Câncer de rim: o que você precisa saber sobre essa doença letal e silenciosa

É pouco provável que você conheça alguém que enfrenta ou tenha enfrentado essa doença. Ao contrário do câncer de próstata (2ª maior causa de mortes entre homens), ou do mamário (o que mais mata mulheres em todo o mundo), os tumores renais são relativamente raros. Trabalhos publicados em periódicos como o Journal of the National Comprehensive Cancer Network apontam que sua incidência corresponde a menos de 3% total de carcinomas catalogados.

Por outro lado, quem já acompanhou um caso dessa enfermidade de perto frequentemente tem um final trágico para relatar. Segundo a Globocan (braço da Organização Mundial de Saúde que sistematiza estatísticas sobre diversos tipos de câncer), a taxa de mortalidade das neoplasias renais chega a 54% no Brasil. Ou seja: mais que o dobro da taxa de óbitos registrada para o câncer de próstata, que é de 25% (dados da Sociedade Brasileira de Urologia).

Estamos falando de um mal que, sim, muitas vezes avança de forma agressiva. A literatura médica, contudo, mostra que seu desenvolvimento pode ser lento em parte significativa dos pacientes. O maior trunfo do câncer renal é ser praticamente silencioso.

Prazer, câncer de rim, o mais “discreto” da família

O post de hoje, portanto, cumpre duas funções: chamar sua atenção para os sinais sutis manifestados pela doença, bem como apresentar as melhores alternativas de tratamento para quem vai precisar lutar contra ela.

Detecção precoce é sempre a melhor aposta

O melhor dos mundos é quando o diagnóstico do câncer de rim se dá na fase inicial, quando as chances de cura ultrapassam 90%. O problema é que é bem difícil que alguém chegue ao meu consultório suspeitando deste problema. Aliás, a situação mais comum é que o paciente me procure por indicação de especialistas de outras áreas, que me ligam previamente para relatar a desagradável surpresa que encontraram ao analisar uma tomografia qualquer – muitas vezes solicitada apenas para descartar hipóteses improváveis.

O que quero ilustrar com essa história é que o carcinoma renal é comumente identificado por suas metástases, pois os nódulos primários são capazes de permanecer assintomáticos por muitos anos. Os sintomas que eventualmente se manifestam são compartilhados por inúmeros outras doenças, o que dificulta ainda mais a detecção. Em todo caso, podemos destacar os seguintes sinais:

  • Sangue na urina
  • Dor lombar de um lado
  • Massa (caroço) na lateral ou na parte inferior das costas
  • Fadiga
  • Perda de apetite
  • Perda de peso
  • Febre
  • Anemia

“Então não tem jeito de detectar precocemente, doutor”. Calma, que existe sim. Um check-up anual, por exemplo, ajuda muito, sobretudo a partir dos 50 anos, idade em que a enfermidade é mais prevalente. A avaliação certamente evita descobertas terríveis no futuro. Havendo casos da doença na sua família, não hesite em comunicar ao seu médico pois esse quadro faz com que o acompanhamento precise ser iniciado bem antes, de preferência, com o auxílio de testes genéticos. O recurso permite rastrear síndromes hereditárias de predisposição ao tumor renal antes que elas se manifestem.

Quanto à prevenção, apesar das causas da neoplasia ainda não estarem muito bem definidas, é interessante prestar atenção a alguns fatores de risco, tais como:

  • Pressão Alta: estudos sugerem que o risco de ter câncer de rim é maior em pessoas com pressão arterial elevada. Portanto, mantenha a sua sob controle.
  • Uso de diuréticos: nunca tome essas substâncias sem indicação médica. Há pesquisas indicando que elas podem estar associadas a um aumento no risco de carcinoma de células renais (o risco é pequeno, mas para quê arriscar?)
  • Presença de doença renal: cálculos, cistos, mas especialmente aquelas doença que quem impõem a realização diálise (filtragem externa do sangue) ao paciente.

No mais, o que eu indicaria é a adoção dos cuidados preventivos contra o câncer de forma genérica, como evitar o tabagismo, manter um peso saudável, praticar  exercícios físicos, e cuidar da dieta, que deve ser rica em frutas e vegetais.

Enfrentando o inimigo

Cirurgia robótica: aliada no enfrentamento do câncer de rim

A extração do tumor é sempre a primeira medida do protocolo de tratamento. A radioterapia e a quimioterapia convencionais raramente dão resultados significativos, pois as células tumorais costumam ser resistentes a essas abordagens.

Até relativamente pouco tempo, a nefrectomia total (remoção completa de um rim, ou de ambos) era a conduta mais indicada diante da presença qualquer massa tumoral de tamanho superior a 4 centímetros. Hoje em dia, a tecnologia da cirurgia robótica permite remover toda a lesão (mesmo as maiores de 4 cm) de forma precisa, preservando o restante do rim.

Diversos estudos têm demonstrado que a nefrectomia parcial traz ganhos à qualidade de vida do paciente, já que a nefrectomia radical é frequentemente associada à insuficiência renal crônica, ao diabetes e às doenças cardiovasculares. Outros vantagens proporcionadas pela intervenção robótica são menor risco de hemorragias e infecções, além de menor tempo de recuperação pós-operatória.

A operação pode ser realizada também por técnicas convencionais – cirurgia aberta ou laparoscópica. Em Belo Horizonte, a cirurgia robótica está disponível no hospitais Mater Dei, Vila da Serra e Felício Rocho, instituições às quais tenho a satisfação de integrar o corpo clínico. Gravei um vídeo comparando todas as modalidades. Confira abaixo:

Até o próximo post!

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  1. José Maria Soares

    Fui operado pelo Dr. Pedro Romanelli. O procedimento foi a retirada de um cisto renal, lado direito, o que foi feito por videolaparoscopia. Digo que foi um procedimento cirurgico minimamente envasivo, tendo ficado menos de quinze horas internado no hospital. Deixo aqui os meus sinceros agradecimentos e os mais profundos elogios a este médico que é altamente profissional e totalmente capaz.

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