Entenda o que é o câncer de próstata resistente à castração

Entenda o que é o câncer de próstata resistente à castração

Nem todo câncer de próstata é igual. Além de diferenças devido ao estágio da doença, a resposta ao tratamento também define o tipo de tumor.

Um dos tratamentos mais comuns é a terapia hormonal, que tem como objetivo reduzir o nível de hormônios masculinos no corpo. 

Os andrógenos estimulam as células do tumor a crescerem e, portanto, diminuir o nível desses hormônios pode fazer com que os tumores diminuam de tamanho ou cresçam mais lentamente por um tempo. Entretanto, é importante ressaltar que a hormonioterapia não cura o câncer de próstata. 

Quando o câncer não responde a esse tipo de tratamento, é chamado de resistente à castração. 

Para quem a terapia hormonal é indicada

A terapia hormonal pode ser de diversos tipos e pode ser utilizada em diversas situações, como as seguintes:

  • O câncer de próstata já entrou em metástase. Portanto, o paciente não pode remover a glândula e nem passar por radioterapia.
  • O câncer entrou em recidiva após cirurgia ou radioterapia.
  • Em conjunto com a radioterapia como tratamento inicial, se o paciente tem alto risco de recidiva após o tratamento.
  • Antes da radioterapia, para tentar reduzir o tamanho do tumor e aumentar a eficácia do tratamento.

Porque alguns tumores se tornam resistentes à castração

É muito comum que tumores da próstata que inicialmente responderam muito bem à terapia hormonal voltem a aumentar de tamanho, mesmo com níveis muito baixos de andrógenos.

Isso pode acontecer por diversos motivos, como os seguintes:

  • As células tumorais estão produzindo mais moléculas receptoras de andrógenos
  • Houve uma mudança no gene do receptor de andrógenos, tornando-o mais ativo
  • Houve uma mudança na própria atividade das proteínas que controlam a função do receptor de andrógenos
  • O tumor aumentou de tamanho por outros mecanismos não relacionado ao receptor de andrógenos

No início de seu desenvolvimento, os tumores da próstata precisam de níveis relativamente altos de andrógenos para aumentar de tamanho. Entretanto, quanto mais a doença progride, maiores as chances de o câncer se tornar resistente à terapia hormonal. 

Caminhos do tratamento depois do diagnóstico

Geralmente, sabemos que o paciente tem um tumor resistente à castração quando os exames de sangue mostram níveis progressivamente altos de PSA e baixos níveis de testosterona. Quando isso acontece, a estratégia de tratamento deve mudar. 

O câncer de próstata resistente à castração representa, ainda, um desafio para a urologia. Entretanto, diversos tratamentos ainda estão disponíveis, de acordo com as condições e características clínicas de cada paciente. 

O mais recente avanço nesse sentido é a aprovação da darolutamida (Nubeqa®), um antiandrogênico oral que foi aprovado e registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no começo de 2020 e que já está em circulação no Brasil. 

Ele é utilizado no tratamento do câncer de próstata resistente à castração não metastático. Outros medicamentos bloqueadores androgênicos completos como apalutamida e enzalutamida também têm resultado positivo no tratamento desse tipo de tumor, mas com efeitos colaterais difíceis de manejar. 

Outras opções de tratamento incluem a inibição da síntese androgênica, imunoterapia, quimioterapia e radioterapia.

5 fatos sobre o câncer de rim que todos precisam saber

5 fatos sobre o câncer de rim que todos precisam saber

O câncer de rim é o terceiro tumor mais frequente do aparelho geniturinário e representa cerca de 3% dos cânceres diagnosticados em adultos. Infelizmente, ainda é comum que esse tipo de doença só seja descoberto depois de entrar em metástase.

Isso se deve, em parte, à falta de conhecimento da população a respeito da incidência e prevenção desse tipo de tumor. Por esse motivo, reuni 5 fatos importantíssimos a respeito do câncer de rim para que você fique bem informado e possa tomar atitudes concretas para evitar esse e outros problemas de saúde. 

Tabagismo, obesidade e hipertensão são os principais fatores de risco

Fator de risco é tudo aquilo que aumenta a possibilidade de a pessoa desenvolver uma doença. O Tabagismo, a obesidade e a hipertensão estão ligados à diversos tipos de de tumor, mas no caso do câncer de rim, a questão tem a ver, principalmente, com a função primária do órgão, que é filtrar o sangue. 

Um estudo publicado em 2014 na revista científica The Lancet apontou que o aumento de 5kg/m² no Índice de Massa Corporal está relacionado a um risco 25% maior de desenvolver a doença. O ganho de peso faz com que o órgão precise filtrar mais sangue do que o normal para atender à demanda do organismo.

Quando o assunto é tabagismo, as substâncias cancerígenas presentes no cigarro entram na corrente sanguínea através dos pulmões e vão ser filtradas pelos rins, onde podem incentivar o desenvolvimento de um tumor.

Já a relação entre o câncer de rim e a hipertensão não está totalmente clara ainda. Alguns estudo sugerem que certos medicamentos utilizados no tratamento da doença podem aumentar o risco de tumores.

Atividade física é uma grande aliada na prevenção do câncer de rim

De acordo com uma pesquisa publicada no British Journal of Cancer, que analisou a associação entre atividade física e câncer renal, a prática de exercício físico pode chegar a diminuir o risco de desenvolver a neoplasia em até 22%. 

Ainda faltam pesquisas para determinar quais tipos, intensidade e frequência de exercícios físicos podem ser mais efetivos. Entretanto, não faltam evidências científicas de que levar uma vida ativa faz toda a diferença na prevenção do câncer. 

O câncer de rim não costuma apresentar sintomas na fase inicial

Atualmente, quase metade dos tumores renais é diagnosticada acidentalmente, durante um exame de check-up, por exemplo. Geralmente, as massas nos rins são identificadas em exames de imagem como ultrassom ou tomografia computadorizada realizados por outro motivo.

Isso ocorre porque raramente o câncer de rim apresenta sintomas em fases iniciais. Alguns deles são sangue na urina, dor lombar, varicocele e massa abdominal palpável. 

Homens têm três vezes mais chances de ter câncer de rim do que mulheres

As estatísticas sempre demonstraram que a porcentagem de homens que desenvolvem câncer de rim é três vezes maior do que a de mulheres. 

O motivo, segundo um estudo publicado na revista científica Nature Communications, parece ser os andrógenos, conjunto de hormônios masculinos como a testosterona. 

Os pesquisadores também identificaram que os homens são mais suscetíveis a metástases pulmonares do câncer renal do que as mulheres. Em contrapartida, houve pouca diferença entre os gêneros em relação à metástases nos gânglios linfáticos. 

Isso parece acontecer porque as células cancerígenas no sistema linfático têm poucos receptores de andrógenos. 

O principal tratamento é a remoção de parte ou todo o rim

Quando uma massa é identificada no rim do paciente, é difícil dizer se é maligna ou benigna. Por esse motivo, o padrão de tratamento é a remoção do tumor para biópsia, juntamente de parte ou a totalidade do órgão. 

Dependendo do tamanho do tumor, localização e estado de saúde do paciente, pode ser possível remover somente parte do rim. Esse procedimento é chamado de nefrectomia parcial. 

Entretanto, em muitos casos é mais indicado remover todo o órgão, numa cirurgia chamada nefrectomia radical. 

Ambos os procedimentos podem ser realizados de maneira minimamente invasiva, com a videolaparoscopia ou cirurgia robótica. 

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novas diretrizes para o tratamento do câncer de próstata

Saiba quais são as novas diretrizes para o tratamento do câncer de próstata avançado

A tomada de decisão a respeito dos melhores caminhos para o tratamento do câncer de próstata avançado é um tema constantemente debatido na urologia. 

Em junho de 2020, as entidades norte-americanas American Urological Association, American Society for Radiation Oncology, and Society of Urologic Oncology atualizaram as diretrizes de diagnóstico e tratamento desse tipo de tumor. 

Nos últimos anos, o panorama do câncer de próstata evoluiu muito devido às mudanças nos padrões de rastreamento pelo exame de PSA, bem como a aprovação de novos tipos de tratamento. Por esse motivo, foi necessário atualizar as recomendações no que diz respeito a doença. 

As novas diretrizes foram apresentadas durante a American Urological Association Virtual Experience 2020 e reúnem três declarações a respeito da avaliação e aconselhamento precoce:

  • Em pacientes com suspeita de câncer de próstata avançado e sem confirmação histológica anterior, os médicos devem obter diagnóstico tecidual a partir do tumor primário ou do local das metástases, quando for possível. 
  • Para pacientes com diagnóstico positivo de câncer de próstata avançado, o tratamento deve ser baseado em expectativa de vida, comorbidades, preferências de tratamento do paciente e características do tumor. 
  • O controle da dor e uso de paliativos deve ser oferecido sempre que possível.

Recorrência bioquímica sem doença metastática após esgotamento das opções de tratamento local

Os pacientes com recorrência de alterações no exame de PSA após o esgotamento de terapia local devem ser informados a respeito do risco do tumor entrar em metástase. Dependendo do caso, avaliações periódicas com exames de imagem e varredura óssea serão necessárias. 

Nesse sentido, se destaca o uso de tomografia computadorizada por emissão de prótons, um dos exames de imagem mais modernos em oncologia. 

Para esses pacientes, o tratamento mais indicado é a observação ou inscrição em ensaios clínicos, já que o bloqueio hormonal não deve ser iniciado rotineiramente, segundo especialistas. 

Câncer de próstata sensível ao hormônio metastático

Os médicos devem avaliar a extensão da metástase, utilizando imagens convencionais, e observando sintomas do espalhamento da doença no momento da apresentação. Isso irá orientar as discussões sobre o prognóstico e manejo da doença.

Além disso, eles devem obter os valores de PSA do paciente em intervalos de três a seis meses após o início do tratamento de bloqueio hormonal, bem como considerar exames de imagem periódicos. 

Independemente da idade e histórico familiar, o aconselhamento genético e testes de linha germinativa são indicados, segundo especialistas.

Nesses casos, a terapia de privação androgênica (ADT) deve ser oferecida de maneira contínua, em combinação com outras terapias, como a quimio, por exemplo. Para pacientes com baixo volume de metástase, a radioterapia primária pode ser uma opção, em combinação com o bloqueio hormonal. 

Câncer de Próstata Não Metastático Resistente à Castração

Nesses pacientes, os médicos devem obter medições seriais de PSA em intervalos de três a seis meses, bem como calcular o tempo de duplicação do PSA  a partir do desenvolvimento da resistência à castração.

Exames de imagem devem ser utilizados em intervalos de 6 a 12 meses para acompanhar o desenvolvimento de metástase. 

Em adição ao bloqueio hormonal contínuo, os médicos devem oferecer medicações como a  apalutamida, darolutamida ou enzalutamida.

Fora do contexto de um ensaio clínico, quimioterapia ou imunoterapia sistêmica não são indicadas a esses pacientes. 

Câncer de próstata metastático resistente à castração

A tomada de decisão sobre o tratamento de pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração deve ser feita de acordo com resultados laboratoriais de base, bem como revisão do local da doença metastática e os sintomas relacionados. 

Anualmente, será importante avaliar a extensão da metástase com exames de imagem convencionais ou de acordo com a falta de resposta à terapia. O aconselhamento genético também pode ser útil para estabelecer risco familiar e possíveis tratamentos direcionados.

Em pacientes recém-diagnosticados, o médico pode indicar bloqueio hormonal contínuo, associado a outras medicações. Já em pacientes que passaram por outros tipos de tratamento, a recomendação poderá variar. Recomendo consultar o documento na íntegra para saber todos os detalhes das novas diretrizes. 

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Quase 30% dos homens terá prostatite ao longo da vida: entenda mais sobre a doença

Prostatite é a inflamação da próstata, glândula responsável pela produção do líquido que ajuda a compor o sêmen. Geralmente, a doença é causada por infecção bacteriana que, sem o tratamento adequado, pode se tornar um quadro crônico de inflamação e até levar à sepse. Entre os sintomas, estão dores pélvicas e urgência para urinar, devido ao inchaço da próstata. 

Como o homem desenvolve a prostatite

A prostatite bacteriana costuma ser causada por uma bactéria chamada Escherichia Coli, que também é responsável por muitas infecções urinárias. Entretanto, outros microorganismos como Proteus, Klebsiella, Enterobacter, Pseudomonas, Serratia e até mesmo a Enterococcus fecalis também podem estar relacionados à doença. 

Alguns fatores de risco que podem levar à contaminação são infecção urinária, uso de cateter vesical, infecção pelo HIV e inflamações da uretra causadas por doenças sexualmente transmissíveis como gonorreia ou clamídia. 

Mais uma vez, o uso de preservativo é fundamental na prevenção de diversas doenças, inclusive durante o sexo anal. Afinal, o ânus é uma região com alta concentração de bactérias que podem levar à prostatite e outras infecções. 

Os principais sintomas da inflamação da próstata são os seguintes: 

  • Febre
  • Calafrios
  • Disúria (dor ao urinar)
  • Dificuldade em urinar
  • Vontade frequente de urinar
  • Dor pélvica
  • Urina turva
  • Mal estar
  • Dores musculares e nas articulações

Com a inflamação, a próstata incha, o que comprime a uretra e dificulta a passagem da urina. Se o paciente já apresentar um quadro pregresso de hiperplasia benigna da próstata, este sintoma poderá aparecer ainda no começo da inflamação e de maneira mais intensa. 

Tratamento é feito com antibióticos

Depois do diagnóstico clínico, associado a um exame simples de urina ou urocultura, o médico irá receitar antibióticos por um período médio de quatro semanas. 

Dependendo do resultado da urocultura, que demora um pouco mais para ficar pronto, a medicação poderá ser alterada para um fármaco mais específico, voltado para a bactéria encontrada no exame. 

Geralmente, os sintomas melhoram com 48h do início do tratamento e alguns analgésicos ou antiinflamatórios também podem ser utilizados para minimizar o desconforto. 

Possíveis complicações da prostatite

A principal complicação da prostatite é um quadro crônico de inflamação, com sintomas leves que podem se assemelhar a uma cistite. Geralmente, ela é decorrência do tratamento inadequado da prostatite aguda. 

Uma das principais diferenças entre os dois quadros é a alta concentração bacteriana na próstata, de maneira que o toque retal pode ajudar no diagnóstico da prostatite crônica mas causar complicações quando o paciente está lidando com a infecção aguda. 

Outra complicação possível é o choque séptico, caracterizado por um intenso estado infeccioso no organismo. Ele corre quando a corrente sanguínea é invadida por agentes infecciosos, levando à uma intensa resposta inflamatória em todo o corpo. 

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Torção testicular é emergência médica e pode necessitar de cirurgia

A torção testicular é caracterizada pela rotação de um dos testículos, bloqueando o fluxo sanguíneo para o órgão e causando dor característica. É mais comum em adolescentes, mas também pode acontecer com crianças e adultos. Uma das consequências da torção pode ser a perda da fertilidade, então, buscar atendimento médico urgente é fundamental. 

Como acontece a torção testicular

A principal causa da torção é um problema genético que leva a má fixação do testículo durante o desenvolvimento do feto. Com maior mobilidade dentro do saco escrotal, o testículo tende a torcer em seu próprio eixo, espontaneamente ou após algum trauma. Essa anomalia está presente em 12% dos homens e a torção costuma ocorrer até os 25 anos de idade

Quando esse problema acontece, o cordão espermático gira no seu próprio eixo. Nele, estão as estruturas vasculares que irrigam o testículo, reduzindo drasticamente a quantidade de sangue arterial no órgão e causando o que chamamos de isquemia. 

Quanto mais torções no próprio eixo acontecem, menor o fluxo sanguíneo para a região, podendo variar entre giros de 180º e 720º. 

Sintomas da torção testicular 

Quando a entrada de oxigênio para o testículo é diminuída ou cessa abruptamente, começa uma dor intensa no local, com inchaço e aumento da sensibilidade. 

A dor, geralmente, é contínua, mas pode, também, se apresentar de maneira intermitente, bem como irradiar para o abdômen e virilha. Em alguns casos, a dor pode causar náuseas e vômitos, além de febre. 

Outros sinais de torção testicular são a presença de um testículo mais elevado do que o outro e vontade de urinar constante. 

O que fazer em caso de torção

Quando surgem esses sintomas é recomendado ir o mais rápido possível para o pronto-socorro, onde ele irá passar por exame clínico e de imagem. Quanto menor for o tempo de torção, melhor o prognóstico de salvamento do órgão, então agir com rapidez é fundamental. 

O médico verifica se a bolsa testicular está endurecida, avermelhada e inchada, bem como observa se o testículo afetado está ligeiramente mais elevado do que o normal. O reflexo cremastérico, caracterizado pela tração do testículo por toque na face interna da coxa, costuma estar ausente. 

Será solicitado que o paciente passe por um ultrassom doppler da bolsa testicular, para detectar a presença ou ausência do fluxo sanguíneo no órgão. 

Em alguns casos, o médico poderá distorcer o testículo apalpando o saco escrotal e rodando-o para fora, o que pode aliviar a dor significativamente. Entretanto, geralmente ainda é necessário planejar uma cirurgia para fixá-lo, evitando outros episódios de torção.

Tratamento cirúrgico

Caso não seja possível realizar a distorção manual, a cirurgia deve ser feita imediatamente. O tempo ideal é de até seis horas após a distorção, já que cerca de 90% dos testículos podem ser salvos nesse prazo. Após 12h, as taxas de sucesso do procedimento caem significativamente. 

Na cirurgia, o médico irá auxiliar na recuperação da vascularização do testículo. A coloração azul será substituída por um tom rosado, e só então  o órgão deverá ser fixado na bolsa testicular. Para evitar problemas futuros, o cirurgião irá realizar o mesmo procedimento no testículo saudável. 

A principal consequência da torção é a infertilidade, mas também pode gerar uma infecção. Mesmo casos de jovens em que foi possível salvar o testículo torcido, um espermograma futuro poderá acusar queda no número de espermatozóides. Portanto, homens que passaram por uma torção testicular podem se beneficiar de uma avaliação da fertilidade no futuro. 

Câncer de próstata: Como escolher entre cirurgia e outros tratamentos

O câncer, por si só, é uma doença que afeta muito o psicológico das pessoas. Quando o assunto é um tumor na próstata, estamos em terreno ainda mais delicado. Além de lidar com a finitude da vida, o paciente tem sua sexualidade e intimidade abaladas, então é natural que ele fique confuso entre as várias possibilidades de tratamento.

No geral, o câncer de próstata pode ser tratado de diferentes formas, como por cirurgia, em que a próstata é removida; por radioterapia, em que radiações ionizantes são utilizadas para destruir ou diminuir o tumor; ou por HIFU, um ultrassom focalizado de alta intensidade. 

Há, também, casos em que não fazemos nenhum tipo de tratamento mas, sim, a chamada  vigilância ativa com exames periódicos.

Como cada caso é único, o médico vai definir, junto com o paciente, qual a melhor conduta  na busca da cura para a doença. Todos os métodos citados acima têm efetividade comprovada, quando bem indicados.

A radioterapia pode causar perda do controle das funções intestinais, além de ser realizada em sessões, num processo que pode levar um tempo relativamente longo. Depois desse tratamento, pode demorar alguns meses até que os exames mostrem, com certeza, que o câncer foi curado. Além disso, uma terapia hormonal pode se fazer necessária para complementar a radioterapia. 

A prostatectomia, por outro lado, oferece riscos como qualquer procedimento cirúrgico, como hemorragia, infecções e problemas com a anestesia. Apesar de algumas delas serem imprevisíveis, um cirurgião experiente e ambiente hospitalar preparado são grandes aliados para lidar com esses problemas.

Por outro lado, é importante ressaltar que principalmente graças à cirurgia robótica, as prostatectomias estão cada vez mais bem sucedidas em preservar os nervos responsáveis pela contenção da urina e manutenção da ereção, possíveis sequelas do tratamento do câncer de próstata. Além disso, com bastante paciência e acompanhamento médico adequado, a impotência pode ser reversível.

Outro ponto a ser levado em consideração é que enquanto a cirurgia oferece a possibilidade de remover completamente o câncer, as sessões de radioterapia buscam diminuí-lo cada vez mais, até que desapareça. Alguns homens se sentem desconfortáveis com a ideia de manter o tumor no corpo por esse período, e preferem removê-lo juntamente da próstata. 

Já o  HIFU, que tem apresentado resultados bastante positivos na cura dessa neoplasia, só pode ser utilizado em tumores de tamanho pequeno a intermediário. Então, apesar de bem-sucedido, tem aplicabilidade limitada. 

Cada caso é único e sempre defendo que essa deve ser uma decisão compartilhada, em que tanto o conhecimento técnico do médico quanto o desejo do paciente devem ser levados em conta. 

Também encorajo meus pacientes a conversarem com outros homens que passaram pelo diagnóstico de câncer de próstata, ou pelo menos realizar uma extensa pesquisa para tomar essa decisão com mais segurança

Orientação por Realidade Aumentada 3D: mais um avanço na cirurgia robótica

Novidade no campo da cirurgia robótica: Pesquisadores italianos desenvolveram uma ferramenta para a navegação cirúrgica intra operatória que sobrepõe, em tempo real, imagens de modelos tridimensionais da anatomia do paciente às imagens captadas pelos equipamentos cirúrgicos durante o procedimento videolaparoscópico ou robótico. 

O estudo compara esse recurso à ultrassonografia e foi divulgado na edição de novembro de 2019 da revista @euro_urol, uma publicação da Associação Europeia de Urologia. 👨🏻‍🔬

Ao utilizar o Sistema Cirúrgico da Vinci, por exemplo, o cirurgião já tem visualização em 3D, com um aumento de até 15 vezes da área operada. Com o novo recurso, ele vai enxergar ainda melhor as estruturas a serem operadas.

Se pensarmos, por exemplo numa nefrectomia (cirurgia indicada para casos de câncer de rim), fica fácil entender as vantagens da tecnologia: evitar que o paciente perca todo o órgão, permitindo que apenas a parte com tumor, mesmo os de maior extensão, seja extraída durante a operação. 🕹️

No estudo, os modelos tridimensionais foram criados a partir de tomografias computadorizadas pré-operatórias. Depois, com uma plataforma desenvolvida especialmente para essa finalidade, os modelos podem ser “manipulados” de acordo com a intervenção a ser feita. Por fim, esse vídeo é sobreposto às imagens da anatomia do paciente em tempo real e é exibido no monitor do Sistema Cirúrgico da Vinci. 

Interessante, não é? Reconstruções de alta precisão como essa são possíveis graças à colaboração entre urologistas e bioengenheiros. Assim, a nefrectomia parcial pode ser feita aliando duas das mais modernas tecnologias para o tratamento do câncer de rim: cirurgia robótica e realidade aumentada 🤝

De maneira geral, os resultados demonstraram que o uso de Realidade Aumentada tridimensional diminuiu o risco do desenvolvimento de complicações pós-operatórias, além de ter mostrado um impacto positivo no retorno da função renal pós-cirurgia. 👍🏻

A técnica ainda apresenta algumas limitações. Exige uma grande equipe de profissionais, além de ser necessário realizar novos estudos utilizando um grupo amostral maior. No entanto, ela já aponta possibilidades de aperfeiçoar ainda mais a cirurgia e, consequentemente, a recuperação e qualidade de vida dos pacientes. 🔭

Nova modalidade de cirurgia robótica permite a retomada da vida sexual mais cedo

Novas técnicas de cirurgia robótica estão sendo empregadas no tratamento do câncer de próstata com grande eficácia e redução de complicações para o paciente.

Uma das mais novas apostas é a prostatectomia robótica com preservação da fáscia endopélvica associada à disseccão retrógrada dos feixes neurovasculares. O nome é complicado, eu sei! Mas, na prática, significa tratar o câncer de próstata com a mesma segurança oncológica de outras técnicas, mas permitindo, além disso, uma recuperação mais precoce da continência urinária e da potência sexual.

Depois do câncer de pele não-melanoma, o tumor da próstata é o mais preponderante entre os homens. E a disfunção erétil é o efeito colateral mais temido entre os que sabem que terão que passar por um tratamento para curar a doença.

A técnica que citei foi descrita, inicialmente, pelo colega Rafael Coelho (@coelho_urologia), que tem se destacado no cenário internacional como grande pesquisador do assunto e como expert no tratamento do câncer de próstata, especialmente pela via robótica.

A ideia é preservar, o máximo possível, as estruturas anatômicas ao redor da próstata. Com a plataforma robótica, que permite enxergar melhor e também realizar movimentos mais delicados, é possível fazer uma dissecção mais precisa, mantendo íntegras tais estruturas.

Os resultados têm nos surpreendido positivamente e, por essa razão, temos difundido a técnica entre os colegas cirurgiões da urologia. Em diversos eventos da área realizados ao longo de 2019, pudemos compartilhar esses resultados, além de mostrar, em cirurgias realizadas ao vivo, como tudo é feito.

Desde o ano 2.000, homens diagnosticados com câncer de próstata podem tratar a doença por meio da prostatectomia radical assistida por robô. Atualmente, cerca de 10% das cirurgias para remoção desse tipo de neoplasia, no Brasil, já são feitas com o auxílio da robótica. 

As duas principais doenças da próstata e os seus sintomas


O câncer de próstata não é a única doença que pode atingir a glândula. Existem outros problemas que, apesar de serem pouco conhecidos, são muito comuns: a prostatite e a hiperplasia prostática benigna. 

Prostatite: processo inflamatório e infeccioso frequente em homens adultos. Ela pode aparecer repentinamente, o que caracteriza prostatite aguda, ou não apresentar sintomas, caracterizando a prostatite crônica. Apesar de ser causada, geralmente, por bactérias, existe a forma não bacteriana da doença.

– Causas: 

Bacteriana: a bactéria mais comumente responsável é a Escherichia coli, encontrada no trato urinário ou intestino grosso, e que pode atingir a próstata. 

Não bacteriana: microorganismos ainda não identificados. 

Em ambos os casos, a infecção pode ser facilitada após quadros de uretrites (como gonorreia), em decorrência de relações sexuais com parceiras que apresentem infecções no aparelho ginecológico ou depois de penetração anal sem preservativo. 

– Sintomas:

Bacteriana: febre alta, dores pélvicas ou na região baixa das costas, dor ao urinar, ardência durante a ejaculação, sêmen amarelado ou com presença de sangue, maior frequência na necessidade de urinar ou dificuldade em conter a vontade de urinar. 

Não bacteriana: dor na parte baixa das costas, incômodo ao urinar, ocorrência de jatos fracos ou com interrupções no fluxo da urina. 

– Diagnóstico:

Em ambos os casos, para confirmar os diferentes diagnósticos e dar início ao tratamento, o histórico médico do paciente é essencial. São associados ao histórico médico exames de secreção da próstata, colhida a partir de massagens na glândula. Podem ser necessários exames complementares, como ultrassonografia, exames de sangue e ressonância magnética. 

– Tratamento:

Bacteriana: uso de antibióticos por pelo menos duas semanas. No caso de pacientes que necessitarem de tratamento por via endovenosa ou que manifestarem grande obstrução da urina, podem passar por internação. 

Não bacteriana: mesmo que não seja necessário, indica-se o uso de antibióticos caso haja dificuldade em identificar a causa da doença. Dependendo da resposta do paciente, o tratamento pode ser interrompido ou continuado. Alguns pacientes demandam o uso de relaxantes musculares para relaxar a próstata. Massagens também são recomendadas caso seja preciso drenar o líquido inflamatório da glândula. 

Hiperplasia prostática benigna (HPB): é o nome complicado para falar de tumor benigno. A HPB é comum entre homens de idosos e é caracterizada por um aumento progressivo e benigno da próstata. Os nódulos formados durante o aumento da glândula podem pressionar a bexiga e obstruir a uretra, dificultando a saída da urina.

Causas:

Não existe consenso sobre a causa, mas uma situação que pode ser relacionada com a doença é a mudança hormonal do qual o organismo é alvo à medida que envelhece. Isso justifica a prevalência do problema em homens acima dos 60, 70 anos. 

Sintomas:

O sintoma mais perceptível é a alteração do fluxo urinário, tornando-se mais fraco de acordo com o aumento da próstata. Estes são exemplos de sintomas obstrutivos, mas eles também podem ser irritativos, como interrupções no jato de urina e maior frequência da necessidade de urinar. 

Diagnóstico:

O histórico médico é associado a exames de urina, de sangue e toque retal. Pode ser preciso um exame ultrassonográficos para calcular tamanho e características da próstata. 

Tratamento:

O tratamento pode começar de forma menos invasiva, com uma mudança no estilo de vida e a diminuição da ingestão de líquidos à noite. Caso não seja suficiente e o aumento da próstata esteja avançado, pode ser recomendada uma técnica chamada embolização das artérias prostáticas. O procedimento consiste em injetar microesferas para obstruir a artéria que sustenta a próstata, fazendo com que ela encolha. 

Imagens de cartelas de comprimidos

Novo medicamento para tratamento do câncer de próstata: Darolutamida


Dentro dos próximos meses os pacientes brasileiros terão mais uma opção de medicamento para câncer de próstata não metastático. Trata-se da darolutamida (Nubeqa®), um antiandrogênico oral que foi aprovado e registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no começo de 2020 e que deve começar a circular em breve.

A medicação é uma inibidora do hormônio androgênio e é indicada no tratamento de câncer de próstata que ainda não entrou em metástase e permanece resistente à terapia de privação hormonal.

Esse tipo de câncer continua progredindo apesar do tratamento, e os medicamentos antiandrogênicos buscam reduzir o nível dos hormônios que estimulam as células cancerígenas.

Agindo como um inibidor do receptor de androgênio, a darolutamida vai impedir que o hormônio seja recebido pelas células do câncer de próstata, retardando que cresçam e se espalhem pelo organismo.

Para a comunidade de especialistas, o momento conhecido como fase de resistência à castração não-metastática sempre foi um desafio tanto do ponto de vista diagnóstico quanto pela falta de tratamentos eficazes.

Medicamentos antiandrogênicos como a apalutamida e enzalutamida, que já estão no mercado brasileiro há dois anos, costumam apresentar resultados também positivos no tratamento desse tipo de câncer de próstata, mas com efeitos colaterais por penetrarem o Sistema Nervoso Central.

Nesse momento o paciente ainda não apresenta sintomas, então o objetivo da medicação antiandrogênica é justamente impedir que o câncer se espalhe e limitar os efeitos colaterais para que o médico tenha mais flexibilidade no tratamento.

Em relação à outros medicamentos de função similar, a darolutamida apresenta resultados muito positivos para atrasar com menor toxicidade a propagação do câncer, ou seja, gerando mais qualidade de vida para o paciente.

O câncer de próstata é o quarto mais comum em todo o mundo e o segundo mais frequente entre os homens. Dos pacientes com câncer do tipo resistente à castração, um terço entra em metástase em dois anos.

Com a aprovação da Anvisa, o Brasil é o segundo país do mundo a aderir à terapia com darolutamina, oferecendo mais uma possibilidade para ser discutida entre médico e paciente, possibilitando escolher o melhor tratamento a se seguir.

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