Já vi pessoas adotarem os mais diversos tipos de culto mas, recentemente, um específico tem me chamado atenção: o culto à testosterona.
Sim! O uso desse hormônio arrebanha cada vez mais fiéis, sobretudo do sexo masculino, seduzidos por alguns “milagres” prometidos aí: aumento da massa magra, músculos esculpidos, emagrecimento rápido, força de Hércules e libido turbinada. Que paraíso, não é mesmo?
O problema é que o inferno fica logo ao lado. As “graças” alcançadas podem vir acompanhadas de desordens cardiovasculares e do fígado, infertilidade, câncer de próstata e até danos cerebrais.
Consigo entender a força do apelo marqueteiro por trás do composto. Quem digita “testosterona” no Google só vê a palavra risco associada à deficiência do hormônio no organismo. Aumentar seus níveis, portanto, é quase uma ordem. Até existe um link ou outro falando dos perigos do “excesso de testosterona”, mas o assunto é tratado de maneira rasa, como se os perigos envolvidos não passem de uma ressaca mais persistente.
Nos Estados Unido, onde o marketing direto de medicamentos é permitido, o canto da sereia é ainda mais potente. Há até mesmo comerciais na TV com galãs grisalhos de meia idade jogando basquete como a disposição de feras da NBA ou em encontros calientes com belíssimas mulheres.
Por essas e outras, tanto aqui, como nos EUA, o aumento do consumo do produto nos últimos 20 anos é estrondoso. No Brasil, segundo o Sistema de Acompanhamento de Mercado de Medicamentos (Sammed), as vendas de fármacos que contêm testosterona como princípio ativo cresceram 55% entre 2004 e 2012 (injetável ou cápsula gelatinosa). Lembrando que estamos falando apenas de drogas registradas e em suas embalagens originais. As manipuladas não entraram na conta.
Já na terra do Tio Sam, o uso por homens na faixa dos 40 anos ou mais quadruplicou entre 2001 e 2011. Atualmente, um em cada 25 americanos de 60 anos já toma o hormônio.
A sensação do momento nas academias brasileiras e no meio esportivo em geral é o Androgel, do laboratório Besins, vendido sem retenção de receita. No país, a aquisição de testosterona em outras versões está atrelada a apresentação de receita de controle especial em duas vias – assim como todos os outros remédios que, como ela, constam na lista C5 da Portaria 344/98 de substâncias anabolizantes da Anvisa.
Quem quer usar o hormônio, no entanto, costuma burlar o controle por meio de fórmulas manipuladas. As farmácias, nesse caso, exigem apenas uma receita médica comum.
Fé cega, saúde castigada testosterona
A testosterona, definitivamente não é o elixir de Hércules. Não deveria ser usada para fins puramente estéticos ou ou “recreação sexual”. Tampouco deve ser encarada como princípio ativo da longevidade, como tanto se alardeia por aí.
O uso externo é indicado para homens com verdadeira deficiência do hormônio.
Em vez de crer em promessas furadas vigor de adolescente, ereção eterna, e corpo de adônis, que tal acreditar na ciência? Aqui vai uma lista básica de consequências do uso abusivo ou sem necessidade de testosterona das quais ninguém deveria duvidar:
- Maior chance de AVC e infarto
- Ganho de peso
- Acne (Inclusive cística, tipo que forma blocos de pus no rosto)
- Ginecomastia (aumento das glândulas)
- Câncer de próstata
- Calvície
- Tontura e enxaqueca
- Irritabilidade
- Nervosismo
- Apneia
- Reações alérgicas
- Pele seca
- Cãibras