Startup cria teste rápido e indolor para detectar câncer de bexiga

Startup cria teste rápido e indolor para detectar câncer de bexiga

Para diagnosticar o câncer de bexiga, geralmente realizamos um exame chamado cistoscopia, em que inserimos um instrumento fino e flexível pela uretra do paciente. O cistoscópio é equipado com uma microcâmera. Então, o exame possibilita enxergar toda essa estrutura até chegar na bexiga. 

 

Apesar de ser considerado efetivo, esse método tem custo elevado e causa muito desconforto ao paciente, motivo pelo qual é solicitado por último, para confirmar a suspeita do diagnóstico. Frequentemente, após o tratamento da doença, a pessoa precisa realizar cistoscopias regularmente, o que acaba impondo ainda mais sofrimento a alguém que já enfrentou muitas dificuldades para vencer o câncer. 

 

Para superar esses e outros desafios relacionados ao câncer de bexiga, uma startup de São Carlos (SP) desenvolveu um kit de diagnóstico rápido, simples, não invasivo e de baixo custo capaz de identificar o câncer de bexiga e auxiliar na detecção e acompanhamento da doença. 

 

A iniciativa foi desenvolvida por meio de um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, no âmbito do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). 

Como o novo teste para câncer de bexiga funciona 

O teste funciona por meio da coleta da urina normalmente, como qualquer outro exame laboratorial. Depois de ser misturada à outra solução, uma mudança de cor e aspecto da urina indica que o paciente tem câncer de bexiga. 

 

Isso é possível porque o teste conta com anticorpos capazes de identificar assinaturas moleculares (biomarcadores) do câncer de bexiga que acabam saindo na urina.

 

Além disso, os pesquisadores desenvolveram um outro modelo de teste parecido com os testes de gravidez disponíveis na farmácia. A ideia é que ele custe cerca de R$ 20 e possa indicar rapidamente se o paciente tem ou não a doença, mas o protótipo ainda está sendo aprimorado.

 

Vale ressaltar, entretanto, que nenhum dos dois testes desenvolvidos pela startup será capaz de substituir a cistoscopia, mas sim ajudar a identificar o tumor em estágios iniciais e evitar que o paciente passe por um exame caro e desconfortável desnecessariamente. 

 

Afinal, para desenvolver o melhor plano de tratamento, é necessário saber qual o tamanho do tumor, seu estágio e entender melhor a sua morfologia. Além de possibilitar a visualização do crescimento maligno, a cistoscopia possibilita a coleta de material para biópsia. 

 

De acordo com os pesquisadores, um dos objetivos é evitar a retirada desnecessária da bexiga, a cistectomia. Quando o tumor é identificado em estágios muito iniciais, esse tipo de procedimento pode não ser necessário para que o paciente seja curado. 

 

Embora a cirurgia de remoção da bexiga esteja cada vez mais moderna, especialmente com a cirurgia robótica, a preservação do órgão por meio de um diagnóstico precoce é uma excelente notícia para os pacientes! Além disso, poder realizar o acompanhamento de pacientes oncológicos com um teste não invasivo também poderá poupá-los de muito desconforto. 

 

 

 

Câncer de próstata vai cair para o 14º tipo de tumor mais prevalente em 2040

Câncer de próstata vai cair para o 14º tipo de tumor mais prevalente em 2040

Atualmente, o câncer de próstata ainda é o segundo tipo de tumor que mais afeta os homens e o quarto mais comum na população como um todo. Entretanto, um recente estudo publicado no Jama Network parece prever um cenário diferente para os Estados Unidos, em que esse tumor passará a ser o 14º mais comum, em 2040. 

A partir de estimativas de crescimento populacional e a incidência de câncer e de mortes em decorrência da doença na população atual dos EUA, os pesquisadores foram capazes de estabelecer estimativas a respeito de diversos tipos de câncer. 

Por exemplo, o estudo apontou que os tipos de tumor mais prevalentes entre a população norte-americana, em 2040, serão os de mama, melanoma, pulmão e intestino. Em 2020, os tumores mais comuns foram os de mama, pulmão, próstata e intestino. 

Isso significa que a incidência do câncer de próstata terá uma queda muito expressiva nos próximos vinte anos, passando da terceira para a décima quarta posição. 

Essa projeção foi baseada no registro de uma diminuição expressiva no diagnóstico de câncer de próstata de 1999 a 2015, o que pode estar relacionado a recomendações da Força Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos. 

Em 2008, a instituição desencorajou o rastreamento da doença em homens acima de 75 anos, e, em 2012, recomendou que nenhum homem passasse por exames de rastreamento. Felizmente, em 2018, orientou que homens de 55 a 69 anos façam uma decisão pessoal e informada a respeito do rastreamento do câncer de próstata. 

Urologista em BH – Outros tumores urológicos serão prevalentes entre os homens, em 2040

Apesar da boa notícia da diminuição na prevalência do câncer de próstata entre os homens nos próximos vinte anos, outros tumores urológicos se tornarão mais comuns entre eles. O destaque fica para o câncer de rim, que ocupava a sexta posição e agora está entre os cinco tumores mais prevalentes entre os homens:

Melanoma, câncer de pulmão, bexiga, rim e intestino serão os principais tipos de neoplasia que afetarão os homens norte-americanos. Em 2020, os tumores mais comuns entre os indivíduos do sexo masculino foram os de próstata, pulmão, intestino e bexiga

Tumor de próstata continua entre as principais causas de morte relacionadas ao câncer

Entretanto, em 2040, o câncer de próstata vai continuar sendo a segunda principal causa de morte por câncer entre os homens. A doença fica atrás do câncer de pulmão e à frente do câncer de fígado e pâncreas.

Esse pode ser um reflexo das mudanças de posicionamento da Força Tarefa de Serviços Preventivos, considerando que as chances de cura para o câncer de próstata são muito menores quando a doença é diagnosticada em estágio avançado. 

Além disso, vale considerar que as projeções estão sujeitas a mudanças e não são determinantes do que de fato irá acontecer nos próximos vinte anos. De todo modo, o estudo nos oferece algumas orientações importantes a respeito do perfil dos pacientes urológicos até 2040, e nos lembra que a saúde do homem vai muito além da próstata. 

 

Câncer de próstata em homens negros: o que muda?

Câncer de próstata em homens negros: o que muda?

Diversos estudos apontam que homens negros têm mais riscos de desenvolver câncer de próstata. Além disso, os tumores parecem ser mais agressivos nestes pacientes. 

Um estudo realizado em 2020 e publicado no Jama Network comparou a eficácia da vigilância ativa em pacientes de diferentes raças. O número de afro-americanos que tiveram progressão da doença foi 11% maior do que o de homens brancos que também lidaram com esse problema num período de 7,6 anos. 

Entretanto, neste estudo, a mortalidade em decorrência do câncer de próstata foi menor entre os homens negros do que os de outras raças. Os motivos ainda não são certos e podem estar relacionados a um acompanhamento mais minucioso desses pacientes, por fazerem parte de uma investigação clínica. 

Afinal, outros estudos apontaram justamente o contrário: homens negros têm duas vezes mais chances de morrer de câncer de próstata do que aqueles de outras raças. 

De todo modo, essas diferenças parecem sustentar a teoria de que devemos acompanhar mais de perto a incidência e progressão do câncer de próstata em homens negros. Inclusive, pouquíssimos estudos envolvendo a vigilância ativa incluíram pacientes negros. 

Urologista em BH – Entendendo o risco aumentado para homens negros

Já é consenso entre a comunidade médica que a genética é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de próstata. Isso significa que um homem com parentes de primeiro grau com a doença possuem mais chances de desenvolvê-la do que aqueles que não têm.

Além disso, um estudo realizado ainda neste ano demonstrou que homens com ancestralidade africana têm uma pontuação de risco genético para câncer mais de duas vezes maior do que aqueles de ancestralidade europeia.

Entretanto, para além da ancestralidade e fatores genéticos, outras questões também parecem favorecer o desenvolvimento do câncer de próstata em homens negros.

A primeira delas é a obesidade. Um estudo de 2019 avaliou como as associações entre obesidade, ambientes obesogênicos e o racismo estrutural podem variar de acordo com a composição racial de diferentes países. Uma das conclusões da pesquisa foi que o racismo, trauma racial e fatores socioeconômicos aumentam os riscos de ter obesidade.

O status socioeconômico também tem um papel significativo nos cuidados com a saúde, pois está associado a maiores chances de desenvolver câncer por falta de acesso a tratamentos médicos pagos. Essa é uma realidade especialmente nos Estados Unidos, onde não a população não tem atendimento médico gratuito. 

Por fim, o preconceito racial também possui um papel importante nos altos índices de câncer de próstata em homens negros. Um estudo publicado no periódico Urology encontrou uma  disparidade racial significativa: eles possuem menos chances de passar pelos exames de rastreamento da doença e até mesmo de receberem indicação médica para tal. 

Todos esses fatores demonstram que ainda temos um longo caminho a percorrer quando o assunto é saúde e igualdade racial. 

Acredito que uma das principais medidas que podemos tomar para mudar esse cenário é fazer com que informações seguras a respeito do câncer de próstata circulem entre homens de diversas comunidades, tornando-os cientes de seus direitos enquanto pacientes e do seu risco real de desenvolver a doença. Assim, poderão se tornar protagonistas de sua própria saúde, independentemente da raça ou da cor.

Síndromes genéticas e o câncer urológico

Síndromes genéticas e o câncer urológico

A maioria dos tumores não têm causas hereditárias. Entretanto, as pessoas que são portadoras de mutações genéticas causadoras de cânceres urológicos precisam estar cientes de seus riscos para conhecerem as medidas de prevenção e rastreamento da doença. 

Em sua maioria,  as mutações genéticas são autossômicas dominantes, o que significa que um portador tem 50% de chance de transmitir o gene causador de câncer para cada filho. 

Felizmente, hoje já contamos com o rastreamento genético, tecnologia capaz de diagnosticar síndromes causadoras de câncer. Isso possibilitou a implantação de diretrizes globais para o manejo desses pacientes e também a identificação de portadores assintomáticos nas famílias. 

Quando o assunto é câncer urológico, muitas das manifestações de síndromes genéticas podem estar envolvidas, aumentando significativamente as chances de o paciente ter tumores no rim, bexiga, próstata ou testículos. 

Síndromes genéticas causadoras de câncer de rim

O carcinoma hereditário de células renais representa cerca de 5% a 8% de todos os tumores de rim. Alguns sinais de que o paciente pode ser portador de alguma síndrome hereditária causadora da doença são histórico familiar de câncer renal, tumores bilaterais ou multifocais e idade jovem (menos de 46 anos). 

Até o momento, estão registradas pelo menos sete síndromes genéticas causadoras de câncer de rim: Von Hippel-Lindau, Birt-Hogg-Dube, carcinoma papilar de células renais hereditário, leiomiomatose hereditária, câncer renal de succinato desidrogenase, esclerose tuberosa e síndrome de Cowden. Elas estão associadas, respectivamente, à mutações nos seguintes genes: VHL, FLCN, MET, FH, SDHB/C/D, TSC1/2 ou PTEN.

Síndromes genéticas causadoras de câncer de bexiga

O câncer de bexiga está associado, principalmente, à Síndrome de Lynch, previamente conhecida como câncer colorretal hereditário não polipóide. Trata-se de de uma mutação genética autossômica dominante que pode se manifestar a partir de mutações nos genes MSH2 ou MLH1. 

Além de neoplasias da bexiga, a Síndrome de Lynch também pode causar tumores na uretra e na pelve renal, aumentando os riscos de desenvolver a doença em até 22%, na comparação com a população geral. 

Síndromes genéticas causadoras de tumores na próstata

Aproximadamente 42% dos casos de câncer de próstata podem ser atribuídos a fatores familiares ou hereditários, sendo que o histórico familiar da doença é um dos principais fatores de risco. 

Ao contrário de outros tipos de tumores, tudo indica que a suscetibilidade do câncer de próstata seja consideravelmente mais complexa, com o envolvimento de diversos genes. Até o momento, os genes de alta permanência associados ao desenvolvimento desse tipo de neoplasia são o BRCA 1 e BRCA2, especialmente este último, que pode aumentar o risco de ter a doença em até 40%. 

Além de serem caracterizados pelo diagnóstico precoce da doença, os tumores causados por mutações nesses genes também costumam ser mais agressivos e atingir estágios mais avançados em comparação com a população em geral. 

Síndromes genéticas causadoras de câncer de testículo

Aproximadamente 2% dos pacientes com tumores de células germinativas testiculares têm um parente de primeiro grau afetado pela doença. Estima-se que o risco aumente em até 10 vezes para irmãos e até 6 vezes para filhos de pacientes com esse tipo de tumor. 

Por se tratar de um câncer raro, ainda é difícil determinar quais são exatamente as mutações genéticas capazes de aumentar os riscos de desenvolver a doença. 

Até o momento, as evidências sugerem que alelos específicos em genes envolvidos na diferenciação de células germinativas seriam os responsáveis pelo risco familiar de homens com tumores no testículo. 

Se você desconfia que pode ser portador de alguma dessas síndromes, procure o urologista e considere fazer aconselhamento genético. Confirmar o diagnóstico por meio do rastreamento genético possibilita que você realize exames importantes periodicamente, para assim tratar o tumor em estágios iniciais e até mesmo preveni-los. 

Conheça os tipos de câncer de rim e as diferenças entre eles

Conheça os tipos de câncer de rim e as diferenças entre eles

Nem todo câncer de rim é igual e isso é muito importante para pensarmos no prognóstico e tratamento do paciente. Esse é um órgão bastante complexo, formado por estruturas de células diversas que podem todas passar por processos carcinogênicos e se multiplicarem até formarem tumores. 

Podemos dizer que o câncer de rim se divide em duas grandes categorias chamadas carcinoma de células renais ou tumores corticais renais, e tumores uroteliais ou carcinoma de células transicionais. Existem muitos outros subtipos de carcinoma de células renais e ainda mais tipos de câncer de rim considerados raros, então vou explicar um pouco sobre cada um. 

Carcinoma de células renais

Até 90% dos casos de câncer de rim correspondem a carcinomas de células reais. Esse tipo de tumor se desenvolve na parte principal do rim, que contém as estruturas que chamamos de túbulos renais. 

Cada rim humano contém milhões de néfrons, unidade funcional do rim responsável pela formação da urina. Cada néfron está associado a um túbulo renal, que se unem para formar dutos condutores da urina. Todo tumor desenvolvido nessa região é chamado de carcinoma de célula renal ou cortical renal, mas nem todos eles são malignos. 

Carcinoma de células renais claras: Esse tipo de câncer de rim corresponde a 7 em cada 10 casos registrados aqui no Brasil. Ele possui esse nome porque quando analisamos suas células cancerosas sob o microscópio, elas têm uma aparência clara ou pálida. 

Tumores papilares: Correspondem a 10 a 15% dos tumores renais, e formam pequenas projeções semelhantes a um dedo no tumor, por isso se chamam papilares. Existem, também, mais dois subtipos de tumores papilares, sendo que o timo 1 é mais comum e cresce  lentamente, enquanto o tipo 2 é muito mais agressivo e imprevisível. 

Além disso, os tumores papilares estão associados a algumas síndromes genéticas hereditárias, e se o médico suspeitar que esse pode ser o seu caso, ele poderá sugerir um teste genético. Ter certeza de que o paciente é portador desse tipo de síndrome pode oferecer informações muito úteis para traçarmos um plano de tratamento eficaz.

Carcinoma cromófobo de células renais: Correspondem a 5% a 10% dos tumores de células renais. Assim como o tumor de células renais claras, ele também tem aparência clara sob o microscópio, mas podem atingir tamanhos significativos. Apesar disso, são considerados tumores menos agressivos. 

Tumores de ducto coletor: Considerado extremamente raro, esse tipo de tumor é muito agressivo e costuma não responder ao tratamento convencional. 

Tumores não classificados: Esses tipos de câncer de rim não se parece com nenhum outro tipo de tumor sob o microscópio, e geralmente são muito agressivos. Correspondem a 3% a 5% dos tumores renais.

Carcinoma de células transicionais 

Os tumores uroteliais começam no revestimento da pelve renal, onde os túbulos renais deixam a urina. Como esse revestimento é formado por células de transição que se parecem com aquelas que revestem os ureteres e a bexiga, esse tipo de tumor pode se parecer com um com um tumor de bexiga sob o microscópio. 

Outra semelhança com o câncer de bexiga é que esse tipo de tumor está frequentemente associado ao tabagismo ou à exposição a determinados químicos industriais. 

Tipos muito raros de câncer de rim

Existem dois tipos de câncer de rim que são excepcionalmente raros: o tumor de Wilms, que costuma acometer crianças e é raríssimo em adultos e o sarcoma renal.

A maioria dos tumores de Wilms é unilateral e costumam crescer e alcançar grandes volumes antes de serem diagnosticados. Não é incomum que a doença seja descoberta quando o tumor já está maior do que o próprio rim, o que não é, necessariamente, um indicativo de metástase. 

Já o sarcoma renal é um tipo raro e muito agressivo de câncer de rim que se desenvolve nos vasos sanguíneos ou no tecido conjuntivo renal. Geralmente, o prognóstico do paciente não é positivo. 

Espero que o post de hoje tenha te ajudado a entender melhor o câncer de rim, que é uma doença considerada silenciosa e perigosa! Se tiver alguma dúvida, pode deixar aqui nos comentários.

Cistectomia radical com neobexiga: vantagens e riscos do procedimento

Cistectomia radical com neobexiga: vantagens e riscos

O tratamento padrão do câncer de bexiga é a remoção completa do órgão por meio de um procedimento chamado cistectomia radical. Uma das possibilidades dessa técnica é a criação de uma nova estrutura para armazenar a urina, chamada de neobexiga. 

Mesmo sem utilizar esse recurso, a cistectomia radical é um procedimento complexo: a região da pelve é estreita e repleta de estruturas delicadas do sistema reprodutor, digestivo e excretor, além de muitos nervos responsáveis por controlar todas essas funções. 

A criação da neobexiga é, portanto, um grande desafio técnico e por isso só deve ser realizada por cirurgiões experientes. Nesse sentido, a cirurgia robótica traz vantagens para o procedimento, já que oferece ainda mais precisão e controle para os movimentos do cirurgião, além de possibilitar uma visualização aumentada e em 3D que seja impossível a olho nu. 

Como a neobexiga é feita

Podemos dizer que a confecção da neobexiga é um processo artesanal, já que ela é feita a partir de aproximadamente 50 cm da parte final do intestino delgado do paciente. Vamos manipular esse tecido removido para transformá-lo num reservatório esférico, com a capacidade de se encher e esvaziar de acordo com os estímulos nervosos, e conectá-los aos ductos urinários e à uretra.

Sem a confecção de uma neobexiga, a urina será eliminada por meio de um tipo de estoma, feito a partir da exteriorização de ductos também criados a partir do íleo pelo abdômen, e coletada numa bolsa que deve ser utilizada o tempo todo. Esse procedimento é chamado de conduto ileal, naturalmente, o paciente não tem continência da urina. 

Vantagens e desvantagens desse procedimento

Sem dúvida, a principal vantagem da neobexiga é não precisar fazer o estoma ou lidar com possíveis complicações da urostomia. Infelizmente, em muitos casos a utilização de uma bolsa coletora traz mesmo um impacto na qualidade de vida e autoimagem do paciente, que sente vergonha do estoma e tem medo do estigma social. 

Além disso, em relação aos pacientes que fizeram o conduto ileal, aqueles que possuem a neobexiga têm melhor função sexual pós-operatória. A continência urinária tende a ser normal ou quase normal, o que é um dos principais objetivos da neobexiga. 

Por outro lado, a neobexiga oferece algumas desvantagens, como o risco de incontinência urinária noturna, bem como necessidade de intenso treinamento pós-operatório, para que a neobexiga se expanda e a continência seja atingida. 

Outra desvantagem é o potencial para complicações causadas pela reabsorção de componentes que não foram eliminados na urina. 

E, por fim, a técnica cirúrgica de construção da neobexiga é muito mais complexa, principalmente em comparação ao conduto ileal, então as habilidades e experiência do cirurgião devem ser sempre levadas em consideração ao escolher a neobexiga. 

Espero que esse post tenha te ajudado a compreender melhor esse tipo de procedimento! E se você quiser se informar melhor a respeito do câncer de bexiga e as possibilidades de tratamento, tenho muito material sobre o assunto aqui no blog. Clique aqui para conferir! 

Biomarcadores na urina ajudam a detectar o câncer de próstata

Biomarcadores na urina ajudam a detectar o câncer de próstata

Atualmente, o diagnóstico do câncer de próstata é feito, de maneira geral, com a associação entre o exame de PSA (antígeno específico prostático) e o toque retal realizado pelo urologista. 

Enquanto o primeiro avalia a quantidade de uma proteína produzida pela glândula no sangue, o segundo é utilizado para verificar o tamanho da próstata e a presença de nódulos. Se for necessário, realizamos, também, uma biópsia.

Entretanto, cada vez mais pesquisas têm revelado moléculas capazes de fornecer indícios precoces não só do câncer de próstata, como também suas formas mais agressivas. Tudo indica que esse tipo de teste poderá ser utilizado cotidianamente como complemento ao exame de PSA e o toque retal.

O primeiro biomarcador do câncer de próstata foi o PSA

Na década de 1980, o diagnóstico e a morbimortalidade do câncer de próstata sofreram uma mudança radical quando a dosagem de PSA foi introduzida na prática clínica urológica. Até então, o único biomarcador disponível era a fosfatase ácida prostática (PAP), que se elevava somente quando a doença já estava em estágios avançados

O PSA foi o primeiro biomarcador, ou seja, uma molécula detectada no sangue, que foi capaz de identificar que algo estava errado com a saúde da próstata, ajudando no diagnóstico precoce da doença. 

Entretanto, essa molécula não aponta somente a existência de câncer. Já os níveis de PSA no sangue também podem ser alterados pela hiperplasia prostática benigna, prostatites ou mesmo lesões na glândula. Ou seja, sozinho, o PSA não diagnostica o câncer de próstata.

Outro aspecto limitador desse biomarcador é que ele não é capaz de dizer se o tumor é agressivo ou de crescimento lento, dificultando na hora de escolher o melhor plano de tratamento para o paciente. 

Nos anos 1980 e 1990, isso fez com que muitos homens passassem por muitos procedimentos invasivos desnecessariamente ou mesmo tivessem diagnósticos superestimados, iniciando tratamentos quando a vigilância ativa seria, idealmente, uma escolha mais acertada.

Marcadores de câncer de próstata na urina apontam para diagnóstico de câncer

Até o momento, dois biomarcadores parecem oferecer melhoras no diagnóstico precoce do câncer de próstata. O primeiro é a calicreína humana 2 (HK2), que pode ser rastreada por exames no sangue, e o segundo é o PCA3, antígeno ligado especificamente a esse tipo de tumor, rastreado na urina.

O PCA3 possui boa sensibilidade e especificidade, sendo capaz de oferecer importantes informações a respeito da formação do tumor e diferenciando-o de outras doenças da próstata. Sua eficácia se baseia no fato de que as células cancerígenas produzem até 100 vezes mais RNAm do gene PCA3 do que as células prostáticas saudáveis. 

Apesar de ter sido identificado em 1995, a adoção desse marcador ainda é relativamente baixa, devido à sua coleta um pouco desconfortável: envolve sedimentos do primeiro jato de urina após intensa massagem da próstata. 

Atualmente, costuma ser mais indicado para homens que já têm diagnóstico de câncer de próstata e estão sob vigilância ativa, como forma de monitoramento do avanço da doença. 

Outras pesquisas continuam em andamento para ajudar a diagnosticar o câncer de próstata mais cedo e com mais precisão, então continuo de olho para proporcionar, sempre, o melhor tratamento possível para meus pacientes. 

Próstata aumentada: saiba quando a cirurgia é indicada

Próstata aumentada: saiba quando a cirurgia é indicada

O crescimento contínuo da próstata é chamado de hiperplasia prostática benigna e faz parte do processo natural do envelhecimento do homem. Isso ocorre porque, com o tempo, as células dessa pequena glândula se multiplicam, aumentando seu tamanho e causando alguns sintomas que podem prejudicar a qualidade de vida do homem.

Vale ressaltar que a hiperplasia prostática não é um sinal de câncer e nem aumenta as chances de o paciente desenvolver a doença, embora ambas as condições causem alterações no exame de PSA. Ou seja, nada de pular a ida ao urologista ou fugir do exame de toque retal!

Com o dedo, o médico consegue verificar não só o tamanho da próstata como também sua consistência, diferenciando a HPB de um tumor. Inclusive, alguns homens podem, inclusive, ter as duas condições ao mesmo tempo. 

De qualquer forma, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, estima-se que 50% dos homens apresentem algum grau de HPB após os 50 anos. Desses, 30% irá necessitar de algum tipo de tratamento ao longo da vida.

Tratando a hiperplasia prostática benigna

Quando o paciente está assintomático ou só apresenta sintomas leves, geralmente só monitoramos o aumento da próstata e não fazemos nenhum tipo de intervenção. Contudo, com o tempo, o problema pode acabar causando desconfortos como dificuldade de urinar, jato urinário fraco, gotejamento, micção em dois tempos, sensação de bexiga cheia mesmo depois de fazer xixi, idas frequentes ao banheiro durante a noite e vontade incontrolável de urinar.

Ou seja, embora não sejam sintomas graves, passar por essas situações durante o cotidiano pode acabar impactando a qualidade de vida do paciente, que precisa sempre se preocupar se tem um banheiro por perto, demorar para ir ao banheiro e perder a qualidade do sono. 

Nessas situações, o primeiro tratamento costuma ser feito utilizando medicamentos como  como bloqueadores alfa 1, finasterida e dutasterida, que levam de três a seis meses para acabar totalmente com os sintomas. 

Enquanto alguns deles atuam no relaxamentos das musculaturas da região, facilitando a saída da urina, outros impedem o crescimento da próstata. Cada caso é único, por isso somente o médico poderá dizer qual o melhor tipo de medicamento para o paciente. 

Quando a cirurgia é indicada para tratar a hiperplasia prostática benigna

Já em casos mais avançados, a hiperplasia prostática benigna pode chegar a causar sangue na urina, infecção urinária de repetição, cálculos recorrentes na bexiga, retenção urinária e até insuficiência renal. Geralmente, a cirurgia é indicada nesses casos, já que busca prevenir não só dores e desconforto, mas também outros danos mais sérios à saúde do homem.

Diversas técnicas cirúrgicas podem ser utilizadas no tratamento hiperplasia prostática benigna. Entre as minimamente invasivas por exemplo, estão a videolaparoscopia, a cirurgia robótica e a cistoscópica, em que a glândula é acessada por meio da uretra do paciente.

Uma das técnicas mais interessantes, nesse sentido, é a prostatectomia simples, em que apenas uma parte da próstata é removida, preservando seu núcleo central. 

Pesquisadores descobrem marcadores genéticos causadores de metástase do câncer de próstata

Pesquisadores descobrem marcadores genéticos causadores de metástase do câncer de próstata

Pesquisadores da Rutgers University, nos Estados Unidos, descobriram marcadores genéticos em humanos que, juntos, causam câncer de próstata metastático. De acordo com o estudo publicado em outubro na Revista Nature Cancer, 16 genes colaboram para fazer com que esse tipo de tumor se espalhe para outras partes do corpo, inclusive os ossos. 

Essa descoberta possibilita que os médicos prevejam quais pacientes correm mais risco de desenvolver câncer de próstata em estágio avançado ou mais agressivamente, tornando o tratamento ainda mais individualizado. 

Segundo os pesquisadores, fazer um rastreamento genético para identificar esses 16 marcadores pode ajudar a antecipar quais pacientes não respondem à terapia de privação de andrógenos, geralmente utilizadas no câncer de próstata metastático. 

Esse pode ser um grande avanço na triagem de pacientes, já que, até o momento, ainda é um desafio determinar quais cânceres são mais ou menos agressivos.

Como o estudo americano foi realizado 

Os biomarcadores que parecem causar o câncer de próstata avançado foram inicialmente descobertos por meio de análises de metástases ósseas em camundongos, revelando perfis moleculares distintos ligados a padrões de ramificação do tumor primário.

Ao integrar os dados de camundongos e humanos com estudos funcionais em organismos vivos, a equipe tentou identificar essa assinatura genética em humanos que possa oferecer um prognóstico do tempo até a metástase e fornecer uma noção da resposta ao tratamento com receptores de andrógenos.

Por fim, eles foram capazes de confirmar uma assinatura de co-ativação entre os marcadores genéticos associados à metástase do câncer de próstata, chamada de META-16. Atualmente, e equipe está refinando o teste, na esperança de uma futura avaliação em ensaio clínico. 

Na teoria a META-16 também poderia ser utilizada para desenvolver terapias contra a doença. Afinal, esses genes estão, de fato, causando a metástase, o que se significa que se for possível suprimir a atividades desses genes, também será factível evitar que o câncer se espalhe ou pelo menos melhorar o prognóstico do paciente. 

Tudo sobre hormônios masculinos e saúde do homem

Tudo sobre hormônios masculinos e saúde do homem

O equilíbrio hormonal é fundamental para a saúde, afinal, os hormônios se relacionam a coordenam as diversas atividades do organismo. 

Por isso, na falta o excesso dessas substâncias, o indivíduo vai notar o surgimento de alguns sintomas que, a longo prazo, podem evoluir para problemas mais graves. 

Quais são os hormônios masculinos e seu papel no organismo

Os principais hormônios masculinos são produzidos nos testículos e são responsáveis por determinar as características sexuais secundárias, além de promoverem o impulso sexual e induzirem a formação de espermatozóides 

Na puberdade, uma glândula chamada hipófise produz dois hormônios chamados de gonadotrofinas, o folículo-estimulante (FSH) e o luteinizante (LH). Eles têm esse nome porque agem diretamente nas gônadas (testículos), estimulando a produção de testosterona. 

Depois que esse hormônio passa a circular pelo corpo do menino, começam as mudanças típicas do período: a voz engrossa, os pêlos aumentam, o pênis se desenvolve e o impulso sexual aumenta. Juntos, a testosterona e as gonadotrofinas provocam a espermatogênese. 

Além de atuar no desejo sexual e nas ereções, a testosterona, no adulto, também afeta muitas atividades metabólicas, como a produção de células do sangue, a medula óssea, o formação do osso, o metabolismo de lipídios e carboidratos, a função hepática e o crescimento natural da próstata.

O que é e como lidar com a testosterona baixa

Uma parcela significativa dos homens acima dos 40 anos vai apresentar uma queda na produção de testosterona. Trata-se da DAEM (Doença Androgênica do Envelhecimento Masculino), conhecida popularmente como andropausa. 

Como falei acima, esse hormônio exerce diversas funções no organismo do homem, de maneira que esse desequilíbrio pode gerar uma série de sintomas, como problemas de cognição, raciocínio,memória,  diminuição da força muscular e da libido, bem como perda da disposição geral. 

Em casos mais graves, as alterações dos níveis desse hormônio no corpo podem levar até mesmo à infertilidade, já que a testosterona é fundamental na produção de espermatozóides. 

A DAEM precisa ser sempre diagnosticada e tratada por um urologista ou endocrinologista, já que a reposição de testosterona pode ter efeitos colaterais e contraindicações. Alguns pacientes desconfiam que estão com níveis baixos de testosterona e realizam aplicações desse hormônio por conta própria, o que pode causar problemas muito sérios à saúde masculina. 

A questão hormonal e o câncer de próstata 

Uma das situações em a reposição de testosterona não é indicada é quando o paciente tem alguns tipos de câncer, principalmente o de próstata localmente avançado.

Níveis mais altos de testosterona podem fazer com que esse tipo de tumor aumente de tamanho. Não é à toa que muitos casos de câncer de próstata também são tratados com terapias de privação de andrógeno, fazendo com que o tumor pare de crescer e até mesmo diminua. Como efeito colateral, o homem pode experienciar diminuição da libido, disfunção erétil, ganho de peso e até mesmo diminuição do tamanho dos testículos e do pênis. 

Entretanto, em alguns pacientes que já conseguiram se curar da doença, é sim possível repor a testosterona (sempre com acompanhamento médico) e assim recuperar a potência sexual, por exemplo. 

Espero que esse texto tenha te ajudado a entender melhor a respeito do papel da testosterona na saúde masculina. Se você quer continuar se informando sobre saúde do homem, me acompanhe no Instagram, onde sempre faço reflexões a respeito desse assunto. 

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