Autor: Dr. Pedro Romanelli (Página 1 de 2)

HPV: Não é “só” uma verruguinha inofensiva

Em se tratando de doenças sexualmente transmissíveis (DST), duas coisas me assustam bastante nos últimos tempos. A primeira é o abandono da camisinha – sobretudo pelos jovens, que parecem encarar essa peça tão essencial e eficaz de proteção como algo “obsoleto”. A outra é o quanto esse mesmo público tem subestimado as DSTs. A impressão que eu tenho é a de que as pessoas acham que essas enfermidades equivalem a uma espécie de “resfriado” que passa com o tempo, sem maiores consequências.

Prova disso é o quanto elas andam se espalhando. Alguns posts atrás, falei aqui sobre o avanço da sífilis, cujos casos aumentaram de maneira estrondosa não só no Brasil, como em vários países do mundo. O HPV, infelizmente, também não fica para trás, e é sobre ele que vamos, ou melhor: precisamos conversar hoje.

As estatísticas não são nada animadoras. Um estudo epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em novembro de 2017 – o primeiro estimar a prevalência do vírus na população – detectou que mais da metade dos brasileiros entre 16 e 25 anos está infectada pelo Papiloma Vírus Humano. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão depois de entrevistar 7.586 pessoas – 5.812 mulheres e 1.774 homens. Desse total, 2.669 participantes foram submetidos ao teste de HPV. A prevalência do vírus apontada pelo teste foi de 54,6 % da população dessa faixa etária.

“Doença assintomática”? “Verruguinha que o médico cauteriza no consultório e pronto”? Vá devagar aí, amigo. Deste grupo, 38,4% apresentam tipos de HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.

VOCÊ DISSE CÂNCER, DOUTOR?

Sim, eu disse. Sobretudo tumores do pênis, ânus, boca e garganta. Mais de 150 tipos diferentes de vírus já foram catalogados hoje. Quarenta deles podem infectar as áreas genitais humanas. Doze são oncogênicos, ou seja, provocam infecções persistentes e lesões precursoras do câncer. As variantes 16, 18, 31 e 45 são as de mais alto risco.

É verdade que as mulheres correm um risco maior nesse sentido. O HPV – principalmente os tipos 16 e 18 – está associado a mais de 90% dos casos de tumores do colo do útero (para quem não sabe, é justamente visando a detecção precoce dessa doença que elas realizam o famoso exame ginecológico papanicolau). O carcinoma peniano, por sua vez, está ligado ao vírus em cerca de 30% dos casos, o que faz com que o homem ainda seja considerado um portador assintomático.

Esse, no entanto, nem de longe é um motivo para você ficar despreocupado. Em primeiro lugar porque, com ou sem sintomas da infecção, uma vez contaminados, transmitimos o vírus. A mesma variante que, no corpo masculino, não chega a causar sequer uma verruga genital (principal sintoma do HPV no homem) pode infectar eventuais parceiras sexuais – e, nelas sim, desenvolver o tão temido câncer cervical.

Some-se a isso o fato que os casos de câncer de cabeça e pescoço (nome genérico de tumores que acometem língua, céu da boca, faringe, laringe e amígdalas) causados pelo HPV em ambos os gêneros vem crescendo. Antes mais comuns em homens com mais de 50 anos, fumantes e consumidores contumazes de bebidas alcoólicas, essas neoplasias vem se tornando cada vez mais prevalentes em pessoas na faixa dos 30 aos 45 anos sem histórico de alcoolismo ou tabagismo. Um levantamento realizado por especialistas do A. C Camargo Center, em São Paulo, chegou a traduzir parte dessa realidade em números. Se há 10 anos o HPV respondia por 25% dos casos de câncer de amígdala, um dos mais frequentes na região da garganta, hoje está associado a 80% desses tumores. A principal forma de contágio, nesse caso, é o sexo oral desprotegido.

O papiloma é ainda o principal fator de risco para o câncer de ânus, que acomete tanto homens, quanto mulheres adeptos da prática de sexo anal.

BASTA USAR CAMISINHA, QUE ESTÁ TUDO CERTO?

Usar camisinha é uma atitude muito importante na prevenção do contágio pelo HPV, mas não a única a ser adotada. Calcula-se que o preservativo consiga barrar entre 70 a 80% da transmissão do patógeno, que também se dá por contato direto com a pele ou mucosa infectada. A vacinação, portanto, é outra importante medida a ser tomada.

Atualmente, existem duas vacinas disponíveis no mercado:  Cervarix®, da companhia farmacêutica GlaxoSmithKline, que protege contra os tipos 16 e 18; e a Gardasil®, da empresa Merck & Co, que, além desses dois tipos, que atua contra o 6 e o 11, causadores das verrugas genitais.

O ideal é receber a proteção a partir dos 9 anos, antes do início da vida sexual. A imunização é oferecida gratuitamente a meninos e meninas de 9 a 15 anos nas Unidades Básicas de Saúde de todo o Brasil. Aos portadores do vírus HIV, as doses são oferecidas até os 26 anos.

Leve isso muito a sério na sua família! Dados do Ministério  da saúde mostram que, de janeiro a 2 de junho deste ano, 594,8 mil adolescentes de 12 a 13 anos se vacinaram com a primeira dose da vacina de HPV, o que corresponde a apenas 16,5% dos 3,6 milhões de meninos nessa faixa etária que devem se imunizar.

Adultos também se beneficiam da vacina? Sim. Eficaz contra 9 tipos de vírus, ela é recomendada a homens até 26 anos e mulheres até os 45 idade. Nesse caso, porém, é necessário pagar pelas doses (nada baratas) em clínicas particulares. Vale lembrar que imunização não cura o HPV, mas previne o contágio pelas espécies virais que a pessoa ainda não “pegou”.

APARECERAM VERRUGAS NO MEU PÊNIS. E AGORA?

Ao detectar lesões verrucosas em seu pênis, sua primeira providência deve ser procurar um médico, que pode ser o clínico, o médico de família, ou o urologista.  O tratamento pode incluir queima da verruga com ácido ou nitrogênio líquido; aplicação de pomadas ou mesmo intervenções cirúrgicas.

Cabe ressaltar que a maioria das infecções por HPV (90%) se curam sozinhas em alguns meses, e “somem” em até dois anos – inclusive aqueles tipos de maior risco para câncer.

DE QUEM FOI QUE EU PEGUEI ISSO, DOUTOR? SÓ PODE SER …

 

Por favor, não perca tempo tentando completar essa frase, tampouco pressionando seu médico para que ele confirme se foi ou não o seu cônjuge/parceiro quem te transmitiu o vírus (Aliás, que saia justa, viu? Já passei por algumas situações assim no consultório).

Saiba que tanto você, quanto ele podem ter pegado HPV de relações anteriores – inclusive muito antigas, de décadas atrás. É perfeitamente possível, no entanto, que a doença tenha permanecido assintomática em um dos dois (ou em ambos) durante todo esse tempo e só agora veio a se manifestar.

O melhor que um casal tem a fazer diante de um diagnóstico de HPV, portanto, é focar no cuidado e no apoio mútuo.

Até o próximo post!

Homem também faz pré-natal!

O post de hoje é especialmente direcionado aos pais de primeira viagem, que aguardam ansiosos o nascimento do primeiro filho. Ou mesmo aos mais experientes, prestes a viver mais uma vez a indescritível emoção da paternidade.

Não só como médico, mas como pai de duas meninas, a primeira coisa que me cabe dizer é: parabéns! Bem-vindos a essa aventura tão especial e única na vida de um homem. Mas me dê licença de fazer também uma pergunta básica: como vai seu pré-natal?

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Vivendo com o HIV: a história de Fernando*

Sim, ainda precisamos falar sobre o HIV. Sei que esse foi assunto do último post, em que mostrei pesquisas e estatísticas. Sei também que não economizei em alertas e esclarecimentos técnicos e científicos.

Mas a verdade é que tudo isso, embora nos faça enxergar muita coisa, diz bem menos que a voz de quem vive com o vírus.

Por isso trago hoje o depoimento do Fernando*. Ele tem 34 anos e convive com a infecção há 8. Contrariando o mito que atrela a enfermidade à homossexualidade, ele se contaminou durante uma relação heterossexual.

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Aids avança entre homens

É mais do que oficial. Um levantamento divulgado este mês pelo Ministério da Saúde revelou que AIDS avançou entre os homens.

Realizada em parceria com a Universidade Federal do Ceará, a pesquisa submeteu 3598 indivíduos ao exame de detecção do HIV de 12 cidades brasileiras. Resultado: 18,4% dos participantes estavam infectados pelo vírus, contra 12,1% do experimento anterior, feito em 2016.  

Esmiuçadas, as estatísticas revelam uma particularidade. A prevalência da AIDS é especialmente preocupante entre homens que fazem sexo com homens (HSH, na sigla do Ministério). A incidência da doença nesse público aumentou 140% entre 2009 e 2016, sobretudo entre os jovens homossexuais (pessoas com menos de 25 anos).

Diante dessa constatação, as manchetes dos jornais figuraram mais ou menos assim:

“Em 12 cidades brasileiras, um em cada 5 homens que fazem sexo com homens tem HIV” (G1)

“Em SP, 1 a cada 4 homens que transam com homens tem HIV, revela estudo” (FOLHA)

Diante disso, você, que é heterossexual, pode então respirar aliviado, não é mesmo? Claro que a resposta é:

NÃO

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Incontinência urinária é coisa de homem sim, senhor!

A incontinência urinária se caracteriza pela perda involuntária de urina devido a uma disfunção da musculatura pélvica, problema que acomete uma a cada três pessoas acima dos 60 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia. Apesar de ser mais comum em idosos, a disfunção também pode atingir pessoas mais jovens por diferentes fatores.

De acordo com suas causas e tipos, o problema pode gerar diferentes sintomas, sendo:

  • incontinência urinária de urgência – em que a vontade de urinar é tão intensa que a pessoa não consegue chegar ao banheiro a tempo;
  • incontinência urinária de esforço – a perda de urina ocorre quando a pessoa, tosse, espirra, faz um movimento brusco ou uma força mais importante.
  • incontinência urinária por transbordamento – que ocorre porque a bexiga está sempre cheia e gera vazamentos, ou porque ela não se esvazia por completo, gerando gotejamento posterior.

Em que pese ser mais comum em mulheres, a disfunção também atinge homens, especialmente em condições de obesidade e esforço exagerado da região pélvica, e também aqueles que carregam muito peso, incluindo em atividades físicas, como musculação. Fatores psicológicos como depressão e ansiedade, e a relação com outras doenças de base, como esclerose múltipla e traumas raquimedulares também somam para o quadro.

Ainda no caso do homem, a incontinência urinária pode surgir como consequência de tratamentos cirúrgicos e de radioterapia para o câncer de próstata.

Qualquer que seja a situação que tenha comprometido a continência urinária, os tratamentos variam de medicação e fisioterapia à cirurgia reparadora. Os resultados serão mais ou menos satisfatórios de acordo com a causa e nível de incontinência urinária.

No caso específico do tratamento do câncer de próstata, é possível minimizar o problema com a realização de técnicas menos invasivas, como, a cirurgia robótica, que parece permitir uma recuperação mais precoce da continência.

Ao notar um aumento significante no número de idas ao banheiro e dificuldade de reter a urina, principalmente durante a noite, não hesite: procure um médico urologista, que estará apto a indicar o melhor tratamento para sua condição. Busque sua qualidade de vida. Em grande parte dos casos, o problema tem solução

Tudo o que você precisa saber sobre a vasectomia

Curioso como a vasectomia é normalmente um procedimento associado a jogadores de futebol, artistas e outras celebridades (solteiras ou não) que querem evitar “filhos-surpresa” e consequentes disputas judiciais por pensão alimentícia. Naturalmente que se trata de uma operação que pode servir a esse propósito, mas percebem a conotação machista dessa ideia? É como se estivéssemos falando de uma estratégia que nos “defende” das mulheres e suas “ocultas intenções”.

Prefiro encarar esse método contraceptivo pelo que ele de fato é (ou deveria ser): parte integrante do planejamento familiar – pacote de ações sob responsabilidade de ambos os sexos que visa não só evitar filhos indesejados, como promover e preservar a saúde de homens, mulheres e crianças.

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Quiz: você conhece mesmo o seu pênis?

Ele é nosso “parceiro” desde que a gente nasce. Há quem goste de chamá-lo por nomes pomposos – de Nabucodonosor a Calígula, passando por toda lista de monarcas vikings. Outros preferem apelidos como “sócio”, “amigo”, “campeão” e por aí vai. A julgar pela informalidade do tratamento, parece razoável concluir que os homens, de modo geral, constroem com o pênis uma relação de máxima intimidade e cuidados. Certo?

Como eu gostaria de concordar com essa afirmativa. A verdade é que o foco masculino é voltado demais à estética, ao tamanho e a potência da genitália, enquanto é alheio demais à saúde.

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toque retal

Todo homem precisa mesmo fazer o toque retal?

O que o medo do toque retal nos prova, no fim das contas, é que as fobias não têm mesmo nada de lógico. Lógico, afinal, seria temer o câncer de próstata. Este sim, quando não tratado a tempo, pode ocasionar prejuízos físicos, psicológicos e sociais de difícil superação. Impotência, incontinência urinária, apenas para citar alguns deles.

Já o exame de toque é um procedimento indolor e muito rápido. Entre o momento em que o urologista veste a luva de látex e o instante em que diz “pronto, pode se. vestir, senhor”, leva dois minutos, no máximo. É, portanto, certamente um fenômeno de raíz 100% irracional esse que leva tantos homens a atribuírem a um teste absurdamente simples tamanhos poderes sobre a masculinidade.

Mas, enfim, vamos à pergunta que deu origem a esse post — sem dúvida, uma das mais frequentemente feitas aos médicos brasileiros.“Eu tenho mesmo que fazer o exame de toque retal, doutor?”. Respondendo de forma franca e direta: talvez. Já a resposta completa seria: depende da sua idade, do seu perfil genético e do seu histórico de saúde.

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testosterona

Cuidado com a testosterona: o hormônio do tesão também leva mais cedo ao caixão

Já vi pessoas adotarem os mais diversos tipos de culto mas, recentemente, um específico tem me chamado atenção: o culto à testosterona.

Sim! O uso desse hormônio arrebanha cada vez mais fiéis, sobretudo do sexo masculino, seduzidos por alguns “milagres” prometidos aí: aumento da massa magra, músculos esculpidos,  emagrecimento rápido, força de Hércules e libido turbinada. Que paraíso, não é mesmo?

O problema é que o inferno fica logo ao lado. As “graças” alcançadas podem vir acompanhadas de desordens cardiovasculares e do fígado, infertilidade, câncer de próstata e até danos cerebrais.

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A incrível geração de impotentes formada pelo uso recreativo do Viagra

disfunção erétilDesculpe o banho de água fria. Ainda mais depois do último post, em que comemorei os 20 anos do Viagra, um medicamento, sem dúvida, pioneiro, que revolucionou o comportamento sexual masculino. Mas é justamente para que você tenha uma vida sexual com mais saúde e qualidade que faço o alerta. Me refiro ao oba-oba vivido por uma parcela crescente dos jovens contemporâneos, que, sem qualquer problema de disfunção erétil, vêm tomando a azulzinha por pura diversão, sem saber que, nessa brincadeira, enfrentam riscos de máxima potência.

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