Uma pequena pílula para o homem, um considerável salto em qualidade de vida para (parte da) humanidade. Com a licença da paródia à célebre frase do astronauta americano Neil Armstrong, eu assim definiria o Viagra, droga para impotência sexual que completou duas décadas este ano.

Não seria exagero dizer que o medicamento lançado pelo laboratório Pfizer representou uma verdadeira revolução sexual. Além de permitir que milhões de homens no mundo inteiro voltassem a praticar sexo de maneira gratificante e satisfatória com suas parceiras com suas (seus) parceiras (os), o viagra atualizou nossas conversas sobre disfunção erétil. E isso, amigo, é muita coisa.

Imagine que o primeiro garoto propaganda do bendito comprimido foi nada menos que um engravatado senador americano. Membro do partido republicano, Bob Dole, à época com 73 anos, surpreendeu o planeta ao aparecer na TV para falar abertamente sobre um problema que, até então, era evitado ou tratado com reservas e eufemismos, pois era tido como extremamente constrangedor.

Vinte anos após lançamento do fármaco, a “falha na hora H” tornou-se assunto muito presente no cotidiano. Sexo sempre foi um tema corriqueiro dentro do universo masculino, mas, agora, é abordado com um pouco mais de leveza. O declínio do vigor sexual inerente ao envelhecimento, afinal, deixou de pesar tanto sobre nossos ombros.

Isso não significa dizer que essa é uma questão resolvida entre nós. Sim: ainda precisamos falar – e muito – sobre disfunção erétil, campo sobre o qual ainda paira muita desinformação. Um dos enganos mais comuns sobre esse distúrbio é de que ele é exclusivo dos idosos. Vamos então aos fatos e números, melhores antídotos contra o senso comum.

Um levantamento realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em parceria com a Sociedade Brasileira de Urologia revela que a disfunção erétil afeta 15 milhões de brasileiros – o que representa 30% da população economicamente ativa do país. Estatísticas apontadas em pesquisas como Disfunção erétil: resultados do estudo da vida sexual do brasileiro, desenvolvida na USP, encontraram registros ainda mais altos: 45,1%.

Ainda de acordo com a OMS, impotência sexual é prevalente na faixa etária dos 40 aos 69 anos, mas os jovens não estão livres do transtorno. Um em cada quatro homens com dificuldade de manter a rigidez peniana durante o ato sexual tem menos de 40. Problemas de ordem hormonal ou do sistema circulatório podem prejudicar até mesmo adolescentes, como mostra um triste relato publicado no site G1 .

Preparei aqui um “mini faq” sobre viagra e impotência sexual. Confira e compartilhe –  especialmente com aqueles que adoram bater no peito para dizer que “isso nunca aconteceu comigo”!

Diga que você tem certeza de que está tudo bem com o “distinto cidadão”. O post, na verdade, é para aquele amigo do amigo dele que, de vez em quando, ele comenta que “broxa”, ok?! 😉

A ‘azulzinha’ é a solução para a impotência sexual?
Não. O Viagra, na verdade, garante ereção para uma noite de sexo. Resolver o problema requer avaliação e tratamento do homem em sua integralidade.  A primeira providência de quem apresenta a disfunção erétil deve ser procurar o urologista.

Quais são as causas da disfunção erétil?
Inúmeras. A dificuldade em manter o pênis ereto pode ter raízes psicológicas (perda do emprego, dívidas, ansiedade, conflitos de relacionamento, etc), neurovasculares (doença de Parkinson, Alzheimer, trauma, AVC, entre outras), hormonais e medicamentosas. Fatores como realização de cirurgias pélvicas, alcoolismo, tabagismo, e obesidade são outros que, não raro, aparecem relacionados ao problema.

Não ter vontade de transar todos os dias é sinal de impotência?
Claro que não, rapaz! Se você sentisse vontade de fazer sexo todo santo dia, não seria humano, seria um alienígena!

Masturbação faz o homem broxar?
Fique tranquilo! Muito antes, pelo contrário, a masturbação é uma prática muito saudável, que estimula os músculos penianos e garante boa performance na cama.

“Brinquedos” do sex shop podem ajudar a resolver o problema da ejaculação precoce?
Pode apostar que sim. Especialmente porque a “ligeireza” para ejacular pode estar relacionada a algum estado de ansiedade ou nervosismo. Apetrechos sexuais contribuem para relaxar o casal, além de deixar o sexo mais divertido. 

O urologista é o médico do homem broxa?
Não vou nem responder  Óbvio que não. A partir dos 40 anos,  todos os homens devem procurar esse especialista regularmente, com foco na saúde de um modo geral.