Autor: Dr. Pedro Romanelli Page 22 of 31

Pedro Romanelli é urologista com ênfase em cirurgia robótica. Acredita na possibilidade de associar avanços tecnológicos a um tratamento humanizado. Sempre quis ter uma profissão que permitisse cuidar das pessoas e mudar suas vidas.

Entenda os aspectos envolvidos na disfunção sexual masculina

Entenda os aspectos envolvidos na disfunção sexual masculina

Apesar da sexualidade ser um importante aspecto da vida adulta, ainda é um desafio, para muitos homens, procurar ajuda médica para lidar com as disfunções sexuaisl. Esses problemas atingem aproximadamente 31% da população masculina e podem estar relacionados à fatores sociais, psicológicos e fisiológicos. 

A função sexual costuma envolver uma delicada coordenação entre diferentes sistemas do corpo: os hormônios e as vias neurológicas devem estar em sincronia para que o desejo sexual esteja presente. Depois, os vasos sanguíneos, nervos e estruturas penianas devem estar em bom funcionamento para o desenvolvimento e manutenção da ereção. 

Os músculos e nervos possibilitam a ejaculação e o orgasmo, em si, envolve a coordenação de músculos e estruturas nervosas complexas. Geralmente, a disfunção sexual está associada a um ou mais elementos envolvidos nesses processos, podendo, inclusive, ser um sintoma de outro problema médico ou psicossocial. De qualquer forma, na maioria dos casos, é possível tratar a disfunção para que o homem recupere sua vida sexual. 

O que é disfunção sexual masculina

Entendemos a disfunção sexual masculina como qualquer problema físico ou psicológico que impeça o homem ou sua parceira(o) sexual de ter prazer. É mais comum entre os mais velhos, apesar de afetar homens de todas as idades. 

Os principais tipos de disfunção sexual são os seguintes:

  • Disfunção erétil: dificuldade de ter ou de manter uma ereção;
  • Ejaculação precoce: chegar ao orgasmo rápido demais; 
  • Ejaculação atrasada ou inibida: demorar ou não conseguir chegar ao orgasmo;
  • Libido baixa: interesse reduzido no sexo. 

Alguns homens podem apresentar mais de um tipo de disfunção sexual. 

Os fatores envolvidos na disfunção sexual masculina

A maioria dos problemas sexuais ocorrem por uma combinação de fatores físicos ou psicológicos. Por exemplo, um homem que passou pela cirurgia de remoção da próstata pode encontrar dificuldades físicas de ter e manter a ereção, que, somados à ansiedade para ter uma boa performance sexual, resultam em disfunção erétil mesmo depois da reabilitação pós-cirúrgica. 

Entretanto, é mais produtivo analisarmos, de acordo com o tipo de disfunção sexual, os fatores que podem estar causando ou agravando o problema:

Desinteresse no sexo

Frequentemente, a baixa libido ou desinteresse no sexo está associada a níveis baixos de testosterona, hormônio masculino responsável pelo desejo sexual, produção de esperma, massa muscular, cabelo e ossos.

Outras questões fisiológicas que podem causar uma diminuição na libido são diabetes, pressão alta e alguns tipos de medicação. Se você faz uso regular de algum fármaco, leia a bula e consulte seu médico para entender os possíveis efeitos colaterais.

Já os fatores psicológicos que podem causar desinteresse no sexo podem ser a depressão, ansiedade ou dificuldades no relacionamento. 

Muitos homens ficam frustrados por terem notado uma mudança no desejo sexual após perder o emprego, um ente querido ou até mesmo após uma separação amorosa, o que pode ser um indicativo de que o paciente está vivendo um episódio de depressão ou crises de ansiedade. Vale a pena observar e, se for o necessário, procurar ajuda psicológica. 

Ejaculação atrasada ou inibida 

O orgasmo ainda é um fenômeno pouco compreendido pela ciência, entretanto, a dificuldade de chegar ao clímax sexual costuma estar associada à questões médicas crônicas, como a diabetes neuropática e a esclerose múltipla. 

Homens que passaram por cirurgias genitais com complicações ou trauma na região pélvica também podem experienciar dificuldades para chegar ao orgasmo, devido a possíveis danos causados às estruturas nervosas da região. 

Aspectos psicológicos também podem causar ejaculação atrasada, como dificuldades no relacionamento, depressão, estresse e ansiedade. 

Homens que passaram pela prostatectomia radical, por exemplo, podem experienciar ejaculação retrógrada, em que, mesmo atingindo o orgasmo, a ejaculação é forçada de volta para a bexiga, e não até o final do pênis. 

Ejaculação precoce 

A ejaculação precoce pode ter diversas causas, mas, geralmente, está associada à questões neurológicas envolvendo as inervações para o trato seminal ou para a genitália. Além disso, fatores psicológicos como histórico de repressão sexual também podem estar envolvidos. Em muitos casos, a ejaculação precoce é causada por ansiedade de desempenho.

Disfunção erétil

A disfunção erétil está relacionada à diversos fatores, como distúrbios vasculares, condições crônicas como pressão alta, colesterol alto e diabetes, bem como hábitos de vida pouco saudáveis, como tabagismo, consumo de bebida alcoólica e sedentarismo.

Alterações hormonais como baixa testosterona também são comuns, principalmente nos casos em que o paciente consegue ter ereção, mas não o suficiente para atingir a penetração. 

Pacientes que passaram pela cirurgia de remoção da próstata também podem experienciar disfunção erétil, já que os delicados nervos responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção da ereção masculina podem ser danificados durante o procedimento.

Atualmente, existem diversas técnicas de preservação dos nervos, mas, ainda assim, pode levar um tempo até que o homem consiga recuperar a função sexual plenamente. 

Por fim, questões psicológicas, como dificuldades no relacionamento, estresse e medo de não ter uma boa performance sexual também podem ser obstáculos para desenvolver e manter a ereção. 

O papel do urologista na saúde e bem-estar do homem

O papel do urologista na saúde e bem-estar do homem

Além de ser responsável pelo tratamento de problemas relacionados ao trato urinário de ambos os sexos e ao aparelho genital masculino, o urologista é, também, aquele que vai trabalhar com questões muito delicadas e específicas do homem. É papel desse profissional estar ao lado do paciente para lidar com sua intimidade, sexualidade e fragilidades em momentos difíceis como depois do diagnóstico de câncer de próstata, por exemplo.

Infelizmente, ainda é um desafio convencer os homens a frequentar o médico urologista para fazer o exame preventivo do câncer de próstata e também para diagnosticar e tratar a causa de sintomas que, muitas vezes, se arrastam por meses e até anos. 

O homem ainda tem dificuldades de cuidar da própria saúde

Na nossa cultura, os homens não são ensinados a demonstrar fraquezas porque precisam ocupar o papel de herói ou provedor da família. Na prática, isso acaba se refletindo em muita negligência com a própria saúde. Muitos estudos apontam que os homens vão menos ao médico (em todas as especialidades), consomem mais álcool e, de maneira geral, morrem mais cedo do que as mulheres. 

Esse é um dos motivos pelos quais a cada 41 homens, um morrerá de câncer de próstata. Afinal, a doença é silenciosa e precisa ser detectada precocemente, quando as chances de cura são altíssimas. Se o homem não vai ao médico, é impossível diagnosticar a doença em estágios iniciais. 

Preconceito contra a especialidade da urologia

Embora seja comum que as mulheres frequentem o ginecologista antes mesmo de iniciar sua vida sexual, muitos homens passam a vida inteira sem visitar o médico urologista. Outros, têm sua primeira consulta com esse profissional depois de aparecerem os sintomas de doenças como o câncer de próstata.

Ainda existe um preconceito contra o urologista que não passa de desinformação. Por esse motivo campanhas como o Novembro Azul são tão importantes: elas ajudam a desmistificar a especialidade, fazendo com que o homem entenda que a ida ao urologista é benéfica e fundamental para manter a saúde como um todo. 

O urologista é o médico ideal para lidar com questões da intimidade masculina

Desde a puberdade, o corpo do homem passa por mudanças específicas que podem levantar muitas dúvidas. O adolescente, inclusive, está sujeito a ter problemas urológicos como doenças sexualmente transmissíveis, varicocele e ejaculação precoce. 

Idealmente, o homem começaria a frequentar o médico urologista desde esse período, para compreender ainda cedo como seu corpo funciona e como preservar a sua saúde reprodutiva e sexual. Entretanto, essa ainda não é a realidade, e, atualmente, recomenda-se que os homens procurem esse especialista para realizar os exames de rastreamento do câncer de próstata, somente aos 50 anos (ou 45, para quem tem histórico da doença na família). 

Esse tipo de tumor ainda é muito comum, e afeta significativamente a auto-estima, sexualidade e intimidade do homem. Logo após o diagnóstico, os homens já costumam levar um grande choque porque são forçados a lidar, bruscamente, com sua fragilidade humana, aspecto que foram ensinados a ignorar. 

Além dos complexos sentimentos que vem à tona nesse momento, o próprio tratamento do câncer de próstata pode trazer efeitos colaterais que impactam a identidade masculina. A impotência sexual e a incontinência urinária são os mais comuns e, em alguns casos, chegam a afastar o homem do tratamento adequado. 

Em todo esse processo, o acompanhamento do urologista é fundamental. Afinal, é ele quem vai explicar para o paciente todos os detalhes sobre os tratamentos disponíveis e trazer orientações a respeito da recuperação da potência sexual e da continência. 

Ao longo dos meus 20 anos de profissão, percebi que para o paciente, se curar do câncer de próstata, em muitos casos, não é suficiente. Os homens querem se recuperar de maneira plena e continuar com sua vida sexual, que é uma parte tão importante da vida adulta. 

De qualquer forma, o médico é, frequentemente, a única pessoa com quem o homem consegue compartilhar esse aspecto do câncer, já que pode estar enfrentando o medo, o constrangimento e até mesmo a depressão durante esse período. 

O urologista está preparado para estar ao lado do paciente em todo esse processo e ajudá-lo a resgatar sua sexualidade. Se for o caso, poderá trabalhar de maneira multidisciplinar com um sexólogo ou psicólogo, já que a mente também tem um papel central na função erétil.

Espero que esse texto tenha te ajudado a entender o papel central do urologista na saúde masculina. Se você quer continuar se informando a respeito desse universo, me acompanhe no Instagram ou no Facebook. Estou preparando conteúdos muito bacanas para as próximas semanas. 

O câncer de próstata é uma doença de família?

O câncer de próstata é uma doença de família?

Muitas questões estão envolvidas no desenvolvimento de tumores. No caso do câncer de próstata, além de fatores de risco como má alimentação, tabagismo e consumo de álcool, a genética também influencia na probabilidade do indivíduo desenvolver um tumor.

Isso significa que se um homem tem histórico de câncer de próstata na família, com um parente de primeiro grau diagnosticado com a doença, suas chances de desenvolver o tumor chegam a duplicar. Ter dois familiares de primeiro grau com câncer de próstata, por exemplo, aumenta esse risco em até cinco vezes.

Embora nem todos os homens com histórico familiar vão ter câncer, recomendamos que, nesses pacientes, o rastreamento com exame de PSA e toque retal seja iniciado antes da população masculina em geral, aos 40 ou 45 anos de idade. Isso porque, geralmente, os tumores familiares tendem a surgir mais cedo e podem ser mais agressivos do que os comuns. 

Os três tipos principais de risco de câncer

De maneira geral, entendemos que existem três tipos principais de risco de desenvolver câncer de próstata:

Risco da população geral: descreve cânceres esporádicos que ocorrem por acaso, sem influências genéticas ou familiares. Nesses casos, os pacientes não apresentam mutações genéticas causadoras de câncer e seus parentes próximos também não desenvolveram o tumor.

Risco de câncer familiar: descreve o risco de câncer que surge de fatores genéticos, tendendo a se agrupar em famílias e não apresentam um padrão de herança específico. Isso significa que não foram identificadas mutações hereditárias específicas que podem ter causado o desenvolvimento do tumor.

Risco de câncer hereditário: corresponde à menor porcentagem dos casos de câncer de próstata e descreve o risco de desenvolver o tumor quando o paciente apresenta mutações genéticas em todas as suas células do corpo. Esse tipo de câncer ocorre quando o pai ou mãe passa um gene alterado a seu filho. 

Vale ressaltar que só é possível ter certeza que o paciente herdou a mutação genética dos pais se realizar um sequenciamento de genoma humano. 

É muito comum que pacientes com mutações genéticas causadoras de câncer de próstata apresentem, também, outros tipos de tumor. Mutações nos genes BRCA, por exemplo, são muito conhecidas por causarem câncer de mama e ovário em mulheres, mas, em homens, podem causar câncer de próstata. Já o gene MSH6 está associado, principalmente, ao câncer colorretal, mas também pode aumentar o risco de tumor na próstata em até 30%. 

Ou seja, o câncer de próstata nem sempre é uma doença de família, já que pode acometer o paciente tanto por acaso quanto estar associado à fatores de risco ambientais. Entretanto, uma parcela pequena, mas significativa dos casos do tumor estão sim associadas à questões familiares que podem ou não partir de mutações genéticas hereditárias. 

Portanto, homens que já sabem que têm maiores riscos de desenvolver a doença devem cuidar ainda melhor da saúde e manter, sempre, os exames urológicos em dia. 

Como evitar o câncer de próstata quando se tem histórico familiar

A melhor forma de prevenir o câncer de próstata é ter um estilo de vida saudável, com prática de atividade física regular, alimentação equilibrada, baixo consumo de bebida alcoólica e sem tabagismo. Isso vale para todos os homens, tanto os que não possuem histórico familiar de câncer quanto os que têm casos próximos na família. 

Com isso em mente, os homens que possuem histórico familiar de câncer de próstata ou mutações genéticas causadoras da doença devem iniciar os exames de rastreamento mais cedo do que a população em geral. Apesar dessa medida não ser capaz de prevenir a doença, possibilita que o tumor seja identificado em fases iniciais, quando o tratamento tem maior eficácia

Dependendo do histórico familiar, da idade do paciente e outros fatores, pode ser interessante adiar o tratamento e realizar uma vigilância ativa, em que vamos acompanhar o tumor de perto sem realizar nenhuma intervenção cirúrgica ou medicamentosa. Caso o câncer aumente de tamanho, mudaremos, então, a estratégia. 

Quais competências e habilidades são necessárias para operar com o robô?

Quais competências e habilidades são necessárias para operar com o robô?

À medida em que a cirurgia robótica passa a ser utilizada em novas especialidades e procedimentos, mais médicos querem se capacitar para operar com o robô. Afinal, esse tipo de cirurgia expande não só as possibilidades de tratamento em diversos tipos de enfermidades, como também as habilidades do cirurgião.

Entretanto, para que essa incrível tecnologia seja utilizada em todo o seu potencial, é muito importante que o profissional passe pelo treinamento e desenvolva as competências e habilidades necessárias para operar com o robô

Quem pode aprender a operar com o robô

A curva de aprendizado da cirurgia robótica é sempre longa, e existe tanto quando um cirurgião novato, sob supervisão, aprende um procedimento já bem estabelecido, quanto no caso de um cirurgião pioneiro, que busca inovar e desenvolver uma nova técnica. 

Sempre comparo o robô à um carro de Fórmula 1, por exemplo. Ainda que um piloto saiba dirigir um carro comum, vai precisar se adaptar à realidade de manusear um veículo tão potente e, depois, dar muitas e muitas voltas na pista até conseguir fazer o trajeto com segurança e rapidez. O mesmo vale para o cirurgião que quer se capacitar em cirurgia robótica. 

Ao treinar um cirurgião novato, os mentores ou comitês de credenciamento costumam contar com uma curva de aprendizagem que ajuda a estimar o número de simulações e cirurgias que um aluno-cirurgião deve realizar sob supervisão até se tornar competente e não colocar o paciente sob riscos desnecessários. 

Por outro lado, até mesmo cirurgiões abertos experientes têm uma fase de aprendizado substancial que pode variar de acordo com a tarefa. 

Isso quer dizer que quando um cirurgião aberto experiente ou novato aprende uma nova técnica, provavelmente se sairá bem naquelas semelhantes, mas precisará de orientação ao adotar tipos de procedimento. 

Em relação à cirurgia robótica, muitos estudos demonstraram que é necessário haver um papel claro de orientação durante as fases iniciais da adoção da tecnologia para garantir a segurança do paciente, mesmo quando se trata de cirurgiões abertos com muita experiência

O que é necessário aprender para operar com o robô?

Para que qualquer procedimento realizado com a cirurgia robótica seja bem-sucedido, é necessário que o cirurgião tenha conhecimento de domínio (saiba o que fazer), e conhecimento técnico (saiba como fazer). Enquanto o primeiro é adquirido na teoria, o segundo só pode ser desenvolvido na prática. 

A falta de conhecimento técnico é o que impede que os cirurgiões abertos, ainda que muito experientes, façam a transição para a cirurgia robótica sem passar pelo treinamento. Já os cirurgiões novatos precisam adquirir tanto o conhecimento técnico quanto conhecimento de domínio. 

Outro ponto a ser considerado é que quem quer operar com o robô precisa levar em conta o tempo para aprender e adquirir uma nova habilidade técnica. 

Isso significa que os cirurgiões abertos devem realizar o treinamento robótico quando têm o desejo e possibilidade de realizar esse tipo de procedimento regularmente, porque muitos dos cursos de curto prazo podem ser caros e não deixar uma impressão duradoura se o médico não continuar praticando posteriormente. 

Quando o médico pode considerar que de fato aprendeu a operar com o robô?

A  competência do aluno-cirurgião é certificada por meio de metas e objetivos claros que podem ser alcançados com orientação de indivíduos mais experientes, estabelecido pelos programas de treinamento e credenciamento. 

Entretanto, os muitos esforços em desenvolver e padronizar o currículo de treinamento e requisitos de certificação em cirurgia robótica tiveram sucesso limitado e continuam em curso. Até o momento, os requisitos podem variar de acordo com os programas de treinamento, que se dividem entre bolsas de estudo, mini bolsas e cursos de habilidades orientadas. 

Cabe a cada cirurgião avaliar qual das opções é ideal para seu caso, levando em conta o tempo que pode dedicar ao treinamento e o nível de aprendizado pretendido. A bolsa é considerada, no geral, o curso mais abrangente, já que inclui orientação individual, preceptoria, e aprendizado tanto em ambientes simulados quanto clínicos. 

Já em relação às mini bolsas e os cursos de habilidades, apesar de sua curta duração, estima-se que cerca 70 a 80% dos trainees façam a transição com sucesso para a cirurgia robótica, passando a utilizar essa técnica regularmente cerca de 3 anos após o treinamento. 

Por fim, é necessário obter a certificação exigida pela Food and Drug Administration (FDA), com treinamento oferecido pela Intuitive Surgical, empresa norte-americana que fabrica o robô cirurgião. 

Nessa avaliação, o cirurgião deve demonstrar o conhecimento de como remover o dispositivo com segurança e rapidez em uma emergência, o que fazer se o robô parar de responder e como proceder caso o sistema se comporte de maneira potencialmente insegura. 

Aqui no meu blog, eu conto com mais detalhes como é o processo de capacitação em cirurgia robótica, e, no meu Instagram, sempre compartilho novidades da área. Não deixe de acompanhar! 

Como é o pós-operatório de uma nefrectomia parcial

Como é o pós-operatório de uma nefrectomia parcial

A cirurgia de remoção de parte do rim é chamada de nefrectomia parcial e, em muitos casos, quando é realizada por via minimamente invasiva, costuma ter um período pós-operatório bastante tolerável e de rápida recuperação. 

Quando a nefrectomia, parcial ou total, é realizada por via aberta, é necessário realizar uma grande e profunda incisão na parte lateral do abdômen do paciente, por onde o médico irá acessar o órgão. Já na cirurgia minimamente invasiva, o acesso acontece por pequenas incisões por onde são introduzidos os instrumentos da cirurgia, tanto na videolaparoscopia quanto na cirurgia robótica. 

Enquanto ambas as técnicas anulam a necessidade dessa grande incisão abdominal, a cirurgia robótica vai além, possibilitando grande precisão na remoção da parte comprometida do rim e menos riscos durante e após a operação. Tudo isso se traduz, é claro, num pós-operatório mais tranquilo para o paciente. 

Quando a nefrectomia parcial é indicada

Geralmente, a nefrectomia parcial costuma ser indicada para pacientes com câncer de rim quando o tumor tem menos de 4 centímetros de diâmetro e está em localização favorável. Pacientes que possuem tumor renal recidivante ou apenas um rim também podem se beneficiar da técnica, mas cada caso deve ser analisado individualmente. 

Antes do advento da cirurgia robótica, a técnica era reservada para tumores muito pequenos e, hoje, alguns crescimentos até mesmo maiores do que 4 centímetros podem ser tratados com a nefrectomia parcial. 

Como a nefrectomia parcial robótica é feita

Com o paciente sedado, são feitos pequenos cortes em seu abdômen, que precisa ser inflado com gás carbônico para que os instrumentos tenham espaço para se movimentar na cavidade abdominal. 

Por essas aberturas, são inseridos uma microcâmera e os instrumentos, que estão conectados aos quatro braços do robô. O cirurgião fica sentado num console na mesma sala, onde enxerga por um visor com imagens aumentadas, em 3D e em tempo real de dentro do corpo do paciente. 

Por meio de controles semelhantes a um joystick de videogame, o médico controla os instrumentos que vão realizar as incisões, suturas e outras etapas importantes da nefrectomia parcial, como a realização de uma isquemia, por exemplo. 

Trata-se de um clampeamento dos vasos renais para paralisar, temporariamente, o fluxo de sangue do rim e prevenir uma hemorragia. Como as delicadas estruturas do órgão não podem ficar sem irrigação sanguínea por muito tempo, as suturas precisam ser feitas rapidamente para que a isquemia seja revertida e não haja dano aos tecidos. 

Na cirurgia robótica, o tempo da isquemia tende a ser menor, preservando as funções renais do paciente. Já em casos em que o clampeamento não é possível, o nível de sangramento é grande. Nessa situação, a tecnologia robótica é muito vantajosa para suturar de maneira rápida e segura. 

Por fim, a porção do rim a ser removida é colocada num pequeno saquinho plástico dentro do abdômen do paciente e retirada por uma das incisões.

O pós-operatório da nefrectomia parcial

Apesar de menos traumática do que por via aberta ou laparoscópica, a nefrectomia parcial robótica ainda é uma cirurgia e, portanto, o paciente irá experienciar algum desconforto após o procedimento. Entretanto, ele será monitorado pela equipe médica e o anestesista é responsável por administrar medicamentos que aliviem a dor. 

Para promover a cicatrização, circulação sanguínea e o funcionamento normal dos rins, é recomendado que o paciente ande pelo quarto ou hospital depois da cirurgia. Essa medida também é importante para prevenir outras complicações. 

Durante alguns dias, o paciente precisará manter uma dieta líquida e de fácil digestão. Aos poucos, os alimentos sólidos serão reintroduzidos. 

Na maioria dos casos, o paciente pode voltar às suas atividades dentro de 4 a 6 semanas depois da cirurgia. 

Como é o pós-operatório da cirurgia robótica de remoção da bexiga

Como é o pós-operatório da cirurgia robótica de remoção da bexiga

O câncer de bexiga pode acometer tanto homens quanto mulheres, geralmente, acima dos 55 anos. O tratamento costuma ser feito com a remoção de parte de ou da totalidade da bexiga do paciente, procedimento chamado de cistectomia. Essa intervenção é considerada delicada porque envolve estruturas nervosas e musculares muito sensíveis, e, nesse sentido, a cirurgia robótica oferece excelentes resultados, com bastante segurança.

Entenda o câncer de bexiga

O câncer de bexiga é considerado uma das neoplasias mais comuns do trato urinário, podendo ser superficial ou invasivo. Quando se limita aos tecidos de revestimento da bexiga, é um câncer superficial e, quando adentra a parede muscular, é considerado invasivo. 

O principal fator de risco para a doença é o tabagismo, que aumenta as chances de uma pessoa ter câncer de bexiga em até 70%. Isso ocorre porque as milhares de substâncias presentes no cigarro, muitas delas cancerígenas, são filtradas do sangue pelos rins e se depositam na bexiga. Inclusive, fumantes passivos também estão sujeitos a desenvolver câncer de bexiga. 

Infelizmente, nem sempre a doença é detectada precocemente e o rastreamento desse tipo de câncer não é recomendado. Por esse motivo, é muito importante que todos fiquem muito atentos a sintomas como dor ao urinar e sangue na urina. 

Apesar de poderem indicar muitos outros problemas além do câncer de bexiga, esses sintomas indicam que é a hora de procurar um urologista. 

O tratamento para câncer de bexiga com cirurgia robótica

O tratamento para câncer de bexiga, geralmente, envolve a remoção total ou parcial do órgão, com reconstrução da bexiga para que o paciente consiga urinar. Dependendo das suas condições clínicas, expectativas, tipo, tamanho e localização do tumor, a bexiga reconstruída poderá oferecer ou não continência voluntária (a pessoa consegue segurar a urina). 

A princípio, a reconstrução da bexiga era feita fora do corpo do paciente mas, com o avanço da tecnologia, hoje, já é possível construir a neobexiga dentro do corpo do paciente, utilizando parte do seu intestino delgado. 

Em relação à cirurgia aberta, a cistectomia robótica se destaca por ser uma técnica minimamente invasiva, evitando as complicações causadas pela extensa incisão necessária no método tradicional. 

Até pouco tempo atrás, as cistectomias abertas causavam danos notáveis aos tecidos e nervos da região, bem como sangramentos e infecções pós-operatórias. A taxa de mortalidade devido ao procedimento eram consideradas relativamente altas.

Com a chegada da laparoscopia, o procedimento se tornou mais delicado, passando a ser realizado através de pequenos cortes no abdômen do paciente. Entretanto, foi depois que a primeira cistectomia roboticamente assistida foi realizada, nos anos 2000, que esse procedimento ganhou um nível diferenciado de refinamento. 

Afinal, o Sistema Cirúrgico da Vinci possibilita ao cirurgião ter uma visualização em 3D e em alta definição de dentro do corpo do paciente, bem como mais precisão por meio dos controles que movimentam os pequenos instrumentos utilizados na cirurgia. 

O pós-operatório da cistectomia robótica

Sem dúvidas, a cirurgia robótica transformou drasticamente o tratamento para o câncer de bexiga, principalmente porque proporcionou um pós-operatório muito mais tranquilo para o paciente. 

Apesar de menos invasiva que um procedimento aberto, a cistectomia robótica ainda é uma cirurgia e, por isso, o paciente poderá enfrentar um pouco de desconforto depois do procedimento. Entretanto, ele contará com a prescrição de medicamentos para o alívio da dor. 

Dois a quatro dias depois da cirurgia, o paciente sentirá muito menos desconforto e já poderá se levantar e andar sozinho. Nas primeiras semanas é normal que haja sangue na urina e hematomas ao redor das incisões.

Muitos fatores estão envolvidos na volta do paciente ao trabalho, como o nível de esforço físico necessário na profissão, se foi necessário realizar uma urostomia para saída da urina e o estado de saúde geral do paciente. Somente o médico poderá dizer quando é a hora certa de voltar à rotina normal. 

Câncer de próstata e hiperplasia prostática: entenda a diferença

Câncer de próstata e hiperplasia prostática: entenda a diferença

Muitos pacientes levam um susto quando recebem o diagnóstico de hiperplasia prostática benigna (HPB), achando que estão com câncer. Apesar de acometerem a mesma glândula, essas enfermidades têm desenvolvimento, sintomas e tratamentos muito diferentes. Entre suas semelhanças, está o fato de que ambas necessitam de acompanhamento urológico.

O que é a próstata

A próstata é uma glândula que compõe o aparelho reprodutor masculino e tem, aproximadamente, 3 cm de comprimento, 4 cm de largura e 2 cm de profundidade. Ela fica localizada logo abaixo da bexiga, numa posição anterior ao reto, bem próxima do início da uretra, canal que leva a urina da bexiga para o pênis

Uma das funções dessa glândula é produzir cerca de 20% do líquido seminal que transporta os espermatozoides, protegendo e nutrindo os gametas com sais minerais e enzimas. A outra é produzir o PSA (antígeno prostático específico), uma proteína que realiza a importante função de liquefazer o sêmen alguns minutos após a ejaculação, permitindo que os espermatozoides consigam se locomover no aparelho reprodutor feminino e fecundar o óvulo. 

Agora que você já entendeu o papel central da próstata na saúde reprodutiva do homem e sua anatomia em relação aos outros componentes da região da pelve, vai conseguir compreender melhor tanto a hiperplasia prostática benigna quanto o câncer de próstata. 

O que é a hiperplasia prostática benigna

A hiperplasia prostática benigna (HPB) ou próstata aumentada, é caracterizada pelo aumento do volume da próstata, em especial na zona de transição, que fica mais perto da uretra. Como consequência, a glândula comprime esse canal, causando sintomas como:

  • Urgência miccional (vontade forte e repentina de urinar)
  • Redução da força do jato urinário
  • Precisar fazer força para urinar
  • Micção frequente
  • Vontade de urinar durante a noite
  • Sensação de que a bexiga não foi esvaziada completamente depois de urinar

Esse problema é natural do envelhecimento masculino e costuma acometer os homens a partir dos 40 anos de idade. Estima-se que 50% dos homens com mais de 50 anos apresentarão algum grau da doença ao longo da vida. 

Apesar de causar sintomas e necessitar de tratamento, como  o próprio nome já diz, a hiperplasia prostática benigna não está associada ao câncer de próstata, nem aumenta as chances de o paciente desenvolver um tumor. Entretanto, é sim possível que o paciente apresente os dois problemas ao mesmo tempo. 

O que é câncer de próstata

O câncer de próstata é o segundo tipo de tumor que mais acomete os homens brasileiros, sendo mais comum entre os homens com mais de 65 anos. Entretanto, pacientes mais jovens também podem ter a doença, principalmente se estiver relacionado a fatores de risco como histórico familiar da doença, tabagismo, má alimentação, sedentarismo ou alterações genéticas (como mutações nos genes BRCA1 E BRCA2).

Quanto mais o câncer de próstata se desenvolve, maiores os riscos à vida do paciente. O problema é que essa doença é tida como silenciosa e costuma manifestar sintomas somente em estágios mais avançados. 

Quando o tumor é localmente avançado, a uretra pode ser afetada, causando sintomas parecidos com a hiperplasia prostática benigna. Entretanto, no caso do câncer de próstata, o sangue na urina é um diferencial. 

Já quando o câncer se dissemina para os linfonodos da região pélvica, é comum que o paciente apresente inchaço nos membros inferiores.

E, por fim, depois de entrar em metástase e se espalhar para outras regiões do corpo, o câncer de próstata pode causar sintomas como dor nos ossos, dor na lombar e insuficiência renal. 

As principais diferenças entre hiperplasia prostática benigna e o câncer de próstata

A essa altura, você já deve ter compreendido que a hiperplasia prostática benigna e o câncer de próstata têm similaridades e diferenças fundamentais. Inclusive, como já falei, o homem pode ter as duas doenças ao mesmo tempo. 

A principal diferença entre essas enfermidades talvez seja o tratamento. Enquanto o câncer de próstata costuma necessitar de cirurgia, radioterapia, hormonioterapia, imunoterapia ou HIFU, por exemplo, a hiperplasia prostática benigna pode ser tratada com cirurgia ou medicamentos para retenção urinária.

Ao contrário da hiperplasia prostática benigna, o câncer de próstata causa um aumento muito lento do tamanho da glândula, de maneira que os sintomas só se manifestam em estágios mais avançados. 

Apesar dessas diferenças, ambas as enfermidades podem causar alterações nos níveis de PSA, o que faz desse exame ineficaz no diagnóstico diferencial. Nesse sentido, o exame de toque retal é fundamental, já que permite verificar tanto o aumento da próstata quanto a consistência da mesma (que permanece inalterada na HPB).

Precisamos falar sobre impotência sexual depois do câncer de próstata

Precisamos falar sobre impotência sexual depois do câncer de próstata

O câncer de próstata afeta o homem em diversos aspectos. Principalmente depois do tratamento, muitos pacientes experienciam a impotência sexual, o que pode ter impactos muito significativos na saúde mental e autoestima masculinas. 

Falar a respeito desse problema é fundamental para que os homens possam prevenir esse efeito colateral e se preparar para enfrentá-lo ao iniciar o tratamento de câncer, bem como obter todo o suporte necessário para restabelecer a potência futuramente. 

Porque o tratamento para câncer de próstata pode causar impotência sexual

Primeiramente, é preciso levar em conta que o próprio diagnóstico do câncer de próstata pode impactar a libido e a função erétil do homem. Afinal, descobrir que tem um tumor, causa sentimentos de medo e ansiedade no paciente. Então, é natural que ele tenha dificuldades de se relacionar sexualmente nesse período.

Depois, vem o tratamento, que pode ser feito por cirurgia, radioterapia, hormonioterapia ou uma combinação das diferentes técnicas. 

No caso da prostatectomia radical, que é a cirurgia de remoção da próstata, o procedimento pode lesionar o nervo cavernoso e veias da região. Por muito tempo, esse efeito colateral foi considerado inevitável mas, atualmente, a cirurgia robótica é capaz de proporcionar muito mais precisão durante o procedimento, com menos risco de que essas lesões aconteçam. 

Os mecanismos pelos quais a radioterapia pode causar disfunção erétil ainda não estão claros, mas a teoria mais aceita é de que a radiação afeta o bulbo peniano e o feixe neurovascular, dificultando a ereção. Além disso, a fadiga e desgaste físico causados pelos tratamento também podem diminuir a libido do paciente. 

Já a terapia de privação de andrógenoS (castração) é amplamente utilizada como um importante tratamento em pacientes com câncer de próstata, porque bloqueia as ações da testosterona e inibe a proliferação de células cancerosas. Consequentemente, a maioria desses homens experiencia dificuldades de ereção e diminuição do desejo sexual. 

Como prevenir a impotência sexual 

É difícil dizer se um paciente terá ou não disfunção sexual depois de um tratamento para câncer de próstata. Entretanto, ele deve ser sempre informado dessa possibilidade para que, juntamente do seu médico, possa traçar uma estratégia de tratamento que lide com a doença e busque prevenir, se possível, a impotência. 

Diversos estudos têm apontado os resultados positivos da cirurgia robótica na minimização de complicações pós-prostatectomia radical como a incontinência urinária e disfunção sexual. Inclusive, em diversos casos, o médico pode empregar técnicas que visam preservar, o máximo possível, as estruturas anatômicas ao redor da próstata. Um exemplo é a preservação da fáscia endopélvica associada à dissecção retrógrada dos feixes neurovasculares.

Vale ressaltar que alguns fatores podem aumentar significativamente as chances de um paciente desenvolver impotência sexual depois do tratamento para câncer de próstata, como problemas cardiovasculares, tabagismo, sedentarismo e obesidade. 

Como reverter a impotência sexual depois do câncer de próstata

Atualmente, existem diversos tratamentos disponíveis para que o homem restabeleça sua vida sexual de maneira plena depois de enfrentar o câncer. 

As opções incluem intervenções farmacológicas e não farmacológicas. As farmacológicas incluem inibidores de PDE-5, como o sildenafil (Viagra®), por exemplo, supositórios intrauretrais e injeções intracavernosas. 

Já as terapias não farmacológicas podem incluir fisioterapia da região pélvica, dispositivos de constrição a vácuo e implantes penianos. 

No período pós-operatório é muito importante que o homem tenha paciência. É perfeitamente possível recuperar a potência sexual depois do tratamento de câncer de próstata, mas esse pode, muitas vezes, ser um processo longo. 

É muito compreensível que o homem se sinta frustrado diante desse problema mas, frequentemente, a ansiedade pode acabar prejudicando a retomada da potência de maneira plena, já que o fator psicológico tem um papel fundamental na sexualidade. 

Para atravessar esse período, é muito importante que o paciente compartilhe seu sentimento com o médico e, se for necessário, que busque ajuda terapêutica ou mesmo inicie um trabalho com profissional sexólogo. 
Espero que esse artigo tenha trazido esclarecimentos a respeito do assunto e, se você quer continuar se informando sobre saúde e sexualidade do homem, me acompanhe, também, no Instagram e Facebook.

Câncer de rim: tecnologia infravermelha é aliada na cirurgia robótica

Câncer de rim: tecnologia infravermelha é aliada na cirurgia robótica

O tratamento padrão para o câncer de rim é a remoção parcial ou total do órgão, já que esse tipo de tumor não costuma responder bem à quimio ou radioterapia. Além disso, quando uma massa é identificada no rim do paciente, é difícil dizer se é maligna ou benigna. Então, a cirurgia é fundamental, já que ela vai permitir fazer a biópsia. 

A decisão de remover todo o órgão ou somente a parte comprometida pelo câncer vai depender do tamanho do tumor, da sua localização e do estado de saúde do paciente. 

Atualmente, a nefrectomia parcial, nome da cirurgia de retirada de parte do rim, pode ser feita por cirurgia robótica, com grandes benefícios para o paciente. 

Devido à sua precisão, essa tecnologia possibilitou que mais pacientes pudessem continuar com os dois rins ativos, mesmo depois do tratamento de câncer. 

Como é a cirurgia robótica para câncer de rim

Com o paciente sedado, são feitas pequenas incisões em seu abdômen, por onde serão inseridos os instrumentos robóticos. Esses cortes substituem a grande feita durante a nefrectomia aberta, possibilitando uma recuperação mais rápida e menores chances de complicações. 

O cirurgião opera sentado, enxergando por um visor que exibe imagens 3D em tempo real de dentro do corpo do paciente. Com os dedos, ele controla os movimentos dos instrumentos que vão fazer a ressecção do tumor, preservando o maior número de néfrons (estruturas responsáveis pela filtragem do sangue) possível, na nefrectomia parcial.

Essa é uma cirurgia considerada delicada porque um grande fluxo sanguíneo passa através da artéria e veia renal. Para impedir o sangramento excessivo, o médico poderá utilizar uma técnica chamada clampeamento (ou isquemia) dos vasos renais. Depois de fazer o clampeamento, é necessário ser muito rápido para restabelecer o fluxo sanguíneo e não danificar os tecidos saudáveis. 

Caso não seja possível realizar a isquemia, haverá maior sangramento na região e, mais uma vez, agilidade é fundamental na hora da sutura. Em ambas as situações, a cirurgia robótica é uma grande aliada, porque permite que o cirurgião realize o procedimento com muita rapidez e precisão. 

Como a tecnologia infravermelha ajuda na cirurgia robótica para câncer de rim

Uma das novidades nos últimos anos que possibilitou levar a cirurgia robótica a um novo nível de precisão, principalmente para compensar a falta de sensibilidade tátil, foi a tecnologia infravermelha, também chamada de Firefly

Essa técnica utiliza um corante de lidocaína que fica verde brilhante quando uma câmera especial de infravermelho é utilizada durante a cirurgia, possibilitando melhor visualização do tecido saudável, além de acompanhar o suprimento de sangue para o tumor.

Ela pode ser utilizada em três fases diferentes do procedimento:

  • Na primeira, o anestesiologista injeta o corante por via venosa, o que fornece uma imagem detalhada do suprimento de sangue ao rim. 
  • A segunda injeção permite que o cirurgião diferencie melhor o tecido canceroso do tecido renal saudável, diminuindo a possibilidade de deixar fragmentos do tumor para trás ou de ressecar porções sadias.
  • A terceira e última injeção de corante vai garantir que o suprimento de sangue para o rim foi devidamente restaurado. 

É importante ressaltar, no entanto, que nem toda nefrectomia parcial necessita da tecnologia infravermelha.

Se você quer continuar se informando a respeito da cirurgia robótica no tratamento do câncer de rim e outras enfermidades, me acompanhe, também, no Instagram e Facebook! 

O que esperar de uma cirurgia robótica urológica

O que esperar de uma cirurgia robótica urológica

A cirurgia robótica está se tornando cada vez mais conhecida como tratamento de diversas doenças. Na urologia, a cirurgia robótica é comumente utilizada para tratar o câncer de próstata, de bexiga e de rim, oferecendo toda a precisão necessária para operar em regiões delicadas da pelve. 

Aos poucos, os pacientes estão conhecendo as vantagens desse tipo de procedimento que, hoje, é o que há de mais avançado quando falamos em intervenções cirúrgicas minimamente invasivas no tratamento do câncer. Se você quer saber o que esperar de uma cirurgia robótica, continue lendo esse artigo. 

Entenda o que é exatamente uma cirurgia robótica

Para que você saiba o que esperar desse tipo de procedimento, é importante compreender como ele é feito. 

Em todas as especialidades, a cirurgia robótica segue o mesmo princípio: são feitos pequenos cortes no abdômen do paciente sedado. Por eles, inserimos instrumentos chamados trocadores, por onde vão passar uma microcâmera e as pinças robóticas acopladas aos braços do robô. Todos controlados pelo médico cirurgião. 

O médico opera sentado na mesma sala, mas afastado da mesa cirúrgica. Ele fica sentado em um console, e enxerga tudo por um visor, com imagens em alta definição e 3D, transmitidas em tempo real pela microcâmera. Essa tecnologia possibilita ao cirurgião enxergar como se ele estivesse dentro do paciente. 

Além disso, o médico controla os movimentos do robô com uma espécie de joystick super articulado, permitindo que os pequenos instrumentos realizem incisões extremamente precisas e rápidas em tecidos muito delicados. Trata-se da tecnologia Endowrist, que oferece movimentos ainda mais articulados do que o pulso humano. 

As imagens capturadas pela microcâmera também são transmitidas para um visor, para que toda a equipe possa acompanhar o procedimento.

O que a cirurgia robótica oferece é a realização de um procedimento minimamente invasivo, ou seja, com cortes menores e mais discretos, além de alta precisão. Na prática, isso significa menores chances de complicações e recuperação mais rápida. 

Se preparando para uma cirurgia robótica

Apesar de ser minimamente invasiva, uma cirurgia assistida por robô ainda requer os mesmos cuidados pré-operatórios de um procedimento aberto. 

Isso significa a realização de diversos exames, que podem variar de acordo com o tipo de procedimento. Não é incomum, no caso da prostatectomia, por exemplo, fazermos uma cistoscopia, exame endoscópico que permite visualizar o tamanho da próstata. 

É muito importante que o paciente informe ao médico sobre o uso de qualquer tipo de medicação, já que alguns fármacos podem interferir no processo de coagulação sanguínea, aumentando as chances de sangramentos durante e após o procedimento. 

Isso é muito importante, principalmente, no caso da nefrectomia parcial, já que o rim é um órgão muito vascularizado. 

Por fim, é importante que o paciente se planeje para o período de recuperação em casa. Apesar de ser mais curto e tranquilo do que numa cirurgia aberta, ainda será necessário tomar alguns cuidados durante esse tempo. 

Período pós-operatório e recuperação da cirurgia robótica 

Geralmente, o período de internação costuma durar de 24h a 48h, mas pode ser mais longo em alguns casos. Se foi necessário remover os gânglios linfáticos da região, por exemplo, a recuperação pode ser um pouco maior, já que é uma intervenção cirúrgica mais complexa. 

No caso da prostatectomia, cirurgia de remoção da próstata, a recuperação costuma durar cerca de dez dias, e, nesse período, o paciente fica com uma sonda na bexiga. Isso facilita a saída da urina e ajuda na cicatrização da região. 

O paciente pode voltar a se alimentar no mesmo dia da cirurgia robótica e, de maneira geral, é recomendado fazer pequenas caminhadas pelo hospital. Essa atividade ajuda na circulação sanguínea, evitando coágulos e promovendo o trânsito intestinal.

Sempre pergunte ao seu médico quando você poderá voltar ao trabalho, dirigir, carregar peso ou praticar atividade física, das mais leves às mais rigorosas. Afinal, as recomendações podem variar de acordo com o estado de saúde geral do paciente.   

Vida sexual depois da prostatectomia robótica 

Uma das principais preocupações do homem a respeito da cirurgia de câncer de próstata ou de bexiga é a perda da potência sexual e da continência urinária. 

Embora esses sejam efeitos colaterais temidos pelo paciente, a cirurgia robótica possibilita, atualmente, preservar os nervos responsáveis por essas funções, favorecendo uma recuperação plena do paciente no que diz respeito a essas funções. Entretanto, cada caso é único, então outros fatores podem ter influência na disfunção erétil e urinária, como os seguintes:

  • Sedentarismo
  • Tabagismo
  • Consumo de álcool
  • Impotência antes da cirurgia

Além disso, ainda que o paciente apresente dificuldades de ereção após a cirurgia, esse processo pode ser revertido com diversos tipos de tratamento. No entanto, é fundamental que ele tenha paciência, mesmo porque, o fator psicológico é muito relevante quando o assunto é sexualidade. 

Se cobrar para ter ereção depois de uma cirurgia como essa pode mais prejudicar do que ajudar no processo de retomada da vida sexual. Discuta com seu médico todas as suas angústias em relação a isso! Ele está pronto para te ajudar. 

Page 22 of 31

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén