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Robô cirurgião da Vicarious Surgical recebeu investimentos de Bill Gates

Robô cirurgião da Vicarious Surgical recebeu investimentos de Bill Gates

Um avatar! Foi assim que o CEO da Vicarious Surgical, Adam Sachs, imaginou o robô cirurgião após assistir a um filme de ficção científica, em 1966. A ideia era criar robôs tão pequenos e modernos, capazes de chegarem em pontos impossíveis para mãos humanas. 

Durante mais de 10 anos, Adam Sachs, Sammy Khalifa e o diretor médico Barry Greene, da Vicarious Surgical, desenvolveram um “mini” robô cirurgião capaz de realizar cirurgias abdominais com pequenas incisões, com cerca de três centímetros. 

E essa nova tecnologia chamou a atenção do  fundador da Microsoft, Bill Gates, e de outros grandes investidores, que veem o potencial das cirurgias micro-robóticas aliadas à realidade virtual, não em um cenário futurista e, sim, cada vez mais presente nos blocos cirúrgicos.

Tanto é que os fundadores da Vicarious pretendem lançar no mercado o mini robô cirurgião ainda em 2023. Até a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) reconheceu o feito do trio de criadores, fazendo com que o robô da Vicarious tenha revisão prioritária logo que seja lançado. Isso significa que ele passaria na frente para autorização de teste e utilização.

Para os criadores dessa nova tecnologia, o que gerou mais horas de trabalho e pesquisa, foi criar peças pequenas o suficiente para entrarem no organismo do paciente, ao mesmo tempo resistentes e que pudessem se mover de forma independente. 

Benefícios do Mini Robô Cirurgião

Diminuir o tamanho dos robôs não é tarefa fácil. Por isso, o feito da Vicarious tem sido observado com grande interesse por outras empresas e cirurgiões robóticos de todo o mundo.

Com essa nova tecnologia, espera-se facilitar as cirurgias abdominais, tornando-as mais rápidas, acessíveis e seguras, gerando também menos complicações pós-operatórias. 

As cirurgias abdominais são o carro chefe da Vicarious, incluindo cirurgias de hérnia e cirurgias biliares. O cirurgião, por meio de um pequeno corte, é capaz de inserir o mini robô no organismo do paciente e guiá-lo ao local a ser reparado, com a ajuda da realidade virtual. 

As cirurgias teste, realizadas em cadáveres, mostraram que o tempo cirúrgico chega a ser a metade do tempo gasto em cirurgias robóticas tradicionais. De acordo com os criadores do projeto, uma cirurgia robótica de hérnia gasta  em torno de quatro horas, já com o robô da Vicarius o tempo foi reduzido para duas horas. No entanto, esse tempo pode ser ainda menor com o aperfeiçoamento do mini robô. 

Outro benefício do mini robô seria a criação de novas técnicas cirúrgicas, ainda menos invasivas, com menor corte possível, mesmo em cirurgias mais complexas e profundas. 

A previsão é que os mini robôs da Vicarious cheguem ao mercado por 1,2 milhões de dólares. Cerca de metade do valor dos robôs cirurgiões mais modernos existentes atualmente. Com isso, a empresa pretende facilitar o acesso dos cirurgiões a essa nova ferramenta, de forma que possam aprender a utilizá-lo. 

Vamos torcer para que essa nova tecnologia, digna dos cenários mais futuristas, chegue logo ao Brasil!

Por que os homens são as principais vítimas do suicício?

Por que os homens são as principais vítimas do suicídio?

Hoje é o Dia Internacional de Prevenção do Suicídio, e apesar de esse ser um assunto desconfortável para muitas pessoas, é fundamental falarmos sobre ele. Infelizmente, os indíces de suicídio aumentaram depois do começo da pandemia de Covid-19 e, na verdade, eles já vinham aumentando ao longo dos anos. 

Uma crença comum (e equivocada!) a respeito do suicídio é que, quando a pessoa decide praticar algum alto de violência contra si mesma, não é possível mudar de ideia. Na verdade, o suicídio é entendido como uma morte evitável e o primeiro passo para isso é falarmos do assunto de maneira mais aberta e honesta. 

Como urologista, considero parte do meu trabalho abordar a saúde mental masculina e, embora as tentativas de suicídio sejam mais comuns entre as mulheres, são os homens, especialmente os negros, os que se matam mais, de acordo com o Ministério da Saúde.

Em todos os anos de registro no Brasil, a faixa etária dos 15 aos 29 anos é a mais afetada pelo suicídio.

Meios utilizados pelos homens costumam ser mais letais

De acordo com um estudo da Universidade de Brasília (UnB), todas as fases do comportamento suicida são marcadas pelo gênero. Dados apontam que a forma mais comum de violência autoprovocada entre os jovens de 15 a 29 é o envenenamento, tanto entre homens quanto entre as mulheres.

Entretanto, os outros meios utilizados pelos homens são os mais letais, sendo escolhidos em maior quantidade por eles do que pelas mulheres, inclusive com o uso de arma de fogo.

Além disso, o estudo destaca que uma das principais diferenças de gênero nos registros de violência autoprovocada é o fato de que os homens guardam para si os seus problemas de saúde, especialmente o sofrimento mental. Isso pode interferir no registro de casos.

Depressão masculina e sinais para ficar atento

Nem sempre a ideação suicida ou atos de autoviolência estão relacionados à depressão, mas é comum que as duas coisas estejam relacionadas. Entre os homens, a dificuldade de admitir que está em sofrimento mental ou em identificar os sintomas de depressão se tornam obstáculos para a prevenção do suícidio.

Historicamente, os homens foram ensinados a esconder seus sentimentos, reprimindo emoções negativas. Muitas vezes, esse hábito acaba se refletindo em dificuldades na relação, agressividade, problemas no trabalho e até mesmo comportamentos de risco como sexo desprotegido, direção perigosa e envolvimento em brigas.

Dado o envolvimento dessa parcela da população masculina com atividades consideradas perigosas, não surpreende que eles recorram a meios de tirar a própria vida que sejam mais letais. 

O assunto é complexo e envolve muitas outras nuances. As campanhas buscam valorizar a vida, mas a nossa própria estrutura social favorece o sofrimento mental, por meio da desigualdade e o preconceito. Não podemos nos esquecer que são os homens negros que mais tiram a própria vida, o que sem dúvidas dialoga com o impacto do racismo na saúde como um tood. 

Apesar de tantos desafios a serem superados, fico satisfeito que a saúde mental tem sido mais discutida, especialmente entre os homens. Esse é o primeiro passo para que mais pessoas possam ser acolhidas da maneira adequada. 

Impactos dos atrasos no tratamento do câncer de bexiga, durante a pandemia

Impactos dos atrasos no tratamento do câncer de bexiga, durante a pandemia

Os efeitos da pandemia na saúde da população vão além da infecção por coronavírus. O distanciamento social, ainda necessário para evitar o contágio, e a sobrecarga do sistema de saúde público e privado fizeram com que muitas outras doenças não recebessem a atenção adequada.

Nesse sentido, muitos pesquisadores se dedicaram a prever e avaliar os impactos da pandemia no diagnóstico e tratamento de diversos tipos de câncer, uma das doenças em que a intervenção precoce, em muitos casos, significa chances de cura muito maiores.

Atrasos na realização de intervenções cirúrgicas já foram amplamente explorados em muitas pesquisas, especialmente em casos de câncer de bexiga com invasão muscular. De acordo com uma revisão sistemática publicada no periódico European Urology Oncology, envolvendo mais de dezenove estudos sobre o assunto,  foi possível desenvolver algumas orientações na abordagem do câncer de bexiga para o período:

Durante as restrições causadas pela pandemia de Covid-19, pacientes com câncer de bexiga não invasivo de alto grau devem ser submetidos ao tratamento com BCG e terapia de manutenção. 

Já para os tumores de alto risco, a cistectomia deve ter sido realizada assim que possível, com exceção para casos em que o risco pós-operatório de contrair Covid-19 seja grande em pacientes com comorbidades. 

Além disso, de acordo com a literatura disponível, o atraso em até três meses na cistectomia radical pode ser seguro em casos de câncer invasivo, e a equipe médica deve priorizar o câncer de bexiga de alto grau, seja ele invasivo ou não, já que o impacto na sobrevida pode ser significativo. 

Revisão sistemática oferece orientações a respeito do atraso no tratamento do câncer de bexiga

Antes da pandemia de Covid-19, dificuldades na marcação de exames e consultas, busca de diversas opiniões médicas, questões sociais, diagnósticos errados e comorbidades em pacientes foram motivos que resultaram num espaço de tempo maior entre o diagnóstico e o tratamento da doença.

Na revisão, quatro estudos encontraram uma associação significativa entre o retardo do diagnóstico em relação à cistectomia radical (cirurgia de remoção da bexiga). A partir da metanálise de três estudos com dados que consideravam o estágio do tumor, foi encontrado um risco aumentado de morte para os pacientes com atraso significativo. 

Cinco estudos avaliaram a associação entre o tempo entre a conclusão da quimioterapia neoadjuvante e a cistectomia radical em relação à sobrevida. Dois deles demonstraram que demorar muito entre a quimioterapia e a cirurgia trouxe efeitos adversos na sobrevida dos pacientes, enquanto outro identificou que o estadiamento de tumores avançados estava associado aos atrasos.

Um dos estudos observou que pacientes que tiveram mais de 10 semanas entre o último ciclo de quimioterapia e a cirurgia de remoção da bexiga tiveram uma sobrevida global e específica do câncer mais baixa. Outra pesquisa descobriu que os atrasos na quimioterapia em mais de oito semanas estavam associados a um risco aumentado de avanço do tumor. 

Entretanto, os pesquisadores não encontraram problemas em relação ao atraso de até seis meses do diagnóstico à cistectomia radical, nos casos em que a quimioterapia foi administrada. Esse pode ser um indicador de que os atrasos na administração da quimio podem ter um impacto maior, durante a pandemia, do que o atraso na cirurgia.

Vale ressaltar, também, que os tumores da bexiga que não invadiram o músculo podem ser divididos entre baixo e alto grau e a metanálise parece apontar que os atrasos são mais propensos a causar danos em pacientes com doença de alto grau do que naqueles com doença de baixo grau.

Acredito que, num futuro próximo, iremos saber as consequências do atraso na administração do tratamento adequado em pacientes com câncer de bexiga por meio de dados específicos desse período. Hoje, já sabemos que o impacto no diagnóstico do câncer de rim foi muito significativo, por exemplo.

Por fim, se o seu tratamento foi impactado pela pandemia, não se desespere e mantenha o acompanhamento médico adequado, certo?

Nova terapia para câncer de próstata resistente à castração

Nova terapia para câncer de próstata resistente à castração

Um dos maiores desafios no tratamento dos tumores da próstata é o câncer resistente à castração. Esse tipo de neoplasia não responde ao tratamento de bloqueio hormonal, que costuma ser necessário em muitos casos. Como consequência, o prognóstico para os pacientes diagnosticados com esse tipo de tumor, que é agressivo, costuma ser pessimista, especialmente quando a doença já entrou em metástase. 

Muitas pesquisas em tratamentos experimentais têm sido desenvolvidas com o intuito de prolongar a vida desses pacientes e oferecer mais possibilidades de cura. Um deles está na fase três de um ensaio clínico em que o número de mortes em decorrência da doença diminuiu em 40% em relação aos pacientes que receberam o tratamento padrão. 

Estratégia de tratamento é mais direcionada e sofisticada 

O estudo foi publicado no The New England Journal of Medicine, e acompanhou 831 pacientes com doença avançada em 10 países, por aproximadamente 20 meses. Esse novo tratamento é chamado de lutetion-177-PSMA-617 ou LuPSMA, e consiste numa molécula radioativa capaz de localizar uma proteína presente na superfície das células do câncer de próstata. 

Células saudáveis da próstata não contém a proteína chamada PSMA, ou contém pequenas quantidades, de maneira que o tratamento afeta somente as células doentes, causando poucos danos ao tecido próximo do tumor. Entretanto, para se submeter ao tratamento, os pacientes precisam ser testados para essa proteína, que pode ser identificada em exames de imagem.  

Como o estudo foi conduzido

Ao todo, 831 homens com câncer de próstata metastático resistente à castração foram divididos em dois grupos, sendo que um deles recebeu somente o tratamento padrão e o outro recebeu o tratamento padrão e o experimental. 

21 meses depois, os resultados demonstraram que a progressão do câncer foi mais atrasada no grupo que recebeu o tratamento com LuPSMA: 8.7 meses em relação a 3.4 no grupo controle. Além disso, o tratamento foi associado a uma sobrevivência melhor de forma geral, com 15.3 meses versus 11.3 meses. 

Os tumores dos pacientes que receberam o tratamento experimental foram mais propensos a encolher, seus níveis de PSA eram mais propensos a cair, e o risco de o câncer progredir foi reduzido em 60%.

Além disso, o tratamento do LuPSMA foi bem tolerado no geral, mas incluiu efeitos colaterais como fadiga, náusea, problemas renais e supressão da medula óssea. Embora o impacto na qualidade de vida seja relativo, os pesquisadores ressaltam que ainda é necessário aprofundar os estudos a respeito de quando e como utilizar esse tratamento, já que quando o paciente tem poucos anos de expectativa de vida, esses efeitos colaterais podem ser problemáticos. 

Caso seja aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), LuPSMA será a primeira droga direcionada à proteína de PSMA a entrar para o mercado. Vale ressaltar, entretanto, que o estudo tem suas limitações.

Trata-se de um estudo randomizado, mas devido às dificuldades de conduzir um estudo duplo-cego com um tratamento radioativo, o estudo foi aberto: tanto os pacientes quanto os médicos sabiam se estavam ou não recebendo o tratamento. Isso foi um desafio porque alguns pacientes ficaram decepcionados ao saber sua designação e se retiraram do estudo, por exemplo. 

 

5 dúvidas e respostas sobre o câncer de bexiga

5 dúvidas e respostas sobre o câncer de bexiga

O câncer de bexiga é um tumor prevalente no Brasil. O Instituto Nacional do Câncer estima que para cada ano, entre 2020 e 2022, mais de 10.600 novos casos da doença serão diagnosticados. Apesar de comum, esse é um tipo de câncer com pouca visibilidade, motivo pelo qual muitas pessoas têm dúvidas sobre o assunto quando alguém da família ou elas mesmas são diagnosticadas. 

Para ajudar a desmistificar o assunto e fazer circular informações científicas sobre esse tipo de tumor, separei cinco dúvidas que recebo muito no meu consultório para abordar aqui no blog. Com certeza, existem muitas outras perguntas que podem surgir a respeito do câncer de bexiga, inclusive, envolvendo seu tratamento, que, frequentemente, é cirúrgico. Entretanto, abordando essas questões mais gerais, podemos abrir caminho para perguntas mais específicas. Vamos lá?

O que pode causar o câncer de bexiga?

O câncer de bexiga pode ser causado por diversos fatores e, muitas vezes, é difícil determinar uma causa específica para o surgimento da doença. Atualmente, já sabemos que um dos principais fatores de risco para o problema é o tabagismo, já que as toxinas cancerígenas do cigarro são filtradas pelos rins e armazenadas na bexiga até serem eliminadas naturalmente pela urina. 

Outros fatores, como radiação da região pélvica e determinados tipos de quimioterapia feitas no passado, também podem aumentar as chances de um paciente desenvolver câncer de bexiga. Além disso, alguns profissionais estão expostos a substâncias que podem aumentar o risco de ter câncer de bexiga, especialmente aqueles que trabalham com diesel, petróleo, solventes e determinados tipos de tinta. 

E, por fim, o câncer de bexiga também pode ter causas genéticas, já que mutações no gene TP53 são encontradas em aproximadamente 60% dos tumores de bexiga invasivos, e o prognóstico desses pacientes também costuma ser pior. 

Como o câncer de bexiga é diagnosticado?

Existem muitos testes disponíveis para ajudar no diagnóstico do câncer de bexiga, como ultrassom, tomografia computadorizada e a ressonância magnética, que  são muito úteis para detectar irregularidades na parede da bexiga, o que sugere a presença do tumor. 

Depois, o médico, provavelmente, irá realizar uma cistoscopia para enxergar dentro da bexiga. Para isso, inserimos um cabo flexível com uma microcâmera pela uretra do paciente para examinar visualmente a bexiga e coletar amostras para biópsia.

Outra opção é a análise laboratorial da urina do paciente, para tentar detectar a presença de células cancerígenas. Felizmente, hoje já existem muitos estudos para que biomarcadores sejam cada vez mais utilizados no diagnóstico da doença, sem precisar recorrer a exames mais invasivos. 

Quais as opções de tratamento para câncer de bexiga?

As opções de tratamento para o câncer de bexiga irão variar de acordo com o estágio da doença e se o tumor invadiu ou não a camada muscular. No caso de tumores não invasivos, primeiro realizamos uma cirurgia para remover a neoplasia, preservando a bexiga. Depois, podemos utilizar quimioterapia ou Imuno BCG (isso mesmo, a vacina é aplicada diretamente na bexiga para tratar o câncer).

Já no caso do câncer invasivo, é necessário realizar uma cistectomia radical, ou seja, a remoção completa da bexiga do paciente. Nos homens, essa cirurgia pode envolver a remoção da próstata e da vesícula seminal. Nas mulheres, o útero, ovários, tuba uterina, parede anterior da vagina e uretra também podem ser removidos. 

Em ambos os casos, pode ser necessário remover, também, os gânglios linfáticos da pelve e realizar mais quimioterapia neoadjuvante, o que pode contribuir para aumentar a sobrevida do paciente.

O que acontece se eu não tratar o câncer de bexiga?

Para muitos pacientes, lidar com o tratamento do câncer pode parecer pior do que a doença em si, e alguns consideram não iniciar a quimioterapia ou passar pela cirurgia. Essa é uma decisão pessoal, mas é fundamental que o paciente compreenda as consequências dessa escolha:

Quanto mais tempo o tumor fica sem tratamento, maiores são as chances de complicações como sangue na urina, dor na hora de urinar, sensação de ardência, dificuldades para urinar, perda da urina, obstrução da saída da urina e dor pélvica. 

À medida em que o câncer se espalha para outras regiões do corpo, maior será a dificuldade de tratamento, então se o paciente mudar de ideia futuramente, o tratamento poderá não ser tão bem-sucedido. 

Ou seja, não tratar o câncer assim que ele é diagnosticado aumenta as chances de lidar com todos esses sintomas, prejudicando a qualidade de vida, e também as chances de morrer da doença. 

O que acontece depois da cirurgia de remoção da bexiga? 

Isso vai depender da abordagem utilizada durante o procedimento. Se realizamos um conduto ileal, o paciente deverá utilizar uma bolsa coletora de urina o tempo todo, já que não terá controle de sua eliminação. 

Se realizarmos uma neobexiga, ou seja, criarmos um novo reservatório para a urina, o paciente poderá ir ao banheiro normalmente e geralmente recupera a capacidade de conter a excreção. 

Enquanto a urostomia é um procedimento mais simples, ela está associada a maiores complicações e perda da função sexual em alguns casos. Por outro lado, a neobexiga também traz o risco de incontinência noturna e precisa de treinamento pós-operatório para que ela se expanda. 

Em ambos os casos, a cirurgia robótica tem oferecido os melhores resultados em termos de precisão, recuperação rápida e menores riscos de efeitos colaterais. 

Se você quer saber mais sobre como a cirurgia robótica tem ajudado pacientes com câncer de bexiga, confira esse post sobre o período pós-operatório da cistectomia robótica

6 motivos para você escolher a cirurgia robótica no tratamento de câncer

6 motivos para você escolher a cirurgia robótica no tratamento de câncer

A tecnologia robótica representa um importante avanço no tratamento cirúrgico do câncer. 

Em muitas especialidades, como a urologia, por exemplo, ela tem sido cada vez mais usada, auxiliando na remissão do tumor com um importante resultado em termos de qualidade de vida do paciente.

É claro que essa não é a única alternativa para quem precisa fazer uma cirurgia de remoção do câncer de próstata. Além da robótica, contamos também com a laparoscopia e a cirurgia aberta, um leque de possibilidades que precisa ser analisado com muita atenção pelo paciente e cirurgião para que a melhor decisão seja tomada. 

Para a maior parte dos pacientes que vou operar, eu costumo recomendar a cirurgia robótica no lugar da técnica aberta ou laparoscópica, e hoje quero explicar os motivos pelos quais acredito que essa costuma ser a melhor escolha. 

O nível de precisão da cirurgia robótica é maior

Embora as técnicas aberta e laparoscópica também sejam consideradas precisas e eficientes no tratamento cirúrgico do câncer, a cirurgia robótica é capaz de levar as habilidades do cirurgião para outro nível.

Isso é possível porque a plataforma oferece visualização aumentada em 3D, podendo ser associada à tecnologia Firefly, que auxilia na diferenciação do tecido tumoral dos tecidos saudáveis, bem como na percepção do fluxo sanguíneo para o tumor. 

Além disso, os robôs contam com um sistema de instrumentos que possuem amplitude de movimento maior do que o pulso humano, possibilitando a manipulação de tecidos com muito mais precisão! 

Vale ressaltar, é claro, que a experiência do cirurgião faz toda a diferença. 

As chances de intercorrência durante intra e pós-operatórias são menores

A maioria dos procedimentos realizados com a cirurgia robótica está associada a menores riscos de intercorrência durante e após a operação, inclusive hemorragias. Afinal, o dano às estruturas adjacentes ao tumor durante a cirurgia é mínimo, o que diminui consideravelmente o sangramento. 

Essa é uma vantagem, especialmente, na cirurgia do rim, em que vamos manipular uma área extremamente vascularizada. 

Além disso, como o paciente fica menos tempo no hospital, os riscos de infecção hospitalar são muito menores do que numa cirurgia convencional

As chances de ter efeitos colaterais são menores

Na cirurgia de remoção de próstata, os principais efeitos colaterais podem ser a dificuldade de ereção e a incontinência urinária. Hoje, com a cirurgia robótica, conseguimos preservar ao máximo as estruturas neurais responsáveis por essas funções, de maneira que muitos pacientes sequer têm qualquer efeito colateral após o procedimento. 

Inclusive, muitos dos que de fato experienciam um pouco de disfunção erétil depois do procedimento conseguem recuperar a ereção. 

O tempo de internação é menor 

Por se tratar de um procedimento minimamente invasivo, o paciente costuma receber alta rapidamente. O tempo de internação da prostatectomia e da nefrectomia radical, por exemplo, gira em torno de 48h.

Isso pode variar, entretanto, de acordo com o tipo de cirurgia e a saúde do paciente como um todo, mas, de maneira geral, como as incisões são pequenas, não é necessário manter a pessoa em ambiente hospitalar por muito tempo!

Além de permitir que o paciente se recupere no conforto do lar, um curto período de internação significa menores gastos e riscos de contrair infecções hospitalares. 

O retorno para as atividades cotidianas é mais rápido

Dependendo do tipo de cirurgia realizada, o paciente logo poderá voltar a dirigir e trabalhar, sempre respeitando as recomendações médicas. 

Para o paciente oncológico, o retorno para as suas atividades cotidianas é muito importante porque, muitas vezes, o diagnóstico de câncer parece se sobrepor a todos os outros aspectos da vida da pessoa. 

Poder voltar a caminhar, cuidar da casa e trabalhar é uma forma de resgatar o controle sobre a própria vida e a individualidade. 

As incisões são mais discretas 

E, por fim, não posso deixar de abordar um aspecto muito importante e por vezes negligenciado no cuidado com o paciente oncológico: as cicatrizes. 

Na cirurgia robótica, realizamos incisões de 3 cm a 5 cm no abdômen do paciente, para inserir os portais por onde vamos passar os instrumentos robóticos. Essa técnica substitui as grandes incisões realizadas na cirurgia aberta, que muitas vezes causam desconforto estético e se tornam um obstáculo na hora de seguir com uma vida livre de câncer. 

Por exemplo, na prostatectomia aberta, por exemplo, fazemos uma grande e profunda incisão do umbigo do paciente até a base do pênis. Já na nefrectomia aberta, a incisão também é grande, feita na lateral do abdômen. 

Bom senso na hora de escolher a técnica para sua cirurgia

Não faltam evidências das vantagens da cirurgia robótica. Entretanto, quero ressaltar que a laparoscopia e a cirurgia aberta também oferecem excelentes resultados e que outros fatores também precisam ser levados em conta na hora de escolher o melhor caminho para o seu tratamento.

Como você pode imaginar, os robôs são tecnologias incríveis que precisam ser manipuladas por médicos altamente treinados e experientes. Dependendo do nível de complexidade da cirurgia, pode ser mais vantajoso para determinado cirurgião realizar o procedimento por via laparoscópica ou aberta, já que ele domina melhor essa técnica do que a robótica. 

Isso significa que a experiência do cirurgião e sua familiaridade com o método, seja ele qual for, precisam ser levados em conta para que o procedimento tenha os melhores resultados possíveis. 

#SemanadoHomem: Os 9 problemas de saúde mais comuns entre os homens

#SemanadoHomem: Os 9 problemas de saúde mais comuns entre os homens

Costumo sempre abordar por aqui o impacto dos problemas urológicos na saúde do homem: o câncer de próstata, que ainda é o tumor que mais afeta a população masculina, o câncer de rim e bexiga, que atingem duas vezes mais homens do que mulheres, e os tumores testiculares e de pênis que, apesar de mais raros, também podem ser muito graves.

Entretanto, essas não são as únicas condições que colocam a saúde masculina em risco. Na verdade, estima-se que uma parcela significativa dos homens no mundo inteiro sequer sabem que têm problemas de saúde que necessitam de tratamento para evitar complicações sérias. 

Justamente por isso, quero aproveitar que estamos na Semana do Homem para conscientizar você a respeito das principais questões e enfermidades que afetam a população masculina (para além do câncer de próstata), oferecendo algumas pistas do que fazer caso você desconfie que lida com algum esses problemas. Vamos lá? 

Obesidade 

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal, classificada como doença crônica pela OMS. Ela está ligada a muitos fatores, inclusive os sociais, ambientais, psicológicos e genéticos e, geralmente, é causada pela adoção de uma dieta hipercalórica e sedentarismo.

Infelizmente, a obesidade está associada a diversos outros problemas de saúde, como diversos tipos de câncer, diabetes, apnéia do sono, doença renal, doença hepática, hipertensão e problemas cardiovasculares. 

Para saber se você tem obesidade, o primeiro passo é calcular o seu IMC (Índice de Massa Corporal). Basta multiplicar a sua altura por ela mesma, em metros, e dividir o seu peso pelo valor obtido. 

Caso o valor seja acima de 30, você já pode ser considerado obeso, mas esse cálculo não leva em conta a massa muscular e por isso precisa ser associado a outras avaliações. Vale procurar ajuda médica para investigar. 

Doenças cardiovasculares

Nos Estados Unidos, problemas no coração são a principal causa de morte entre homens, sendo responsável por uma a cada quatro mortes masculinas. Para além dos infartos, as doenças cardiovasculares envolvem, também, o Acidente Vascular Cerebral (AVC), arritmia cardíaca e hipertensão arterial.

Os principais sintomas desses tipos de problemas são dor no peito, falta de ar, fadiga ou esgotamento, falta de apetite, inchaço de pés e pernas, urinar muito à noite e episódios de desmaio.

Vale ressaltar que muitos homens acreditam que, ao tomar o remédio para pressão alta, o problema foi resolvido, mas isso não é verdade. A medicação apenas ajuda a controlar a pressão alta e os riscos de ter problemas associados ainda existe. 

Diabetes 

A diabetes tipo 2 é mais comum nos homens, especialmente entre os 35 e 54 anos. Inclusive, ao contrário das mulheres, nos homens a doença pode se desenvolver mesmo quando o IMC não é alto. Isso significa que mesmo um homem não obeso, mas que teve ganho de peso, é sedentário e mantém uma dieta pobre em nutrientes mas rica em açúcar tem maiores riscos de desenvolver diabetes.

Um problema comum que enfrentamos quando o assunto é a diabetes masculina é que muitos homens não aceitam que precisam tratar a doença, e não fazem mudanças no estilo de vida ou aderem ao tratamento medicamentoso. 

Infelizmente, entre as complicações da doença, estão a disfunção erétil, problemas nos nervos, desidratação, problemas nos olhos, rins e na audição. 

Problemas renais

Por fim, os homens também lidam mais com os problemas renais, talvez por consequência de todas as outras questões que discuti até agora. Afinal, o diabetes, pressão alta e obesidade podem aumentar o risco de desenvolver doença renal crônica. Hábitos nocivos como o tabagismo e o consumo exagerado de álcool também podem agravar o quadro.

Em alguns casos, as doenças renais não vão causar sintomas, mas os pacientes podem sentir fadiga, mal-estar, perda de apetite, urina em excesso e perda de peso inexplicável. Frequentemente, esse tipo de problemas causa impotência sexual no homem. 

Espero que o post de hoje tenha te ajudado a abrir os olhos a respeito da importância de cuidar melhor da sua saúde. E lembre-se de que, ao notar algum sintoma ou desconforto, você pode (e deve!) abordar o assunto com o seu urologista. Mesmo que ele não seja o profissional mais indicado para tratar determinado problema, ele poderá indicar a especialidade correta para que você tenha um tratamento multidisciplinar.

Vigilância ativa do câncer próstata: quando é indicada?

Vigilância ativa do câncer próstata: quando é indicada?

A vigilância ativa consiste no acompanhamento do crescimento de um tumor de baixo risco sem realizar nenhum tipo de intervenção terapêutica ou cirúrgica. No caso do câncer de próstata, essa pode ser uma alternativa muito interessante para preservar a saúde do paciente ao máximo e realmente iniciar o tratamento quando ele é necessário.

Nesse processo, o paciente passa por exames regulares dos níveis de PSA e toque retal, geralmente a cada seis meses, além de uma nova biópsia em um ano e outras biópsias a cada 3 anos. 

Caso uma alteração no tamanho ou agressividade do tumor seja detectada, aí sim a equipe irá iniciar uma estratégia de tratamento que pode envolver uma prostatectomia radical e radio ou quimioterapia. 

Nesse sentido, a vigilância ativa do câncer de próstata visa evitar que o paciente seja submetido a tratamentos invasivos. Precisamos nos lembrar que, quando o homem inicia o rastreamento do câncer de próstata precocemente, ou seja, aos 45 anos, a doença poderá ser detectada em estágios iniciais. 

Ao contrário de muitos outros tipos de tumor, o câncer de próstata costuma evoluir muito lentamente. Sem utilizar a vigilância ativa como uma estratégia no manejo da doença, diversos pacientes seriam submetidos à cirurgia e outros tratamentos quando poderiam se beneficiar muito dessa estratégia! 

Benefícios e desvantagens da vigilância ativa 

Naturalmente, um dos maiores benefícios da vigilância em relação aos tratamentos curativos é a menor morbidade, já que o paciente não irá correr riscos cirúrgicos e nem passar por radio ou quimioterapia, que tem efeitos adversos significativos. Além disso, essa estratégia não interfere na vida diária.

Apesar dos tratamentos estarem cada vez mais avançados, especialmente com o uso da cirurgia robótica, os efeitos colaterais podem acontecer e prejudicam a qualidade de vida do paciente. 

Entretanto, existe uma pequena chance de o tumor crescer mais rápido do que o esperado entre um exame e outro, o que pode dificultar o tratamento. Esse é um fator importante que deve ser levado em conta pelo paciente e médico na hora de tomar a decisão compartilhada pela vigilância ativa. 

Outra questão relevante é a necessidade de acompanhamento que nem sempre é bem tolerada pelo paciente, especialmente as biópsias e re-biópsias. Os procedimentos, em si, também podem acarretar no desenvolvimento de tecido cicatricial no local. 

E, por fim, precisamos levar em consideração que alguns homens ficam muito preocupados e ansiosos com as chances de mudança na atividade tumoral, situação na qual investir no tratamento pode ser mais vantajoso. 

Critérios para seleção de pacientes para vigilância ativa 

Os critérios para seleção desses pacientes podem variar de acordo com os trabalhos já existentes a respeito do assunto, mas no geral são os seguintes:

  • PSA <10 ng%
  • Tumor não palpável (T1c) 
  • Gleason ≤3 na biópsia (Gleason ≥4 é critério de exclusão)
  • Escala de Gleason ≤6
  • ≥2 biópsias de próstata. Cada biópsia deve ter no mínimo 6 fragmentos e nenhum dos fragmentos pode haver comprometimento maior ou igual a 50% por células neoplásicas, o tamanho do câncer deve ser menor que 3mm no fragmento da biópsia e o número de fragmentos positivos deve ser menor que 3
  • Densidade do PSA ≤0.10ng/ml por grama
  • PSA aumentar acima de 0.75ng/ano ou o tempo de duplicação for inferior a 3 anos
  • Identificação de alterações no toque retal
  • Quando a re-biópsia revelar progressão dos critérios: Gleason >6≥3 fragmentos positivos, fragmento >50% de tumor ou presença de infiltração perineural; 

Sempre conte com o acompanhamento do urologista para decidir o melhor tipo de tratamento para o seu caso em específico, certo? E se você quiser saber mais sobre os diferentes tratamentos do câncer de próstata, confira esse post aqui

Novo consenso para o manejo do câncer de próstata para países em desenvolvimento

Novo consenso para o manejo do câncer de próstata para países em desenvolvimento

Com o objetivo de oferecer as melhores estratégias de prevenção e tratamento do câncer de próstata na América Latina, África e Oriente Médio, dezenas de médicos se reuniram para produzir o I Consenso Mundial sobre Rastreamento, Diagnóstico e Tratamento Câncer de Próstata para Países em Desenvolvimento. 

 

A publicação é composta por uma série de artigos que reúne informações valiosas a respeito do rastreamento, diagnóstico, ferramentas de estadiamento, tratamento e acompanhamento de diferentes estágios do câncer de próstata, mesmo em áreas com recursos limitados. 

Ela foi desenvolvida por urologistas, cirurgiões, radiologistas, oncologistas, patologistas e radioterapeutas de diversos países e está disponível no Journal of Global Oncology

As principais orientações do novo consenso para o manejo do câncer de próstata 

A principal orientação a respeito do manejo do câncer de próstata em países em desenvolvimento é tornar o rastreamento da doença obrigatório aos 50 anos de idade. Ou seja, os homens devem passar pelo exame de PSA e o toque retal assim que completarem essa idade. 

Outra recomendação é a implantação de um fluxo mais eficiente no sistema, para que o paciente receba o tratamento após o diagnóstico sem atrasos, um problema muito real no Sistema Único de Saúde aqui no Brasil. 

Em relação a novas tecnologias e protocolos de tratamento, os especialistas participantes propuseram projetos que tornem acessíveis medicamentos com melhores índices de cura e sobrevivência.

Ao todo, sete artigos discutem questões muito importantes a respeito do câncer de próstata, avaliam o painel de votação e levantam discussões literárias sobre o assunto. No primeiro, o rastreamento, diagnóstico e ferramentas de estadiamento são o destaque, bem como os benefícios das práticas para a detecção precoce da doença e as limitações encontradas em países em desenvolvimento.

No segundo e terceiro artigos encontramos orientações a respeito do tratamento do câncer de próstata localizado de baixo, médio e alto risco, inclusive a vigilância ativa. No quarto texto, o tema é a recorrência bioquímica no câncer de próstata sensível à castração, enquanto no quinto artigo os autores discutem a resistência à castração não metastática.

Por fim, no sexto artigo o assunto é a metástase do câncer de próstata sensível à castração, e, no sétimo, os autores debatem o câncer de próstata metastático resistente à castração, um dos maiores desafios da urologia, especialmente nos países em desenvolvimento. 

A realidade do câncer de próstata no Brasil

Sempre falo por aqui que as chances de cura do câncer de próstata são altas quando o tumor é diagnosticado precocemente e que já contamos com tratamentos muito avançados.

Infelizmente, nem todas as pessoas têm acesso a essas informações ou a recursos como a 

cirurgia robótica, por exemplo, fazendo da divulgação científica uma ferramenta essencial para mudar um cenário preocupante:

No Brasil, o câncer de próstata ainda é o segundo tipo de tumor mais comum entre os homens. Somente em 2019, tivemos quase 16 mil mortes em decorrência da doença, e já temos estudos que mostram que a nossa população tem diagnóstico tardio e tratamentos mais limitados na rede pública. 

De acordo com dados do Global Cancer Observatory, a estimativa é de que os números do câncer de próstata no país e na América Latina cresçam consideravelmente até 2040, chegando a dobrar a quantidade de casos e registrar aumento exponencial na quantidade de mortes. 

Espero que a divulgação do Consenso seja capaz de frear esse aumento e melhorar o atendimento oferecido à grande parte da população.

O que as mulheres precisam saber sobre o câncer de bexiga

O que as mulheres precisam saber sobre o câncer de bexiga

O câncer de bexiga é mais comum entre homens do que entre as mulheres. Porém, a taxa de sobrevivência, entre elas, é menor. De acordo com um relatório publicado pelo Instituto Nacional do Câncer, provavelmente, isso se deve ao fato de que elas estão recebendo o diagnóstico mais tarde. 

Provavelmente, isso se deve ao fato de que elas estão recebendo o diagnóstico mais tarde. Por um lado, as pacientes demoram a reportar ao médico a presença de sangue na urina, principal sintoma da doença e que costuma ser interpretado como sangue menstrual, sangramento pós-menopausa ou mesmo como sintoma de uma infecção urinária comum. 

Por outro, os médicos não tendem a suspeitar inicialmente do câncer de bexiga, já que esse tipo de tumor não está sequer entre as dez neoplasias mais comuns entre as mulheres. Na maioria dos casos, a mulher pode sair do consultório médico com uma receita para antibióticos. 

Como esse sangramento não é acompanhado de dor e os episódios podem demorar semanas e até meses para ocorrer de novo, médico e paciente pensam que o medicamento funcionou, quando na realidade o tumor só ganhou mais tempo para se desenvolver e se espalhar. 

Entretanto, vale ressaltar que a mulher pode ter câncer de bexiga e uma infecção urinária ao mesmo tempo. Se o sangramento persistir depois do tratamento com antibióticos, não deixe de procurar o médico e procure um urologista. 

Fatores de risco para o câncer de bexiga em mulheres

Assim como nos homens, o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de bexiga é o tabagismo. Fumantes têm até três vezes mais chances de ter a doença do que não fumantes e aproximadamente 50% de todos os casos de paciente com câncer de bexiga estão relacionados ao cigarro.

Outro fator de risco importante é a exposição a determinados tipos de substâncias no trabalho. Para esse tipo de tumor, produtos químicos utilizados na indústria têxtil, couro, tintas e produtos de borracha e gráficas podem ser perigosos.

Fatores genéticos e histórico familiar também têm um papel importante no desenvolvimento do câncer de bexiga. Pessoas com mutações nos genes NAT e GST ou pessoas com parentes próximos que já tiveram a doença estão mais propensas a desenvolvê-la.

Como você pode ver, nem todos os fatores de risco estão sob controle da paciente, motivo pelo qual deve-se evitar acumular mais de um deles

Sintomas da doença 

O principal sintoma do câncer de bexiga em mulheres é o sangue na urina, que pode aparecer em pequena quantidade ou chegar a mudar a cor do líquido para rosa, laranja ou vermelho.

Inclusive, nem sempre o sangue presente na urina é visível a olho nu. A paciente pode achar que o sangramento desapareceu, mas ele só se tornou sutil o suficiente para não ser notado por ela no vaso sanitário, e somente um exame laboratorial poderá determinar se há ou não a presença de sangue na urina. 

Outros sinais precoces do câncer de bexiga são a necessidade de urinar com mais frequência do que o normal, dor ou queimação ao urinar, vontade de ir ao banheiro mesmo depois de já ter ido ou dificuldades para urinar. Esses sintomas, naturalmente, não são exclusivos desse tipo de câncer e podem ser indicativos de infecções na bexiga ou trato urinário. 

Depois que a doença já está avançada e se espalhou para outras partes do corpo, a mulher pode não conseguir urinar, perder o apetite, sentir dor na lombar ou nos ossos, cansaço excessivo e ter perda de peso não explicada. 

Tratamento cirúrgico do câncer de bexiga em mulheres 

Principalmente quando o tumor não está mais em estágios muito iniciais, a cirurgia é uma parte importante do tratamento da doença. Nesse procedimento, removemos a bexiga e, dependendo do caso, construiremos uma neobexiga. Também é possível fazer uma derivação urinária, em que a urina será drenada por meio de uma saída pelo abdômen da paciente.  

Nesse sentido, uma das principais diferenças entre a cistectomia radical para homens e mulheres é que, quando as chances do câncer ter se espalhado são altas, também é necessário remover os ovários e parte da vagina. Isso pode trazer, inclusive, implicações em relação à fertilidade da mulher. 

Tanto nos homens quanto nas mulheres, a cirurgia robótica tem sido uma excelente alternativa para passar por esse procedimento de maneira minimamente invasiva, o que significa mais precisão durante a cirurgia e recuperação mais rápida para o paciente

Espero que o post de hoje tenha trazido informações importantes a respeito do câncer de bexiga em mulheres. Se você suspeita que pode ter a doença, busque ajuda médica, e se você está procurando tratamento cirúrgico, entre em contato com a minha equipe. Estou preparado para te ajudar a enfrentar o câncer. 

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