O câncer de bexiga é um tumor prevalente no Brasil. O Instituto Nacional do Câncer estima que para cada ano, entre 2020 e 2022, mais de 10.600 novos casos da doença serão diagnosticados. Apesar de comum, esse é um tipo de câncer com pouca visibilidade, motivo pelo qual muitas pessoas têm dúvidas sobre o assunto quando alguém da família ou elas mesmas são diagnosticadas. 

Para ajudar a desmistificar o assunto e fazer circular informações científicas sobre esse tipo de tumor, separei cinco dúvidas que recebo muito no meu consultório para abordar aqui no blog. Com certeza, existem muitas outras perguntas que podem surgir a respeito do câncer de bexiga, inclusive, envolvendo seu tratamento, que, frequentemente, é cirúrgico. Entretanto, abordando essas questões mais gerais, podemos abrir caminho para perguntas mais específicas. Vamos lá?

O que pode causar o câncer de bexiga?

O câncer de bexiga pode ser causado por diversos fatores e, muitas vezes, é difícil determinar uma causa específica para o surgimento da doença. Atualmente, já sabemos que um dos principais fatores de risco para o problema é o tabagismo, já que as toxinas cancerígenas do cigarro são filtradas pelos rins e armazenadas na bexiga até serem eliminadas naturalmente pela urina. 

Outros fatores, como radiação da região pélvica e determinados tipos de quimioterapia feitas no passado, também podem aumentar as chances de um paciente desenvolver câncer de bexiga. Além disso, alguns profissionais estão expostos a substâncias que podem aumentar o risco de ter câncer de bexiga, especialmente aqueles que trabalham com diesel, petróleo, solventes e determinados tipos de tinta. 

E, por fim, o câncer de bexiga também pode ter causas genéticas, já que mutações no gene TP53 são encontradas em aproximadamente 60% dos tumores de bexiga invasivos, e o prognóstico desses pacientes também costuma ser pior. 

Como o câncer de bexiga é diagnosticado?

Existem muitos testes disponíveis para ajudar no diagnóstico do câncer de bexiga, como ultrassom, tomografia computadorizada e a ressonância magnética, que  são muito úteis para detectar irregularidades na parede da bexiga, o que sugere a presença do tumor. 

Depois, o médico, provavelmente, irá realizar uma cistoscopia para enxergar dentro da bexiga. Para isso, inserimos um cabo flexível com uma microcâmera pela uretra do paciente para examinar visualmente a bexiga e coletar amostras para biópsia.

Outra opção é a análise laboratorial da urina do paciente, para tentar detectar a presença de células cancerígenas. Felizmente, hoje já existem muitos estudos para que biomarcadores sejam cada vez mais utilizados no diagnóstico da doença, sem precisar recorrer a exames mais invasivos. 

Quais as opções de tratamento para câncer de bexiga?

As opções de tratamento para o câncer de bexiga irão variar de acordo com o estágio da doença e se o tumor invadiu ou não a camada muscular. No caso de tumores não invasivos, primeiro realizamos uma cirurgia para remover a neoplasia, preservando a bexiga. Depois, podemos utilizar quimioterapia ou Imuno BCG (isso mesmo, a vacina é aplicada diretamente na bexiga para tratar o câncer).

Já no caso do câncer invasivo, é necessário realizar uma cistectomia radical, ou seja, a remoção completa da bexiga do paciente. Nos homens, essa cirurgia pode envolver a remoção da próstata e da vesícula seminal. Nas mulheres, o útero, ovários, tuba uterina, parede anterior da vagina e uretra também podem ser removidos. 

Em ambos os casos, pode ser necessário remover, também, os gânglios linfáticos da pelve e realizar mais quimioterapia neoadjuvante, o que pode contribuir para aumentar a sobrevida do paciente.

O que acontece se eu não tratar o câncer de bexiga?

Para muitos pacientes, lidar com o tratamento do câncer pode parecer pior do que a doença em si, e alguns consideram não iniciar a quimioterapia ou passar pela cirurgia. Essa é uma decisão pessoal, mas é fundamental que o paciente compreenda as consequências dessa escolha:

Quanto mais tempo o tumor fica sem tratamento, maiores são as chances de complicações como sangue na urina, dor na hora de urinar, sensação de ardência, dificuldades para urinar, perda da urina, obstrução da saída da urina e dor pélvica. 

À medida em que o câncer se espalha para outras regiões do corpo, maior será a dificuldade de tratamento, então se o paciente mudar de ideia futuramente, o tratamento poderá não ser tão bem-sucedido. 

Ou seja, não tratar o câncer assim que ele é diagnosticado aumenta as chances de lidar com todos esses sintomas, prejudicando a qualidade de vida, e também as chances de morrer da doença. 

O que acontece depois da cirurgia de remoção da bexiga? 

Isso vai depender da abordagem utilizada durante o procedimento. Se realizamos um conduto ileal, o paciente deverá utilizar uma bolsa coletora de urina o tempo todo, já que não terá controle de sua eliminação. 

Se realizarmos uma neobexiga, ou seja, criarmos um novo reservatório para a urina, o paciente poderá ir ao banheiro normalmente e geralmente recupera a capacidade de conter a excreção. 

Enquanto a urostomia é um procedimento mais simples, ela está associada a maiores complicações e perda da função sexual em alguns casos. Por outro lado, a neobexiga também traz o risco de incontinência noturna e precisa de treinamento pós-operatório para que ela se expanda. 

Em ambos os casos, a cirurgia robótica tem oferecido os melhores resultados em termos de precisão, recuperação rápida e menores riscos de efeitos colaterais. 

Se você quer saber mais sobre como a cirurgia robótica tem ajudado pacientes com câncer de bexiga, confira esse post sobre o período pós-operatório da cistectomia robótica