Vivendo com o HIV: a história de Fernando*

Sim, ainda precisamos falar sobre o HIV. Sei que esse foi assunto do último post, em que mostrei pesquisas e estatísticas. Sei também que não economizei em alertas e esclarecimentos técnicos e científicos.

Mas a verdade é que tudo isso, embora nos faça enxergar muita coisa, diz bem menos que a voz de quem vive com o vírus.

Por isso trago hoje o depoimento do Fernando*. Ele tem 34 anos e convive com a infecção há 8. Contrariando o mito que atrela a enfermidade à homossexualidade, ele se contaminou durante uma relação heterossexual.

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Aids avança entre homens

É mais do que oficial. Um levantamento divulgado este mês pelo Ministério da Saúde revelou que AIDS avançou entre os homens.

Realizada em parceria com a Universidade Federal do Ceará, a pesquisa submeteu 3598 indivíduos ao exame de detecção do HIV de 12 cidades brasileiras. Resultado: 18,4% dos participantes estavam infectados pelo vírus, contra 12,1% do experimento anterior, feito em 2016.  

Esmiuçadas, as estatísticas revelam uma particularidade. A prevalência da AIDS é especialmente preocupante entre homens que fazem sexo com homens (HSH, na sigla do Ministério). A incidência da doença nesse público aumentou 140% entre 2009 e 2016, sobretudo entre os jovens homossexuais (pessoas com menos de 25 anos).

Diante dessa constatação, as manchetes dos jornais figuraram mais ou menos assim:

“Em 12 cidades brasileiras, um em cada 5 homens que fazem sexo com homens tem HIV” (G1)

“Em SP, 1 a cada 4 homens que transam com homens tem HIV, revela estudo” (FOLHA)

Diante disso, você, que é heterossexual, pode então respirar aliviado, não é mesmo? Claro que a resposta é:

NÃO

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Incontinência urinária é coisa de homem sim, senhor!

A incontinência urinária se caracteriza pela perda involuntária de urina devido a uma disfunção da musculatura pélvica, problema que acomete uma a cada três pessoas acima dos 60 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia. Apesar de ser mais comum em idosos, a disfunção também pode atingir pessoas mais jovens por diferentes fatores.

De acordo com suas causas e tipos, o problema pode gerar diferentes sintomas, sendo:

  • incontinência urinária de urgência – em que a vontade de urinar é tão intensa que a pessoa não consegue chegar ao banheiro a tempo;
  • incontinência urinária de esforço – a perda de urina ocorre quando a pessoa, tosse, espirra, faz um movimento brusco ou uma força mais importante.
  • incontinência urinária por transbordamento – que ocorre porque a bexiga está sempre cheia e gera vazamentos, ou porque ela não se esvazia por completo, gerando gotejamento posterior.

Em que pese ser mais comum em mulheres, a disfunção também atinge homens, especialmente em condições de obesidade e esforço exagerado da região pélvica, e também aqueles que carregam muito peso, incluindo em atividades físicas, como musculação. Fatores psicológicos como depressão e ansiedade, e a relação com outras doenças de base, como esclerose múltipla e traumas raquimedulares também somam para o quadro.

Ainda no caso do homem, a incontinência urinária pode surgir como consequência de tratamentos cirúrgicos e de radioterapia para o câncer de próstata.

Qualquer que seja a situação que tenha comprometido a continência urinária, os tratamentos variam de medicação e fisioterapia à cirurgia reparadora. Os resultados serão mais ou menos satisfatórios de acordo com a causa e nível de incontinência urinária.

No caso específico do tratamento do câncer de próstata, é possível minimizar o problema com a realização de técnicas menos invasivas, como, a cirurgia robótica, que parece permitir uma recuperação mais precoce da continência.

Ao notar um aumento significante no número de idas ao banheiro e dificuldade de reter a urina, principalmente durante a noite, não hesite: procure um médico urologista, que estará apto a indicar o melhor tratamento para sua condição. Busque sua qualidade de vida. Em grande parte dos casos, o problema tem solução

Tudo o que você precisa saber sobre a vasectomia

Curioso como a vasectomia é normalmente um procedimento associado a jogadores de futebol, artistas e outras celebridades (solteiras ou não) que querem evitar “filhos-surpresa” e consequentes disputas judiciais por pensão alimentícia. Naturalmente que se trata de uma operação que pode servir a esse propósito, mas percebem a conotação machista dessa ideia? É como se estivéssemos falando de uma estratégia que nos “defende” das mulheres e suas “ocultas intenções”.

Prefiro encarar esse método contraceptivo pelo que ele de fato é (ou deveria ser): parte integrante do planejamento familiar – pacote de ações sob responsabilidade de ambos os sexos que visa não só evitar filhos indesejados, como promover e preservar a saúde de homens, mulheres e crianças.

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Quiz: você conhece mesmo o seu pênis?

Ele é nosso “parceiro” desde que a gente nasce. Há quem goste de chamá-lo por nomes pomposos – de Nabucodonosor a Calígula, passando por toda lista de monarcas vikings. Outros preferem apelidos como “sócio”, “amigo”, “campeão” e por aí vai. A julgar pela informalidade do tratamento, parece razoável concluir que os homens, de modo geral, constroem com o pênis uma relação de máxima intimidade e cuidados. Certo?

Como eu gostaria de concordar com essa afirmativa. A verdade é que o foco masculino é voltado demais à estética, ao tamanho e a potência da genitália, enquanto é alheio demais à saúde.

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toque retal

Todo homem precisa mesmo fazer o toque retal?

O que o medo do toque retal nos prova, no fim das contas, é que as fobias não têm mesmo nada de lógico. Lógico, afinal, seria temer o câncer de próstata. Este sim, quando não tratado a tempo, pode ocasionar prejuízos físicos, psicológicos e sociais de difícil superação. Impotência, incontinência urinária, apenas para citar alguns deles.

Já o exame de toque é um procedimento indolor e muito rápido. Entre o momento em que o urologista veste a luva de látex e o instante em que diz “pronto, pode se. vestir, senhor”, leva dois minutos, no máximo. É, portanto, certamente um fenômeno de raíz 100% irracional esse que leva tantos homens a atribuírem a um teste absurdamente simples tamanhos poderes sobre a masculinidade.

Mas, enfim, vamos à pergunta que deu origem a esse post — sem dúvida, uma das mais frequentemente feitas aos médicos brasileiros.“Eu tenho mesmo que fazer o exame de toque retal, doutor?”. Respondendo de forma franca e direta: talvez. Já a resposta completa seria: depende da sua idade, do seu perfil genético e do seu histórico de saúde.

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testosterona

Cuidado com a testosterona: o hormônio do tesão também leva mais cedo ao caixão

Já vi pessoas adotarem os mais diversos tipos de culto mas, recentemente, um específico tem me chamado atenção: o culto à testosterona.

Sim! O uso desse hormônio arrebanha cada vez mais fiéis, sobretudo do sexo masculino, seduzidos por alguns “milagres” prometidos aí: aumento da massa magra, músculos esculpidos,  emagrecimento rápido, força de Hércules e libido turbinada. Que paraíso, não é mesmo?

O problema é que o inferno fica logo ao lado. As “graças” alcançadas podem vir acompanhadas de desordens cardiovasculares e do fígado, infertilidade, câncer de próstata e até danos cerebrais.

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A incrível geração de impotentes formada pelo uso recreativo do Viagra

disfunção erétilDesculpe o banho de água fria. Ainda mais depois do último post, em que comemorei os 20 anos do Viagra, um medicamento, sem dúvida, pioneiro, que revolucionou o comportamento sexual masculino. Mas é justamente para que você tenha uma vida sexual com mais saúde e qualidade que faço o alerta. Me refiro ao oba-oba vivido por uma parcela crescente dos jovens contemporâneos, que, sem qualquer problema de disfunção erétil, vêm tomando a azulzinha por pura diversão, sem saber que, nessa brincadeira, enfrentam riscos de máxima potência.

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Há 20 anos, surgia o viagra, pílula que revolucionou nossas (duas) cabeças

viagraUma pequena pílula para o homem, um considerável salto em qualidade de vida para (parte da) humanidade. Com a licença da paródia à célebre frase do astronauta americano Neil Armstrong, eu assim definiria o Viagra, droga para impotência sexual que completou duas décadas este ano.

Não seria exagero dizer que o medicamento lançado pelo laboratório Pfizer representou uma verdadeira revolução sexual. Além de permitir que milhões de homens no mundo inteiro voltassem a praticar sexo de maneira gratificante e satisfatória com suas parceiras com suas (seus) parceiras (os), o viagra atualizou nossas conversas sobre disfunção erétil. E isso, amigo, é muita coisa.

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Pobre (e doente) super homem…

Não tenho dúvidas de que o machismo é uma doença social de altíssimo grau de letalidade – sobretudo para as mulheres, como nos mostram numerosas e tristes estatísticas.

Como médico, por vezes tenho vontade de catalogar esse comportamento também na CID, a Classificação Internacional de Doenças. Especificamente, no grupo das enfermidades autoimunes – aquelas em que o corpo trabalha contra si mesmo, caso da esclerose múltipla, por exemplo.

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Dr. Pedro Romanelli - Todos os direitos reservados