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Cigarro é o principal fator de risco para o câncer de bexiga

O câncer de bexiga é uma doença grave que acomete aproximadamente meio milhão de pessoas em todo o mundo. No Brasil, as estatísticas são igualmente alarmantes, com o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimando cerca de 11.370 novos casos a cada ano do triênio 2023-2025. 

 

Apesar de diversos fatores contribuírem para o desenvolvimento dessa enfermidade, o consumo de cigarro se destaca como o principal vilão, sendo responsável por uma porcentagem significativa dos casos diagnosticados.

 

Relação entre cigarro e câncer de bexiga

Entender a relação entre o cigarro e o câncer de bexiga é fundamental para a conscientização e prevenção. Quando uma pessoa fuma, substâncias químicas cancerígenas são inaladas e entram na corrente sanguínea. 

 

Os rins filtram essas toxinas do sangue, concentrando-as na urina, que fica armazenada na bexiga. Com o tempo, a exposição contínua ao coquetel tóxico presente na urina pode danificar o revestimento da bexiga, aumentando o risco de mutações celulares e, consequentemente, o desenvolvimento de câncer.

 

Sintomas do câncer de bexiga

O câncer de bexiga, muitas vezes, se manifesta silenciosamente, com sintomas que podem ser facilmente ignorados ou confundidos com outras condições menos graves. Sangue na urina, dor ao urinar, e a necessidade frequente de urinar são sinais que merecem atenção imediata e consulta com um profissional de saúde. O diagnóstico precoce é crucial para um prognóstico favorável, mas a prevenção continua sendo a melhor estratégia.

 

Como diminuir o risco do câncer de bexiga?

A cessação do tabagismo é, sem dúvida, a medida mais eficaz para diminuir o risco de desenvolver câncer de bexiga. Parar de fumar não apenas reduz esse risco, mas também melhora a saúde geral e a qualidade de vida. No entanto, a jornada para se livrar do vício em nicotina é desafiadora e muitas vezes requer uma combinação de apoio psicológico, tratamentos médicos e, sobretudo, um forte comprometimento pessoal.

 

Além dos esforços individuais, é essencial que haja políticas públicas eficazes de controle do tabaco, campanhas de conscientização sobre os riscos do fumo e programas de apoio àqueles que desejam parar de fumar. A sociedade como um todo deve se engajar na luta contra o cigarro, compreendendo que o impacto vai além do fumante, afetando a saúde pública e a economia.

 

Enquanto avançamos na ciência e tratamento do câncer de bexiga, a prevenção continua sendo o melhor caminho. É uma jornada de múltiplas frentes que inclui a promoção da educação sobre os riscos do tabagismo, o incentivo às políticas de saúde pública para redução do consumo de tabaco e o suporte contínuo aos indivíduos na sua luta contra a dependência. 

Cada cigarro não fumado é um passo em direção a uma vida mais saudável e a redução do risco de câncer de bexiga e de outras inúmeras doenças relacionadas ao tabaco.

 

Em resumo, o desafio é grande, mas a esperança é maior. Com ações coordenadas, conscientização e determinação, é possível reduzir significativamente o número de casos de câncer de bexiga relacionados ao tabagismo e, assim, salvar vidas. A luta contra o cigarro é árdua, mas a batalha contra o câncer de bexiga é ainda mais crítica. Juntos, podemos criar um futuro onde o fumo e suas consequências devastadoras sejam parte do passado.

Homens também devem realizar o autoexame. Confira o passo a passo!

O cuidado com a saúde é uma preocupação universal, independente do gênero. Enquanto muito se fala sobre o autoexame das mamas como uma ferramenta crucial na prevenção e cuidados com a saúde feminina, é importante reconhecer que os homens também podem se beneficiar do autoexame. 

Na verdade, o autoexame masculino é tão relevante quanto o feminino e pode desempenhar um papel fundamental na identificação precoce de problemas de saúde. Neste artigo, exploraremos a importância do autoexame para os homens e forneceremos um guia passo a passo sobre como realizá-lo.

Por que os homens devem realizar o autoexame?

Assim como as mulheres, os homens também estão suscetíveis a uma série de condições de saúde que podem se desenvolver silenciosamente. O autoexame é uma ferramenta simples, porém poderosa, que pode ajudar a detectar precocemente problemas como câncer de testículo e outras anomalias no sistema reprodutivo masculino.

A detecção precoce é frequentemente a chave para um tratamento bem-sucedido e para evitar complicações de saúde mais graves. Realizar regularmente o autoexame pode permitir que os homens identifiquem qualquer mudança ou anormalidade em seu corpo e busquem orientação médica quando necessário.

Passo a passo para o autoexame masculino

Realizar o autoexame masculino é simples. Siga este guia passo a passo para ajudá-lo a realizar o procedimento de forma adequada:

Passo 1: Escolha o momento adequado

O autoexame deve ser realizado em um momento de relaxamento, quando os músculos do escroto estão relaxados. Tomar um banho pode ser uma boa maneira de alcançar esse relaxamento.

Passo 2: Posicione-se em frente ao espelho

Fique em frente a um espelho para que você possa observar qualquer alteração na aparência do escroto.

Passo 3: Inspeção visual

Comece observando o escroto em busca de qualquer inchaço, vermelhidão, erupção cutânea, ferida ou outras anormalidades na pele.

Passo 4: Examine os testículos

Segure suavemente um testículo entre os dedos polegar e indicador e role-o suavemente entre os dedos. Sinta a superfície em busca de caroços, inchaços ou áreas doloridas. Repita o processo com o outro testículo.

Passo 5: Compare os lados

Compare os dois testículos e esteja atento a qualquer diferença de tamanho, forma ou consistência entre eles.

Passo 6: Avalie a epidídima

Avalie o epidídimo, uma estrutura tubular localizada atrás de cada testículo, em busca de inchaço ou sensibilidade.

Passo 7: Repita regularmente

O autoexame deve ser realizado regularmente, idealmente uma vez por mês. Qualquer alteração notável deve ser relatada a um profissional de saúde.

Quando procurar ajuda médica

É importante entender que o autoexame não substitui exames médicos regulares, mas é uma ferramenta complementar importante. Se durante o autoexame você notar qualquer anormalidade, como um caroço, inchaço persistente, dor ou qualquer outra preocupação, é essencial procurar imediatamente um urologista ou médico de confiança. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem fazer toda a diferença na eficácia do tratamento.

Por fim, o autoexame masculino é uma prática simples que pode desempenhar um papel crucial na detecção precoce de problemas de saúde. Homens de todas as idades devem incorporar o autoexame em sua rotina de autocuidado. 

Além disso, manter exames médicos regulares é igualmente importante para garantir uma saúde masculina ótima. Lembre-se, cuidar da sua saúde é um ato de autocuidado e responsabilidade que pode levar a uma vida mais saudável e longa.

Obesidade X Câncer de Próstata: entenda

A obesidade é um problema de saúde que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Além dos riscos já conhecidos, como doenças cardiovasculares e diabetes, estudos recentes também têm demonstrado uma ligação entre a obesidade e o câncer de próstata. Vamos saber mais?

Obesidade X câncer de próstata

O câncer de próstata é uma das formas mais comuns de câncer entre os homens. A obesidade, por sua vez, é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento dessa doença.

A relação entre obesidade e câncer de próstata tem sido objeto de estudo e pesquisa, e um novo estudo apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade revelou resultados interessantes. A pesquisa analisou dados de mais de 250 mil homens na Suécia e identificou uma forte associação entre o ganho de peso nas idades entre 17 e 29 anos e o risco aumentado de câncer de próstata agressivo.

Esses achados sugerem que o ganho de peso durante a juventude pode ter um impacto significativo no desenvolvimento do câncer de próstata no futuro. A obesidade é um fator de risco conhecido para várias doenças, e o câncer de próstata não é exceção. Estudos anteriores já haviam estabelecido uma ligação entre obesidade e câncer de próstata, mas essa pesquisa mostra que o ganho de peso na juventude pode ser um período crítico para a influência desse fator de risco.

A obesidade está associada a níveis elevados de hormônios sexuais, inflamação crônica e resistência à insulina, fatores que podem contribuir para o desenvolvimento e progressão do câncer de próstata. Portanto, manter um peso saudável e adotar hábitos de vida saudáveis desde a juventude podem ser medidas importantes na prevenção dessa doença.

É importante ressaltar que a obesidade não é o único fator de risco para o câncer de próstata, outros fatores, como histórico familiar e idade, também desempenham um papel significativo. No entanto, essa pesquisa destaca a importância de conscientizar sobre os riscos da obesidade e promover a adoção de estilo de vida saudável desde cedo.

Prevenção

É fundamental que os homens estejam atentos aos cuidados com a saúde, especialmente em relação ao controle do peso. Adotar uma alimentação balanceada, praticar atividades físicas regularmente e manter um estilo de vida saudável são medidas importantes para prevenir não apenas a obesidade, mas também o câncer de próstata.

Além disso, é indispensável realizar exames periódicos, como o exame de próstata e o PSA (antígeno prostático específico), que podem ajudar na detecção precoce do câncer e aumentar as chances de um tratamento bem-sucedido.

É fundamental lembrar que este texto é apenas informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Se você tiver preocupações sobre sua saúde ou risco de câncer de próstata, é importante conversar com um médico especialista que poderá orientá-lo adequadamente.

Escâner de altíssima resolução possibilita rapidez no diagnóstico do câncer

Já pensou contar com uma tecnologia que produz uma imagem digital precisa, o que permite aos médicos uma maior rapidez no diagnóstico do câncer? Essa tecnologia existe há alguns anos: são os chamados escâneres de alta resolução.

Vamos saber mais sobre o assunto?

Escâneres de alta resolução e o diagnóstico de câncer

Qual a forma mais tradicional de se diagnosticar um tumor? Simples. Uma amostra do tecido suspeito é colhida por meio de uma biópsia e os especialistas montam lâminas com fragmentos do material, que são analisadas no microscópio.

Porém, apesar de ainda pouco difundidas, já existem algumas tecnologias de ponta que facilitam os diagnósticos e análises genéticas de tumores, como  o câncer de próstata, que podem ajudar os médicos e pacientes por meio da patologia digital e de algoritmos de inteligência artificial.  

A patologia digital consiste no uso de escâneres de altíssima resolução que têm como função produzir uma imagem digital precisa, permitindo ao patologista a análise do tumor por um computador. 

Com isso, o especialista consegue compartilhar, de forma totalmente digital, as amostras do tecido sempre que necessário. Assim,  o caso do paciente em questão pode ser discutido por outros especialistas alocados em qualquer lugar do mundo. 

E não para por aí. Hoje em dia, também contamos com o desenvolvimento de algoritmos de inteligência artificial. A proposta é interpretar as imagens e os dados digitais, ajudando o patologista na análise de lâminas e no diagnóstico preciso da doença. 

O diagnóstico por algoritmo indica, por exemplo, qual é a agressividade da intervenção cirúrgica, bem como da radioterapia e de outros tratamentos indicados para o paciente. Outro benefício é a possibilidade de identificar mutações e modificações moleculares, algo que o olho humano não consegue perceber, mas a máquina sim. 

Para se ter uma ideia, um estudo liderado por um patologista do Grupo Oncoclínicas apontou que o uso dos algoritmos têm o potencial de acelerar em cerca de 65% o diagnóstico de tumores de próstata, por exemplo.

Ou seja, isso significa que a medicina tem avançado bastante nos últimos anos, o que possibilita ao paciente receber o seu diagnóstico preciso, sem falsos negativos, avaliado pelos melhores especialistas, estando ele em uma metrópole ou em uma cidade mais carente de recursos.

O câncer está entre as principais causas de morte prematura em todo mundo.

O câncer está entre as principais causas de morte prematura em todo mundo.

As estimativas mais recentes apontam que, somente em 2018, mais de 18 milhões de novos casos de câncer foram diagnosticados no mundo, levando a quase 10 milhões de óbitos. Em parte, o aumento de casos se deve ao envelhecimento da população. Porém, o desenvolvimento socioeconômico e determinados hábitos de vida como o sedentarismo, alimentação inadequada, entre outros, têm contribuído para o surgimento da doença.

Entre os tipos de câncer mais comuns no mundo estão o de pulmão e mama, com 2,1 milhões de casos, seguido pelo câncer colorretal, com 1,8 milhão, e o de próstata, atingindo 1,3 milhões de pessoas.

No Brasil, os dados também são alarmantes. Serão 66 mil homens diagnosticados com câncer de próstata, somente em 2022, o que corresponde a 62,95 novos casos a cada 100 mil pessoas. O câncer de bexiga também deve acometer 10.640 pessoas somente este ano. Estes dados fazem parte do documento Incidência do Câncer no Brasil, do Instituto Nacional do Câncer José Gomes da Silva, INCA, órgão ligado ao Ministério da Saúde.

Como prevenir o câncer de próstata?

Muitos tipos de câncer, assim como outras doenças como as respiratórias, cardiovasculares, renais e a diabetes podem ser evitadas, desde que a pessoa mantenha hábitos saudáveis e evite a exposição a fatores de risco. Para isso, é importante conhecer esses fatores, reduzindo as chances de adoecer.

Alguns fatores de risco, como raça, histórico familiar e idade, não podem ser evitados e as chances de desenvolver a doença aumentam significativamente a partir dos 50 anos. Porém, muitos outros podem ser controlados, entre eles o tabagismo, etilismo, sedentarismo e a alimentação inadequada.

É muito importante que todo homem, especialmente a partir dos 40 anos de idade, consulte regularmente o urologista e faça o exame de toque retal e a dosagem do antígeno prostático específico, PSA. A detecção precoce aumenta as chances de cura da doença e o sucesso no tratamento.

Câncer de bexiga, causas e prevenção

O câncer de bexiga é uma das neoplasias mais comuns do trato urinário e é classificado em três tipos principais: carcinoma de células de transição, carcinoma de células escamosas e adenocarcinoma invasivo ou não invasivo, sendo que 95% dos carcinomas de células uroteliais ou carcinomas de células de transição se desenvolvem no interior do trato urinário.

A doença, apesar de atingir ambos os sexos, é mais comum entre os homens que são acometidos duas vezes mais que as mulheres. Dentre os principais fatores de risco para a doença, está o tabagismo, que responde de 50% a 70% dos casos. De acordo com vários estudos, os fumantes têm de duas a seis vezes mais chances de ter a doença em comparação aos não fumantes.

Entre outros fatores que aumentam o risco para o câncer de bexiga estão os ligados a questões ocupacionais. Exposição a compostos químicos como azocorantes, benzeno, benzidina, cromo, poeira de metais, petróleo e tintas podem contribuir para o desenvolvimento da neoplasia. Trabalhadores da agricultura que têm contato frequente com agrotóxicos também devem fazer exames preventivos com mais frequência.

As recomendações para prevenir o câncer de bexiga são semelhantes às do câncer de próstata. Incluir a prática de atividade física na rotina, manter uma dieta equilibrada rica em fibras, reduzir o consumo de processados, ultraprocessados e proteína de origem animal contribuem para o baixo risco de desenvolver as células cancerígenas. Além dos exames regulares de rotina.

Mantendo esses hábitos é possível evitar que tanto o câncer de próstata e bexiga apareçam ou que sejam diagnosticados e tratados precocemente, garantido sucesso no tratamento e qualidade de vida para o paciente.

Johnson & Johnson pesquisa bloqueador de células cancerígenas que repara, ao mesmo tempo, o dna danificado

Johnson & Johnson pesquisa bloqueador de células cancerígenas que repara, ao mesmo tempo, o dna danificado

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, apesar do número de pacientes com câncer de próstata ter diminuído nos país na última década, a doença metastática dobrou, passando de 4% para 8% dos pacientes. 

Isso porque, certas mutações genéticas podem ser mais agressivas e gerar o câncer metastático em pacientes mais jovens, como os genes BRCA. 

Os genes BRCA1 e BRCA2 produzem proteínas que ajudam a reparar o DNA danificado, porém, quando apresentam variantes ou mutações, o câncer pode se desenvolver. Como os  genes não podem reparar células danificadas como faziam anteriormente, as células cancerígenas passam a se desenvolver sem controle. 

Como forma de conter a doença, a empresa farmacêutica americana Johnson & Johnson está desenvolvendo uma nova medicação capaz de bloquear as células cancerígenas do câncer de próstata ao mesmo tempo que repara o DNA atingido pela doença. 

Testes Clínicos

A empresa está realizando testes clínicos para uma nova forma de tratamento do câncer de próstata para pacientes com esta mutação genética, mas que também pode ser estendida a outras, como FANCA, PALB2, CHEK2, BRIP1, HDAC2 e ATM.

O DNA Damage Repair Factor, como essa nova droga tem sido chamada pela Johnson & Johnson, ajuda as células a se recuperarem dos danos, por meio de medicamentos como a polimerase ou inibidores de PARP. Esses inibidores fazem com que as células doentes não consigam se reproduzir e acabem morrendo.

Pesquisas realizadas pela empresa mostraram que os PARP são especialmente benéficos para pacientes com câncer de próstata avançado,  que tiveram uma mutação BRCA, pois as células cancerosas seriam mais sensíveis aos inibidores de PARP.

A indicação é que esse novo medicamento seja utilizado a partir da descoberta da doença com essas mutações, melhorando os resultados do tratamento e garantindo sobrevida aos pacientes. 

Uma boa notícia para homens que enfrentam o câncer de próstata metastático. Agora é só esperar a aprovação pelo órgãos de saúde americano, para que depois essa terapia possa ser aprovada também por outros países. 

Impactos dos atrasos no tratamento do câncer de bexiga, durante a pandemia

Impactos dos atrasos no tratamento do câncer de bexiga, durante a pandemia

Os efeitos da pandemia na saúde da população vão além da infecção por coronavírus. O distanciamento social, ainda necessário para evitar o contágio, e a sobrecarga do sistema de saúde público e privado fizeram com que muitas outras doenças não recebessem a atenção adequada.

Nesse sentido, muitos pesquisadores se dedicaram a prever e avaliar os impactos da pandemia no diagnóstico e tratamento de diversos tipos de câncer, uma das doenças em que a intervenção precoce, em muitos casos, significa chances de cura muito maiores.

Atrasos na realização de intervenções cirúrgicas já foram amplamente explorados em muitas pesquisas, especialmente em casos de câncer de bexiga com invasão muscular. De acordo com uma revisão sistemática publicada no periódico European Urology Oncology, envolvendo mais de dezenove estudos sobre o assunto,  foi possível desenvolver algumas orientações na abordagem do câncer de bexiga para o período:

Durante as restrições causadas pela pandemia de Covid-19, pacientes com câncer de bexiga não invasivo de alto grau devem ser submetidos ao tratamento com BCG e terapia de manutenção. 

Já para os tumores de alto risco, a cistectomia deve ter sido realizada assim que possível, com exceção para casos em que o risco pós-operatório de contrair Covid-19 seja grande em pacientes com comorbidades. 

Além disso, de acordo com a literatura disponível, o atraso em até três meses na cistectomia radical pode ser seguro em casos de câncer invasivo, e a equipe médica deve priorizar o câncer de bexiga de alto grau, seja ele invasivo ou não, já que o impacto na sobrevida pode ser significativo. 

Revisão sistemática oferece orientações a respeito do atraso no tratamento do câncer de bexiga

Antes da pandemia de Covid-19, dificuldades na marcação de exames e consultas, busca de diversas opiniões médicas, questões sociais, diagnósticos errados e comorbidades em pacientes foram motivos que resultaram num espaço de tempo maior entre o diagnóstico e o tratamento da doença.

Na revisão, quatro estudos encontraram uma associação significativa entre o retardo do diagnóstico em relação à cistectomia radical (cirurgia de remoção da bexiga). A partir da metanálise de três estudos com dados que consideravam o estágio do tumor, foi encontrado um risco aumentado de morte para os pacientes com atraso significativo. 

Cinco estudos avaliaram a associação entre o tempo entre a conclusão da quimioterapia neoadjuvante e a cistectomia radical em relação à sobrevida. Dois deles demonstraram que demorar muito entre a quimioterapia e a cirurgia trouxe efeitos adversos na sobrevida dos pacientes, enquanto outro identificou que o estadiamento de tumores avançados estava associado aos atrasos.

Um dos estudos observou que pacientes que tiveram mais de 10 semanas entre o último ciclo de quimioterapia e a cirurgia de remoção da bexiga tiveram uma sobrevida global e específica do câncer mais baixa. Outra pesquisa descobriu que os atrasos na quimioterapia em mais de oito semanas estavam associados a um risco aumentado de avanço do tumor. 

Entretanto, os pesquisadores não encontraram problemas em relação ao atraso de até seis meses do diagnóstico à cistectomia radical, nos casos em que a quimioterapia foi administrada. Esse pode ser um indicador de que os atrasos na administração da quimio podem ter um impacto maior, durante a pandemia, do que o atraso na cirurgia.

Vale ressaltar, também, que os tumores da bexiga que não invadiram o músculo podem ser divididos entre baixo e alto grau e a metanálise parece apontar que os atrasos são mais propensos a causar danos em pacientes com doença de alto grau do que naqueles com doença de baixo grau.

Acredito que, num futuro próximo, iremos saber as consequências do atraso na administração do tratamento adequado em pacientes com câncer de bexiga por meio de dados específicos desse período. Hoje, já sabemos que o impacto no diagnóstico do câncer de rim foi muito significativo, por exemplo.

Por fim, se o seu tratamento foi impactado pela pandemia, não se desespere e mantenha o acompanhamento médico adequado, certo?

Nova terapia para câncer de próstata resistente à castração

Nova terapia para câncer de próstata resistente à castração

Um dos maiores desafios no tratamento dos tumores da próstata é o câncer resistente à castração. Esse tipo de neoplasia não responde ao tratamento de bloqueio hormonal, que costuma ser necessário em muitos casos. Como consequência, o prognóstico para os pacientes diagnosticados com esse tipo de tumor, que é agressivo, costuma ser pessimista, especialmente quando a doença já entrou em metástase. 

Muitas pesquisas em tratamentos experimentais têm sido desenvolvidas com o intuito de prolongar a vida desses pacientes e oferecer mais possibilidades de cura. Um deles está na fase três de um ensaio clínico em que o número de mortes em decorrência da doença diminuiu em 40% em relação aos pacientes que receberam o tratamento padrão. 

Estratégia de tratamento é mais direcionada e sofisticada 

O estudo foi publicado no The New England Journal of Medicine, e acompanhou 831 pacientes com doença avançada em 10 países, por aproximadamente 20 meses. Esse novo tratamento é chamado de lutetion-177-PSMA-617 ou LuPSMA, e consiste numa molécula radioativa capaz de localizar uma proteína presente na superfície das células do câncer de próstata. 

Células saudáveis da próstata não contém a proteína chamada PSMA, ou contém pequenas quantidades, de maneira que o tratamento afeta somente as células doentes, causando poucos danos ao tecido próximo do tumor. Entretanto, para se submeter ao tratamento, os pacientes precisam ser testados para essa proteína, que pode ser identificada em exames de imagem.  

Como o estudo foi conduzido

Ao todo, 831 homens com câncer de próstata metastático resistente à castração foram divididos em dois grupos, sendo que um deles recebeu somente o tratamento padrão e o outro recebeu o tratamento padrão e o experimental. 

21 meses depois, os resultados demonstraram que a progressão do câncer foi mais atrasada no grupo que recebeu o tratamento com LuPSMA: 8.7 meses em relação a 3.4 no grupo controle. Além disso, o tratamento foi associado a uma sobrevivência melhor de forma geral, com 15.3 meses versus 11.3 meses. 

Os tumores dos pacientes que receberam o tratamento experimental foram mais propensos a encolher, seus níveis de PSA eram mais propensos a cair, e o risco de o câncer progredir foi reduzido em 60%.

Além disso, o tratamento do LuPSMA foi bem tolerado no geral, mas incluiu efeitos colaterais como fadiga, náusea, problemas renais e supressão da medula óssea. Embora o impacto na qualidade de vida seja relativo, os pesquisadores ressaltam que ainda é necessário aprofundar os estudos a respeito de quando e como utilizar esse tratamento, já que quando o paciente tem poucos anos de expectativa de vida, esses efeitos colaterais podem ser problemáticos. 

Caso seja aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), LuPSMA será a primeira droga direcionada à proteína de PSMA a entrar para o mercado. Vale ressaltar, entretanto, que o estudo tem suas limitações.

Trata-se de um estudo randomizado, mas devido às dificuldades de conduzir um estudo duplo-cego com um tratamento radioativo, o estudo foi aberto: tanto os pacientes quanto os médicos sabiam se estavam ou não recebendo o tratamento. Isso foi um desafio porque alguns pacientes ficaram decepcionados ao saber sua designação e se retiraram do estudo, por exemplo. 

 

Novo consenso para o manejo do câncer de próstata para países em desenvolvimento

Novo consenso para o manejo do câncer de próstata para países em desenvolvimento

Com o objetivo de oferecer as melhores estratégias de prevenção e tratamento do câncer de próstata na América Latina, África e Oriente Médio, dezenas de médicos se reuniram para produzir o I Consenso Mundial sobre Rastreamento, Diagnóstico e Tratamento Câncer de Próstata para Países em Desenvolvimento. 

 

A publicação é composta por uma série de artigos que reúne informações valiosas a respeito do rastreamento, diagnóstico, ferramentas de estadiamento, tratamento e acompanhamento de diferentes estágios do câncer de próstata, mesmo em áreas com recursos limitados. 

Ela foi desenvolvida por urologistas, cirurgiões, radiologistas, oncologistas, patologistas e radioterapeutas de diversos países e está disponível no Journal of Global Oncology

As principais orientações do novo consenso para o manejo do câncer de próstata 

A principal orientação a respeito do manejo do câncer de próstata em países em desenvolvimento é tornar o rastreamento da doença obrigatório aos 50 anos de idade. Ou seja, os homens devem passar pelo exame de PSA e o toque retal assim que completarem essa idade. 

Outra recomendação é a implantação de um fluxo mais eficiente no sistema, para que o paciente receba o tratamento após o diagnóstico sem atrasos, um problema muito real no Sistema Único de Saúde aqui no Brasil. 

Em relação a novas tecnologias e protocolos de tratamento, os especialistas participantes propuseram projetos que tornem acessíveis medicamentos com melhores índices de cura e sobrevivência.

Ao todo, sete artigos discutem questões muito importantes a respeito do câncer de próstata, avaliam o painel de votação e levantam discussões literárias sobre o assunto. No primeiro, o rastreamento, diagnóstico e ferramentas de estadiamento são o destaque, bem como os benefícios das práticas para a detecção precoce da doença e as limitações encontradas em países em desenvolvimento.

No segundo e terceiro artigos encontramos orientações a respeito do tratamento do câncer de próstata localizado de baixo, médio e alto risco, inclusive a vigilância ativa. No quarto texto, o tema é a recorrência bioquímica no câncer de próstata sensível à castração, enquanto no quinto artigo os autores discutem a resistência à castração não metastática.

Por fim, no sexto artigo o assunto é a metástase do câncer de próstata sensível à castração, e, no sétimo, os autores debatem o câncer de próstata metastático resistente à castração, um dos maiores desafios da urologia, especialmente nos países em desenvolvimento. 

A realidade do câncer de próstata no Brasil

Sempre falo por aqui que as chances de cura do câncer de próstata são altas quando o tumor é diagnosticado precocemente e que já contamos com tratamentos muito avançados.

Infelizmente, nem todas as pessoas têm acesso a essas informações ou a recursos como a 

cirurgia robótica, por exemplo, fazendo da divulgação científica uma ferramenta essencial para mudar um cenário preocupante:

No Brasil, o câncer de próstata ainda é o segundo tipo de tumor mais comum entre os homens. Somente em 2019, tivemos quase 16 mil mortes em decorrência da doença, e já temos estudos que mostram que a nossa população tem diagnóstico tardio e tratamentos mais limitados na rede pública. 

De acordo com dados do Global Cancer Observatory, a estimativa é de que os números do câncer de próstata no país e na América Latina cresçam consideravelmente até 2040, chegando a dobrar a quantidade de casos e registrar aumento exponencial na quantidade de mortes. 

Espero que a divulgação do Consenso seja capaz de frear esse aumento e melhorar o atendimento oferecido à grande parte da população.

Câncer de próstata vai cair para o 14º tipo de tumor mais prevalente em 2040

Câncer de próstata vai cair para o 14º tipo de tumor mais prevalente em 2040

Atualmente, o câncer de próstata ainda é o segundo tipo de tumor que mais afeta os homens e o quarto mais comum na população como um todo. Entretanto, um recente estudo publicado no Jama Network parece prever um cenário diferente para os Estados Unidos, em que esse tumor passará a ser o 14º mais comum, em 2040. 

A partir de estimativas de crescimento populacional e a incidência de câncer e de mortes em decorrência da doença na população atual dos EUA, os pesquisadores foram capazes de estabelecer estimativas a respeito de diversos tipos de câncer. 

Por exemplo, o estudo apontou que os tipos de tumor mais prevalentes entre a população norte-americana, em 2040, serão os de mama, melanoma, pulmão e intestino. Em 2020, os tumores mais comuns foram os de mama, pulmão, próstata e intestino. 

Isso significa que a incidência do câncer de próstata terá uma queda muito expressiva nos próximos vinte anos, passando da terceira para a décima quarta posição. 

Essa projeção foi baseada no registro de uma diminuição expressiva no diagnóstico de câncer de próstata de 1999 a 2015, o que pode estar relacionado a recomendações da Força Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos. 

Em 2008, a instituição desencorajou o rastreamento da doença em homens acima de 75 anos, e, em 2012, recomendou que nenhum homem passasse por exames de rastreamento. Felizmente, em 2018, orientou que homens de 55 a 69 anos façam uma decisão pessoal e informada a respeito do rastreamento do câncer de próstata. 

Urologista em BH – Outros tumores urológicos serão prevalentes entre os homens, em 2040

Apesar da boa notícia da diminuição na prevalência do câncer de próstata entre os homens nos próximos vinte anos, outros tumores urológicos se tornarão mais comuns entre eles. O destaque fica para o câncer de rim, que ocupava a sexta posição e agora está entre os cinco tumores mais prevalentes entre os homens:

Melanoma, câncer de pulmão, bexiga, rim e intestino serão os principais tipos de neoplasia que afetarão os homens norte-americanos. Em 2020, os tumores mais comuns entre os indivíduos do sexo masculino foram os de próstata, pulmão, intestino e bexiga

Tumor de próstata continua entre as principais causas de morte relacionadas ao câncer

Entretanto, em 2040, o câncer de próstata vai continuar sendo a segunda principal causa de morte por câncer entre os homens. A doença fica atrás do câncer de pulmão e à frente do câncer de fígado e pâncreas.

Esse pode ser um reflexo das mudanças de posicionamento da Força Tarefa de Serviços Preventivos, considerando que as chances de cura para o câncer de próstata são muito menores quando a doença é diagnosticada em estágio avançado. 

Além disso, vale considerar que as projeções estão sujeitas a mudanças e não são determinantes do que de fato irá acontecer nos próximos vinte anos. De todo modo, o estudo nos oferece algumas orientações importantes a respeito do perfil dos pacientes urológicos até 2040, e nos lembra que a saúde do homem vai muito além da próstata. 

 

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