acessível, o que torna o procedimento mais rápido. 

Se você nunca fez o exame de próstata, não tema ter que ficar em posições vexatórias dentro do consultório. Isso de maneira alguma é necessário. Há casos em que a pessoa pode se posicionar até mesmo de pé. O mais importante é manter-se o mais relaxado possível. 

O toque é geralmente feito junto com um outro teste, chamado PSA (Antígeno Prostático Específico), que mede a concentração de uma enzima produzida pela próstata no sangue. 

Quem deve fazer o toque retal, a partir de quando?

Até 2008, era comum ver campanhas governamentais como a Novembro Azul incentivando todos os homens acima dos 45 anos a se submeterem aos exames de rotina (toque retal e PSA). O que faz algum sentido dentro da perspectiva de que o diagnóstico precoce é o melhor caminho para a cura do câncer de próstata. 

Ocorre que, depois de rever estudos publicados desde a década de 1950 sobre o assunto, pesquisadores de países como o Canadá e os Estados Unidos verificaram que o rastreamento universal não reduz significativamente a mortalidade pela doença. 

Outra constatação foi de que o resultado do PSA e do toque retal, não raro, levam à  recomendação de cirurgias e terapêuticas desnecessárias a pacientes assintomáticos, cujos tumores, quando encontrados, são muitas vezes inofensivos. A retirada total da próstata, a radioterapia, as biópsias e outros procedimentos do clássico protocolo de combate ao carcinoma prostático podem, portanto, afetar sobremaneira a qualidade de vida do indivíduo sem que haja aí uma vantagem real pra ele. Muitos desses tumores permanecem “quietos” no organismo do paciente sem causar grandes prejuízos. 

Diante dessas conclusões, o protocolo de rastreio do câncer de próstata foi então atualizado. Acompanhe algumas de suas mais importantes diretrizes: 

Recomenda-se a avaliação de todos os homens com mais de 50 anos, desde que sua expectativa de vida compreenda ao menos mais uma década. Caso contrário, o benefício de um possível tratamento não compensará as complicações associadas.

Sobre idade para iniciar os exames  preventivos: depende do risco associado ao perfil do paciente. 

50 anos para homens de risco igual ao da média;

45 anos para os de alto risco (descendentes de negros familiares de primeiro grau diagnosticados com de câncer de próstata antes dos 65 anos);

40 anos para os de altíssimo risco (diversos parentes com câncer de próstata diagnosticado antes dos 65 anos).

3) Níveis de PSA abaixo de 2,5 ng/mL:  o exame pode ser repetido apenas a cada 2 anos (ao contrário da repetição anual recomendada anteriormente). Quando os níveis estiverem acima desse valor, o exame deve ser anual;

4) PSA entre 2,5 e 4,0 ng/mL requer conduta individualizada: biópsia quando houver risco mais alto (ascendência negra, história familiar de câncer de próstata, idade mais avançada e toque retal alterado). 

5) O tradicional valor de 4,0 ng/mL para o PSA ainda é considerado como o limite a partir do qual deve ser indicada a biópsia de próstata, apesar de não haver segurança de que esse seja o ponto de corte ideal.

Dúvidas? É só me chamar nos comentários. E por favor, marmanjada: superem o medo do toque retal!

O uso da inteligência artificial na escolha de cuidados paliativos ou no tratamento do câncer

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com médicos intensivistas do HCor (Hospital do Coração) descobriram, em estudo recente, que a inteligência artificial pode contribuir para fazer prognósticos a respeito da qualidade de vida de pacientes com câncer em estágio avançado internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).  O trabalho científico foi publicado no Journal of Critical Care

Após a análise de 777 pacientes de câncer alojados em UTIs de hospitais oncológicos em São Paulo, os modelos de inteligência artificial testados tiveram um índice de 82% de acerto ao estimar o período de sobrevivência do paciente com qualidade de vida, ou seja, sobrevida com sintomas como a dor controlados por mais ou menos de 30 dias. 

O estudo durou dois anos. Nesse período, 66% dos enfermos monitorados vieram a óbito e 45% dos internados tiveram até 30 dias de qualidade de vida.  A média de sobrevida foi de 195 dia, sendo que foram registrados 70 dias com qualidade de vida. 

Já existiam algoritmos que fazem previsões assertivas sobre as chances de mortalidade do indivíduo, mas não conseguiam um prognóstico sobre a qualidade de vida dessas pessoas. 

Para os pesquisadores o estudo é valioso porque contribui para a tomada de decisões referentes à submissão do paciente a tratamentos agressivos ou a aplicação dos chamados cuidados paliativos para garantir algum conforto ao portador de doença fora da possibilidade de cura.  E auxilia o profissional médico na certeza de sua decisão.

Para o modelo matemático usado na pesquisa foram usados como dados características dos enfermos como a história sociodemográfica, hemograma, funcionamento renal e outros. 

Apesar dos resultados satisfatórios, o coordenador da pesquisa, Alexandre Chiavegatto Filho, professor da USP, afirmou que o modelo será testado em um grupo maior de pacientes com diferentes níveis de gravidade oncológica antes de ser colocado em prática. 

Conheçam Fred Moll, o pai da cirurgia robótica

Ao contrário dos pais, que trabalharam durante anos como pediatras, o americano Fred Moll decidiu trocar os consultórios pelas startups e fundou uma série de empresas inovadoras que estão moldando o futuro da medicina.

Tudo começou lá no início dos anos 80, quando ele era residente em cirurgia e entrou, pela primeira vez, em contato com as técnicas das cirurgias minimamente invasivas. Ao estudar as possibilidades para operações mais precisas e eficientes, acabou criando algo totalmente novo: a cirurgia robótica.

Desde esse momento, Moll começou a acreditar, piamente, que o mundo precisava de ferramentas de laparoscopia para outros tipos de cirurgias. Achava que, se os médicos tivessem as ferramentas certas, isso os incentivaria a usar técnicas menos invasivas e, consequentemente, mais benéficas e tranquilas para os pacientes. Que bom que ele estava certo!

A partir de então, ele foi estudar na Stanford Business School e fundou várias empresas até conhecer o trabalho de uma organização que desenvolvia um protótipo de cirurgia à distância para o departamento de Defesa americano. Foi quando ele conheceu um console operado por médicos, capaz de transmitir movimentos cirúrgicos para braços robóticos que reproduziam essas ações no paciente.

O projeto o inspirou a fazer algo totalmente diferente: e se fosse possível usar aqueles braços em cirurgias de alta precisão? E se combinássemos o movimento das mãos de um cirurgião com a robótica?

Moll percebeu que, por esse caminho, poderia possibilitar uma cirurgia muito mais precisa e eficiente. Para desenvolver a ideia, fundou a Intuitive Surgical em 1995 e a Auris em 2007. E o resto da história vocês já sabem.

Agora, a meta de Moll é levar a robótica a lugares onde ela nunca esteve. É usar os robôs em especialidades nas quais ele nunca foi testado. Essa é a missão da Auris, que já criou um equipamento capaz de diagnosticar e tratar câncer do pulmão sem a necessidade de cirurgia (sistema Monarch) e, atualmente, trabalha em uma plataforma capaz de combinar diferentes procedimentos em cirurgias complexas.

Em fevereiro deste ano, a Auris foi comprada pela Johnson & Johnson por US$ 3,4 bilhões. Com a venda, o plano é poder acelerar o desenvolvimento da plataforma e a criação de novas técnicas cirúrgicas e combinar a tecnologia da Auris com a inovação de todo o portfólio da companhia. Tá aí uma dica de personalidade para ficarmos de olho em 2020!

O que é imunoterapia?

Há alguns dias, eu contei aqui no blog que um certo método de imunoterapia pode trazer esperanças para alguns homens com câncer na próstata. Os resultados de um novo ensaio clínico mostraram que alguns pacientes em estágio avançado podem viver por, pelo menos, mais dois anos (ou mais!) em imunoterapia após esgotarem todas as outras opções de tratamento.

Na ocasião, algumas pessoas mandaram mensagens no meu Instagram perguntando o que era, exatamente, essa tal de imunoterapia. Embora eu não seja médico oncologista, peço licença para explicar: basicamente, a imunoterapia usa nosso próprio sistema imunológico para reconhecer e atacar células cancerígenas.

O tratamento parte da premissa de que o desenvolvimento de um câncer promove uma redução da atividade do sistema imunológico, uma vez que as células tumorais não são reconhecidas por ele e começam a crescer de forma descontrolada.

Para superar isso, pesquisadores descobriram maneiras de reverter o processo, ou seja, de ajudar o sistema imunológico a reconhecer as células tumorais e, ao mesmo tempo, aumentar sua resposta, causando a morte das “invasoras”.

Ela já é usada como tratamento padrão para alguns tipos de câncer, como melanomas, e está sendo testada também como medicamento para muitas outras formas da doença.

Em resumo, é isso. Espero ter esclarecido a questão e aproveito para deixar aqui o convite para você seguir o meu perfil e mandar as suas perguntas também. Sempre que possível estarei respondendo a todas elas. 

Esperança para os pacientes de câncer em estágio avançado

Os resultados de um novo ensaio clínico realizado em Londres mostraram que alguns homens com câncer de próstata avançado podem viver por pelo menos mais dois anos (ou mais!) em imunoterapia após esgotarem todas as outras opções de tratamento.

O estudo envolveu 259 homens com câncer de próstata avançado que se tornaram resistentes a terapias convencionais, como terapia de privação de andrógenos e quimioterapia.

Dos 166 pacientes com doença particularmente avançada, o tempo médio de sobrevida foi de 8,1 meses com pembrolizumabe (anticorpo humanizado usado na imunoterapia). No entanto, nove desses pacientes tiveram uma resposta dramática ao tratamento e viram seus tumores desaparecerem ou encolherem.

Quatro dos nove homens eram “super respondedores”, que ainda estavam em tratamento quando o estudo terminou, vivendo muito mais do que o esperado.

Os resultados são uma boa surpresa porque não se vê muita atividade do sistema imunológico nos tumores da próstata, o que já levou muitos oncologistas a pensaram que a imunoterapia não funcionaria para esse tipo de câncer. Mas o estudo mostrou o contrário: há uma proporção de homens com câncer em estágio final que pode responder, e muito bem, a esse tipo de alternativa.

Agora, os pesquisadores estão tentando descobrir exatamente por que esses “super respondedores” viram respostas tão dramáticas no pembrolizumabe quando o medicamento não funcionou para a maioria dos outros pacientes.

Há uma suspeita: no ano passado, os cientistas descobriram que homens com mutações nos genes de reparo do DNA responderam especialmente bem à imunoterapia. Isso pode guiar um ensaio clínico em larga escala para que a comunidade médica tenha mais certezas em relação a essa alternativa, sabendo mais adequadamente quais pacientes responderão ou não a esses medicamentos (que, infelizmente, são caros).

O trabalho, liderado por cientistas do Institute for Cancer Research, no Reino Unido, foi publicado na semana passada no Journal of Clinical Oncology. Vamos aguardar as próximas notícias!

Dia Nacional de Combate ao Câncer #NovembroAzul

Além de estarmos em pleno mês mundial de combate ao câncer de próstata, é lembrado hoje o Dia Nacional de Combate ao Câncer, reforçando ainda mais os esforços dos médicos e dos órgãos de saúde em conscientizar a população à respeito da importância da prevenção. 

No caso do câncer de próstata, a chance de cura pode chegar até 90% se a doença for diagnosticada precocemente. Mas, melhor e mais seguro que é isso, é fugir completamente dela:

– Não fume

O cigarro carrega cerca de 4720 substâncias, sendo mais de 400 delas altamente cancerígenas. Segundo estatísticas do Inca (Instituto Nacional de Câncer), o tabagismo é a principal causa de câncer evitável no mundo, estando por trás de grande parte dos cânceres de pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero e leucemia.

– Não abuse de bebidas alcoólicas

Além de potencializar os efeitos do tabaco, o álcool aumenta a chance de desenvolvimento de alguns tumores, como intestino, esôfago e fígado. De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, 18 gramas (aproximadamente duas doses) de álcool por dia são suficientes para aumentar significantemente o risco de desenvolver câncer de mama. Com o consumo de 50 gramas diárias, o risco aumenta em 50%. Outro estudo, realizado pelo Fred Hutchinson Cancer Research Center, descobriu que as mesmas 50 gramas, em homens, dobram as chances de desenvolver câncer de próstata.

– Mantenha hábitos de sexo seguro

Hoje, sabe-se que o papiloma vírus humano (HPV) – doença sexualmente transmissível – é o principal responsável por alguns tipos de câncer como o câncer do colo do útero, vulva, pênis e orofaringe (garganta). Por isso, a importância de praticar sexo seguro e sempre com o uso da camisinha – até mesmo para o sexo oral.

– Coma frutas, legumes, verduras, cereais integrais e leguminosas

Dietas pobres em nutrientes podem aumentar o risco de ao menos seis tipos de câncer, como boca, estômago e intestino. Alimentar-se bem, com comidas saudáveis e uma dieta equilibrada, também ajuda a manter um peso saudável, o que é imprescindível já que o sobrepeso e a obesidade são dois dos principais fatores de risco para câncer. 

– Evite o consumo de alimentos ricos em sódio e conservantes

Os alimentos processados – o que incluem enlatados e embutidos como mortadela, presunto, salame, mortadela, bacon e salsicha -, são ricos em uma substância chamada nitrosamina, que é cancerígena. Por isso, é importante que esse tipo de alimento seja evitado ao máximo, assim como fast foods que, em geral, são ricos em processados.

– Pratique atividades físicas todos os dias

A prática de atividades físicas promove um bem geral ao organismo e também protege contra o câncer, diminuindo a circulação das citocinas pró-inflamatórias no organismo. A recomendação é de que o exercício tenha duração mínima de 30 minutos.

– Mantenha-se atento à sua saúde

O corpo dá sinais quando algo não está certo. Isso também vale para casos de câncer. É importante que se preste atenção, pois só assim é possível notar a presença de algum caroço estranho, uma íngua, mancha na pele ou outro sinal. É importante realizar todos os exames de diagnóstico precoce indicados pelo seu médico.

Agora que você já sabe o que fazer, é só começar. 

Câncer de próstata: para cada fase, um tipo de tratamento

Para todas as fases da evolução do câncer de próstata, há um tratamento adequado. E a escolha mais adequada deve ser individualizada e definida após discussão entre médico e paciente sobre os riscos e benefícios de cada método.

As opções para cada fase são:

➡ Doença localizada (confinada à próstata)

  • Vigilância ativa – acompanhamento clínico da doença, quando o tumor é pouco agressivo

O paciente é acompanhado de perto, fazendo exames regulares de PSA e toque retal a cada 6 meses. Biópsias poderão ser realizadas, para verificar a evolução da doença. Mas, se a qualquer momento for constatado o crescimento do tumor ou alguma alteração com base nos resultados dos exames de acompanhamento, o tratamento é iniciado. Essa abordagem pode ser indicada se a doença não estiver provocando nenhum sintoma e se o tumor estiver se desenvolvendo lentamente, for pequeno e estiver contido dentro da próstata. 

  • Cirurgia radical – aberta (convencional), laparoscópica e robótica

A cirurgia — chamada prostatectomia radical — consiste na remoção de toda a próstata, das vesículas seminais e, por vezes, dos linfonodos regionais. É obrigatória a retirada da próstata inteira porque, na maioria das vezes, o tumor é multifocal. 

A prostatectomia radical realizada em plataforma robótica é, atualmente, a cirurgia mais comum para o tratamento do câncer da próstata, sendo responsável por mais de 90% de todas as prostatectomias realizadas nos Estados Unidos. Isso porque a tecnologia fornece visão HD e 3D da região, filtragem de tremor, incisões pequenas e uma série de outros importantes recursos. Com isso, o paciente tem um retorno mais rápido às suas atividades rotineiras, um tempo mais curto de hospitalização e um risco reduzido de ter incontinência e impotência sexual. Outras vantagens são a menor perda sanguínea, menor necessidade de transfusão e menos dor em todo o processo.

A prostatectomia radical laparoscópica também é uma cirurgia minimamente invasiva que não demanda uma grande incisão e que conta com importantes tecnologias, como a fibra ótica e a magnificação da imagem pela visão ampliada, o que permite realizar o procedimento de forma precisa. Ela também possibilita benefícios como menor índice de infecção, redução da dor pós-operatória e do sangramento, um menor período de hospitalização e um retorno mais rápido às atividades normais.

  • Radioterapia

A radioterapia é um método capaz de destruir células tumorais com radiação. As técnicas evoluíram bastante na última década e, hoje, é possível dirigir os raios com muito mais precisão, de modo a atingir predominantemente a próstata e poupar ao máximo o reto e a bexiga. 

Podem ser empregadas duas formas: a radioterapia externa e a interna. Na radioterapia externa, o tumor de próstata é enquadrado no campo de radiação através de exames de imagem e de cálculos matemáticos. O tratamento tem a duração aproximada de sete a oito semanas (de segunda a sexta-feira).

Já a radioterapia interna é uma técnica que se baseia na colocação de sementes radioativas no interior da próstata, que são introduzidas por via retal sob anestesia. O procedimento é realizado em um único dia, e não requer internação hospitalar. Mas o procedimento só é indicado para tumores pequenos, com PSA baixo (geralmente menor do que 10 ng/mL) e pouco agressivos.

➡ Doença localmente avançada (ultrapassa somente os limites da próstata)

Cirurgia radical acompanhada ou não de hormônio e Radioterapia.

➡ Doença avançada (já presente em outros órgãos):

Tratamento clínico com hormonioterapia, quimioterapia e drogas orais, que melhoram a qualidade de vida e aumentam a sobrevida.

A hormonioterapia é uma indicação para pacientes com envolvimento ósseo ou de outros órgãos, com uma probabilidade de resposta maior que 85%. Porém, ao contrário da radioterapia e da cirurgia, na doença localizada, o tratamento hormonal tem a capacidade de controlar, e não de curar o câncer.

Na prática, a hormonioterapia do câncer de próstata consiste em privar o organismo da testosterona, o que pode ser feito de duas formas: pela orquiectomia (remoção cirúrgica dos testículos) ou pelo bloqueio com medicamentos que impedem os testículos de produzir a testosterona, hormônio masculino que alimenta a doença. As duas drogas mais utilizadas para o bloqueio hormonal medicamentoso são a gosserrelina e a leuprolida.

Embora a hormonioterapia seja bastante eficaz nas fases iniciais, as células malignas eventualmente se tornam resistentes ao tratamento hormonal. Nessas situações, podem ser utilizadas outras medicações que bloqueiam a ação da testosterona, por exemplo: dietilestilbestrol, bicalutamida, flutamida, nilutamida e cetoconazol. Em certos casos, os corticoides também podem ser utilizados.

Quimioterapia

A quimioterapia é o tratamento com medicamentos para destruir o câncer, administrados por via intravenosa ou por via oral. Para atingir as células cancerígenas em todo o corpo, ela é administrada na corrente sanguínea, tornando este tratamento potencialmente útil para tumores que se disseminaram (metástase) para outros órgãos.

Em alguns casos, a quimioterapia é usada se a doença está disseminada e a terapia hormonal não dá nenhuma resposta. Pesquisas recentes mostraram que a quimioterapia pode ser útil se administrada junto com a hormonioterapia. 

Um novo robô cirurgião pode estar a caminho

O mercado da cirurgia robótica não para de crescer, e isso é muito, muito bom. Com esse avanço, temos grandes chances de o tratamento ser cada vez mais acessível a um número cada vez maior de pessoas, algo que todos nós esperamos. 

A novidade da vez é uma plataforma de porta única chamada ColubrisMX SPSR, que consiste em um braço robótico que transporta um tubo de 2,5 cm que é inserido através de uma incisão também de apenas 2,5 cm.

Todos os instrumentos, incluindo a câmera, são flexíveis, e o console, que é aberto, traz uma tela HD com visão 3D, controles manuais (controle de instrumento) e controles de pedal (controle de overtube e controle de coagulação – corte monopolar e bipolar).

No teste clínico, foram realizados 33 procedimentos urológicos em 10 porcos Yorkshire, com peso entre 25 e 35 kg: linfadenectomia pélvica, nefrectomia total, pieloplastia, anastomose da uretro-bexiga e nefrectomia parcial com controle vascular. Todos as cirurgias foram concluídas com sucesso e sem complicações. 

Com todas as avaliações que estão sendo realizadas, o ColubrisMx SPSR tem demonstrado ser uma possível nova alternativa eficaz para a realização de cirurgias robóticas urológicas. Mas ainda devemos esperar os resultados em ensaios clínicos em seres humanos para termos mais certeza da sua utilidade na prática médica.

ColubrisMX 

A ColubrisMX é uma empresa de dispositivos médicos que projeta e desenvolve a próxima geração de dispositivos robóticos microcirúrgicos. Esses robôs microcirúrgicos de última geração e minimamente invasivos, poderão executar procedimentos em regiões delicadas do corpo que ainda não podem ser acessadas pela tecnologia atual.

A companhia fica em Houston, no Texas, no coração do Texas Medical Center, maior instalação médica do gênero no mundo. Inicialmente, a ColubrisMX começou no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, mas logo ficou estabelecida como uma empresa em março de 2017.

Pesquisa comprova: meninos não vão ao urologista

Este foi o resultado de uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia, feita com 3.305 adolescentes dentro dessa faixa etária. E sabem o que é mais preocupante? É exatamente nessa fase que nós descobrimos e prevenimos algumas doenças que causam infertilidade na vida adulta, como a varicocele, por exemplo. 

Por isso, é importante reforçar que os adolescentes do sexo masculino podem começar a frequentar o urologista assim que a puberdade der seus primeiros sinais, independentemente da idade. Principalmente porque nós não temos a função exclusiva de tratar doenças, mas também de esclarecer dúvidas em um período de rápido desenvolvimento físico, cognitivo, social e sexual que traz consequências diretas para a vida adulta. 

Portanto, pais, incentivem seus filhos! Agendem uma consulta para eles. E se você tiver nessa faixa etária, deixe todos os medos e preconceitos de lado e procure um bom urologista. Ter alguém em quem confiar numa fase tão importante fará toda a diferença em todos os aspectos da sua vida.

Os principais problemas urológicos na adolescência:

Varicocele – dilatação das veias nos testículos. É a causa mais comum, conhecida e tratável de infertilidade masculina: acomete em torno de 35% dos homens com infertilidade primária e 80% com infertilidade secundária, embora esteja presente em aproximadamente 20-25% da população masculina em geral. Assintomática, a doença é geralmente detectada em consulta de rotina pelo exame físico dos genitais e, quando necessário, corrigida por microcirurgia.

Balanopostite – é o processo inflamatório mais frequente que ocorre no pênis. É uma inflamação conjunta da glande e prepúcio (balanite é inflamação da glande; postite é inflamação do prepúcio). A causa mais comum é uma infecção fúngica aguda causada pela candida albicans. Não é considerada uma infecção sexualmente transmissível, pois pode-se desenvolver sem a realização de penetração, embora o casal possa compartilhar a cândida durante o ato sexual. O tratamento é feito com cremes tópicos associados à medicação via oral.

Fimose – é a incapacidade (ou apenas uma dificuldade, em diversos graus) para retrair o prepúcio, que é a pele que recobre a glande ou a “cabeça” do pênis. Pais e pacientes podem confundir fimose com o excesso de prepúcio, que não sugere nenhum problema, se não há dificuldade de retração prepucial.

Ejaculação precoce – é caracterizada pela ejaculação que ocorre sempre, ou quase sempre, quando o tempo desde a penetração vaginal até a ejaculação passa a ser insatisfatório para o homem ou para o casal. No jovem, a causa costuma estar relacionada à ansiedade e à inexperiência do ato sexual. O tratamento é realizado basicamente por meio de psicoterapia sexual e de farmacoterapia. 

Page 24 of 31

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén