STAR: o robô cirurgião que escolhe, sozinho, a técnica mais apropriada para cada operação

Há alguns dias, eu contei aqui no blog 5 coisas que a Inteligência Artificial pode mudar na medicina. Como eu disse, essa tecnologia permite que computadores sejam treinados para cumprir funções específicas ao processar grandes quantidades de dados, reconhecendo padrões neles.

O potencial é tamanho que um robô cirurgião conseguiu, sozinho, costurar duas partes do intestino de um porco com sucesso.

Isso mesmo: sozinho. É o STAR (Smart Tissue Autonomous Robot – Robô Autônomo Inteligente para Tecidos), robô cirurgião que promete realizar, de forma autônoma, procedimentos até nos tecidos moles mais delicados.

Desenvolvido nos Estados Unidos, esse robô tem um nível de independência bem mais elevado que os robôs cirurgiões atuais, que já são muito utilizados especialmente na urologia (e que eu vivo falando sobre por aqui).

O segredo está na combinação visão + programação + banco de dados + técnica cirúrgica, que permite que o STAR tenha, inclusive, poder de decisão. Entenda:

 

Visão

Nós, cirurgiões, usamos a visão para verificar o estado do tecido. O robô também. Ele é equipado com câmeras 3D com sistema de visão noturna que permitem identificar, com detalhes, toda a área que será operada. Com essas informações visuais, ele consegue acessar o banco de dados e definir a técnica cirúrgica mais adequada para cada caso.

 

Programação + banco de dados

Essa parte equivale à mente do cirurgião, que é a fonte de conhecimento para tomada de decisões. O STAR não é dotado de um sistema de redes neurais ou qualquer coisa assim, mas foi programado para realizar diversas técnicas cirúrgicas e é dotado de um poderoso banco de dados, que é a parte inteligente do robô.

É por meio dele que o equipamento consegue escolher a técnica mais apropriada para cada operação, sem que ninguém indique quais movimentos ele deve executar.

 

Técnica cirúrgica

Como eu acabei de mencionar, o STAR foi programado para realizar diversas técnicas cirúrgicas. E, para isso, ele conta com uma espécie de braço mecânico equipado com um sensor que mede tensão e força para realizar suturas ou cortes com bastante precisão.

 

O teste

Tudo isso se mostrou eficaz durante uma cirurgia em que o STAR conseguiu juntar, com absoluto sucesso, duas partes do intestino de um porco.

A máquina alcançou o desempenho de outras técnicas de cirurgia em questão de posicionamento de agulha, espaçamento entre os pontos e tensão, quantidade de erros e possibilidade de a sutura se romper.

Os autores do experimento, liderados por Peter Kim, do Sistema Nacional de Saúde Infantil de Washington, relataram que o robô conseguiu superar até mesmo operações feitas via laparoscopia e cirurgias assistidas por robôs não-autônomos.

O que é impressionante, visto que o abdômen de um mamífero é macio, deformável, delicado e contém vasos sanguíneos e órgãos com grande risco de dano durante a cirurgia. Sendo assim, o STAR conseguiu executar várias tarefas simultaneamente, conseguindo minimizar o risco de danos colaterais.

O robô conseguiu “ver” o ambiente em que estava trabalhando, “sentir” as características do tecido sobre o qual estava operando e “reagir” às mudanças ambientais que ocorreram.

 

Porém…

Isso não sinaliza a extinção dos cirurgiões. Até mesmo porque o robô recebeu auxílio humano para a realização de certas tarefas e cada movimento foi monitorado pelos especialistas,

Além disso, o projeto foi desenvolvido para o robô ter autonomia supervisionada. Ou seja, para estar o tempo todo acompanhado por médicos. Afinal, máquinas podem quebrar, sofrer os efeitos de uma oscilação na rede elétrica ou, por falha de programação, realizar um procedimento inadequado.

A ideia é que o STAR seja usado para expandir a capacidade humana, e não substituí-la.

É muito importante entender e ter sempre em mente que nada substitui, nem nunca substituirá, o papel fundamental do médico. Nenhum robô, por mais desenvolvido que seja, consegue ter o tato e o contato humano que o médico tem (e precisa ter!) com o paciente.

Outro ponto é que tudo ainda é novidade. Sim, a tecnologia avança de maneira muito rápida. Mas ainda vai demorar até que esse tipo de tecnologia esteja totalmente desenvolvida e disponível para os hospitais do mundo todo.

Muita coisa ainda precisa ser estudada, discutida, viabilizada e definida. E, como eu já disse aqui no blog, o jeito é aguardar (e nos preparar para) o que o amanhã nos reserva.

5 coisas que a IA pode mudar na medicina (e como isso vai afetar a sua vida)

Se tem uma área que se beneficia com as tecnologias de ponta, é a medicina. Conceitos que, há poucas décadas, eram vistos apenas como “coisa de ficção científica”, vêm se tornando comuns em uma velocidade incrível!

É o caso da inteligência artificial (IA), que possibilita que máquinas aprendam com experiências, se ajustem a novas entradas de dados e realizem tarefas como seres humanos.

Os computadores podem ser treinados para cumprir funções específicas ao processar grandes quantidades de dados, reconhecendo padrões neles.

Com isso, as possibilidades de aplicação dessa tecnologia no campo da medicina são várias e impactantes, podendo mudar, em pouco tempo, a nossa relação com os serviços de saúde. Confira alguns exemplos:

 

1 – Consultas e triagens

É verdade que hoje em dia já é possível acessar prontuários digitais, via computadores. Mas, com a IA, os dados podem ser preenchidos em poucos segundos por biometria (reconhecimento de rosto e voz).

Além disso, por meio dela, os sistemas podem tomar decisões assertivas sobre quais perguntas fazer. Eu explico: em vez de seguir cegamente uma lista de verificação, esses sistemas de consulta digital ​​aprendem com milhões de arquivos de casos reais para fazer perguntas realmente relevantes para cada paciente.

Assim, os algoritmos médicos podem também determinar a gravidade do problema. Um exemplo: se você chegar ao hospital com falta de ar repentina pela primeira vez,  o computador irá considerar que você deve ser atendido antes de um asmático, já que, no caso dele, uma ocorrência do tipo é algo comum, menos urgente e mais recorrente. Entendeu?

 

2 – Radiologia e imagens

A radiologia é a forma de medicina que lida com imagens: raios-x e ultrassonografias, tomografias e ressonâncias magnéticas. É uma área que demanda bastante tempo e experiência dos profissionais, que precisam ​​analisar minuciosamente um grande volume de material.

Com a IA, por meio da visão computacional, os sistemas podem ser treinados para examinar radiografias ou outras digitalizações e aplicar uma técnica chamada deep learning (aprendizado profundo) para entender o que as imagens mostram. E, se tem uma coisa que a inteligência artificial sabe fazer bem, é ficar de olho em imagens para detectar padrões.

Como os resultados da detecção da IA ​​podem ser enviados para um médico, para que haja uma checagem final, essa solução já está em uso em alguns hospitais. O Centro Médico da Universidade de Rochester, em NY, por exemplo, usa essa tecnologia para ajudar a identificar e priorizar casos críticos.

Um sistema criado na França e na Alemanha já detecta câncer de pele com 95% de precisão. Já um sistema da DeepMind, do Google, é capaz de detectar com precisão superior a de médicos mais de 50 tipos de doenças dos olhos. O futuro já chegou!

 

3 – Medicina personalizada: diagnóstico mais rápido e preciso

Medicina personalizada é uma abordagem de cuidados de saúde em que os diagnósticos e tratamentos são altamente adaptados para atender a história pessoal e familiar do paciente, bem como seus fatores de risco específicos e genética.

À medida que mais e mais dados são coletados e analisados ​​pela IA, é fácil afirmar que a medicina personalizada se tornará um padrão, e não uma alternativa. Uma das aplicações da inteligência artificial nesse contexto se dá no estágio de diagnóstico: um sistema pode ser capaz de analisar o genoma de uma pessoa e determinar quais tratamentos podem ser ​​mais eficazes para cada caso.

 

4 – Robôs cirurgiões

Quem me acompanha já sabe que as soluções robóticas para cirurgias já existem há anos. Mas estamos falando aqui de robôs autônomos, que podem suturar pontos e remover tumores com extrema precisão e, consequentemente, menos danos aos tecidos circundantes. Além disso, muitos desses procedimentos robóticos podem ser realizados por laparoscopia, tornando a cura muito mais rápida e reduzindo o risco de infecção.

Mas esse é um nível totalmente elevado de uso da inteligência artificial. Sim, já existe e vários testes com robôs autônomos já foram realizados (com resultados bem sucedidos, inclusive). Mas o processo de aprovação desses cirurgiões robóticos é muito maior e mais complexo do que para as plataformas robóticas, que já nos ajudam tão brilhantemente.

Além do mais, nada, absolutamente nada, substitui o contato humano que o médico tem (e precisa ter!) com o paciente.

 

5 – Segurança cibernética

É fato que estes novos desenvolvimentos da IA ​​nos cuidados de saúde trarão imensos benefícios para médicos, hospitais e pacientes. Mas nem tudo são flores: eles também trazem novos riscos em termos de segurança. A diferença é que a própria inteligência artificial pode ajudar a fornecer saídas para isso.

Soluções avançadas podem usar machine learning (análise de dados que automatiza a construção de modelos analíticos) para entender o comportamento normal da rede e identificar e bloquear qualquer atividade anômala que possa indicar vulnerabilidade ou ataques.

Além dessa questão de segurança (que é muito, muito mais complexa do que o que eu expliquei aqui), ainda existem questões legais a serem consideradas para a implementação definitiva da IA em aplicações mais profundas.

Afinal, quem seria responsabilizado por um erro médico realizado por um robô/algoritmo? O hospital que comprou a máquina, o médico que sugeriu a compra, a indústria que a forneceu, ou os engenheiros que a projetaram?

Muita coisa ainda precisa ser estudada, discutida, viabilizada e definida. Mas, como eu disse, as mudanças estão acontecendo em uma velocidade impressionante. E, o que hoje parece coisa do futuro, amanhã já pode fazer parte da nossa rotina diária. Afinal, não foi assim com a cirurgia robótica?

O jeito é aguardar (e nos preparar para) o que o amanhã nos reserva!

Cientistas estão usando nano robôs para combater o câncer

Mais uma prova alto nível que a ciência atingiu, especialmente na medicina:

Cientistas chineses e estadunidenses criaram robôs feitos a partir de DNA que são minúsculos, autônomos e que podem entrar no corpo humano para rastrear e destruir células cancerosas.

 

Como funciona

Os nano robôs são injetados por via intravenosa e, uma vez dentro da corrente sanguínea, são programados para procurar por tumores, sem agredir nenhuma célula saudável durante a trajetória.

Quando eles encontram, liberam drogas dentro das células cancerosas, interrompendo o fluxo de sangue e, consequentemente, provocando sua morte.

 

Testes

Os pesquisadores fizeram testes em camundongos doentes com câncer de mama, de pele, de ovário e de pulmão. Em 48 horas, os robôs haviam adentrado com sucesso as células vasculares dos tumores, causando coágulos sanguíneos e, efetivamente, matando o câncer.

Notavelmente, eles não causaram coagulação em outras partes do corpo, apenas nas células que estavam entre os alvos a atacar.

A técnica ainda não foi testada em humanos. Mas, nas dezenas de ratos e pelo menos nove porcos estudados, o índice de sobrevivência dobrou. Em três de oito casos de ratos com câncer de pele, o tratamento levou à regressão completa do tumor.

Os testes provaram que a inovação não afeta a circulação sanguínea nem a morfologia das células. Também não há evidências de que as máquinas microscópicas se espalharam para o cérebro das cobaias, onde poderiam provocar efeitos colaterais como derrame, por exemplo.

Os estudos continuam, e a expectativa é de que a tecnologia possa ser usada em outros tipos de câncer, já que os vasos sanguíneos dos tumores são essencialmente os mesmos.

Os nano robôs foram desenvolvidos por cientistas da Universidade Estadual do Arizona, em colaboração com o Centro Nacional de Nanociência e Tecnologia (NCNST) da China.

O estudo também incluiu membros da Academia Chinesa de Ciências, da Universidade Jilin, Universidade de Pequim e Universidade Jinan (China) e do Instituto de Pesquisa Médica QIMR Berghofer (Austrália).

A pesquisa foi publicada na revista científica Nature, após cinco anos de desenvolvimento.

#10yearschallenge da medicina urológica

A última sensação da internet é o chamado desafio dos 10 anos, que tomou as redes sociais em que as pessoas postam uma sequência de duas fotos:uma mais antiga, de 2009, e outra mais recente, de 2019.

 

A brincadeira me lembrou como a medicina evoluiu absurdamente em 10 anos, especialmente na área da urologia. Com presença cada vez mais forte da tecnologia, os diagnósticos foram aperfeiçoados e o tratamentos trazem grande esperança para quem convive com doenças que, antes, eram vistas quase como sentenças de morte.

 

Mais do que nunca, remédios que atuam por diferentes mecanismos trazem grande esperança para quem convive com doenças que, antes, eram vistas como sentenças de morte.

 

Outra grande mudança nesse contexto foi a compreensão de que o paciente deve ser tratado por uma equipe multidisciplinar. O envolvimento de profissionais como urologista, oncologista, fisioterapeuta e radioterapeuta permite uma discussão mais ampla dos casos e possibilita compreender e tratar o paciente de forma integral e integrada.

 

Hoje, podemos contar com exames mais precisos e procedimentos avançados que, além de curar, proporcionam menos ou quase nenhuma sequela ao paciente, diminuindo não apenas as estatísticas de óbitos, mas o caráter assustador de certas enfermidades.

 

É o caso das cirurgias minimamente invasivas, especialmente a cirurgia robótica. Essa tecnologia foi criada nos Estados Unidos e, desde o ano 2000, o robô cirúrgico da Vinci tornou-se o mais utilizado em cirurgias laparoscópicas por lá. Tanto que 95% das cirurgias de câncer de próstata realizadas no país são realizada pela plataforma robótica. No Brasil contudo, ela está presente há apenas dez anos, e conquistando espaço ano a ano.

 

Em Belo Horizonte, há atualmente três plataformas em ação, e a previsão é que cheguem mais para para consolidar de vez a nossa presença nesta seara e, possivelmente, elevar o estado à mesma posição dianteira que sempre ocupou no que diz respeito à oferta dos melhores tratamentos em urologia.

 

Olhando para trás e vendo o que temos hoje, fica claro que a cirurgia robótica é, com certeza, o maior e mais importante avanço que tivemos na urologia, tanto para os pacientes quanto para os médicos, que agora podem realizar intervenções muito mais complexas e desafiadoras com muito mais segurança e precisão.

 

A inovação deu aos cirurgiões e às equipes certas capacidades que vão além do que é naturalmente humano. E isso só tende a se expandir ainda mais, principalmente levando em conta as inúmeras possibilidades que a convergência de tecnologias carregam, como computação, inteligência artificial e sensores.

 

Lembrando que uma forma como a indústria de tecnologia constrói valor é democratizando-a, reduzindo seu custo e permitindo que ela atinja bilhões de pessoas. Portanto, a acessibilidade ao que já temos será ampliada e a medicina avançará mais nos próximos 10 anos do que avançou nos últimos 100.

Você é totalmente sincero com o seu médico?

Você diz toda a verdade quando o médico pergunta sobre o que você come, bebe e quais são os seus hábitos? Sim ou não?

 

Um levantamento realizado nos EUA mostrou que a maioria das pessoas não 👎 A pesquisa das universidades de Utah, Iowa e Michigan concluiu que entre 60 e 80% dos pacientes mentem sobre algum aspecto quando vai a uma consulta.

 

O motivo? Medo de ser julgado 😕

 

O estudo contou com mais de 4.500 norte-americanos que tiveram seus questionários avaliados pelos pesquisadores. Uma parte deles tinha, em média, 36 anos de idade, e a outra, perto de 61 anos.

 

As perguntas envolviam temas como mentir ou omitir informações sobre a dieta, a prática de exercícios, automedicação e o cumprimento de instruções médicas.

 

👉 Muitos também não têm coragem de dizer que discordam da recomendação ou que não entenderam direito o que era para fazer. A maioria admitiu já ter deixado de contar pelo menos um detalhe relevante desse tipo para o médico.

 

Você pode estar se perguntando: “Mas por que isso importa tanto?” 🤔

 

A questão é que certos hábitos podem ajudar a definir diagnósticos e tratamentos, especialmente no caso de doenças crônicas. Para quem trabalha com urologia, como eu, o desafio é ainda maior, já que os pacientes têm dificuldade de admitir certas práticas e até sintomas.

 

Por isso, eu sempre digo que é importante haver um esforço das duas partes: os médicos devem melhorar suas habilidades de comunicação, e os pacientes devem se lembrar que os profissionais não estão ali para julgá-los, mas sim para ajudá-los em tudo o que for necessário.

 

Quando vier ao meu consultório ou no de outro especialista, lembre-se disso! Quanto mais franca for a nossa conversa, melhor!

O futuro está aqui: o uso de hologramas na medicina

Vocês sabem que tecnologia é um assunto que sempre me interessa muito. E, há alguns dias, eu me deparei com uma novidade que me convenceu ainda mais de que já estamos vivendo no futuro.

 

Com certeza vocês já ouviram falar em hologramas, certo? Ou então já viram essa tecnologia em ação em vários filmes, especialmente nos de ficção-científica.

 

Mas agora os hologramas são coisa da vida real e estão, inclusive, presentes na medicina: com eles, é possível fornecer aos médicos uma imagem 3D completa de um corpo ou órgão específico.

 

Tradicionalmente, as imagens geradas a partir da varredura de máquinas de tomografia computadorizada e ressonância magnética são fundamentais para as decisões dos cirurgiões. Somente analisando os tumores com base em fotos tiradas de diferentes ângulos, eles podem decidir quando e como remover os tumores.

 

Mas a o ponto fraco dos scanners é que as imagens produzidas são bidimensionais, e os cirurgiões nem sempre são capazes de fornecer um diagnóstico 100% preciso sem uma visualização completa.

 

Holografia

 

É aí que entra o grande trunfo da holografia. Ela possibilita a identificação de problemas com órgãos muito complexos, como o coração ou cérebro, onde anomalias podem ser bem sutis e até passarem despercebidas pelos exames tradicionais.

 

Esse tipo de exibição pode adicionar um nível de detalhes que os atuais serviços de telemedicina, que apresentam apenas imagens planas, não conseguem. Em 3D, o médico pode ter uma noção da profundidade de uma ferida, dos contornos de uma inflamação ou da extensão de uma fratura.

 

Os especialistas podem mover as imagens, dar zoom e manipulá-las de diversas formas, tendo uma sensação muito mais clara da dimensão física e da forma da anatomia humana para avaliar melhor a situação antes de uma operação delicada, por exemplo.

 

No Brasil

 

Aqui no Brasil, alguns hospitais já foram equipados com esse dispositivo para estudos clínicos, pesquisas educacionais e até atendimento. É o caso do Hospital Central do Exército (HCE), no Rio de Janeiro, onde uma junta de médicos-especialistas, em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), já usam a tecnologia para prestar atendimento médico dentro dos hospitais de campanha do município de Assis Brasil, no Acre.

 

No site da FAPERJ – Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, eles explicam que, além de ver o paciente em 3D, a junta interage na consulta, auxilia o médico local no diagnóstico de doenças de pacientes e até determinam a necessidade ou não de cirurgia e remoção para uma unidade hospitalar.

 

O aparato tecnológico foi desenvolvido pelos pesquisadores do Núcleo de Estudos de Tecnologias Avançadas da Escola de Engenharia (NETAv/UFF), em parceria com o Corpo de Saúde do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), e já está sendo utilizado semanalmente pelo Exército brasileiro.

 

Semelhante a um consultório comum, com maca, mesa e cadeira, o consultório virtual é equipado também com uma webcam, um microfone, Internet, um tripé – que garante a fixação de um celular capaz de fazer fotos nítidas –, um computador para transmissão de imagem holográfica e lâmpadas, posicionadas estrategicamente para garantir a boa visibilidade do paciente na sala.

 

Enquanto conversa com o médico à sua frente, o paciente também é ouvido e analisado por uma junta, reunida em um centro de saúde holográfico a quilômetros dali, em qualquer grande pólo urbano do País. Na sala, os médicos conseguem ouvir, conversar e ter a visão real da cena, como se estivessem também frente a frente com o paciente.

 

Nos últimos anos, vimos a tecnologia holográfica ser usada para permitir que CEOs, aspirantes a chefes de estado e estrelas da música se espalhassem pelo mundo. Agora, chegou a hora de vermos ela ajudar a salvar vidas e aperfeiçoar, cada vez mais, o atendimento médico a milhares de pessoas.

Cirurgia robótica: um avanço também para os cirurgiões

Muito se fala sobre os benefícios da cirurgia robótica para os pacientes. Eu mesmo sempre faço questão de ressaltar as vantagens das técnicas minimamente invasivas, inclusive aqui no blog.

Mas hoje eu vou tratar o assunto a partir de uma outra perspectiva. Afinal, a tecnologia também trouxe grandes avanços para o trabalho dos cirurgiões que, por meio da cirurgia robótica, são capazes de realizar intervenções muito mais complexas e desafiadoras.

Isso porque a inovação deu aos médicos e às equipes certas capacidades que vão além do que é naturalmente humano. Essas capacidades aumentadas são todas focadas em tornar a cirurgia mais eficaz, menos invasiva e mais fácil para nós e para os pacientes sob os nossos cuidados.

Ao mesmo tempo, as plataformas cirúrgicas inteligentes não substituem a habilidade, a experiência e o conhecimento do cirurgião. O que acontece é que elas elevam a visão e os movimentos a níveis que eram muito difíceis de serem alcançados.

A introdução da visão 3D de alta definição proporciona uma ampliação que dá aos médicos a capacidade de ver a anatomia de maneira mais clara e menos ambígua, possibilitando a capacidade de navegação em estruturas críticas com muito mais cuidado e precisão.

Em relação aos movimentos, as plataformas permitem que o computador e os algoritmos reproduzam fielmente os movimentos comandados pelas nossas mãos, punho e dedos em movimentos precisos, com tremores filtrados. Além disso, as pinças do equipamento alcança locais que a mão humana tem muita dificuldade, especialmente no caso de cirurgias de pequenos orifícios, como a de próstata e de rim.

Por isso, é importante frisar a todo o momento que o robô não substitui o médico, e que todo profissional deve ser muito bem capacitado para utilizar qualquer sistema robótico.

Por essas e outras, o poder dessas ferramentas tem sido transformador até no que pode ser considerado (erroneamente), por muitos, um mero detalhe: a questão da ergonomia. O console substitui as tantas horas que o médico passa de pé sobre um paciente por uma posição confortável que reduz a fadiga e as lesões por esforço repetitivo.

A robótica é uma tecnologia que permite que os cirurgiões façam um trabalho muito melhor e mais completo. Aprimorar os resultados dos pacientes e permitir que os médicos tenham esse desempenho, cada vez mais eficaz, são os pilares dos avanços que têm acontecido e dos muitos outros que chegarão em um futuro que é cada vez mais próximo.

POR QUE É TÃO IMPORTANTE UMA SEGUNDA OPINIÃO MÉDICA?

Um diagnóstico correto é o primeiro passo para um tratamento efetivo. Depois de uma primeira avaliação com um especialista, o paciente pode (e deve) recorrer à consulta de um segundo especialista para uma nova opinião médica. Essa busca deve ser encorajada, especialmente, se o médico não está tão seguro sobre o quadro do paciente.

 

Um estudo da Clínica Mayo, referência nos Estados Unidos em pesquisas de saúde, revelou neste ano que, depois de procurar a segunda opinião de um médico, em 88% dos casos houve divergência quanto ao diagnóstico. Apenas 12% dos participantes receberam a confirmação da primeira avaliação.

 

Para se aprofundar na extensão dos erros de diagnóstico, os pesquisadores examinaram os registros de pacientes durante dois anos. Em 21% dos casos, o diagnóstico foi completamente alterado e para 66% dos pacientes houve uma redefinição ou detalhamento do quadro.

 

A medicina não é uma ciência exata. Os profissionais dessa área estão sujeitos a erros como quaisquer outros. Muitas vezes, eles próprios recorrem à opinião de colegas e descobrem que estavam equivocados em sua avaliação. Além disso, há diferentes formas de tratar uma doença e, nem sempre, o que dá certo para um é o melhor para o outro.

 

Não ter um outro ponto de vista pode levar à realização de cirurgias desnecessárias ou à complicações que signifiquem procedimentos mais caros, atrasos na terapia ou até à piora do quadro. É preciso, por exemplo, avaliar se não há outras opções de tratamentos disponíveis, menos invasivas ou com melhor prognóstico. Uma segunda opinião deixa o paciente e a família mais confiantes. Não tenha vergonha ou receio de questionar o seu médico.

 

11 MITOS E VERDADES SOBRE SAÚDE DO HOMEM

Homens vivem em média 7 anos a menos que as mulheres, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Muitas vezes, eles não buscam ajuda especializada para seus problemas por medo de se mostrarem frágeis E, assim, o desconhecimento sobre a própria saúde só cresce entre a população masculina, dando espaço para que falsas informações ganhem força e se propaguem rapidamente.

Por isso resolvi abordar, em mais uma conversa com vocês, alguns mitos que envolvem a saúde do homem. Destaquei 11 temas:

1- “Câncer de próstata só acomete idosos”

MITO! Cerca de 35% dos casos da doença são entre pessoas de 40 a 65 anos. Homens que têm história familiar de câncer de próstata (pai, irmãos e tios) e/ou são da raça negra devem fazer exames preventivos a partir dos 45 anos de idade, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia. Existem fatores de risco nesses casos.

2- “O exame de toque retal dói”

MITO! O homem só sente um leve desconforto durante o exame de toque retal. O incômodo pode ser um pouco maior caso ele não esteja relaxado. O exame dura apenas cerca de 5 segundos. O risco da dor só existe se o homem tiver inflamação na próstata.

3- “Homens têm menos infecções urinárias que as mulheres”

VERDADE! A mulheres têm a uretra mais curta, o que torna as infecções mais frequentes. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), estimativas apontam que 50% das mulheres terão ao menos um episódio de infecção urinária na vida.

4- “Se o exame de PSA deu baixo, não preciso fazer o toque retal”

MITO! O PSA (sigla de antígeno prostático específico, em inglês) avalia somente se algo não vai bem com a próstata. Para determinar se é um tumor, uma inflamação ou apenas um aumento benigno, é preciso fazer o exame de toque. O toque retal é a única forma de se chegar a um diagnóstico definitivo. Cerca de 20% dos tumores de próstata crescem sem aumentar o PSA.

5- “Disfunção erétil pode ser um problema psicológico”

VERDADE! A disfunção erétil, ou impotência sexual, pode ocorrer tanto por questões físicas quanto psicológicas (10 a 20% dos casos). Quando relacionada à razões psicológicas, é uma reação a outros problemas, como más experiências, traumas sexuais, ou mesmo estresse, ansiedade, depressão e até baixa auto-estima. Este problema pode acontecer ao longo da vida, mas é mais comum depois dos 40 anos de idade.

6- “Câncer de próstata não é fatal”

MITO! O câncer de próstata é uma doença silenciosa que, em muitos casos, tem um crescimento lento e não apresenta sintomas. Apesar disso, é a segunda maior causa de morte no país, por câncer, entre os homens. Fica atrás somente do câncer de pulmão.  O diagnóstico precoce garante maior chance de cura ao paciente.

7- “Caxumba causa infertilidade”

VERDADE! A doença é causada por um vírus que, além de afetar a glândula parótida (glândulas salivares), pode acometer os testículos. Homens que têm caxumba depois da puberdade correm o risco de ter inflamação testicular, o que, dependendo da gravidade, pode causar uma atrofia do testículo e, logo, a infertilidade. Esses casos, no entanto, são mais raros.

8- “Homens não contraem HPV”

MITO! Homens e mulheres podem contrair o vírus HPV (papiloma vírus humano). Ele é transmitido pelo contato da pele e mucosas durante o sexo. Nos homens, além do surgimento de verrugas no órgão genital e ânus, pode gerar tumores na boca, garganta, pênis e ânus.  

9- “Fumar causa câncer”

VERDADE! O cigarro tem 43 substâncias cancerígenas. Tabagistas têm 10 vezes mais chance de ter câncer do que pessoas que não fumam.

10- “Câncer de próstata é hereditário”

VERDADE! Homens com histórico familiar de câncer de próstata têm maior probabilidade de ter a doença. É recomendado que eles façam o exame preventivo de câncer de próstata antes dos demais, aos 45 anos.

11- “Todo homem que tem câncer de próstata ficará impotente”

MITO! A impotência afeta cerca de 10% dos pacientes. Com tratamentos minimamente invasivos, como a cirurgia robótica, que garante maior precisão no procedimento, esses índices estão cada vez menores.

DOUTOR, QUAL A IMPORTÂNCIA DO EXAME DE TOQUE RETAL?

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Showa, no Japão, criaram um sistema de Inteligência Artificial que detecta tumores de todos os tipos em estágio inicial. O índice de acerto na identificação de mudanças neoplásicas (quando há crescimento anormal das células, gerando um tumor) foi de 86%.

Mas, enquanto esse tipo de tecnologia não é implantada nos serviços de saúde, no caso dos homens, vou continuar respondendo essa pergunta com um sonoro SIM: o exame preventivo de toque retal continua sendo o método mais seguro para diagnosticar o câncer de próstata, com até 90% de chance de cura, caso o diagnóstico seja feito precocemente.

Embora seja um exame que, de fato, salva vidas, os homens continuam subestimando sua importância. Segundo uma pesquisa de 2017 do Datafolha,  encomendada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), 21% dos entrevistados disseram que o exame de toque retal “não é coisa de homem”. Para outros 38% dos entrevistados ele não é “não é necessário”. A pesquisa ouviu 1.062 homens em sete capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Recife e Salvador.

O exame de toque retal é recomendado a partir dos 50 anos de idade. Aqueles que têm histórico de câncer de próstata na família, ou são da raça negra, devem procurar um especialista mais cedo, já aos 45.

É preciso fazer o exame de toque mesmo se o rastreamento de PSA  (sigla de antígeno prostático específico, em inglês) tenha dado baixo, pois o PSA avalia somente se algo não vai bem com a próstata. Para determinar se é um tumor, uma inflamação ou apenas um aumento benigno, é preciso fazer o exame de toque, a única forma de se chegar a um diagnóstico definitivo.

O motivo é que cerca de 20% dos tumores de próstata crescem sem interferir no PSA. Além disso, pelo toque, outras doenças, como tumores de intestino ou de reto, por exemplo, podem ser identificadas. Ele permite, ainda, estabelecer critérios para tratamentos de sintomas urinários.

E não passa de mito a ideia de que há dor durante o exame que, inclusive, é muito rápido: cerca de 5 segundos. O risco da dor só existe se o homem tiver inflamação na próstata.

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