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Câncer de próstata em homens negros: o que muda?

Câncer de próstata em homens negros: o que muda?

Diversos estudos apontam que homens negros têm mais riscos de desenvolver câncer de próstata. Além disso, os tumores parecem ser mais agressivos nestes pacientes. 

Um estudo realizado em 2020 e publicado no Jama Network comparou a eficácia da vigilância ativa em pacientes de diferentes raças. O número de afro-americanos que tiveram progressão da doença foi 11% maior do que o de homens brancos que também lidaram com esse problema num período de 7,6 anos. 

Entretanto, neste estudo, a mortalidade em decorrência do câncer de próstata foi menor entre os homens negros do que os de outras raças. Os motivos ainda não são certos e podem estar relacionados a um acompanhamento mais minucioso desses pacientes, por fazerem parte de uma investigação clínica. 

Afinal, outros estudos apontaram justamente o contrário: homens negros têm duas vezes mais chances de morrer de câncer de próstata do que aqueles de outras raças. 

De todo modo, essas diferenças parecem sustentar a teoria de que devemos acompanhar mais de perto a incidência e progressão do câncer de próstata em homens negros. Inclusive, pouquíssimos estudos envolvendo a vigilância ativa incluíram pacientes negros. 

Urologista em BH – Entendendo o risco aumentado para homens negros

Já é consenso entre a comunidade médica que a genética é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de próstata. Isso significa que um homem com parentes de primeiro grau com a doença possuem mais chances de desenvolvê-la do que aqueles que não têm.

Além disso, um estudo realizado ainda neste ano demonstrou que homens com ancestralidade africana têm uma pontuação de risco genético para câncer mais de duas vezes maior do que aqueles de ancestralidade europeia.

Entretanto, para além da ancestralidade e fatores genéticos, outras questões também parecem favorecer o desenvolvimento do câncer de próstata em homens negros.

A primeira delas é a obesidade. Um estudo de 2019 avaliou como as associações entre obesidade, ambientes obesogênicos e o racismo estrutural podem variar de acordo com a composição racial de diferentes países. Uma das conclusões da pesquisa foi que o racismo, trauma racial e fatores socioeconômicos aumentam os riscos de ter obesidade.

O status socioeconômico também tem um papel significativo nos cuidados com a saúde, pois está associado a maiores chances de desenvolver câncer por falta de acesso a tratamentos médicos pagos. Essa é uma realidade especialmente nos Estados Unidos, onde não a população não tem atendimento médico gratuito. 

Por fim, o preconceito racial também possui um papel importante nos altos índices de câncer de próstata em homens negros. Um estudo publicado no periódico Urology encontrou uma  disparidade racial significativa: eles possuem menos chances de passar pelos exames de rastreamento da doença e até mesmo de receberem indicação médica para tal. 

Todos esses fatores demonstram que ainda temos um longo caminho a percorrer quando o assunto é saúde e igualdade racial. 

Acredito que uma das principais medidas que podemos tomar para mudar esse cenário é fazer com que informações seguras a respeito do câncer de próstata circulem entre homens de diversas comunidades, tornando-os cientes de seus direitos enquanto pacientes e do seu risco real de desenvolver a doença. Assim, poderão se tornar protagonistas de sua própria saúde, independentemente da raça ou da cor.

Biomarcadores na urina ajudam a detectar o câncer de próstata

Biomarcadores na urina ajudam a detectar o câncer de próstata

Atualmente, o diagnóstico do câncer de próstata é feito, de maneira geral, com a associação entre o exame de PSA (antígeno específico prostático) e o toque retal realizado pelo urologista. 

Enquanto o primeiro avalia a quantidade de uma proteína produzida pela glândula no sangue, o segundo é utilizado para verificar o tamanho da próstata e a presença de nódulos. Se for necessário, realizamos, também, uma biópsia.

Entretanto, cada vez mais pesquisas têm revelado moléculas capazes de fornecer indícios precoces não só do câncer de próstata, como também suas formas mais agressivas. Tudo indica que esse tipo de teste poderá ser utilizado cotidianamente como complemento ao exame de PSA e o toque retal.

O primeiro biomarcador do câncer de próstata foi o PSA

Na década de 1980, o diagnóstico e a morbimortalidade do câncer de próstata sofreram uma mudança radical quando a dosagem de PSA foi introduzida na prática clínica urológica. Até então, o único biomarcador disponível era a fosfatase ácida prostática (PAP), que se elevava somente quando a doença já estava em estágios avançados

O PSA foi o primeiro biomarcador, ou seja, uma molécula detectada no sangue, que foi capaz de identificar que algo estava errado com a saúde da próstata, ajudando no diagnóstico precoce da doença. 

Entretanto, essa molécula não aponta somente a existência de câncer. Já os níveis de PSA no sangue também podem ser alterados pela hiperplasia prostática benigna, prostatites ou mesmo lesões na glândula. Ou seja, sozinho, o PSA não diagnostica o câncer de próstata.

Outro aspecto limitador desse biomarcador é que ele não é capaz de dizer se o tumor é agressivo ou de crescimento lento, dificultando na hora de escolher o melhor plano de tratamento para o paciente. 

Nos anos 1980 e 1990, isso fez com que muitos homens passassem por muitos procedimentos invasivos desnecessariamente ou mesmo tivessem diagnósticos superestimados, iniciando tratamentos quando a vigilância ativa seria, idealmente, uma escolha mais acertada.

Marcadores de câncer de próstata na urina apontam para diagnóstico de câncer

Até o momento, dois biomarcadores parecem oferecer melhoras no diagnóstico precoce do câncer de próstata. O primeiro é a calicreína humana 2 (HK2), que pode ser rastreada por exames no sangue, e o segundo é o PCA3, antígeno ligado especificamente a esse tipo de tumor, rastreado na urina.

O PCA3 possui boa sensibilidade e especificidade, sendo capaz de oferecer importantes informações a respeito da formação do tumor e diferenciando-o de outras doenças da próstata. Sua eficácia se baseia no fato de que as células cancerígenas produzem até 100 vezes mais RNAm do gene PCA3 do que as células prostáticas saudáveis. 

Apesar de ter sido identificado em 1995, a adoção desse marcador ainda é relativamente baixa, devido à sua coleta um pouco desconfortável: envolve sedimentos do primeiro jato de urina após intensa massagem da próstata. 

Atualmente, costuma ser mais indicado para homens que já têm diagnóstico de câncer de próstata e estão sob vigilância ativa, como forma de monitoramento do avanço da doença. 

Outras pesquisas continuam em andamento para ajudar a diagnosticar o câncer de próstata mais cedo e com mais precisão, então continuo de olho para proporcionar, sempre, o melhor tratamento possível para meus pacientes. 

Pesquisadores descobrem marcadores genéticos causadores de metástase do câncer de próstata

Pesquisadores descobrem marcadores genéticos causadores de metástase do câncer de próstata

Pesquisadores da Rutgers University, nos Estados Unidos, descobriram marcadores genéticos em humanos que, juntos, causam câncer de próstata metastático. De acordo com o estudo publicado em outubro na Revista Nature Cancer, 16 genes colaboram para fazer com que esse tipo de tumor se espalhe para outras partes do corpo, inclusive os ossos. 

Essa descoberta possibilita que os médicos prevejam quais pacientes correm mais risco de desenvolver câncer de próstata em estágio avançado ou mais agressivamente, tornando o tratamento ainda mais individualizado. 

Segundo os pesquisadores, fazer um rastreamento genético para identificar esses 16 marcadores pode ajudar a antecipar quais pacientes não respondem à terapia de privação de andrógenos, geralmente utilizadas no câncer de próstata metastático. 

Esse pode ser um grande avanço na triagem de pacientes, já que, até o momento, ainda é um desafio determinar quais cânceres são mais ou menos agressivos.

Como o estudo americano foi realizado 

Os biomarcadores que parecem causar o câncer de próstata avançado foram inicialmente descobertos por meio de análises de metástases ósseas em camundongos, revelando perfis moleculares distintos ligados a padrões de ramificação do tumor primário.

Ao integrar os dados de camundongos e humanos com estudos funcionais em organismos vivos, a equipe tentou identificar essa assinatura genética em humanos que possa oferecer um prognóstico do tempo até a metástase e fornecer uma noção da resposta ao tratamento com receptores de andrógenos.

Por fim, eles foram capazes de confirmar uma assinatura de co-ativação entre os marcadores genéticos associados à metástase do câncer de próstata, chamada de META-16. Atualmente, e equipe está refinando o teste, na esperança de uma futura avaliação em ensaio clínico. 

Na teoria a META-16 também poderia ser utilizada para desenvolver terapias contra a doença. Afinal, esses genes estão, de fato, causando a metástase, o que se significa que se for possível suprimir a atividades desses genes, também será factível evitar que o câncer se espalhe ou pelo menos melhorar o prognóstico do paciente. 

O papel do urologista na saúde e bem-estar do homem

O papel do urologista na saúde e bem-estar do homem

Além de ser responsável pelo tratamento de problemas relacionados ao trato urinário de ambos os sexos e ao aparelho genital masculino, o urologista é, também, aquele que vai trabalhar com questões muito delicadas e específicas do homem. É papel desse profissional estar ao lado do paciente para lidar com sua intimidade, sexualidade e fragilidades em momentos difíceis como depois do diagnóstico de câncer de próstata, por exemplo.

Infelizmente, ainda é um desafio convencer os homens a frequentar o médico urologista para fazer o exame preventivo do câncer de próstata e também para diagnosticar e tratar a causa de sintomas que, muitas vezes, se arrastam por meses e até anos. 

O homem ainda tem dificuldades de cuidar da própria saúde

Na nossa cultura, os homens não são ensinados a demonstrar fraquezas porque precisam ocupar o papel de herói ou provedor da família. Na prática, isso acaba se refletindo em muita negligência com a própria saúde. Muitos estudos apontam que os homens vão menos ao médico (em todas as especialidades), consomem mais álcool e, de maneira geral, morrem mais cedo do que as mulheres. 

Esse é um dos motivos pelos quais a cada 41 homens, um morrerá de câncer de próstata. Afinal, a doença é silenciosa e precisa ser detectada precocemente, quando as chances de cura são altíssimas. Se o homem não vai ao médico, é impossível diagnosticar a doença em estágios iniciais. 

Preconceito contra a especialidade da urologia

Embora seja comum que as mulheres frequentem o ginecologista antes mesmo de iniciar sua vida sexual, muitos homens passam a vida inteira sem visitar o médico urologista. Outros, têm sua primeira consulta com esse profissional depois de aparecerem os sintomas de doenças como o câncer de próstata.

Ainda existe um preconceito contra o urologista que não passa de desinformação. Por esse motivo campanhas como o Novembro Azul são tão importantes: elas ajudam a desmistificar a especialidade, fazendo com que o homem entenda que a ida ao urologista é benéfica e fundamental para manter a saúde como um todo. 

O urologista é o médico ideal para lidar com questões da intimidade masculina

Desde a puberdade, o corpo do homem passa por mudanças específicas que podem levantar muitas dúvidas. O adolescente, inclusive, está sujeito a ter problemas urológicos como doenças sexualmente transmissíveis, varicocele e ejaculação precoce. 

Idealmente, o homem começaria a frequentar o médico urologista desde esse período, para compreender ainda cedo como seu corpo funciona e como preservar a sua saúde reprodutiva e sexual. Entretanto, essa ainda não é a realidade, e, atualmente, recomenda-se que os homens procurem esse especialista para realizar os exames de rastreamento do câncer de próstata, somente aos 50 anos (ou 45, para quem tem histórico da doença na família). 

Esse tipo de tumor ainda é muito comum, e afeta significativamente a auto-estima, sexualidade e intimidade do homem. Logo após o diagnóstico, os homens já costumam levar um grande choque porque são forçados a lidar, bruscamente, com sua fragilidade humana, aspecto que foram ensinados a ignorar. 

Além dos complexos sentimentos que vem à tona nesse momento, o próprio tratamento do câncer de próstata pode trazer efeitos colaterais que impactam a identidade masculina. A impotência sexual e a incontinência urinária são os mais comuns e, em alguns casos, chegam a afastar o homem do tratamento adequado. 

Em todo esse processo, o acompanhamento do urologista é fundamental. Afinal, é ele quem vai explicar para o paciente todos os detalhes sobre os tratamentos disponíveis e trazer orientações a respeito da recuperação da potência sexual e da continência. 

Ao longo dos meus 20 anos de profissão, percebi que para o paciente, se curar do câncer de próstata, em muitos casos, não é suficiente. Os homens querem se recuperar de maneira plena e continuar com sua vida sexual, que é uma parte tão importante da vida adulta. 

De qualquer forma, o médico é, frequentemente, a única pessoa com quem o homem consegue compartilhar esse aspecto do câncer, já que pode estar enfrentando o medo, o constrangimento e até mesmo a depressão durante esse período. 

O urologista está preparado para estar ao lado do paciente em todo esse processo e ajudá-lo a resgatar sua sexualidade. Se for o caso, poderá trabalhar de maneira multidisciplinar com um sexólogo ou psicólogo, já que a mente também tem um papel central na função erétil.

Espero que esse texto tenha te ajudado a entender o papel central do urologista na saúde masculina. Se você quer continuar se informando a respeito desse universo, me acompanhe no Instagram ou no Facebook. Estou preparando conteúdos muito bacanas para as próximas semanas. 

O câncer de próstata é uma doença de família?

O câncer de próstata é uma doença de família?

Muitas questões estão envolvidas no desenvolvimento de tumores. No caso do câncer de próstata, além de fatores de risco como má alimentação, tabagismo e consumo de álcool, a genética também influencia na probabilidade do indivíduo desenvolver um tumor.

Isso significa que se um homem tem histórico de câncer de próstata na família, com um parente de primeiro grau diagnosticado com a doença, suas chances de desenvolver o tumor chegam a duplicar. Ter dois familiares de primeiro grau com câncer de próstata, por exemplo, aumenta esse risco em até cinco vezes.

Embora nem todos os homens com histórico familiar vão ter câncer, recomendamos que, nesses pacientes, o rastreamento com exame de PSA e toque retal seja iniciado antes da população masculina em geral, aos 40 ou 45 anos de idade. Isso porque, geralmente, os tumores familiares tendem a surgir mais cedo e podem ser mais agressivos do que os comuns. 

Os três tipos principais de risco de câncer

De maneira geral, entendemos que existem três tipos principais de risco de desenvolver câncer de próstata:

Risco da população geral: descreve cânceres esporádicos que ocorrem por acaso, sem influências genéticas ou familiares. Nesses casos, os pacientes não apresentam mutações genéticas causadoras de câncer e seus parentes próximos também não desenvolveram o tumor.

Risco de câncer familiar: descreve o risco de câncer que surge de fatores genéticos, tendendo a se agrupar em famílias e não apresentam um padrão de herança específico. Isso significa que não foram identificadas mutações hereditárias específicas que podem ter causado o desenvolvimento do tumor.

Risco de câncer hereditário: corresponde à menor porcentagem dos casos de câncer de próstata e descreve o risco de desenvolver o tumor quando o paciente apresenta mutações genéticas em todas as suas células do corpo. Esse tipo de câncer ocorre quando o pai ou mãe passa um gene alterado a seu filho. 

Vale ressaltar que só é possível ter certeza que o paciente herdou a mutação genética dos pais se realizar um sequenciamento de genoma humano. 

É muito comum que pacientes com mutações genéticas causadoras de câncer de próstata apresentem, também, outros tipos de tumor. Mutações nos genes BRCA, por exemplo, são muito conhecidas por causarem câncer de mama e ovário em mulheres, mas, em homens, podem causar câncer de próstata. Já o gene MSH6 está associado, principalmente, ao câncer colorretal, mas também pode aumentar o risco de tumor na próstata em até 30%. 

Ou seja, o câncer de próstata nem sempre é uma doença de família, já que pode acometer o paciente tanto por acaso quanto estar associado à fatores de risco ambientais. Entretanto, uma parcela pequena, mas significativa dos casos do tumor estão sim associadas à questões familiares que podem ou não partir de mutações genéticas hereditárias. 

Portanto, homens que já sabem que têm maiores riscos de desenvolver a doença devem cuidar ainda melhor da saúde e manter, sempre, os exames urológicos em dia. 

Como evitar o câncer de próstata quando se tem histórico familiar

A melhor forma de prevenir o câncer de próstata é ter um estilo de vida saudável, com prática de atividade física regular, alimentação equilibrada, baixo consumo de bebida alcoólica e sem tabagismo. Isso vale para todos os homens, tanto os que não possuem histórico familiar de câncer quanto os que têm casos próximos na família. 

Com isso em mente, os homens que possuem histórico familiar de câncer de próstata ou mutações genéticas causadoras da doença devem iniciar os exames de rastreamento mais cedo do que a população em geral. Apesar dessa medida não ser capaz de prevenir a doença, possibilita que o tumor seja identificado em fases iniciais, quando o tratamento tem maior eficácia

Dependendo do histórico familiar, da idade do paciente e outros fatores, pode ser interessante adiar o tratamento e realizar uma vigilância ativa, em que vamos acompanhar o tumor de perto sem realizar nenhuma intervenção cirúrgica ou medicamentosa. Caso o câncer aumente de tamanho, mudaremos, então, a estratégia. 

Câncer de próstata e hiperplasia prostática: entenda a diferença

Câncer de próstata e hiperplasia prostática: entenda a diferença

Muitos pacientes levam um susto quando recebem o diagnóstico de hiperplasia prostática benigna (HPB), achando que estão com câncer. Apesar de acometerem a mesma glândula, essas enfermidades têm desenvolvimento, sintomas e tratamentos muito diferentes. Entre suas semelhanças, está o fato de que ambas necessitam de acompanhamento urológico.

O que é a próstata

A próstata é uma glândula que compõe o aparelho reprodutor masculino e tem, aproximadamente, 3 cm de comprimento, 4 cm de largura e 2 cm de profundidade. Ela fica localizada logo abaixo da bexiga, numa posição anterior ao reto, bem próxima do início da uretra, canal que leva a urina da bexiga para o pênis

Uma das funções dessa glândula é produzir cerca de 20% do líquido seminal que transporta os espermatozoides, protegendo e nutrindo os gametas com sais minerais e enzimas. A outra é produzir o PSA (antígeno prostático específico), uma proteína que realiza a importante função de liquefazer o sêmen alguns minutos após a ejaculação, permitindo que os espermatozoides consigam se locomover no aparelho reprodutor feminino e fecundar o óvulo. 

Agora que você já entendeu o papel central da próstata na saúde reprodutiva do homem e sua anatomia em relação aos outros componentes da região da pelve, vai conseguir compreender melhor tanto a hiperplasia prostática benigna quanto o câncer de próstata. 

O que é a hiperplasia prostática benigna

A hiperplasia prostática benigna (HPB) ou próstata aumentada, é caracterizada pelo aumento do volume da próstata, em especial na zona de transição, que fica mais perto da uretra. Como consequência, a glândula comprime esse canal, causando sintomas como:

  • Urgência miccional (vontade forte e repentina de urinar)
  • Redução da força do jato urinário
  • Precisar fazer força para urinar
  • Micção frequente
  • Vontade de urinar durante a noite
  • Sensação de que a bexiga não foi esvaziada completamente depois de urinar

Esse problema é natural do envelhecimento masculino e costuma acometer os homens a partir dos 40 anos de idade. Estima-se que 50% dos homens com mais de 50 anos apresentarão algum grau da doença ao longo da vida. 

Apesar de causar sintomas e necessitar de tratamento, como  o próprio nome já diz, a hiperplasia prostática benigna não está associada ao câncer de próstata, nem aumenta as chances de o paciente desenvolver um tumor. Entretanto, é sim possível que o paciente apresente os dois problemas ao mesmo tempo. 

O que é câncer de próstata

O câncer de próstata é o segundo tipo de tumor que mais acomete os homens brasileiros, sendo mais comum entre os homens com mais de 65 anos. Entretanto, pacientes mais jovens também podem ter a doença, principalmente se estiver relacionado a fatores de risco como histórico familiar da doença, tabagismo, má alimentação, sedentarismo ou alterações genéticas (como mutações nos genes BRCA1 E BRCA2).

Quanto mais o câncer de próstata se desenvolve, maiores os riscos à vida do paciente. O problema é que essa doença é tida como silenciosa e costuma manifestar sintomas somente em estágios mais avançados. 

Quando o tumor é localmente avançado, a uretra pode ser afetada, causando sintomas parecidos com a hiperplasia prostática benigna. Entretanto, no caso do câncer de próstata, o sangue na urina é um diferencial. 

Já quando o câncer se dissemina para os linfonodos da região pélvica, é comum que o paciente apresente inchaço nos membros inferiores.

E, por fim, depois de entrar em metástase e se espalhar para outras regiões do corpo, o câncer de próstata pode causar sintomas como dor nos ossos, dor na lombar e insuficiência renal. 

As principais diferenças entre hiperplasia prostática benigna e o câncer de próstata

A essa altura, você já deve ter compreendido que a hiperplasia prostática benigna e o câncer de próstata têm similaridades e diferenças fundamentais. Inclusive, como já falei, o homem pode ter as duas doenças ao mesmo tempo. 

A principal diferença entre essas enfermidades talvez seja o tratamento. Enquanto o câncer de próstata costuma necessitar de cirurgia, radioterapia, hormonioterapia, imunoterapia ou HIFU, por exemplo, a hiperplasia prostática benigna pode ser tratada com cirurgia ou medicamentos para retenção urinária.

Ao contrário da hiperplasia prostática benigna, o câncer de próstata causa um aumento muito lento do tamanho da glândula, de maneira que os sintomas só se manifestam em estágios mais avançados. 

Apesar dessas diferenças, ambas as enfermidades podem causar alterações nos níveis de PSA, o que faz desse exame ineficaz no diagnóstico diferencial. Nesse sentido, o exame de toque retal é fundamental, já que permite verificar tanto o aumento da próstata quanto a consistência da mesma (que permanece inalterada na HPB).

Conheça os principais sintomas do câncer de próstata e formas de prevenir a doença

Conheça os principais sintomas do câncer de próstata e formas de prevenir a doença

Esse é o segundo tipo de tumor mais frequente entre os homens, ficando atrás somente do câncer de pulmão. Infelizmente, ainda é comum que a doença só seja descoberta em estágios mais avançados e, por isso, é fundamental conhecer os principais sintomas do câncer de próstata e como preveni-lo. 

O que é câncer de próstata 

Mais frequente em homens a partir dos 40 anos, o tumor na próstata é uma neoplasia maligna, que costuma ser diagnosticada a partir dos exames de toque retal, de sangue e biópsia. 

Atualmente, já existem diversos tratamentos para a doença, entre elas a cirurgia de remoção de próstata (prostatectomia), que pode ser realizada tanto por via aberta quanto minimamente invasiva

Os principais sintomas do câncer de próstata 

A maioria dos sintomas do câncer de próstata também pode ser provocada por outras condições. Então, se você notar algum dos sintomas abaixo, não se desespere: procure um urologista para receber o diagnóstico correto e iniciar o tratamento adequado. 

Os principais sintomas que indicam câncer de próstata são os seguintes:

  • Micção frequente
  • Jato urinário fraco ou interrompido
  • Vontade de urinar frequentemente à noite (nictúria)
  • Sangue na urina
  • Sangue no sêmen
  • Disfunção erétil.
  • Dor no quadril, costas, coxas, ombros ou outros ossos, em caso de metástase
  • Fraqueza ou dormência nas pernas ou pés.

Prevenção do câncer de próstata ainda é o melhor caminho 

Na maioria dos casos, o câncer de próstata se desenvolve lentamente, sem sequer ameaçar a vida do homem durante anos. 

Como a doença não costuma causar sintomas nesse estágio inicial, o rastreamento tem um papel fundamental na detecção precoce da doença, quando as chances de cura da doença podem ser superiores a 90%. 

Em algumas situações, inclusive, fazemos apenas uma vigilância ativa, para acompanhar o desenvolvimento da doença. 

Entretanto, uma pesquisa realizada em 2018 pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) apontou que 49% dos homens acima dos 45 anos nunca realizaram o exame de toque retal, fundamental para o diagnóstico da neoplasia. 

Eles costumam evitar a ida ao urologista e só procuram o médico quando identificam algum sintoma. O problema é que esperar o aparecimento dos sintomas significa, na maioria das vezes, deixar que o câncer evolua para estágios mais avançados, com tratamento mais difícil e menores chances de cura. 

Como prevenir o câncer de próstata na prática

A melhor forma de prevenir o câncer de próstata e outros tipos de tumor é levado uma vida saudável. Isso inclui uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, com pouca gordura de origem animal. 

A prática de atividade física regular também é fundamental, fazendo o controle do ganho de peso. 

Outros fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de próstata são o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas. A American Cancer Society recomenda não ingerir bebidas alcoólicas, mas, se forem beber, os homens não devem passar de duas doses diárias. 

Por fim, como falei, é importantíssimo que o homem faça o acompanhamento urológico a partir dos 40 anos de idade, quando o risco de desenvolver câncer de próstata aumenta significativamente. 

Entenda o que é o câncer de próstata resistente à castração

Entenda o que é o câncer de próstata resistente à castração

Nem todo câncer de próstata é igual. Além de diferenças devido ao estágio da doença, a resposta ao tratamento também define o tipo de tumor.

Um dos tratamentos mais comuns é a terapia hormonal, que tem como objetivo reduzir o nível de hormônios masculinos no corpo. 

Os andrógenos estimulam as células do tumor a crescerem e, portanto, diminuir o nível desses hormônios pode fazer com que os tumores diminuam de tamanho ou cresçam mais lentamente por um tempo. Entretanto, é importante ressaltar que a hormonioterapia não cura o câncer de próstata. 

Quando o câncer não responde a esse tipo de tratamento, é chamado de resistente à castração. 

Para quem a terapia hormonal é indicada

A terapia hormonal pode ser de diversos tipos e pode ser utilizada em diversas situações, como as seguintes:

  • O câncer de próstata já entrou em metástase. Portanto, o paciente não pode remover a glândula e nem passar por radioterapia.
  • O câncer entrou em recidiva após cirurgia ou radioterapia.
  • Em conjunto com a radioterapia como tratamento inicial, se o paciente tem alto risco de recidiva após o tratamento.
  • Antes da radioterapia, para tentar reduzir o tamanho do tumor e aumentar a eficácia do tratamento.

Porque alguns tumores se tornam resistentes à castração

É muito comum que tumores da próstata que inicialmente responderam muito bem à terapia hormonal voltem a aumentar de tamanho, mesmo com níveis muito baixos de andrógenos.

Isso pode acontecer por diversos motivos, como os seguintes:

  • As células tumorais estão produzindo mais moléculas receptoras de andrógenos
  • Houve uma mudança no gene do receptor de andrógenos, tornando-o mais ativo
  • Houve uma mudança na própria atividade das proteínas que controlam a função do receptor de andrógenos
  • O tumor aumentou de tamanho por outros mecanismos não relacionado ao receptor de andrógenos

No início de seu desenvolvimento, os tumores da próstata precisam de níveis relativamente altos de andrógenos para aumentar de tamanho. Entretanto, quanto mais a doença progride, maiores as chances de o câncer se tornar resistente à terapia hormonal. 

Caminhos do tratamento depois do diagnóstico

Geralmente, sabemos que o paciente tem um tumor resistente à castração quando os exames de sangue mostram níveis progressivamente altos de PSA e baixos níveis de testosterona. Quando isso acontece, a estratégia de tratamento deve mudar. 

O câncer de próstata resistente à castração representa, ainda, um desafio para a urologia. Entretanto, diversos tratamentos ainda estão disponíveis, de acordo com as condições e características clínicas de cada paciente. 

O mais recente avanço nesse sentido é a aprovação da darolutamida (Nubeqa®), um antiandrogênico oral que foi aprovado e registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no começo de 2020 e que já está em circulação no Brasil. 

Ele é utilizado no tratamento do câncer de próstata resistente à castração não metastático. Outros medicamentos bloqueadores androgênicos completos como apalutamida e enzalutamida também têm resultado positivo no tratamento desse tipo de tumor, mas com efeitos colaterais difíceis de manejar. 

Outras opções de tratamento incluem a inibição da síntese androgênica, imunoterapia, quimioterapia e radioterapia.

novas diretrizes para o tratamento do câncer de próstata

Saiba quais são as novas diretrizes para o tratamento do câncer de próstata avançado

A tomada de decisão a respeito dos melhores caminhos para o tratamento do câncer de próstata avançado é um tema constantemente debatido na urologia. 

Em junho de 2020, as entidades norte-americanas American Urological Association, American Society for Radiation Oncology, and Society of Urologic Oncology atualizaram as diretrizes de diagnóstico e tratamento desse tipo de tumor. 

Nos últimos anos, o panorama do câncer de próstata evoluiu muito devido às mudanças nos padrões de rastreamento pelo exame de PSA, bem como a aprovação de novos tipos de tratamento. Por esse motivo, foi necessário atualizar as recomendações no que diz respeito a doença. 

As novas diretrizes foram apresentadas durante a American Urological Association Virtual Experience 2020 e reúnem três declarações a respeito da avaliação e aconselhamento precoce:

  • Em pacientes com suspeita de câncer de próstata avançado e sem confirmação histológica anterior, os médicos devem obter diagnóstico tecidual a partir do tumor primário ou do local das metástases, quando for possível. 
  • Para pacientes com diagnóstico positivo de câncer de próstata avançado, o tratamento deve ser baseado em expectativa de vida, comorbidades, preferências de tratamento do paciente e características do tumor. 
  • O controle da dor e uso de paliativos deve ser oferecido sempre que possível.

Recorrência bioquímica sem doença metastática após esgotamento das opções de tratamento local

Os pacientes com recorrência de alterações no exame de PSA após o esgotamento de terapia local devem ser informados a respeito do risco do tumor entrar em metástase. Dependendo do caso, avaliações periódicas com exames de imagem e varredura óssea serão necessárias. 

Nesse sentido, se destaca o uso de tomografia computadorizada por emissão de prótons, um dos exames de imagem mais modernos em oncologia. 

Para esses pacientes, o tratamento mais indicado é a observação ou inscrição em ensaios clínicos, já que o bloqueio hormonal não deve ser iniciado rotineiramente, segundo especialistas. 

Câncer de próstata sensível ao hormônio metastático

Os médicos devem avaliar a extensão da metástase, utilizando imagens convencionais, e observando sintomas do espalhamento da doença no momento da apresentação. Isso irá orientar as discussões sobre o prognóstico e manejo da doença.

Além disso, eles devem obter os valores de PSA do paciente em intervalos de três a seis meses após o início do tratamento de bloqueio hormonal, bem como considerar exames de imagem periódicos. 

Independemente da idade e histórico familiar, o aconselhamento genético e testes de linha germinativa são indicados, segundo especialistas.

Nesses casos, a terapia de privação androgênica (ADT) deve ser oferecida de maneira contínua, em combinação com outras terapias, como a quimio, por exemplo. Para pacientes com baixo volume de metástase, a radioterapia primária pode ser uma opção, em combinação com o bloqueio hormonal. 

Câncer de Próstata Não Metastático Resistente à Castração

Nesses pacientes, os médicos devem obter medições seriais de PSA em intervalos de três a seis meses, bem como calcular o tempo de duplicação do PSA  a partir do desenvolvimento da resistência à castração.

Exames de imagem devem ser utilizados em intervalos de 6 a 12 meses para acompanhar o desenvolvimento de metástase. 

Em adição ao bloqueio hormonal contínuo, os médicos devem oferecer medicações como a  apalutamida, darolutamida ou enzalutamida.

Fora do contexto de um ensaio clínico, quimioterapia ou imunoterapia sistêmica não são indicadas a esses pacientes. 

Câncer de próstata metastático resistente à castração

A tomada de decisão sobre o tratamento de pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração deve ser feita de acordo com resultados laboratoriais de base, bem como revisão do local da doença metastática e os sintomas relacionados. 

Anualmente, será importante avaliar a extensão da metástase com exames de imagem convencionais ou de acordo com a falta de resposta à terapia. O aconselhamento genético também pode ser útil para estabelecer risco familiar e possíveis tratamentos direcionados.

Em pacientes recém-diagnosticados, o médico pode indicar bloqueio hormonal contínuo, associado a outras medicações. Já em pacientes que passaram por outros tipos de tratamento, a recomendação poderá variar. Recomendo consultar o documento na íntegra para saber todos os detalhes das novas diretrizes. 

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Câncer de próstata: Como escolher entre cirurgia e outros tratamentos

O câncer, por si só, é uma doença que afeta muito o psicológico das pessoas. Quando o assunto é um tumor na próstata, estamos em terreno ainda mais delicado. Além de lidar com a finitude da vida, o paciente tem sua sexualidade e intimidade abaladas, então é natural que ele fique confuso entre as várias possibilidades de tratamento.

No geral, o câncer de próstata pode ser tratado de diferentes formas, como por cirurgia, em que a próstata é removida; por radioterapia, em que radiações ionizantes são utilizadas para destruir ou diminuir o tumor; ou por HIFU, um ultrassom focalizado de alta intensidade. 

Há, também, casos em que não fazemos nenhum tipo de tratamento mas, sim, a chamada  vigilância ativa com exames periódicos.

Como cada caso é único, o médico vai definir, junto com o paciente, qual a melhor conduta  na busca da cura para a doença. Todos os métodos citados acima têm efetividade comprovada, quando bem indicados.

A radioterapia pode causar perda do controle das funções intestinais, além de ser realizada em sessões, num processo que pode levar um tempo relativamente longo. Depois desse tratamento, pode demorar alguns meses até que os exames mostrem, com certeza, que o câncer foi curado. Além disso, uma terapia hormonal pode se fazer necessária para complementar a radioterapia. 

A prostatectomia, por outro lado, oferece riscos como qualquer procedimento cirúrgico, como hemorragia, infecções e problemas com a anestesia. Apesar de algumas delas serem imprevisíveis, um cirurgião experiente e ambiente hospitalar preparado são grandes aliados para lidar com esses problemas.

Por outro lado, é importante ressaltar que principalmente graças à cirurgia robótica, as prostatectomias estão cada vez mais bem sucedidas em preservar os nervos responsáveis pela contenção da urina e manutenção da ereção, possíveis sequelas do tratamento do câncer de próstata. Além disso, com bastante paciência e acompanhamento médico adequado, a impotência pode ser reversível.

Outro ponto a ser levado em consideração é que enquanto a cirurgia oferece a possibilidade de remover completamente o câncer, as sessões de radioterapia buscam diminuí-lo cada vez mais, até que desapareça. Alguns homens se sentem desconfortáveis com a ideia de manter o tumor no corpo por esse período, e preferem removê-lo juntamente da próstata. 

Já o  HIFU, que tem apresentado resultados bastante positivos na cura dessa neoplasia, só pode ser utilizado em tumores de tamanho pequeno a intermediário. Então, apesar de bem-sucedido, tem aplicabilidade limitada. 

Cada caso é único e sempre defendo que essa deve ser uma decisão compartilhada, em que tanto o conhecimento técnico do médico quanto o desejo do paciente devem ser levados em conta. 

Também encorajo meus pacientes a conversarem com outros homens que passaram pelo diagnóstico de câncer de próstata, ou pelo menos realizar uma extensa pesquisa para tomar essa decisão com mais segurança

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