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Você é totalmente sincero com o seu médico?

Você diz toda a verdade quando o médico pergunta sobre o que você come, bebe e quais são os seus hábitos? Sim ou não?

 

Um levantamento realizado nos EUA mostrou que a maioria das pessoas não 👎 A pesquisa das universidades de Utah, Iowa e Michigan concluiu que entre 60 e 80% dos pacientes mentem sobre algum aspecto quando vai a uma consulta.

 

O motivo? Medo de ser julgado 😕

 

O estudo contou com mais de 4.500 norte-americanos que tiveram seus questionários avaliados pelos pesquisadores. Uma parte deles tinha, em média, 36 anos de idade, e a outra, perto de 61 anos.

 

As perguntas envolviam temas como mentir ou omitir informações sobre a dieta, a prática de exercícios, automedicação e o cumprimento de instruções médicas.

 

👉 Muitos também não têm coragem de dizer que discordam da recomendação ou que não entenderam direito o que era para fazer. A maioria admitiu já ter deixado de contar pelo menos um detalhe relevante desse tipo para o médico.

 

Você pode estar se perguntando: “Mas por que isso importa tanto?” 🤔

 

A questão é que certos hábitos podem ajudar a definir diagnósticos e tratamentos, especialmente no caso de doenças crônicas. Para quem trabalha com urologia, como eu, o desafio é ainda maior, já que os pacientes têm dificuldade de admitir certas práticas e até sintomas.

 

Por isso, eu sempre digo que é importante haver um esforço das duas partes: os médicos devem melhorar suas habilidades de comunicação, e os pacientes devem se lembrar que os profissionais não estão ali para julgá-los, mas sim para ajudá-los em tudo o que for necessário.

 

Quando vier ao meu consultório ou no de outro especialista, lembre-se disso! Quanto mais franca for a nossa conversa, melhor!

O futuro está aqui: o uso de hologramas na medicina

Vocês sabem que tecnologia é um assunto que sempre me interessa muito. E, há alguns dias, eu me deparei com uma novidade que me convenceu ainda mais de que já estamos vivendo no futuro.

 

Com certeza vocês já ouviram falar em hologramas, certo? Ou então já viram essa tecnologia em ação em vários filmes, especialmente nos de ficção-científica.

 

Mas agora os hologramas são coisa da vida real e estão, inclusive, presentes na medicina: com eles, é possível fornecer aos médicos uma imagem 3D completa de um corpo ou órgão específico.

 

Tradicionalmente, as imagens geradas a partir da varredura de máquinas de tomografia computadorizada e ressonância magnética são fundamentais para as decisões dos cirurgiões. Somente analisando os tumores com base em fotos tiradas de diferentes ângulos, eles podem decidir quando e como remover os tumores.

 

Mas a o ponto fraco dos scanners é que as imagens produzidas são bidimensionais, e os cirurgiões nem sempre são capazes de fornecer um diagnóstico 100% preciso sem uma visualização completa.

 

Holografia

 

É aí que entra o grande trunfo da holografia. Ela possibilita a identificação de problemas com órgãos muito complexos, como o coração ou cérebro, onde anomalias podem ser bem sutis e até passarem despercebidas pelos exames tradicionais.

 

Esse tipo de exibição pode adicionar um nível de detalhes que os atuais serviços de telemedicina, que apresentam apenas imagens planas, não conseguem. Em 3D, o médico pode ter uma noção da profundidade de uma ferida, dos contornos de uma inflamação ou da extensão de uma fratura.

 

Os especialistas podem mover as imagens, dar zoom e manipulá-las de diversas formas, tendo uma sensação muito mais clara da dimensão física e da forma da anatomia humana para avaliar melhor a situação antes de uma operação delicada, por exemplo.

 

No Brasil

 

Aqui no Brasil, alguns hospitais já foram equipados com esse dispositivo para estudos clínicos, pesquisas educacionais e até atendimento. É o caso do Hospital Central do Exército (HCE), no Rio de Janeiro, onde uma junta de médicos-especialistas, em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), já usam a tecnologia para prestar atendimento médico dentro dos hospitais de campanha do município de Assis Brasil, no Acre.

 

No site da FAPERJ – Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, eles explicam que, além de ver o paciente em 3D, a junta interage na consulta, auxilia o médico local no diagnóstico de doenças de pacientes e até determinam a necessidade ou não de cirurgia e remoção para uma unidade hospitalar.

 

O aparato tecnológico foi desenvolvido pelos pesquisadores do Núcleo de Estudos de Tecnologias Avançadas da Escola de Engenharia (NETAv/UFF), em parceria com o Corpo de Saúde do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), e já está sendo utilizado semanalmente pelo Exército brasileiro.

 

Semelhante a um consultório comum, com maca, mesa e cadeira, o consultório virtual é equipado também com uma webcam, um microfone, Internet, um tripé – que garante a fixação de um celular capaz de fazer fotos nítidas –, um computador para transmissão de imagem holográfica e lâmpadas, posicionadas estrategicamente para garantir a boa visibilidade do paciente na sala.

 

Enquanto conversa com o médico à sua frente, o paciente também é ouvido e analisado por uma junta, reunida em um centro de saúde holográfico a quilômetros dali, em qualquer grande pólo urbano do País. Na sala, os médicos conseguem ouvir, conversar e ter a visão real da cena, como se estivessem também frente a frente com o paciente.

 

Nos últimos anos, vimos a tecnologia holográfica ser usada para permitir que CEOs, aspirantes a chefes de estado e estrelas da música se espalhassem pelo mundo. Agora, chegou a hora de vermos ela ajudar a salvar vidas e aperfeiçoar, cada vez mais, o atendimento médico a milhares de pessoas.

Cirurgia robótica: um avanço também para os cirurgiões

Muito se fala sobre os benefícios da cirurgia robótica para os pacientes. Eu mesmo sempre faço questão de ressaltar as vantagens das técnicas minimamente invasivas, inclusive aqui no blog.

Mas hoje eu vou tratar o assunto a partir de uma outra perspectiva. Afinal, a tecnologia também trouxe grandes avanços para o trabalho dos cirurgiões que, por meio da cirurgia robótica, são capazes de realizar intervenções muito mais complexas e desafiadoras.

Isso porque a inovação deu aos médicos e às equipes certas capacidades que vão além do que é naturalmente humano. Essas capacidades aumentadas são todas focadas em tornar a cirurgia mais eficaz, menos invasiva e mais fácil para nós e para os pacientes sob os nossos cuidados.

Ao mesmo tempo, as plataformas cirúrgicas inteligentes não substituem a habilidade, a experiência e o conhecimento do cirurgião. O que acontece é que elas elevam a visão e os movimentos a níveis que eram muito difíceis de serem alcançados.

A introdução da visão 3D de alta definição proporciona uma ampliação que dá aos médicos a capacidade de ver a anatomia de maneira mais clara e menos ambígua, possibilitando a capacidade de navegação em estruturas críticas com muito mais cuidado e precisão.

Em relação aos movimentos, as plataformas permitem que o computador e os algoritmos reproduzam fielmente os movimentos comandados pelas nossas mãos, punho e dedos em movimentos precisos, com tremores filtrados. Além disso, as pinças do equipamento alcança locais que a mão humana tem muita dificuldade, especialmente no caso de cirurgias de pequenos orifícios, como a de próstata e de rim.

Por isso, é importante frisar a todo o momento que o robô não substitui o médico, e que todo profissional deve ser muito bem capacitado para utilizar qualquer sistema robótico.

Por essas e outras, o poder dessas ferramentas tem sido transformador até no que pode ser considerado (erroneamente), por muitos, um mero detalhe: a questão da ergonomia. O console substitui as tantas horas que o médico passa de pé sobre um paciente por uma posição confortável que reduz a fadiga e as lesões por esforço repetitivo.

A robótica é uma tecnologia que permite que os cirurgiões façam um trabalho muito melhor e mais completo. Aprimorar os resultados dos pacientes e permitir que os médicos tenham esse desempenho, cada vez mais eficaz, são os pilares dos avanços que têm acontecido e dos muitos outros que chegarão em um futuro que é cada vez mais próximo.

POR QUE É TÃO IMPORTANTE UMA SEGUNDA OPINIÃO MÉDICA?

Um diagnóstico correto é o primeiro passo para um tratamento efetivo. Depois de uma primeira avaliação com um especialista, o paciente pode (e deve) recorrer à consulta de um segundo especialista para uma nova opinião médica. Essa busca deve ser encorajada, especialmente, se o médico não está tão seguro sobre o quadro do paciente.

 

Um estudo da Clínica Mayo, referência nos Estados Unidos em pesquisas de saúde, revelou neste ano que, depois de procurar a segunda opinião de um médico, em 88% dos casos houve divergência quanto ao diagnóstico. Apenas 12% dos participantes receberam a confirmação da primeira avaliação.

 

Para se aprofundar na extensão dos erros de diagnóstico, os pesquisadores examinaram os registros de pacientes durante dois anos. Em 21% dos casos, o diagnóstico foi completamente alterado e para 66% dos pacientes houve uma redefinição ou detalhamento do quadro.

 

A medicina não é uma ciência exata. Os profissionais dessa área estão sujeitos a erros como quaisquer outros. Muitas vezes, eles próprios recorrem à opinião de colegas e descobrem que estavam equivocados em sua avaliação. Além disso, há diferentes formas de tratar uma doença e, nem sempre, o que dá certo para um é o melhor para o outro.

 

Não ter um outro ponto de vista pode levar à realização de cirurgias desnecessárias ou à complicações que signifiquem procedimentos mais caros, atrasos na terapia ou até à piora do quadro. É preciso, por exemplo, avaliar se não há outras opções de tratamentos disponíveis, menos invasivas ou com melhor prognóstico. Uma segunda opinião deixa o paciente e a família mais confiantes. Não tenha vergonha ou receio de questionar o seu médico.

 

Câncer de rim: o que você precisa saber sobre essa doença letal e silenciosa

É pouco provável que você conheça alguém que enfrenta ou tenha enfrentado essa doença. Ao contrário do câncer de próstata (2ª maior causa de mortes entre homens), ou do mamário (o que mais mata mulheres em todo o mundo), os tumores renais são relativamente raros. Trabalhos publicados em periódicos como o Journal of the National Comprehensive Cancer Network apontam que sua incidência corresponde a menos de 3% total de carcinomas catalogados.

Por outro lado, quem já acompanhou um caso dessa enfermidade de perto frequentemente tem um final trágico para relatar. Segundo a Globocan (braço da Organização Mundial de Saúde que sistematiza estatísticas sobre diversos tipos de câncer), a taxa de mortalidade das neoplasias renais chega a 54% no Brasil. Ou seja: mais que o dobro da taxa de óbitos registrada para o câncer de próstata, que é de 25% (dados da Sociedade Brasileira de Urologia).

Estamos falando de um mal que, sim, muitas vezes avança de forma agressiva. A literatura médica, contudo, mostra que seu desenvolvimento pode ser lento em parte significativa dos pacientes. O maior trunfo do câncer renal é ser praticamente silencioso.

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